Artigos de Psicologia

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Timidez, um jeito de ser!

Dr. Antonio Maspoli Timidez é algo que afeta a todos, em algum momento. Quem nunca sentiu medo de falar em público? Quem nunca ficou ansioso diante de um encontro? Quem nunca tremeu diante da possbilciade de ser descoberto como pessoa? Quem nunca suou frio ante sde se dirigir a pessoa amada? Quem nunca udou de calçada só para não ser notado? Muitos se sentem ansiosos antes de encontrar um grupo de pessoas novas ou ir a um novo encontro, mas muitas vezes diante da situação temida, esses sentimentos desaparecem. Quando esses sentimentos continuam a afetar suas relções interpssoais com outras pessoas, impedindo-o de realizar atividades do dia-a-dia, pode haver uma chance de que você esteja sofrendo de uma forma mais intensa de timidez tambem conhecida como transtorno de ansiedade social às vezes chamado de “fobia social”. Timidez não é doença. Pode ser até um traço de personlidade, que alguns enxergam até como algo charmoso… O problema é quando a timidez evolui para um nível de ansiedade tal que causa incapacitação e paralisação. Nesse caso estamos diante de um transtorno de aniedade cujo nome tecnico é Fobia Social. O tímido teme o lado mais obscuro de sua alma, a sua sombra. Só que não percebe que é desse lado obscuro de si mesmo que pode vir àqueles aspectos mais precisoso da sua personalidade como, a espiritualidade, a sensualidade e a criatividade. Quando o sujeito reprime o lado mais sombrio de si mesmo, e não o integra num todo harmômico, ele se fragiliza, ele se desumaniza e passa muitas vezes a ser dominado pelas trevas de si mesmo. Das trevas, contudo, Deus pode respalndescer a luz tão desejada. “ Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. ” (II Coríntios 4:4¨) O tímido pensa muito antes de tomar uma decisão. Teme se expor. Teme perder o afeto das pessoas que vivem em derredor. Teme ser rejeitado. Teme ser excluído. Teme… teme…teme…Quase sempre o tímido mergulha num mundo de fantasias de rejeição e autor rejeição. Ele sempre transfere todas as suas possibilidads de acontecer e causar para a próxima vez. Haverá uma proxima vez? Ou só haverá timidez? O tímido super valoriza o outro. O julgamento do outro norteia sua vida. A opinião do outro é sempre mais importante que seus juízos e valores. O outro esta no centro do universo, e o tímido escondido dentro de si mesmo.A timidez é uma das formas mais cruéis e de repressão e prisão. A timdiez passou a ter tratada mais recentemente como um transtorno de ansiedade. É a ansiedade social. Esssa ansiedade é uma forma extrema de timidez. Geralmente esse comportamento leva o sujeito para um mundo obscuro de sentimentos de autoconsciência negativa, inferioridade e temor do julgamento dos outros em situações sociais. Mundialmente é a terceira forma mais comum de distúrbio psicológico, depois da depressão e do alcoolismo. Existem dois tipos principais de ansiedade social: fobia social específica, quando alguém sente medo social e sente-se incapaz de se misturar com as outras pessoas e conviver normalmente na maioria das situações; e existe outra fobia social peculiar quando em uma situação particular, o sujeito sente medo de falar em público ou comer na frente de outras pessoas. Esse sentimento faz com a ansiedade chegue ao seu ponto máximo paralisando a pessoa. Ela começa então a suar frio, a tremer, a sufocar… Nesse momento se sente sob um severo julgamento público e imagina que todas as coisas podem dar errado. Geralmente o tímido é tomado por sentimerntos de estranhamento diante do outro e pode se sentir como se todo mundo estivesse olhando para ele somente para julga-lo e condená-lo e jamais para ama-lo, e aceita-lo. Esse sentimento pode ser extremamente incapacitante, gerando condutas de evitação. A pessoa passa então a evitar todas as situações que podem fazê-lo sentir-se ansioso. A consequencia é o fechar-se num mundo de solidão e fantasias de rejeição. Isso pode gerar sérias adificuldades em formar novos relacionamentos e manter aqueles que já existem. O tratamento da fobia sociail é geralmente muito bem sucedidol. Ansiedade social afeta as pessoas de maneiras diferentes, mas existem alguns sinais e sintomas que podem ajudar a identificar o problema. Os sinais físicos: sudorese, palpitações (sensação de batimento cardíaco aumentado ou irregular), boca seca, rubor e tremor são sintomas comuns de ansiedade. Você também pode achar que é difícil respirar. Pode sentir ainda que tudo o que sente pode transformar em um ataque de pânico. Às vezes, o medo dos sintomas em si pode causar um ciclo vicioso. Para piorar a situação o tímido imagina que tudo aquilo que sente é tambem percebido pelas pessoas que estão em seu entorno. Sinais psicológicos: Alguém com uma fobia social pode ser excessivamente analítico sobre um evento social normal. O tímido pode ser extremamente severo consigo mesmo. No caso de alguns cristãos com esse disturbio, eles costumam desenvolver um tribunal interior muito cruel onde se auto julgam e se auto condenam com muita severidade e crueldade. Depois o individuo pode se fixar num futuro negativo onde tudo pode dar errado, ou permanece ruminando sobre uma situação que já passou. Outro comportameto caracetristico da timidez é aquele de colocar na cabeça que fez tudo errado, e ainda preocupar-se demasiadamente sobre o que os outros pénsam respeito de si mesmo. Muitas pessoas com fobia social estão cientes do problema, e encontram maneiras de contornar essa situação. Quano isso não acontece o sujeito pode inclusive evitar situações sociais lançando mão do uso de drogas e álcool. O álcool é mais provável de ser utilizado por homens para ajudá-los a relaxar de modo que possam funcionar normalmente numa situação social estressante, e para aliviar os sintomas da ansiedade. Hoje o alcool tem sido usado igualmente pelas mulheres, especialmenet pelas mais jovens. Se o álcool é regularmente utilizado para escamotear problemas de ansiedade , ele pode se tornar um grande problema de saúde em si, por isso é importante

