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O Simbolismo da Ceia do Senhor

Antonio Maspoli   Introdução A Ceia do Senhor ou Santa Ceia como tornou-se conhecido o ritual do partir o pão e tomar o vinho no protestantismo já foi estudada exaustivamente do ponto de vista teológico.  Para uma compreensão teológica da Ceia do Senhor remetemos o leitor aos abalizados autores a seguir: São Mateus (MATEUS 26:26-30); Tillich (TILLICH, 2007, p. 163); Klein (KLEIN, 2005, p. 29); Berkhof (BERKHOF, 1992, p. 226), Lutero (LUTERO, 1993, p. 227); Calvino (CALVINO, 2006, p. 141); Hodge(HODGE, 1877; 2001).  Sob a perspectiva psicológica nem tanto. Carl Gustav Jung não pesquisou a Ceia propriamente dita. Seus estudos focaram-se mais na compreensão dos fatores que levaram um ou outro teólogo em direção a esta ou aquela interpretação sobre a Ceia.  O pensamento psicológico de Jung sobre a Ceia do Senhor é embasado teologicamente. Jung apresenta inclusive um resumo histórico das quizílias teológicas que dividiram a Igreja Cristã em torno do debate sobre a Santa Ceia. O dogma da transubstanciação é um dogma tardio, que aparece sob a égide do Sacro Império Romano Germânico já no século XI da era cristã (JUNG, 1991, pp. 27-39) O autor da transubstanciação é o Abade Pascásio Radberto “com um escrito sobre a ceia cristã, onde defendia a doutrina da transubstanciação, isto é, afirmava que o vinho e a hóstia, na comunhão, se transformavam no verdadeiro sangue e verdadeira carne de Cristo” (JUNG, 1991, p.38).  Radberto foi contestado por Sscoto Erígena, filósofo e teólogo, que “era de opinião de que a ceia nada mais representava do que uma recordação da última ceia que Jesus celebrou com os discípulos, o que aliás, toda pessoa razoável vai pensar em qualquer tempo (JUNG, 1991, p. 30). Aqui Jung coloca sua posição na boca de Sscoto Erígena e generaliza. Jung protestante, também não acreditava no dogma da transubstanciação. A doutrina protestante sobre a ceia difere da doutrina católica da transubstanciação. A Reforma Religiosa do XVI século redimensionou a controvérsia sobre a Ceia do Senhor no debate travado entre Martin Lutero, João Calvino e Ulrico Zuínglio, em alemão Ulrich (ou Huldrych) Zwingli. Jung focaliza em sua pesquisa especialmente a controvérsia entre Martin Lutero e Zuínglio sobre a Santa Ceia. A doutrina da transubstanciação foi sancionada pelo Concílio de Latrão em 1215. Lutero fora criado nesta crença e tradição. Era lhe penoso romper com este dogma. A reforma protestante, contudo, exige uma nova interpretação da ceia.  Temeroso de romper com a Igreja ele propõe uma fórmula conciliatória. Não conseguia se libertar dos aspectos sensoriais da Ceia. “Defendia portanto, a presença real de Cristo na ceia. Para Lutero o cristão recebia “no e sob o pão e o vinho, o corpo e o sangue de Cristo” (JUNG, 1991, p. 74). Esta doutrina luterana sobre a ceia do senhor recebeu o nome de consubstanciação. “Segundo a chamada doutrina da consubstanciação, está realmente presente, além da substancia do pão e do vinho, também a substância do corpo sagrado” (JUNG, 1991, p. 74). reagiram Calvino e Zuínglio. Lutero procurou refutar os argumentos contrários a sua doutrina com a doutrina da onipresença ou volipresença de Deus. Doutrina esta que afirma que Deus está presente em toda parte, logo esta presente também no pão e no vinho da ceia do Senhor. Essa afirmativa de Lutero “queria conservar a realidade da impressão sensória e de seu específico valor sentimental”no ritual da ceia (JUNG, 1991, p. 75). A posição de Lutero suscita debate e oposição. A igreja que emerge da reforma se pretende e se afirma evangélica. A centralidade de o culto protestante estar na Palavra de Deus. Da forma como Lutero colocou a questão da ceia dava a entender que o centro do eixo litúrgico deixava de ser a Palavra. A ceia poderia ocupar o lugar central da celebração protestante. Zuínglio reage. “Em oposição ao ponto de vista de LUTERO, defendia ZUÍNGLIO uma concepção puramente simbólica. Segundo ele, tratava de uma recepção ‘espiritual’ do corpo e sangue de Cristo. Este ponto de vista se caracteriza pela razão e por uma concepção ideal da cerimônia.” (JUNG, 1991, p. 75). O princípio evangélico preservado por Zuínglio em sua concepção da ceia do senhor, para Jung era a Palavra de Deus (JUNG, 1991, p. 75).  