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O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto.

O  Caldeirão de Santa Cruz do Deserto. Prof. Dr. Antônio Máspoli de Araújo Gomes1 O milagre da corda A esperança é uma corda. Segundo tal rito, o oficiante – faquir, xamã… ou malabarista – lança uma corda, qual um laço. A corda eleva-se “no ar”, muito alto, sempre mais alto. Deveria cair. Mas o oficiante assegura que ela se fixou misteriosamente em algum lugar e, como prova, ele próprio ou seu discípulo sobe pela corda. A corda não se desprende. Sustenta-se, firme. E suporta o peso do homem que sobe. (Desroche 1985, p. 7). 1. Estudos sobre Messianismo no Brasil O surto messiânico milenarista que eclodiu no Brasil, em meados do século XIX e primeira metade do éculo XX, têm suas origens nas pregações de Influência de Joaquim de Flora em Portugal e na Europa, obra recentemente publicada (FRANCO; MOURÃO, 2005) por José Eduardo Franco e José Augusto Mourão (professores na Universidade Nova de Lisboa) é um dos mais importantes contributivos para o estudo do pensamento teológico e político na Idade Média. De fato, Joaquim de Flora (1130/35-1202), teólogo contemplativo da Ordem de Cluny, foi um dos mais influentes espíritos do século que marcou o nascimento da figura do intelectual e das universidades. A originalidade dos seus escritos deve-se, sobretudo à preeminência que dá no livro Concórdia Nova ao Espírito Santo, relativamente ao Pai (Idade dos Anciãos) e a Jesus Cristo (Idade dos Jovens). As duas primeiras idades correspondiam aos tempos primordiais da humanidade e à era de Cristo. Este ponto de vista transgredia a concepção comumente aceita de que o Gênesis bíblico correspondia a um Paraíso terrestre em que o homem e a mulher (Adão e Eva) tinham sido perfeitos e, por isso, felizes, até a queda pecaminosa que os fizera perder a pureza que era própria da sua grande espiritualidade. 1 Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Pós-doutor em História das Idéias pelo IEA da USP. Membro do Laboratório de Psicologia Social Estudos da Religião da USP. Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. E-mail: maspoli@mackenzie.com.br Joaquim Flora influenciou o Padre Antonio Vieira, especialmente em sua defesa perante o Tribunal do Santo Oficio. Essa defesa encontra-se publicada em dois volumes pela Universidade Federal da Bahia. Vieira influenciou com seu pensamento a construção do sonho messiânico brasileiro. DESROCHE (1985 e 2000) corrobora para aproximar o messianismo milenarista da estrutura onírica. Se a esperança é um sonho em vigília como já o queriam Aristóteles ou Platão, este sonho em vigília coletivo deve ser paradoxalmente um de seus momentos de ‘plenitude’. Cabe à sociologia esclarecer este sonho ‘da mesma maneira e pelas mesmas razões que o sonho esclarece o social’. (DESROCHE, 1985. p. 22). Pode-se considerar o sonho também como alienação. Este é o principal limite imposto aos estudos realizados a partir da matriz da psicológica histórica de Jean Pierre-Vernant e Carl Gustav Jung. Este é um risco que o pesquisador terá que correr. Assim, o sonho é a fonte conhecida de representação mitológica costumeira, o qual descreve uma situação em termos de verdade e de realidade psíquica interiores. O mito, portanto, segue essa mesma lei. COOMARASWAMY (apud. WITHMONT, 1990) coloca que a narrativa mítica tem uma validade que ultrapassa o tempo e o espaço, e é verdadeira em todo momento e em todo lugar. Ademais, é exatamente por sua universalidade que ele pode ser narrado, com igual autoridade, de vários pontos de vista diferentes. DESROCHE (1985, p. 40): Os mestres da suspeita – Marx e Nietzsche particularmente – esforçaram-se para desmascarar as ciladas da alienação. Será a esperança – como a religião – a atitude do homem que ainda não se encontrou ou então já se perdeu novamente? Ou, para retomar os termos de Marx, ‘o sol ilusório que se move ao redor do homem enquanto este não se mover ao redor de si mesmo’? ‘Alma de um mundo sem alma e espírito de uma situação sem espírito?’ ‘Auréola de um vale de lágrimas?’. Finalmente, ‘ópio do povo’? Todas essas acusações se mostram contundentes ainda mais quando tomam por alvo uma ou outra das situações correspondentes precisamente às formas quer de uma esperança volatilizada quer de uma esperança vedada… Esse ponto já foi analisado e é desnecessário voltar a ele. O fenômeno messiânico (SILVA. 