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Você se acha complexado? Todos nós somos complexados!

Dr. Antonio Maspoli A sabedoria popular incorporou a linguagem da psicologia de forma muito interessante. Geralmente quando alguém esta num ponto fora da curva, em termos emocionais, as pessoas dizem daquele sujeito: ele é complexado. Existem pessoas complexadas? O que é um complexo? Todos têm complexos? Todos são complexados? Em que sentido um complexo afeta a nossa vida? Complexo tem solução? Um complexo é um conjunto de ideias e imagens de conteúdo afetivo, que se dissociou da consciência por um trauma psicológico e, ou um conflito moral. Um complexo é autônomo e inconsciente em termos psicológicos, o que significa dizer que ele age independente da vontade do sujeito. O complexo possui o individuo e não o contrário.  Daí facilmente confundir-se um complexo com uma possessão. Em certo sentido todos somos complexados, pois todos nós possuímos complexos. Nem todos os complexos são negativos, maus, ou causam transtornos ao sujeito e aos seus relacionamentos. Existe complexo de amor, de sentimentos positivos e afetos bons. No mais das vezes, os complexos são de natureza inconsciente, encontram-se no inconsciente pessoal, confundem-se com a sombra, o lado sombrio da natureza humana. Às vezes o complexo é carregado de afeto negativo: raiva, inveja, ciúmes, ódio, medo, repulsa, compulsão etc. Nesse caso,  quando o complexo emerge na consciência humana,  faz o sujeito transbordar daquele sentimento e emoção correspondente ao complexo. Lembra-se daquela vez em que algo aconteceu, e você sentiu uma raiva desproporcional ao acontecido, e reagiu de modo intenso e desproporcional, e ficou cego de raiva, completamente tomado por sentimentos e emoções incontroláveis? Naquele  momento você foi dominado por um complexo. Ou lembra-se quando sentiu um desejo mais forte do que você? E esse desejo o dominou e você fez coisas,  que já jurou por diversas vezes,  que jamais faria?  Nesses momentos você foi dominado por um complexo. Os complexos por serem autônomos e inconscientes não estão sujeitos à vontade do sujeito. Daí a força que carregam. E quanto mais você luta contra um complexo, tanto mais ele se fortalece, como quando ocorre com uma paixão e ou um desejo muito forte. Por isso os complexos encontram-se atrás das grandes compulsões. Os complexos são os geradores, impulsionadores e mantenedores das grandes compulsões humanas. A compulsão sexual, a compulsão para comprar, a compulsão para comer, a compulsão para mentir, e mesmo a compulsão para falar, todas essas compulsões quase sempre escondem e representam um complexo. A compulsão representa o complexo em sua força e totalidade. A compulsão ocupa o lugar do complexo na consciência do sujeito. Quando um complexo é muito forte ele pode agir  sobre a personalidade do sujeito do mesmo modo de uma possessão, como ocorreu como a Sybil, aquela moça do livro e do cinema, um caso verdadeiro. Sybil apresentava dezessete personalidades diferentes, sem que uma personalidade soubesse da existência da outra, ou mesmo tivesse conhecimento da outra personalidade. Através de uma análise bem sucedida todas essas personalidades ou complexos foram integradas a sua consciência. O que fazer então?  Como lidar com um complexo? Somente por meio da análise é que um complexo pode ser integrado à consciência. Quando o complexo é integrado à consciência, a energia que ele carrega, oriunda e condensada pelo trauma que o gerou, é dissolvida e o complexo perde a sua força. Nesse caso não só o  complexo perde a sua força como o trauma e a compulsão correspondente desaparece!  A energia que antes era consumida pelo trauma e pelo complexo, agora é integrada a consciência e canalizadas para gerar saúde, criatividade, equilibro, energia, saúde e até espiritualidade. Não seja um complexado!