Jung não escreveu nenhuma leitura psicológica da Ceia do Senhor, escreveu sobre a Missa. O simbolismo da Santa Missa (JUNG, 1988, 205-216). A obra retrata o mistério da missa de um ponto de vista puramente fenomenológico.  Não aborda, portanto, aspectos teológicos, uma vez que as realidades da fé ultrapassam o domínio da Psicologia. A psicologia não pode asseverar juízo de valor sobre os elementos espirituais físicos da Ceia. O seu campo de atuação é limitado. Foca-se nas conseqüências da Ceia sobre aqueles que dela participam. O rito da missa é, em cada uma de suas partes, um símbolo. Símbolo, neste caso não se refere meramente a um sinal arbitrário e intencional de um fato conhecido e compreensível, mas sim a uma expressão de caráter antropomórfico e por isso mesmo vivo, válido apenas em certas condições. O símbolo é na verdade a melhor expressão possível de um mistério, mas está muito abaixo do nível do mistério que significa. A missa, portanto, é um símbolo antropomórfico, de algo sobrenatural, e que ultrapassa a capacidade de compreensão do homem, o seu simbolismo também pode ser objeto de investigação da Psicologia. “Enquanto o símbolo for vivo, é a melhor expressão de alguma coisa. E só é vivo enquanto cheio de significado. Mas, uma vez brotado dele, isto é, encontrada aquela expressão que formula melhor a coisa procurada, esperada ou pressentida do que o símbolo até então empregado, o símbolo esta morto, isto é, só terá ainda significado histórico. “(JUNG, 1991, p. 444). Tomando como modelo a interpretação psicológica realizada por Carl Gustav Jung (JUNG, 1988) sobre o sacrifico da missa esta pesquisa fará uma interpretação psicológica do ritual da Santa Ceia na tradição protestante calvinista. Não se pretende interpretar a Santa Ceia, nem em termos exegéticos e, nem em sentido teológico. A Ceia será considerada somente quanto aos seus conteúdos puramente psicológicos os quais podem ou não ser evocados

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O Pensamento de João Calvino e a Ética Protestante de Max Weber, Aproximações e Contrastes

Resumo: O homem contemporâneo geralmente atribui a origem da ética protestante de Max Weber a teologia de João Calvino. Neste artigo o autor compara as principais categorias teológicas do pensamento de João Calvino com a ética protestante de Max Weber, demonstrando que o advento do capitalismo moderno é um processo posterior a Reforma Protestante do século XVI, produto talvez da cultura protestante norte-americana e explicitando as aproximações e contrastes que se verificam na obra de Calvino e Weber no campo da ética do trabalho. Palavras Chaves: teologia, sociologia da religião, ética, protestantismo.   Esboço esquemático da vida e obra João Calvino Lessa, (s.d.) traçou uma importante biografia de Calvino que passamos a considerar em nosso trabalho Além de outros autores. João Calvino nasceu em meio a uma teocracia. Nascido na cidade de Noyon, na França, aos 10 de julho de 1509, o que era então uma pequena cidade eclesial, dominada por sua catedral e seu bispo: desde o nascimento ele já teve o conhecimento e a experiência do significado de um governo de uma sociedade dominada pelo clero e exercido em nome de Deus. Além do mais seu pai, Gerard Chauvin, era secretário do bispo e ao mesmo tempo era fiscal de condado, o que lhe dava condição econômica privilegiada para os padrões da época. Calvino, comparado aos critérios contemporâneos, teria nascido na classe média, pertencia à burguesia. Calvino perdeu sua mãe ainda muito cedo e este fato marcou profundamente a sua personalidade.  Esta perda produziu um Calvino circunspecto, introvertido, fechado dentro de si mesmo, dono de uma riquíssima vida interior que mercê do Espírito Santo de Deus, produziu uma espiritualidade profunda e cautelosa. Tendo Gerard Chauvin ficado viúvo muito cedo (João Calvino era ainda muito jovem quando isto aconteceu) casou em segundas núpcias e acreditam alguns historiadores que muito da sobriedade de Calvino adviesse de uma estrita educação imposta pela sua madrasta, uma mulher refinada. Três dos seus irmãos foram consagrados por Gerard Chauvin ao sacerdócio, numa tentativa de melhorar o patrimônio da família haja vista que na idade média as riquezas pertenciam ao clero e a nobreza. Um dos irmãos de Calvino, Charles, veio a se tornar um herético e morreu recusando-se receber os sacramentos depois de haver se tornado um clérigo em Noyon.  