2006, pp. 14-18) do campo religioso tem uma história recente na academia brasileira. Fenômenos como Canudos, Contestado, Pedra Bonita e Caldeirão foram pesquisados sob diversos aspectos: político, militar, social, econômico, etc. No entanto, esses fatos ainda não foram considerados sob a perspectiva da variável religiosa. A questão religiosa quase sempre foi deixada de lado nas pesquisas, como algo de somenos importância, seja pela falta de espaço na academia para pesquisas desta natureza, seja pela exigüidade de pesquisadores interessados neste tema. A análise destes fenômenos sob a perspectiva das ciências da religião pode contribuir para compreender importantes movimentos sociais ocorridos no Brasil em meados do século XIX e na primeira metade do século XX, como, por exemplo, a relação entre o êxodo rural e o advento do pentecostalismo e do neo-pentecostalismo. Pretende-se também colaborar para inserir na memória nacional aspectos relevantes relacionados a subcultura das classes sociais empobrecidas e excluídas da cadeia produtiva e também das grandes vertentes do cristianismo tradicional, seja do catolicismo romano, seja do protestantismo histórico. A história desses movimentos foi contada geralmente a partir da perspectiva dos vencedores, das elites dominantes. Tais narrativas tendem a privilegiar aspectos sociológicos importantes para a cultura destas e a relegar para o segundo plano aqueles aspectos relevantes para a compreensão do fato social total. Essa forma de abordagem tem levado, invariavelmente, ao esquecimento e por vezes obnubila a importância desses fenômenos para a compreensão da história das minorias, ou, dizendo de outro modo, joga no obscurantismo a história dos vencidos. Este procedimento pode levar ao esquecimento de aspectos importantes da subcultura e dos bens simbólicos desses movimentos religiosos (no caso de Canudos, a história foi contada pelos vencedores; e, na história do Caldeirão, silenciada por vencidos e vencedores). O fenômeno religioso messiânico-milenarista vem sendo pesquisado no Brasil desde meados do século XIX. Inicialmente explicado a partir de interpretações biopsicológicas e ambientalistas com

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O Mito de Lilith: Um Modelo do Feminino Para a Sociedade Contemporânea.

O Mito de Lilith: Um Modelo do Feminino Para a Sociedade Contemporânea. Antonio Maspoli de Araújo Gomes1 Vanessa Ponstinnicoff de Almeida2 1. Introdução A mulher do século XXI conquistou sua liberdade e sua igualdade jurídica perante a comunidade dos homens, contudo, a figura feminina continua envolta em uma bruma de mitos e de ignorância sobre seus papeis sociais. O papel que a mulher ocupa na sociedade atual demonstra claramente as conseqüências deste fato construído historicamente e que estabelece as normas que orientam sua posição no círculo social. Compreender essa dinâmica ao longo do tempo é essencial para que se identifiquem os fatores que interferem na imagem feminina e em suas possibilidades de alcance nos mais variados setores da sociedade. A mulher contemporânea é mãe, profissional, esposa e ainda deve encontrar tempo para cuidar de si. Nesse sentido, o presente estudo se propõe a compreender alguns aspectos do inconsciente e suas relações com o mito de Lilith a partir da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Pretende-se ainda demonstrar as relações possíveis entre o mito de Lilith e o lado obscuro da alma da mulher e sua integração na sociedade contemporânea. Por último esta pesquisa busca demonstrar como um mito pagão, pré-cristão, vem servindo de referência para a construção das novas imagens femininas em seus novos papeis sociais. 1 Teólogo e psicólogo jungiano. Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Pos doutor em História das Idéias pelo IEA da USP. Membro do Laboratório de Psicologia Social Estudos da Religião da USP. Professor do Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Fundador da Escola Superior de Teologia desta Universidade. 2 Psicóloga Clínica formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e aluna do curso de Especialização em Psicologia Clínica Junguiana pelo Instituto Sedes Sapientae – CRP N. 06/ 85252. 2. A Psicologia Analítica e Suas Relações Com os Mitos Pode-se afirmar que a díade masculino-feminino é universal, considerando que as questões de gênero sempre se destacaram nos mais variados estudos em toda a comunidade científica. No que diz respeito às questões psicológicas e à realidade da vida cotidiana, nota-se que grande parte dos objetos são vivenciados em pares de opostos que formam dualidades, tais como inconsciente-consciente, luz-trevas e, neste caso, masculino-feminino. A sociedade contemporânea tem buscado novos símbolos para compreender as ralações entre o homem e a mulher. Como exemplo, Withmont (2004) cita os antigos conceitos chineses de Yang e Yin, os quais incluem masculinidade e feminilidade, respectivamente, como princípios gerais ou imagens simbólicas. No entanto, o autor lembra que o uso desses símbolos não deve ser confundido com as características sexuais dos homens ou das mulheres. Ou seja, tais princípios básicos são representações puramente simbólicas das energias presentes na natureza que incluem aquilo que comumente se chama de masculinidade e feminilidade. Na filosofia chinesa, o princípio Yang é representado como elemento criador, gerador, ou ainda energia