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As Representações Sociais do Corpo e da Sexualidade no Protestantismo Brasileiro

Antônio Maspoli de Araújo Gomes 1 maspoli@mackenzie.com.br “Pra entender a asserção de Rabi Shimon, devemos observar sua ênfase: ’não encontrei nada melhor para o (corpo do) homem do que o silêncio’; para assuntos relativos ao corpo, para temas físicos, quanto menos conversa, melhor”. (BUNIN, 1998, pp. 62) Resumo: esta pesquisa busca explicitar as representações sociais sobre o corpo e a sexualidade veiculadas no protestantismo, através da literatura publicada sobre este tema para o consumo dos membros de Igrejas. Inicialmente foram traçados dois objetivos para este trabalho: a) Explicitar as representações sobre o corpo e a sexualidade na patrística bem como no protestantismo de Martinho Lutero e João Calvino. PALAVRAS-CHAVE: Protestantismo, corpo, sexualidade. ABSTRACT: This research intended to clarify the social features on the body and sexuality linked to Protestantism, as viewed in the literature already published on this matter, for the use of church members. Primarily, two goals were established for this academic research. Firstly, it intends to demonstrate the features on the body and sexuality according to the patristic thought as well as in the Protestantism, represented by Luther and Calvin’s thought. Key Words: Protestantism, Body, Sexuality. Introdução O corpo humano é construído socialmente e historicamente determinado: Tem uma história e conta uma história. A história do corpo confunde-se com a história da filogênese humana, isto é; com a história do desenvolvimento da espécie. E reflete, de certo modo, a história social da humanidade. Neste sentido, repercute, também sobre o corpo, as contribuições das representações sociais construídas a partir das crenças e idéias religiosas. Esta assertiva é absolutamente válida quanto às representações do corpo no cristianismo as quais foram edificadas a partir da teologia cristã. Já, a história contada pelo corpo, na ontogênese, no desenvolvimento do indivíduo, reproduz de certo modo, a história da filogênese e incorpora o repertório de representações coletivas oriundas de uma determinada cultura num determinado intervalo de tempo, isto é; o corpo é histórico. Ele carrega consigo, na história do corpo individual, de um determinado indivíduo, a história do corpo da humanidade, do corpo da espécie. Esta afirmação torna-se válida também quanto à sexualidade humana. O homem exerce a sexualidade num espaço de tempo determinado atravessado pela economia, a política, teologia e, em certo sentido, pela religião. Estes fatores combinados determinam suas crenças sobre o corpo humano e sua práxis sexual. O tema do corpo no cristianismo protestante tem despertado pouco interesse dos pesquisadores no Brasil. Aqueles que pesquisam este assunto ainda são, em sua maioria, ligados às denominações protestantes, e por esta razão, dedicam seus estudos mais aos verbetes da enciclopédia teológica do que propriamente a formulação de uma teologia do corpo. Uma teologia do corpo parece não encontrar lugar nesta enciclopédia. E a tentativa de inserir o corpo nas pesquisas teológicas ocorre pela via da teologia adjetivada, da teologia pastoral. No protestantismo brasileiro, a teologia prática reflete a práxis do pastor e vincula-se a tradição denominacional e ao discurso oficial de uma determinada confissão protestante.  