Pouco antes de morrer foi excomungado pela Santa Sé. Somente seu irmão mais novo, Antonie, e uma de suas duas meio-irmãs, Marie, adotaram a fé Protestante de Calvino e mais tarde o seguiriam para Genebra. Calvino latinizou o nome da família Chauvin para Calvinus de onde veio mais tarde dar no francês Calvin. Irwin (1947) registra que Calvino estudou em Noyon depois, aos 14 anos de idade, foi enviado por seu pai a Paris, aonde viria estudar na Universidade de Paris. Ele se matriculou no famoso Colige de la Marche, onde ensinavam ilustres professores, como o latinista Mathurin Cordier e que viria mais tarde passar os seus últimos anos na companhia de seu ex-pupilo em Genebra. Dali ele passou para o ainda mais famoso Collége de Montaigu, aonde viria encontrar alguém que teria uma profunda influência na sua vida acadêmica que exercia uma forte influência sobre todo o corpo docente da escola, o intelectual conservador, Noel Beda. Ainda que mais tarde Calvino viesse a se afastar do conservantismo de Beda aprendeu com ele, em suas aulas de lógica, a grande arte da argumentação, que iria expressar em todo seu esplendor, na sua obra teológica. Registra-se que uma crise entre seu pai e a igreja ajudou nesta mudança que foi precipitada por uma disputa financeira entre seu pai e a catedral de Noyon, tendo o mesmo, mais tarde, sido também excomungado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Convém destacar que no mesmo ano de 1528, em que Calvino deixou a Montaigu, lá chegou àquele que viria ser seu mais austero rival, Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus e um dos maiores estimuladores da Contra Reforma. Ao mesmo tempo em que estudava Direito em Orleans, estudava grego com Melchior Wolmar, um alemão de tendência luterana, e assim vislumbrou a possibilidade de se tornar um humanista. Com a morte de seu pai, porém, em 1531, após completar o seu doutorado em Direito, ele dedico-se de corpo e alma ao estudo de línguas e de literatura, tendo, como conseqüência de seus dois novos interesses, a literatura e as idéias do florescente luteranismo. Ainda não se conhece no Brasil a influência de Lutero sobre Calvino. Em 1532, Calvino publica o seu primeiro livro, um comentário à obra De Clementia de Sêneca, este livro, Calvino já procurava induzir o Rei Francisco I a exercer clemência para com os protestantes da França. Segundo um dos seus maiores estudiosos; na contemporaneidade, John T. Macneill, esse livro tinha como intenção induzir o Rei Francisco I, a exercer clemência para com os Protestantes da França. Calvino demonstrava neste seu trabalho uma óbvia simpatia para com a causa Protestante, mas a oportunidade deveria forçar um pouco as coisas de modo que, um amigo íntimo de Calvino, Nicolas Cop, foi nomeado reitor da Universidade de Paris em 1553, e o seu discurso de posse recheado de críticas aos censores da Sorbonne, com citações que começavam com Erasmo, passando pela Doutrina Luterana da Justificação pela Fé, terminava com um veemente apelo para uma maior tolerância em relação às novas idéias religiosas da reforma protestante. O resultado foi tremendo, Nicolas e todos os seus amigos tiveram que abandonar Paris, ficando o mesmo com a cabeça a prêmio. Sem dúvida, este incidente acelerou a aproximação de Calvino com o grupo Protestante. Na sua fuga para Angoulême, Calvino encontrou na rica biblioteca de Louis de Tillet, a paz e a oportunidade para escrever suas Institutas. Depois de uma certa clandestinidade, Calvino volta a Noyon, é reconhecido, preso, solto e preso novamente para ser solto pouco tempo depois. Volta a Paris onde alguns simpatizantes dos Protestantes haviam colocado alguns cartazes desafiadores em vários pontos da cidade, o que fez recair uma violenta perseguição decretada por Francisco I sobre

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A alma tem fome de que? A alma tem fome e sede!