iniciadora. Simboliza a experiência da energia em seus aspectos de força, impulsividade, agressividade e rebelião. O princípio Yin, por sua vez, é representado como receptivo, dócil, retraído, frio, úmido, escuro, concreto, envolvente, continente, centrípeto, iniciador, os anseios e instintos, a escuridão e o espaço, o negativo, indiferenciado e coletivo. O autor continua, dizendo que a expressão associada ao princípio Yang é o da ordem, compreensão, iniciativa, separação e consciência, uma vez que tal princípio oferece caracterização manifesta para a orientação consciente no homem e, paradoxalmente aos traços inconscientes na mulher. Já a orientação manifesta ou consciente na mulher, seu Yin, é tido como muito mais enigmático que o princípio do Yang. Trobisch(1979) sintetizou estes princípios quando descreve uma cosmogonia indiana sobre a criação do homem e da mulher: “Conta-se, na Índia, esta lenda sobre a criação do homem e da mulher: Quando acabou de criar o homem, o Criador reparou que tinha usado todos os elementos concretos. Nada mais havia de sólido, maciço ou duro para criar a mulher. Depois de pensar muito tempo o Criador tomou a redondeza da lua, a flexibilidade da trepadeira e o farfalhar da grama, a finura da cana e o desabrochar das flores, a leveza das folhas e a serenidade dos raios do sol, as lágrimas das nuvens e a instabilidade do vento, a timidez dum coelho e a vaidade dum pavão, a maciez da penugem dum pássaro e a dureza dum diamante,a doçura do mel e a crueldade dum tigre, o crepitar do fogo e o frio da neve, a tagarelice dum papagaio e o cantar dum rouxinol! A astúcia duma raposa e a fidelidade duma leoa. Misturando todos esses elementos não sólidos, o Criador fez a mulher e a deu ao homem.” (p. 5-6) Em termos de sociedade, de maneira mais ampla, nota-se que a produção social da supremacia do masculino pelo feminino é histórica e culminou com a construção de uma estrutura social patriarcal e paternalista que, indiscutivelmente, vem sofrendo profundas transformações nas últimas décadas. Por esse motivo, é fundamental que se produzam reflexões acerca do papel da mulher e da importância do princípio feminino na sociedade, a fim de se compreender as possíveis influências desse aspecto nas relações interpessoais e na sociedade atual. Antes de qualquer afirmação, é importante ressaltar que em algumas referências à Psicologia analítica no Brasil, tanto sobre a vida, quanto sobre a obra de Jung, as primeiras traduções de obras sobre psicologia da religião deste autor, podem ter distorcido a imagem deste psicólogo contribuindo para apresentá-lo como um místico. Comparada à Psicanálise Freudiana, cujos conceitos seriam estruturados em objetos comprováveis, tais como a sexualidade e as pulsões, a psicologia analítica lidaria com conceitos alicerçados na recorrência de representações culturais. Para os críticos da metapsicologia junguiana, nada garantiria que os arquétipos e o inconsciente coletivo, por exemplo, tivessem causa psicológica empiricamente demonstrável. Nessa perspectiva, apesar das contestações dirigidas à psicologia analítica, vários teóricos, junguianos e não jungianos, acreditam que o desenvolvimento da neurociência, a nova ciência da mente, como a denominou Gardner,(1996;2000) nos últimos anos, possibilitará a compreensão das bases neurológicas do funcionamento arquetípico, além da leitura da obra de Jung por outra ótica mais próxima da objetividade científica. Assim, na base da visão junguiana

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Planejamento estratégico: Construindo uma vida com propósito

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: CONSTRUINDO UMA VIDA COM PROPÓSITO  ANTONIO MASPOLI   Nós vamos conversar sobre um tema muito relevante para a vida pessoal, para os negócios, para a carreira, para a empresa: planejamento estratégico.  E o faremos de uma forma muito simples, muito singela, respondendo à questão:  Como construir uma vida com propósito?  Pesquisa feitas na Universidade de Harvard na década de 30, com 200 pessoas bem-sucedidas cruzando as informações quanto aos hábitos, os costumes e as atitudes dessas pessoas diante da vida, levantou-se dados muito interessantes sobre a importância de ter propósitos e objetivos bem definidos. A mente humana consome de 20 a 30% de toda energia produzida no corpo, pense bem, um único órgão o cérebro consome de 20 a 30% de toda energia produzida no corpo, então a mente está preparada para viver em repouso. Na verdade, a preguiça, considerada um pecado capital no cristianismo, na neurociência é o estado ideal da mente. Posto que, a mente relaxada, alheia, apática, consome menos energia. Então a mente é auto programada para não fazer nada.  O estado ideal da mente é aquela caixa vazia, o lugar do nada na qual os homens mergulham quando estão estressados na frente da televisão.   