Isto, certamente, contribui para desestimular os estudos e pesquisas sobre o corpo e a sexualidade. Estas considerações trazem algumas questões à baila para reflexão: Quais as origens cristãs das representações do corpo e da sexualidade na Igreja Primitiva? De que forma o corpo e a sexualidade foram representados pelos pais da Igreja? Que lugar ocupa o corpo e a sexualidade na produção editorial veiculada na comunidade evangélica brasileira? Que relação existe entre as representações sobre o corpo e a sexualidade no protestantismo brasileiro com aquelas da teologia clássica do protestantismo? De que forma estas representações podem incluir as representações oriundas da cultura brasileira? Quais as implicações das representações sobre e o corpo e a sexualidade sobre a consciência individual? Quais as implicações das representações sobre e o corpo e a sexualidade sobre a saúde mental? O termo representações sociais, neste trabalho, será utilizado na mesma acepção dada por DURKHIEM (1989), MOCOVICI (1978) JODELET(1984), e BERGER (1985), isto é, aquelas representações coletivas geradas pelas crenças de um determinado grupo, no contexto de uma cultura, e que servem para organizar o conhecimento do senso comum responsável pela dinâmica da vida cotidiana. Tais representações podem ser geradas pelas crenças religiosas, pelas crenças científicas, através da mídia, por meio da empresa, por intermédio da  família e até nas relações face to face. Nesta pesquisa traba0lharemos com aquelas representações veiculadas nos livros sobre o corpo e a sexualidade que circulam no protestantismo brasileiro. Destacamos, neste trabalho, as contribuições para o estudo do corpo e da sexualidade, numa perspectiva protestante, dos pesquisadores LOTUFO JÚNIOR(1985), Corpo e dimensão espiritual; VELASQUES FILHO( 1985) Sobre comportamento protestante; MARASCHIN(1985) Fragmentos, harmonias e dissonâncias do corpo; ROSA(1985), Religião e sexualidade e; mais recentemente, o trabalho de CAVALCANTI ( 1992)  Libertação e Sexualidade. Inicialmente, foram traçados dois objetivos para este trabalho: a) Explicitar as representações sobre o corpo e a sexualidade na patrística bem como no protestantismo de Martinho Lutero e João Calvino e; b) Demonstrar como as representações do corpo e da sexualidade têm sido representadas na produção editorial e acadêmica sobre este tema no protestantismo brasileiro, especialmente na Pedagogia Sexual do Protestantismo. O Corpo nas Representações dos Pais da Igreja do I ao IV Século VERNANT ( 2002) apresenta o corpo do cidadão grego como legítimo representante do ideal da virtude que traduzia, na beleza das formas perfeitas, o sentimento produzido pela alhetéia, a verdade revelada pela natureza. O corpo grego era considerado o principal instrumento de construção e defesa da polis e por esta razão, deveria ser modelado pela prática dos esportes e pela arte da guerra. Este corpo, todavia, era considerado neutro em relação à sexualidade posto que o homem grego não conhecia o conceito de pecado sexual tal como formulado pela teologia cristã. Com algumas modificações, as representações sobre o corpo na sociedade grega foram incorporadas pelo Império Romano. A conversão do corpo helênico, moldado nos padrões de beleza grego romano, no corpo judaico cristão, obedeceu a um longo processo de transformação que durou mais de quatro séculos, do século I ao IV século d.C. O historiador BROWN,( 1990) realizou um mapeamento desta transformação utilizando como pedra de toque