A Alma Tem Fome de Que? A Alma Tem Fome e Sede! Dr. Antonio Maspoli “A gente tem sede de que? A gente tem fome de que? A gente não quer só comida, A gente quer comida, diversão e arte…” (Titãs). Existe um livro do John Hillman, no qual eu estou refletindo, ao meu modo, para fazer essa reflexão, que se chama O Código do Ser. É um livro fantástico sobre o sentido da vida, escrito por um analista junguiano e cristão. Esse é um livro realmente bom de ler, você começa a ler e não para mais. Quando ouço essa música dos Titãs penso sempre na necessidade que se tem de alimentar a alma! A alma tem fome. A alma tem fome de que? Alimentar a alma. A alma precisa de alimento, e de muito alimento. A alma carece de diferentes formas de alimentos. A alma tem fome de Deus. Ela não prescinde da comunhão com Deus: “preciosas são as horas na presença de Jesus”. Isso, realmente é verdade, a gente precisa de momentos de profunda comunhão com Deus. Cada um sabe a sua necessidade. Essa necessidade varia de pessoa para pessoa. Varia também a forma de adquirir. Essa comunhão também é variável. Alimentar a alma com o alimento da pessoa de Cristo, do pão da vida, alimentar a alma com a oração, alimentar a alma com a prática do bem, ou pelo menos com a intenção de fazer o bem. Eu sou meio místico. Se não totalmente místico. Eu sou totalmente místico mesmo, porque para eu ter comunhão com Deus, eu realmente tenho que ter um tempo para ficar a sós com Deus, e falar com Deus. Eu não consigo isso de outra forma, então é necessário ter comunhão com Deus, é necessário ter uma vida de meditação. Essa também é uma experiência diferente para cada um. Existem pessoas para quem a oração é só aquela coisa formal. Hoje eu já ampliei muito esse conceito. Depois daqueles sete anos que eu acordei às quatro horas da manhã para orar e ler a Bíblia, muita coisa mudou na minha cabeça. Eu hoje acho que se você quer fazer o bem, isso por si só, é uma oração poderosa. Não precisa nem dizer “eu quero fazer o bem> Deus me ajuda!” Se você quer fazer o bem esta orando e alcançando a ajuda de Deus. Outros têm aquela necessidade de meditar mesmo, de contemplação, de buscar a Deus, de derramar o coração diante de Deus, e não tem como viver numa comunidade sem isso. Não se tem porque comunidade é uma coisa dinâmica, poderosa e tensa, muitas vezes. A comunidade é um organismo vivo. Ela passa por várias situações de conflitos, de tensões, e é preciso alimentar a alma. Alimentar a alma com o alimento da pessoa de Cristo, do pão da vida, alimentar a alma com a oração, alimentar a alma com a prática do bem, ou pelo menos com a intenção de fazer o bem. Aí eu colocaria uma coisa fundamental para desintoxicar a alma: o perdão. O perdão tem um poder de libertação, de cura, imenso. Primeira paciente que Freud atendeu – vocês podem procurar na internet “O Caso Ana O”, porque assim foi classificado por ele, que é o caso clássico, hoje, no mundo inteiro. Também, se quiserem, podem adquirir o vídeo, eu prefiro o vídeo Freud além da alma, que foi o filme escrito por Jean Paul Sartre – um negócio fantástico de ver, muito bem feito, porque foi Sartre quem fez sobre a vida, a pesquisa e a obra de Freud. Então, é uma síntese do pensamento do “bom velhinho” lá. O Caso Ana O, era uma paraplégica, e a única coisa que Freud fez foi ouvi-la e, literalmente, aceita-la. E a seu modo, perdoá-la. E ela andou. Ainda bem que ele não resolveu fundar uma Igreja pentecostal (rsrsrsr). E a única coisa que Freud fez foi ouvir compreender e perdoar. Quem perdoa, perdoa primeiro a si mesmo, perdoa primeiro a si próprio. Quem abençoa, abençoa a si mesmo em primeiro lugar! A alma humana tem muita fome, “ela não só quer comida, diversão e arte”. Ela quer tudo. Então precisa alimentar a alma também com atividades lúdicas. Alimentar a alma com música, alimentar a alma com a arte. Saciar alma com cinema. Alguns têm fome de ler – eu sou desses aí. Eu tenho fome de ler… Eu tenho que amanhecer o dia lendo bons livros. Sou viciado em ler, desde menino, então, sinto um vazio, uma coisa horrível, se eu não ler. Eu tenho que ler para alimentar a minha alma. Uma das compulsões que eu tenho é ler. Hilman afirma sobre a fome da alma e como alimentá-la. Essas pessoas têm que ouvir música, eu tenho uma parafernália eletrônica para ouvir boa música. Eu sou filho de músico também. Eu já fui gerado no meio da música, então é fome da alma mesmo por música. A alma tem fome. Fome de música, fome de arte, fome de cinema, fome de teatro, fome de diversão, fome de alegrai, fome de prazer. Tem mesmo! O quê que a gente observa na clínica? A pessoa chega lá com uma compulsão dessas bem loucas. Então ela começa a colocar isso para fora, a entender o que está acontecendo, a perceber que tem outras coisas que ele precisa “comer”, antropologicamente. Então ele começa a comer do corpo de Cristo, a beber do sangue de Cristo, a comer da carne da vida, a beber da água da música, a saciar a sede da arte, a sentir o gosto do lazer, o sabor do prazer… Então a compulsão começa a ceder. Naturalmente. Naturalmente, por quê? Porque a alma está se alimentando de outras coisas. A alma está se nutrindo de outras coisas. Se ela começa a ficar faminta de um lado, ela começa a comer demais de outro, a se empanturrar de toxinas. Quando a alma esta alimentada ela fica saciada de oxitocina, a substancia do amor

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Amar a si mesmo, um sentimento a ser aprendido!