A mente só se mobiliza quando tem um propósito, quando tem objetivos. Só um propósito, um objetivo principal definido tira a mente do estado de letargia, apatia e repouso.     As pesquisas citadas demonstram, por exemplo, que, quando você pensa frequentemente num objetivo você tem até 10% de possibilidade de concretizar o objetivo.  Quando você escreve o objetivo e coloca na sua frente, no seu local de trabalho, na sua mesa, na porta da geladeira, na sua sala etc. E descreve ali os seus objetivos, levanta de manhã e os lê e lê durante o dia, a possibilidade de realização do objetivo, salta para 25%.   Quando você resolve compartilhar seus objetivos com os amigos mais próximos, com os familiares e eles o encorajam a perseguir seus objetivos a possibilidade de realizar esses objetivos aumenta para 65%.    E quando você reúne esses mesmos amigos e compartilha os seus objetivos e se compromete com eles a apresentar resultados que sejam relevantes para eles e para a sociedade, esse número de realização de objetivos salta até para 90%.  Por quê? Porque quando se tem um objetivo a mente se mobiliza para conseguir os recursos necessários para alcançá-lo.   Primeiro é preciso saber para onde vai, usando até uma metáfora do filme Alice no País da Maravilha, num diálogo famoso entre Alice e o gato, ele diz para ela para onde você vai? E ela diz: não sei. E ele fala: quando você não sabe para onde ir qualquer caminho serve. Quando você não sabe para onde vai qualquer lugar serve!  Apenas 5% da população humana tem objetivos definidos para as suas vidas, para as suas famílias, para as suas carreiras, e para seus negócios.  Esses 5% governa os 95% que não tem objetivo algum.    Você poderá se defender e dizer:  mas eu não tenho os recursos…  A mente só vai criar, alocar, descobrir aonde estão os recursos, depois que os objetivos são traçados.  Tão importante quanto traçar os objetivos, é estabelecer prazo. Não adianta nada você dizer eu terei uma casa, vou construir uma casa, vou fazer uma viagem, vou fazer um curso universitário, vou fazer uma pós-graduação, vou investir na minha saúde, vou aprender a dançar, vou desenvolver a minha espiritualidade, se você não colocar o quando, por quê se você não coloca o quando, a mente continua desmobilizada, economizando energia.  Então você tem que saber para onde vai, você tem que saber como chegar lá, e você tem que saber quando fará isso.   Quando você tem um objetivo principal definido, quando você tem o como, e quando você tem o quando. Fechou o círculo necessário para a criação e consecução dos seus objetivos.  Aí a mente sabe o que fazer com tudo isso.   Os objetivos devem ser flexíveis claro. Fixo todos os anos os meus objetivos para minha vida, desde os 20 anos de idade.  E anualmente eu consigo atingir até 70% dos objetivos que eu tracei. Os objetivos que não consigo alcançar continuam na agenda para o ano seguinte até alcançá-los ou transformá-los em novos objetivos.    Inicialmente trace objetivos simples e fáceis de serem alcançados. Inicie com problemas simples, coisas fáceis de fazer, por que a medida que você for realizando for fazendo, você vai melhorando a sua autoestima, melhorando a sua confiança e treinando a sua mente para os grandes objetivos. Lembre-se um grande castelo é construído pedra por pedra. Uma mansão, um prédio, é feito tijolo por tijolo, step by step, passo a passo.  O importante é planejar, planeja sua vida, a sua vida pessoal, o que você espera da vida? O que você quer para você mesmo? Aonde você quer chegar com a sua existência? Necessário se faz planejar a vida da sua família, planejar a vida dos seus filhos. Contudo, planejar a vida dos filhos, não é interferir nas escolhas que eles farão sobre carreiras, sobre estudos, sobre casamentos, sobre universidade. Planejar a vida dos filhos é antes de tudo pensar nos filhos como um legado. Pensar em termos de objetivos como legado para os filhos: que tipo de pessoas você quer deixar para o mundo? Que tipo de filhos você quer deixar para humanidade? Que tipo de legado você quer deixar através dos seus filhos e dos seus netos? Se você não tem estes objetivos claros para você mesmo, como eles terão?   Quando pensar em sua carreira pense que a sua carreira pertence a você, e não a empresa onde você vende a sua força de trabalho. Aonde você quer chegar com a sua carreira? O seu trabalho, a sua força de trabalho lhe pertence. Você tanto pode vender para empresa que você está hoje, como pode vender para uma melhor, ou você pode criar a sua própria empresa, o seu próprio negócio planeje isso.   Segundo o SEBRAE 82% das empresas brasileiras fecham antes do terceiro ano, apenas 18% sobrevivem. Sabe por quê? Por que grande parte do empresário brasileiro

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O poder da fé na mudança de hábito