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Um olhar sobre depressão e religião numa perspectiva compreensiva

Antonio Maspoli de Araujo Gomes* Resumo Esta pesquisa é uma abordagem compreensiva e interdisciplinar da depressão. As pes­quisas sobre depressão no contexto da religião ainda são escassas no Brasil. Através da revisão da literatura serão demonstrados alguns estudos que vêm sendo realizados neste campo. Busca esclarecer também algumas relações entre a depressão e as crenças religiosas. A depressão é analisada na moderna psiquiatria, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Este trabalho busca também compreender algumas relações entre depressão e religião. Palavras-chave: depressão; abordagem fenomenológica; religião e depressão; psicologia analítica de Carl Gustav Jung; psicoterapia. A glance at depression and religion in a comprehensive perspective Abstract This research is a comprehensive and interdisciplinary approach of the Depression. The research on depression in the context of religion are still scarce in Brazil. Through literature review this paper will demonstrate some studies which have been developed in this field. The relationship between depression and religion is examined in modern psychiatry, in analytical psychology of Carl Gustav Jung etc. This paper also seeks to understand some relationships between depression and religion. Keywords: depression; religion e depression; comprehensive approach; analytical psychology of Carl Gustav Jung; psychotherapy. E-mail: maspolipeixe@yahoo.com.br . Consideraciones sobre depresión y religión desde una pers­pectiva comprensiva Resumen Las investigaciones acerca de la depresión en el contexto de la religión aún son muy incomunes en Brazil. El presente trabajo intenta traer uma contribución hacia aclarar unos estudios que vienen siendo realizados en este campo. Además, busca compreen­der la posible relación entre la depresión y las creencias religiosas. És decir, considerar aspectos de la religión para el entendimiento de la depresión. Así que, las relaciones entre la depresión y la religión es analizada en la moderna psiquiatría, como también en la Psicología Analítica de Carl Gustav Jung, etc. Plantea además, entender algunas relaciones entre depresión y religión. Palabras clave: la depresión; el enfoque fenomenológica; la religión y la depresión; la psicología Analítica de Carl Gustav Jung; psicoterapia. Introdução A depressão está na ordem do dia. Dados divulgados pela Organiza­ção Mundial da Saúde (OMS) (2009) e publicados pelo Jornal o Estado de São Paulo (DEPRESSÃO. 2010) apontam que, nos próximos vinte anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doen­ças cardíacas. Segundo a OMS, a depressão será também a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção. Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas diretamente por transtornos mentais, a maioria delas nos países em desenvolvimento, segundo a OMS. As informações foram divulgadas durante a primeira Cúpula Global de Saúde Mental, realizada em Atenas, na Grécia. Os números da OMS mostram claramente que o peso da depressão (em termos de perdas para as pessoas afetadas) vai provavelmente aumentar, de modo que, em 2030, ela será sozinha a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde, afirmou à BBC o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS. Ainda segundo Saxena, a depressão é mais comum do que outras doenças que são mais temidas pela população, como a Aids ou o câncer. Em todo o mundo, os deprimidos são milhões. As estatísticas mais recentes da OMS indicam que 5% da população sofrem de depressão, com prevalência das mulheres (4,5 a 9,3%) sobre os homens (2,3 a 3,2%). De qualquer modo, é previsto que 10% das pessoas podem sofrer ao menos um episódio depressivo ao longo da vida. O início da doença pode ocorrer em qualquer idade, mas a adolescência e os primeiros anos da juventude são os períodos de maior risco, sobretudo para as mulheres. Os homens, ao contrário, correm risco de sofrer de depressão prin­cipalmente entre os 35 e os 44 anos de idade. Aproximadamente, dois em cada dez casos de depressão prolongam-se no tempo, tornando-se crônicos. Nas mulheres, a frequência da cronicidade é quatro vezes maior do que nos homens. Os períodos de prevalência da depressão são mais comuns no sexo feminino, sendo 3,2% no feminino e 1,9% no masculino. Estima-se que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres passarão por períodos depressivos em 12 meses. A depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens. Em 20% dos casos, a depressão segue um curso contínuo, especialmente quando não há tratamento adequado. Embora a depressão possa se manifestar em qualquer momento, a in­cidência mais alta é nas idades médias; mas há um crescimento reconhecido durante a adolescência e o início da vida adulta. Portanto, manifesta-se com maior frequência entre os vinte e cinquenta anos. Aproximadamente dois terços das pessoas com depressão não fazem tratamento. Entre os pacientes que procuram o clínico geral, apenas 50% são diagnosticados corretamente. A maioria dos pacientes não tratados tentará suicídio pelo menos uma vez na vida. Destes, registra-se que 17% conseguem se matar. (Pfizer, 2008). Este dado tem chamado a atenção da comunidade cientifica internacional e a depressão tem sido estudada e pesquisada visando melhor compreender suas causas, seus sintomas, formas de tratamento, relação com a cultura e com a religião. Visando contribuir com estes estudos sobre o esclarecimen­to das relações da depressão com a religião no Brasil, esta pesquisa é uma abordagem compreensiva e interdisciplinar da depressão. As pesquisas sobre depressão no contexto da religião ainda são escassas no Brasil. Através da revisão da literatura, serão demonstrados alguns estudos que vêm sendo realizados neste campo; busca esclarecer também algumas relações entre a depressão e as crenças religiosas. A depressão é analisada na moderna psi­quiatria, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Este trabalho busca também compreender algumas relações entre depressão e religião. A evolução histórica do conceito de depressão A depressão é uma enfermidade classificada pelo CID-10 (CID-10, 1993) na categoria dos transtornos do humor e deve ser considerada uma doença. O tempo de duração do surto, sua intensidade e persistência variam de acordo com o tipo de depressão classificada. É uma enfermidade

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