Amar a si mesmo, um sentimento a ser aprendido! “Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim!” Dr. Antonio Maspoli Amar a si mesmo é um sentimento a ser aprendido. Nosso complexo cultural alimenta a baixa autoestima, nutre o desprezo por si mesmo, combate com todas as forças possíveis e impossíveis o amor próprio. Aquele que se ama, aquele que ama se a si mesmo, é visto com desconfiança. Quem já se viu uma coisa dessas? Alguém amar a si mesmo? Como é isso possível? O amor próprio, em alguns círculos, é um inimigo a ser combatido. O amor próprio é um dos pilares do bem estar e da saúde física, mental e espiritual. O respeito por si mesmo decorre do amor próprio. A autoestima depende do amor próprio. O cuidado de si mesmo é o resultado do amor próprio. Daí a pergunta: porque a sociedade tem tanto medo do amor a si mesmo? Para que a sociedade impõe a rejeição a si mesmo? A resposta é simples. Aquele que ama a si mesmo é livre. Livre para ser, é livre para decidir, é livre para existir. Aquele que se rejeita aquele que se odeia, e aquele que não se ama, empobrece a sua própria alma, esvazia a sua existência, fragiliza a sua essência. Torna-se um nada. Transmuta-se num ninguém. Transforma-se numa vítima fácil de manipulação, repressão e dominação! Amor próprio não se confunde com egoísmo. O egoísta não ama a ninguém. Nem a si mesmo e nem ao outro. O egoísta trata-se como um objeto, sente-se um objeto. Ele é um objeto de valor. Não uma pessoa de valor. Por isso o egoísta ver o outro como uma coisa a ser usada e descartada! O egoísta vive no isolamento e na prisão do ego. Uma pessoa só existe no contexto de relações humanas. Uma pessoa só existe para outra pessoa. O egoísta não existe nem para si mesmo e nem para o outro. Ele não existe para ninguém. Não é nada. O egoísta é apenas um objeto de adoração pessoal. Nem ele considera-se uma pessoa digna de ser amada. Não sabe o que é isso. Desconhece o amor. Desconhece o outro e a si mesmo. Seu ego foi coisificado, petrificado. Uma pessoa egoísta é incapaz de dar e de receber amor de outra pessoa humana. Amor próprio, portanto, não é egoísmo. O amor a si mesmo nasce do self e não do ego! Amor próprio não se confunde com narcisismo. O narcisista se alimenta da ilusão infantil de que o mundo gira ao redor dele mesmo. O narcisismo é uma patologia do amor. O narcisista imagina que é o centro do universo. Enquanto o egoísta está em dúvida se é Deus, o narcisista tem certeza. Um narcisista basta se a si mesmo, não precisa de mais ninguém. Sua frase predileta é “Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim “(Evandro e Patrícia Travassos, Ultraje a Rigor!). “ Diz o mito grego que Narciso era uma criança tão linda e admirada que sua mãe, Liríope, preocupada com esse excesso, levou-o até o sábio Tirésias. Ele lhe disse que o menino só teria uma vida longa se jamais visse a própria imagem. Por muito tempo essas palavras pareceram destituídas de sentido, mas os acontecimentos que se desenrolaram mostraram seu acerto. Na adolescência, Narciso era um jovem belíssimo, mas muito soberbo. Ao passear certo dia pelo campo, a jovem Eco o viu e se apaixonou por ele, mas o rapaz a repeliu. Um dia, cansado, Narciso dirigiu-se a uma fonte de águas límpidas. Eis então que a profecia se realiza: ao ver-se refletido no espelho das águas, enlouqueceu de amor pelo próprio reflexo. Embevecido, não tinha olhos nem ouvidos para mais nada: não comia ou dormia. Narciso só olhava para si. Apaixonado pela própria imagem, ensimesmado, busca para aplacar sua dor um outro que, sendo ele mesmo, não lhe responde. Realizasse, então, seu destino: mergulha no espelho e desaparece no encontro impossível. ” Sem a possibilidade de ver si a si mesmo, sem condições de ver o outro distinto da sua santa imagem, o narcisista mergulha nos devaneios e perde-se nas fantasias. Sem a possibilidade de reconhecimento do que é a própria imagem e do que é o outro, Narciso tornou-se pura visagem, e desfez-se nas miragens das fantasias… Condena-se a solidão absoluta. E petrifica-se nessa solidão. Narciso não cria laços; não partilha seu encanto. Não ama. Não se permite amar. Ninguém jamais o amará mais do ele mesmo. Perde-se na imagem de si. Também se perde e, no desencontro, entrega-se à repetição compulsiva, sem poder se separar da miragem idealizada.  