O poder da fé na mudança de hábito Dr. Antonio Maspoli “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. (HEBREUS 11:1). Todas as manhãs o sujeito levanta-se, abre os olhos, escova os dentes e lava o rosto. Faz isso desde criança. Nunca se perguntou porque faz isso. Nem precisa. Fez isso ontem, fez isso hoje pela manhã. E fará o mesmo ritual amanhã quando acordar. Valar um rosto é um hábito. A universidade de Ducke publicou um artigo em 2006 comprovando que 40 5 de todas as ações que as pessoas executam todos os dias não passam de hábitos. Não muito difícil criar um hábito, seja este positivo ou negativo. Difícil mesmo é mudar de hábito. Claro que é muito difícil mudar de hábito, mas é possível Mudar de hábito não é só possível, é poderoso também. Hábitos são formados pela cultura, pela religião, pela linguagem de modo inconsciente ou de maneira consciente. Formado o hábito ele permanecerá do modo como foi construído. Um hábito, consciente ou não forma-se do mesmo modo que um circuito elétrico. Um circuito elétrico que o neurocientista chama de sinapse. Uma sinapse é um espaço de junção especializada no qual ocorre a comunicação entre dois neurônios. É através da sinapse que o potencial de ação (impulso elétrico que leva uma informação) é transmitido. Quando se forma um hábito forma-se uma sinapse(CONSENZA E GUERRA, 2011). Quando uma sinapse vem acompanhada de uma emoção, a força da sinapse será proporcional a intensidade da emoção. Se a sinapse for repetida sempre ligada a mesma emoção vier a sinapse não apenas se estabelece. A sinapse se estabelece de forma poderosa. Uma vez criado a sinapse ou circuito permanecerá lá. Inicialmente formada no hemisfério cerebral direito, portanto consciente, posteriormente a sinapse passará para o hemisfério cerebral direto e permanecerá inconsciente. A sinapse poderá até ser esquecida, completamente esquecida, mas permanecerá no mesmo lugar, do mesmo modo, viva e ativa no hemisfério cerebral direito e no tempo presente. No hemisfério cerebral direito tudo se encontra registrado no tempo presente. 90 % das suas memórias estão lá, registradas no tempo presente. Você lembra apenas de 10% daquelas que estão conscientes por uma razão óbvia de economia da mente (KOLBe WHISLAW, 2002, p. 152-155). Um hábito forma-se quando uma ação consciente ou inconsciente, repetida ou não, forma uma sinapse. Geralmente a ação é desenvolvida para baixar a ansiedade, ou para fugir da dor, ou mesmo intencionalmente para sentir prazer. Ou apenas por necessidade. No primeiro momento e na primeira vez que ação é executada o sujeito sente-se aliviado ou recompensado por uma descarga de endorfina, serotonina, oxitocina, adrenalina etc. A endorfina é neurotransmissor, assim como a noradrenalina, a acetilcolina e a dopamina, e é uma substância química utilizada pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. É uma hormona, uma substância química que, transportada pelo sangue, faz comunicação com outras células, este é o hormônio do bem estar. Melhora o sistema nervoso central, proporcionando a elevação da auto estima, reduzindo sintomas depressivos e de ansiedade, além de manter o controle do apetite. (KOLB e WHISLAW, 1994, p. 152-155). . A serotonina é um neurotransmissor que atua no cérebro, estabelecendo comunicação entre as células nervosas, podendo também ser encontrada no sistema digestivo e nas plaquetas do sangue. Este hormônio é produzido através de um aminoácido chamado triptofano, que é obtido através dos alimentos.  A serotonina é um hormônio que atua regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais e por isso, quando este hormônio se encontra numa baixa concentração, pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão. (KOLBe WHISLAW, 1994, p. 165-167). . A Ocitocina ou oxitocinona é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na p90-hipófise posterior (Neurohipófise) tendo como função: promover as contrações musculares uterinas; reduzir o sangramento durante o parto; estimular a libertação do leite materno; desenvolver apego e empatia entre pessoas; produzir parte do prazer do orgasmo; e modular a sensibilidade ao medo (do desconhecido). A adrenalina, também conhecida como epinefrina, é um hormônio secretado por uma molécula das glândulas supra-renais(KOLBe WHISLAW, 1994, p. 152-155). . A adrenalina é muito importante para a manutenção da vida. Em condições normais, sua presença no sangue é muito pequena. Porém, nos momentos de excitação (medo, euforia) ou estresse emocional, uma grande quantidade de adrenalina é secretada para atuar sobre determinadas partes do corpo (nervos, músculos, pernas, braços), com o objetivo de prepará-lo para um esforço físico (correr, pular e movimentos que exigem reflexos de forma rápida) (KOLBe WHISLAW, 1994, p. 165-167). Uma sinapse que corresponde a algum hábito movida por uma ou mais dessas substancia é praticamente indestrutível. Daí porque as pessoas perdem tempo, recursos e dinheiro tentando vencer um hábito e muitas vezes a recompensam que recebem é o simples, puro e dolorido sentimento de fracasso. No entanto com um hábito não pode ser apagado, você poderá simplesmente mudar de hábito. Isto é criar um novo hábito para substituir aquele que você precisa mudar. Um novo habito que ofereça novas emoções e quem sabe as mesmas recompensas de endorfina, serotonina, oxitocina e adrenalina, uma ou mais dessas substancias do hábito anterior, porem menos danoso do ponto de vista espiritual, moral e social. O hábito antigo a ser mudado permanecerá lá. Sempre estará lá. O sujeito nunca conseguira muda-lo, comuto poderá substitui-lo. (DUHIGG, 2017, p. 79) .