Um narcisista é uma visagem… Amar a si mesmo é contemplar-se como uma totalidade. É ver-se como parte do universo. É olhar-se no espelho da vida como filho de Deus. É reencontrar-se no contexto de relação humanas possíveis. É redescobrir-se como parte do coração de Deus. É amar a si mesmo e aceitar as próprias fragilidades humanas, e reconhecer as próprias virtudes, sem exageros. Esse é o caminho para aceitar as fraquezas alheias. Amar a si mesmo é avaliar-se numa justa medida. Essa é a balança para se avaliar o próximo. Amar a si mesmo é a escola do amor ao próximo. Ninguém jamais amará o outro sem esse amor a si mesmo. Por isso Jesus determinou: “Amarás só teu próximo como a ti mesmo!”(Lucas 10:27).

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Emoções e sentimentos da depressão

Emoções e sentimentos da depressão   Os limites entre depressão e tristeza ainda não são muito claros. A tristeza é uma reação natural e saudável do cérebro em situações de estresse: perda de um ente querido, perda do emprego, perda do amor, doença, frustração etc. A tristeza geralmente tem uma causa determinada. O sujeito sabe por que se encontra triste, sabe exatamente qual é a causa da sua dor. Removendo-se a causa, a tristeza vai embora. A depressão também gera tristeza. A tristeza do deprimido, por outro lado, manifesta-se difusa. Não tem uma causa certa. É de longa duração, geralmente passa dos seis meses e as crises evoluem as vezes por anos, sem tratamento por vezes dura muito tempo (BOWLBY, 1985). A tristeza caracteriza-se como um dos principais sintomas da depressão, mas tristeza não é depressão. Quando alguém passa por uma situação de perda é natural que se sinta triste, chore ou se lamente. Às vezes, a pessoa mergulha numa tristeza profunda por alguma dor, perda ou luto. Esse comportamento é uma reação natural do organismo. Atualmente, entretanto, quando alguém procura um médico e queixa-se de tristeza é imediatamente medicado. A tristeza é tratada, indiscriminadamente, com o uso dos benzodiazepínicos. Tais fármacos foram descobertos em 1954 e desenvolvidos em larga escala a partir da descoberta do Clordiazepóxido, pelo químico Leo Henryk Sternback, polonês de origem judaica, nascido na Croácia. Desde então, se criou uma família de benzodiazepínicos. Tristeza é uma situação de estresse. A tristeza é um estresse intenso e profundo. A tristeza pode acontecer por uma perda, por uma dor, por um trauma, por uma doença. Às vezes, pelo envelhecimento, pelas circunstâncias da vida. A tristeza é uma dor e tem uma causa determinada. A pessoa sabe exatamente quando, como e porque ficou triste, como por exemplo, na tristeza do luto. O problema é que se a tristeza não se reverte num período de seis meses a um ano, num um período natural de luto, pode se transformar numa depressão. Depressão não é angustia. A angústia, todavia, pode ser um sintoma clássico da depressão. Não existem definições precisas da angustia. A angustia é a dor de estar vivo. Quando você percebe que está vivo, e percebe todas as implicações de existir, de ser, quando percebe a dor de estar no mundo como uma pessoa, às vezes, essa consciência dói muito. Dâmaris Cristina de Araujo Malta (2014) escreveu um texto profundo sobre Angústia, fé e sentido da vida. Para entender melhor o fenômeno da angústia, Kierkegaard divide-o didaticamente em: Angústia Objetiva e Angústia Subjetiva. A primeira se refere ao estado em que o Primeiro Homem se encontrava antes da queda, em estado ignorante ou inocente, no qual Adão desejava por algo que lhe faltava e que não será repetido por nenhum ser humano, pois este já nasceria sentindo a possibilidade do pecado e a presença da angústia, apesar de na maioria das vezes passar a vida inteira sem os compreender, não conseguindo entender o sentimento de falta. Para o autor, “a angústia tal como era em Adão jamais reaparecerá, porque Adão introduziu a pecabilidade no mundo” (KIERKEGAARD, 18–, p. 92) e cada pessoa experimenta a angústia de forma única e irrepetível (MALTA, 2014, p. 165). A angústia pode ser criativa. A angústia, quando não paralisa e encontra sentido, pode se transmutar num motor para a realização do ser e de projetos pessoais, os mais diversos. A angústia pode gerar arte, música, literatura, espiritualidade, produção