“São os anseios que impulsionam os hábitos. E descobrir como criar um anseio torna mais fácil criar um novo hábito (DUHIGG, 2017, p. 76). Charles Duhigg na obra O Poder do Habito (2017) apresenta com simplicidade precisão a anatomia do habito e fornece a regra de ouro para mudar de hábito. “Em vez disso, para mudar de hábito, você precisa manter a velha deixa e oferecer a velha recompensa, mas inserir uma nova rotina. Eis a regra: se você usa a mesma deixa, e fornece a mesma recompensa, pode trocar a rotina e alterar o hábito. Quase todo

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Mentoria

 Dr. Antonio Maspoli MENTORIA Considero a mentoria, na verdade, o caminho do mestre, o caminho do aprendiz, o caminho do aprendizado. Na verdade, a palavra mentoria é um nome novo, para uma prática milenar. Quando olhamos para a história e examinamos as grandes tradições religiosas do mundo, como o Budismo, o Judaísmo, o Cristianismo e mesmo o Islamismo, nós já encontramos a figura do mentor, do mestre. Mentor é aquele que anda no caminho primeiro e convida, ou aceita o seu discípulo ou os seus discípulos, para caminhar com ele no caminho caminhado. Por isso, eu concebo a mentoria como o caminho do discipulado. Mentoring é uma espécie de tutoria onde um profissional mais velho e mais experiente orienta e compartilha com profissionais mais jovens, que estão iniciando no mercado de trabalho ou numa empresa, experiências e conhecimentos no sentido de dar-lhes orientações e conselhos para o desenvolvimento de suas carreiras. Embora também possam ter um viés mais pessoal, esses ensinamentos vão ser focados na vida profissional do mentorado, ajudando-o com as principais dificuldades e barreiras que possam estar atrapalhando o seu sucesso. Isso faz com que essa metodologia seja aplicada principalmente em casos mais específicos, diferenciando-se do Coaching que tem uma abordagem mais ampla e abrangente.i Até hoje, forma-se por meio da mentoria o xamã, o feiticeiro, o médico. É através da mentoria que se forma o psicólogo, o analista etc. Por intermédio da mentoria, na Idade Média, formavam-se os grandes profissionais, nas corporações de oficio. A formação se dava sob a figura do mestre e do aprendiz. O mestre e o aprendiz tornaram figuras simbólicas da arte de transmitir e receber conhecimento, ciência e sabedoria. Nesse processo, o mestre transfere para o seu discípulo, ou seus discípulos, toda a sua experiência, todo o seu saber, todo o seu conhecimento (WUNDERLICH; SITA, 2013). A mentoria, portanto, é apropriada para a formação profissional especializada. Convenhamos: como formar um analista sem um mentor? Como formar um cirurgião plástico sem um mentor? Como formar um CEO, para dirigir uma grande corporação, sem um mentor? Como formar um sacerdote, um pastor, um rabino, sem um mentor?ii A mentoria pressupõe que existe um caminho, pressupõe que o mestre já trilhou aquele caminho e pressupõe que ele vai facilitar o outro a caminhar naquele caminho. O mestre é aquele que ensina o discípulo a caminhar com os seus próprios pés. Numa mentoria bem realizada, o discípulo vai aprender a fazer, mas vai fazer do seu jeito e, depois, pode até cantar “My Way” de Frank Sinatra: “To think I did all that, And may I say, not in a shy way, Oh no, oh no, not me, I did it my way”. (De pensar que eu fiz tudo, E talvez eu diga, não de uma maneira tímida, Oh não, não eu, Eu fiz do meu jeito!”iii No processo de mentoria, o objetivo é transmitir conhecimento, transmitir experiência, sabedoria, know how, tecnologia. Todavia, o mestre espera que o discípulo avance, transforme, crie, inove, e faça e aconteça melhor. Um grande mestre realiza-se, quando ele vê o seu discípulo ultrapassar os seus próprios limites de experiência e de conhecimento. A escolha de uma mentoria é feita com o coração. Quando você estiver numa mentoria, num caminho, e nele pulsa um coração, este é o caminho. Ande nele! Com toda certeza, numa mentoria bem-sucedida, o coração do mestre e o coração do discípulo pulsarão no mesmo ritmo, dançarão no mesmo compasso, harmonicamente, na mesma frequência. Enquanto o coach está focado na melhora do desempenho de metas pessoais, independente da experiência e dos atributos daquele que é orientado, o mentoring está focado na formação do colaborador a partir dos conceitos defendidos pela empresa na qual ele atua. Por isso, o mentoring geralmente é um profissional da mesma empresa, com mais experiência e vivência, que tem como objetivo compartilhar seus conhecimentos com o próximo.iv CONCLUSÃO A área de coaching tem crescido muito, não só no Brasil, como no mundo. Nos EUA, a International Coach Federation (ICF) – Federação Internacional de Coach – conta com mais de 17 mil membros. O coaching trouxe uma contribuição significativa para a aceleração de processos de mudança e aprendizagem. 