etc. “A angústia possibilita a movimentação do Ser em busca de um sentido, não estamos nos referindo à angústia paralisante presente em muitos quadros clínicos de depressão, e sim à angústia provocativa, a que incomoda o Ser. A que faz o ser se dirigir ao seu modo mais autêntico de existir. A sensação de vazio impulsiona a procura por significações. Para despertar essa peregrinação é necessária a angústia, mas para senti-la não é necessário se enveredar pelos caminhos de busca de sentido. ” (MALTA, 2014, p. 179). O deprimido sofre pela ausência de amor. Ele não se sente amado e não ama. Não ama a Deus, não ama a si mesmo e, na maioria das vezes, sente medo e ansiedade diante do amor demonstrado pelo outro. O deprimido também não consegue amar o próximo. Vive aprisionado aos próprios medos, angústias, ansiedades, desilusões e decepções reais ou imaginárias. “A depressão é a imperfeição do amor. Para podermos amar, temos que ser criaturas capazes de se desesperar ante as perdas, e a depressão é a manifestação desse desespero” (SOLOMON, 2002, p. 15). Quando estão bem, alguns indivíduos deprimidos amam a si mesmos, alguns amam o próximo, alguns amam o trabalho e alguns amam a Deus. E qualquer um desses sentimentos pode fornecer o sentido vital de propósito, que é o oposto da depressão. O amor nos abandona de tempos em tempos e nós abandonamos o amor. Na depressão, a falta de significado de cada empreendimento e de cada emoção, a falta de significado da própria vida torna-se evidente. O único sentimento que resta nesse estado despido de amor é a insignificância. A ausência de amor parece estar na base do sentimento de insignificância do deprimido (RANGÉ, 2001, 145-150). Depressão é solidão, vazio existencial. Não aquela solidão natural a todo ser humano. É uma solidão maior. Trata-se daquela solidão diante do outro, o próprio Inferno de Dante. “É a solidão dentro de nós que se torna manifesta, e destrói não apenas a conexão com os outros, mas também a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo” (SOLOMON, 2002, p. 15). A depressão destrói a paz, o amor próprio e a segurança pessoal. Abala a fé e a esperança no futuro. É a mais segura das prisões humanas. O deprimido desacredita no amor, na fé e na esperança e mergulha no mais silencioso e terrível dos desesperos humanos: o desespero acompanhado, aquele que não acredita, não suporta e nem aceita a ajuda de outrem (FÉDIDA, 2002, p. 177). Mestre Aurélio (1965) conceitua solidão como “o estado do que se

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Timidez, um jeito de ser!

TIMIDEZ, UM JEITO DE SER! Dr. Antonio Maspoli Timidez é algo que afeta a todos, em algum momento. Quem nunca sentiu medo de falar em público? Quem nunca ficou ansioso diante de um encontro? Quem nunca tremeu diante da possibilidade de ser descoberto como pessoa? Quem nunca suou frio antes de se dirigir a pessoa amada? Quem nunca mudou de calçada só para não ser notado? Muitos se sentem ansiosos antes de encontrar um grupo de pessoas novas ou ir a um novo encontro, mas muitas vezes diante da situação temida, esses sentimentos desaparecem. Quando esses sentimentos continuam a afetar suas relações interpessoais com outras pessoas, impedindo-o de realizar atividades do dia-a-dia, pode haver uma chance de que você esteja sofrendo de uma forma mais intensa de timidez tambem conhecida como transtorno de ansiedade social às vezes chamado de “fobia social”. Timidez não é doença. Pode ser até um traço de personalidade, que alguns enxergam até como algo charmoso… O problema é quando a timidez evolui para um nível de ansiedade tal que causa incapacitação e paralisação. Nesse caso estamos diante de um transtorno de ansiedade cujo nome tecnico é Fobia Social. O tímido teme o lado mais obscuro de sua alma, a sua sombra. Só que não percebe que é desse lado obscuro de si mesmo que pode vir àqueles aspectos mais precisoso da sua personalidade como, a espiritualidade, a sensualidade e a criatividade. Quando o sujeito reprime o lado mais sombrio de si mesmo, e não o integra num todo harmômico, ele se fragiliza, ele se desumaniza e passa muitas vezes a ser dominado pelas trevas de si mesmo. Das trevas, contudo, Deus pode resplandescer a luz tão desejada. “ Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. ” (II