90% do coaching ou mais se devem à Psicologia e à Neurociência. Do ponto de vista psicológica, coaching é um método de intervenção clínica ainda em processo de validação e consolidação. Coaching e aconselhamento não são a mesma coisa. Aconselhamento foca-se na busca de alternativas, coaching, no processo de mudança do sujeito. Psicoterapia também difere do coaching. Enquanto a psicoterapia investe na compreensão, prevenção e cura dos transtornos mentais e distúrbios de comportamentos, o coaching, por outro lado, tende a ser breve e focado na resolução de dificuldades específicas. REFERÊNCIAS ADAMS, M. V. The Fantasy Principle: Psychoanalysis of the Imagination. Hove and New York: Brunner-Routledge, 2004. ADELER, S. P. Hipnose Ericksoniana. Estratégias para a comunicação efetiva. Rio de Janeiro: Qualymark, 2015. ALEXANDER, F. G.; SELESNICK, S. T. História da psiquiatria: uma avaliação do pensamento psiquiátrico e da prática psiquiátrica desde os tempos primitivos até o presente. São Paulo: Ibrasa, 1968. ALVES, H. C. de O. Bases neurofisiológicas da hipnose. Disponível em: https://www.appmp.info/single-post/2015/11/18/bases-neurofisiol%c3%93gicas-da-hipnose. Acesso em: 24 abr. 2018. BAUER, S. Manual de hipnoterapia ericksoniana. 3. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2015. ______. Manual de hipnoterapia avançado e técnicas psicossensoriais. 2. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2016. BENDER, A. Personal branding: construindo sua marca pessoal. São Paulo: Integrare, 2009. CARDERNA, E.; LINN, S. J.; KRIPPENER, S. As Variedades da Experiência Anômala. São Paulo, Atheneu, 2013. CARTER, R. O livro de ouro da mente. O funcionamento e os mistérios do cérebro humano. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. CASTANEDA, C. A erva do diabo: os ensinamentos de D. Juan. 34. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2009. CHAGAS, C. et al. História do pensamento, do iluminismo ao liberalismo econômico. São Paulo: Nova Cultural, 1987. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA – Processo-Consulta CFM nº 2.172/97PC/CFM/Nº42/1999 – Hipnose médica . 1999. Disponível em: http://www.portalmedico.org.br/pareceres/cfm/1999/42_1999.htm Acesso em: 24 abr. 2018. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 013/2000 – aprova e regulamenta o uso da Hipnose como recurso auxiliar de trabalho do Psicólogo. xxx ______. Resolução CFP Nº 023/2007. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/portal/orientacao/resolucoes_cfp/fr_cfp_013-00.aspx. Acesso em: 24 abr. 2018. CONSENZA, R. M.; GUERRA, L. B. Neurociência e Educação. Como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011. CORTEZ, C. M. C.; SILVA, D. Hipnose, imobilidade tônica e eletroencefalograma.

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As várias faces da depressão

Dr. Antonio Maspoli Basicamente, existem as depressões monopolares (este não é um termo usado oficialmente) e a depressão bipolar (termo oficial). O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases depressivas com fases maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só possui uma fase, a melancolia. Aparece como uma forma depressiva da doença bipolar, anteriormente chamada de Psicose Maníaco Depressiva. Os pacientes depressivos bipolares são aqueles que alternam episódios de mania ou agitação com estados de melancolia geralmente na mesma intensidade. Uma classificação mais completa é aquela oferecida por Henry Ey et al. (1965, p. 184-226), que categorizou as depressões a partir do curso da melancolia aguda simples nos seguintes quadros: Depressão Melancólica Simples; Depressão Maior; Melancolia Estuporosa ou Catatônica; Melancolia Ansiosa; Distimia; Melancolia Delirante. Depressão Melancólica Simples. Caracteriza-se pelo surgimento de crises de tristeza e escassez de dor moral profunda. Geralmente, ocorrem em intervalos de seis a sete meses. Na Antiguidade, esse quadro era denominado melancolia com consciência. O buraco negro da depressão pode se manifestar sob diversas formas, pois não existe uma depressão, mas, sim, depressões. Compete ao psiquiatra identificar os vários tipos e prescrever o tratamento adequado. O sujeito se apresenta apático, neurastênico, fatigado. Apresenta ainda impotência diante da vida e improdutividade intelectual. O indivíduo se sente enfermo e tem necessidade de conforto. Depressão Maior. Esta forma é caracterizada por humor deprimido, em que o indivíduo comunica por meio