Coríntios 4:4¨) O tímido pensa muito antes de tomar uma decisão. Teme se expor. Teme perder o afeto das pessoas que vivem em derredor. Teme ser rejeitado. Teme ser excluído. Teme… teme…teme…Quase sempre o tímido mergulha num mundo de fantasias de rejeição e autor rejeição. Ele sempre transfere todas as suas possibilidads de acontecer e causar para a próxima vez. Haverá uma proxima vez? Ou só haverá timidez? O tímido super valoriza o outro. O julgamento do outro norteia sua vida. A opinião do outro é sempre mais importante que seus juízos e valores. O outro esta no centro do universo, e o tímido escondido dentro de si mesmo.A timidez é uma das formas mais cruéis de repressão e prisão. A timidez passou a ter tratada mais recentemente como um transtorno de ansiedade. É a ansiedade social. Essa ansiedade é uma forma extrema de timidez. Geralmente esse comportamento leva o sujeito para um mundo obscuro de sentimentos de autoconsciência negativa, inferioridade e temor do julgamento dos outros em situações sociais. Mundialmente é a terceira forma mais comum de distúrbio psicológico, depois da depressão e do alcoolismo. Existem dois tipos principais de ansiedade social: fobia social específica, quando alguém sente medo social e sente-se incapaz de se misturar com as outras pessoas e conviver normalmente na maioria das situações; e existe outra fobia social peculiar quando em uma situação particular, o sujeito sente medo de falar em público ou comer na frente de outras pessoas. Esse sentimento faz com a ansiedade chegue ao seu ponto máximo paralisando a pessoa. Ela começa então a suar frio, a tremer, a sufocar… Nesse momento se sente sob um severo julgamento público e imagina que todas as coisas podem dar errado. Geralmente o tímido é tomado por sentimentos de estranhamento diante do outro e pode se sentir como se todo mundo estivesse olhando para ele somente para julga-lo e condená-lo e jamais para ama-lo, e aceita-lo. Esse sentimento pode ser extremamente incapacitante, gerando condutas de evitação. A pessoa passa então a evitar todas as situações que podem fazê-lo sentir-se ansioso. A consequencia é o fechar-se num mundo de solidão e fantasias de rejeição. Isso pode gerar sérias dificuldades em formar novos relacionamentos e manter aqueles que já existem. O tratamento da fobia social é geralmente muito bem sucedido. Ansiedade social afeta as pessoas de maneiras diferentes, mas existem alguns sinais e sintomas que podem ajudar a identificar o problema. Os sinais físicos: sudorese, palpitações (sensação de batimento cardíaco aumentado ou irregular), boca seca, rubor e tremor são sintomas comuns de ansiedade. Você também pode achar que é difícil respirar. Pode sentir ainda que tudo o que sente pode transformar em um ataque de pânico. Às vezes, o medo dos sintomas em si pode causar um ciclo vicioso. Para piorar a situação o tímido imagina que tudo aquilo que sente é também percebido pelas pessoas que estão em seu entorno. Sinais psicológicos: Alguém com uma fobia social pode ser excessivamente analítico sobre um evento social normal. O tímido pode ser extremamente severo consigo mesmo. No caso de alguns cristãos com esse disturbio, eles costumam desenvolver um tribunal interior muito cruel onde se auto julgam e se auto condenam com muita severidade e crueldade. Depois o individuo pode se fixar num futuro negativo onde tudo pode dar errado, ou permanece ruminando sobre uma situação que já passou. Outro comportameto caracetristico da timidez é aquele de colocar na cabeça que fez tudo errado, e ainda preocupar-se demasiadamente sobre o que os outros pénsam respeito de si mesmo. Muitas pessoas com fobia social estão cientes do problema, e encontram maneiras de contornar essa situação. Quano isso não acontece o sujeito pode inclusive evitar situações sociais lançando mão do uso de drogas e álcool. O álcool é mais provável de ser utilizado por homens para ajudá-los a relaxar de modo que possam funcionar normalmente numa situação social estressante, e para aliviar os sintomas da ansiedade. Hoje o alcool tem sido usado igualmente pelas mulheres, especialmente pelas mais jovens. Se o álcool é regularmente utilizado para escamotear problemas de ansiedade , ele pode se tornar um grande problema de

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