da fala, da mímica e do comportamento uma vivência de dor e abatimento (manifesta em aumento da irritabilidade, acessos de cólera, frustração, tristeza etc.). Essa vivência é diferente da tristeza normal, a que cada um está sujeito mediante situações desfavoráveis da vida, tanto em intensidade e duração como pela sua natureza. Além disso, contrariamente ao que se sucede na tristeza normal, o indivíduo atingido por essa forma de depressão se mostra insensível ao encorajamento, à amizade e ao amor. Outros sintomas associados a esse mal são: diminuição ou desaparecimento do interesse e do prazer em todas, ou quase todas, atividades habituais, como a presença do companheiro ou dos filhos, a prática de esporte, a música e os hobbies. Ocorre o abrandamento da atividade psíquica e motora, que leva o deprimido a falar e a se mover pouco, e, quando o faz, é lentamente e com dificuldade. Há ainda a falta de energia, o sentimento de inadaptação, de inutilidade, de desespero, de culpa; falta de apetite e perda de peso; perturbações do sono (sofre de insônia quase total ou de despertar matinal precoce; pensamentos de morte e, por vezes, ideias ou tentativas de suicídio). Os períodos de depressão têm início e fim, mais ou menos, identificáveis e, entre um período e outro, o indivíduo deprimido se sente bem. Cada episódio pode se manifestar espontaneamente ou após determinados momentos de estresse. Melancolia Estuporosa ou Catatônica. Esta forma alcança seu ápice na total inibição psicomotora. O deprimido fica absolutamente imóvel − a chamada imobilidade cérea: não fala, não come, não produz nenhum gesto, nenhum movimento. Sua face permanece fixa em uma expressão de dor e desespero. Essa mímica de tristeza facilita o diagnóstico diferencial dos outros quadros depressivos. Na esquizofrenia catatônica o paciente pode permanecer sentado, imóvel, com as mãos sobre os joelhos, dorso e cabeça curvado, na posição fetal ou como múmia. Na catatonia, o paciente mostra uma expressão facial vazia, mas com rápida circulação e batimentos cardíacos, sugestivo de medo; o olhar pode mover-se rapidamente como de forma persecutória. Geralmente a pessoa com o episódio agudo de esquizofrenia catatônica não apresenta maiores resistências e aceita ser encaminhada e internada em um hospital. Após a internação, é comum apresentar negativismo. Porta-se de forma rígida quando examinada e flexibilidade cérea, ou seja, se colocada em uma posição incomum, retém esta posição por um certo tempo, depois, como se fosse uma estátua de cera derretendo, o membro vai retornando à sua posição normal de forma lenta. Esse comportamento representa uma suspensão da vontade, a qual se expressa também pela ecolalia e ecopraxia. Melancolia Ansiosa. Esta forma se caracteriza pelo predomínio da agitação ansiosa, pela intensidade do medo, o qual é vivenciado, às vezes, como Síndrome de Pânico. O sujeito, nesse estado, tem necessidade de mudar de lugar, mexe com as mãos, lamenta, soluça, geme, suplica. Geralmente a ideia de que vai morrer ou de que algo terrível está para acontecer acompanha os sentimentos. Esta forma de depressão tem frequentemente origem em traumas e disfunções no seio da família. A depressão ansiosa é muito sensível aos fármacos e à psicoterapia. A ansiedade pode ser uma das manifestações da melancolia. Distimia. O termo indica uma forma de depressão ligeira, crônica, que perdura por um período mais longo. Embora qualquer pessoa possa se sentir desmoralizada, desmotivada, triste ou inadaptada, quem sofre de distimia apresenta sintomas depressivos quase que diariamente e durante grande parte do dia por um período mínimo de dois anos. O indivíduo pode ainda demonstrar baixa autoestima, comer e dormir mais ou menos do que o habitual, sentir-se fatigado, ter dificuldade em se concentrar ou tomar decisões e experimentar uma sensação de desespero. Tais sintomas, porém, são menos graves do que os da Depressão Maior. Melancolia Delirante. As ideias delirantes em alguns quadros de melancolia foram estudadas por Seglas, que classificou essa forma de depressão. Esse quadro depressivo apresenta as seguintes características: (a) uma tonalidade afetiva penosa e sofrida; (b) ideias monótonas − o sujeito expressa sempre as mesmas ideias de forma repetitiva; (c) as ideias delirantes são fracas e geralmente mais ricas em emoções do que em intelecção; (d) apresentam conteúdos passivos − o sujeito aceita sua tragédia pessoal como uma sina, um destino, uma predestinação; e (e) os delírios apresentam referência ao passado (recriminações, remorsos etc.) ou ao futuro (temor, ansiedade etc.). Os temas das ideias delirantes mais frequentes são: Culpabilidade. Consiste em ideias de falta, de mancha, de pecado. Manifestam-se por meio de um sentimento de indignidade perante Deus e a vida. No campo religioso, predomina o sentimento de ter ofendido a santidade de

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