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Estratégias para o tratamento da depressão

Dr. Antonio Maspoli SOLOMON (2002) lista inúmeras formas de tratamentos. O século XX, marcado pelo cientificismo, foi palco do antagonismo entre a fé e a razão, a religião e a ciência. A psiquiatria (e mesmo a psicologia) considerava a intervenção religiosa sobre a depressão com certa desconfiança. Esse quadro está em rápida mudança. O tratamento da depressão atualmente recomenda a utilização de algumas estratégias conjugadas: (a) tratamento psicofarmacológico; (b) tratamento espiritual; (c) tratamento psicoterápico ou psicológico; (d) qualidade de vida; e (e) acolhimento do grupo familiar e da comunidade. Estratégia psiquiátrica: os antidepressivos O primeiro passo no tratamento é consultar o médico, que irá estabelecer as causas bioquímicas. Ele precisa reconhecer os sintomas e saber por quanto tempo o paciente tem se sentido deprimido. A visita pode incluir exame físico e testes laboratoriais. Descartados problemas físicos, o médico pode então elaborar um plano de tratamento, incluindo consultas periódicas, medicação antidepressiva, psicoterapia, apoio familiar e de amigos − meios reconhecidamente eficazes no tratamento. Orientação, entendimento e cuidado nas dosagens das medicações são providências fundamentais. O médico e/ou psicólogo poderá fazer algumas perguntas, como: Alguém em na família sofre de depressão? O paciente está tomando algum medicamento? Sofreu alguma alteração ou perda importante na vida? Tem tido alterações no sono ou no apetite? Tem pensado em morte ou em suicídio? Tem dificuldade de se concentrar no trabalho? Tem sentido mudanças no desejo sexual?  (FIERZ, 1997, p. 370-371). A depressão é uma doença a não se subestimar e que se pode tratar com ótimos resultados, uma vez que se recorra a meios seguros e eficazes. O diagnóstico de depressão é, de fato, um primeiro passo, seguido da identificação exata do tipo de depressão e da reconstrução da história do paciente, a fim de que o problema seja devidamente categorizado. Somente de posse desses dados é que o médico pode prescrever o tratamento. Para estabelecer com a máxima precisão o tipo e o grau de depressão, os especialistas dispõem de diversas escalas elaboradas a partir de questionários a que o paciente responde. Com base na pontuação e na interpretação das respostas pelo psicólogo, é possível obter indicações sobre a gravidade da doença e selecionar o tipo de terapêutica a ser empregada.  Atualmente, a solução ideal prevê a associação da psicoterapia aos psicofármacos, qualidade de vida e orientação espiritual. Seja qual for o caso, é necessário iniciar o tratamento de imediato, ou seja, aos primeiros sinais da doença, possibilitando resposta eficaz do paciente. “Nenhum psiquiatra negará que a farmacoterapia moderna tornou o tratamento da depressão consideravelmente mais fácil e mais rápido. Entretanto, ela não tornou a psicoterapia supérflua. Se a depressão for tratada simplesmente com drogas, o paciente amiúde se sente uma pessoa desprezível. Ele sofre como pessoa, de modo que quando o tratamento consiste simplesmente em comprimidos e injeções, ele fica com a impressão de que não está sendo tratado por médicos, e sim por veterinários − frase usada por Manfred Bleuler em um simpósio que ocorreu no hospital psiquiátrico da Universidade de Zurique.” (FIERZ, 1997, p. 374). Os fármacos antidepressivos atuam sobre os sistemas do cérebro que regulam a transmissão nervosa e, concretamente, sobre os neurotransmissores serotonina e noradrenalina, diretamente envolvidos na origem da depressão. O princípio que está na base do seu funcionamento é o de aumentar o nível desses mediadores químicos, potencializando seus efeitos em nível cerebral, e reequilibrando, no tempo, os mecanismos neuronais alterados pela doença. Na prática, os fármacos impedem que a serotonina e/ou as noradrenalinas sejam absorvidas pelos neurônios que as produzem, de modo a poderem chegar ao destino. Isso faz com que os neurotransmissores consigam desempenhar corretamente a sua função, que consiste em transportar mensagens eletroquímicas entre os neurônios. Via de regra os fármacos são eficazes em cerca de 80% dos casos de depressão, independentemente da causa que se encontra na sua origem. A ação dos fármacos começa a ter os seus primeiros resultados após um período entre duas e três semanas de administração diária, podendo ser necessário uma administração mais prolongada para se obter o máximo de eficácia. Os principais medicamentos utilizados no tratamento da depressão são: “Quatro classes de antidepressivos estão disponíveis atualmente. A mais popular são os ISRSs, que acarretam níveis mais altos de serotonina no cérebro. Prozac, Luvox, Paxil, Zoloft e Celexa são todos ISRSs. Os tricíclicos, assim denominados por sua estrutura química, afetam a serotonina e a dopamina. Elavil, Anafranil, Norpramin, Tofranil e Pamelor são todos tricíclicos. Os inibidores da monoamioxidase (IMAOs) inibem o colapso da serotonina, dopamina e norepinefrina. Nardil e Parnate são ambos IMAOs. Outra categoria de drogas que operam em sistemas neurotransmissores múltiplos é chamada de Antidepressivos Atípicos.” (SOLOMON, 2002, p. 108). Portanto, há hoje no mercado uma gama de medicamentos que abrange com eficácia basicamente todos os tipos de depressão: (a) para a depressão devido a alterações predominantes da serotonina, há os ISRSs, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina; (b) para a depressão devido a alterações predominantes em serotonina e noradrenalina, há os IRSNs, os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina; (c) para depressões devido a alterações predominantes em noradrenalina e dopamina, há a bupropiona, inibidor da recaptação de noradrenalina e dopamina; e (d) para depressões com alteração de vários mediadores químicos combinados, há os tricíclicos. Na categoria dos antidepressivos atípicos estão o Asendin, o Wellbutrin, o Serzone e o Efexor, considerados inibidores da recaptação de noradrenalina e dopamina. O mais utilizado deles é a bupropiona, com o nome no mercado de Wellbutrin e/ou Zetron. Tal medicação é controlada, produz riscos de dependência química e somente deve ser utilizada mediante prescrição e acompanhamento médico. Hoje a maioria dos antidepressivos já não são mais classificados como tarja preta. Estratégia psicológica: a psicoterapia A depressão produz alterações neurológicas, bioquímicas e psicológicas. Na crise de depressão, o paciente deve ser encaminhado para a psiquiatria (KAPLAN; SADOCK; GREBB, 2007, p. 320-324). Após a necessária e devida medicação, deve ser conduzido também a tratamento psicológico, recomendado especialmente quando o remédio começa a produzir efeito e o paciente começa a melhorar. “Ademais, o problema

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Fontes dos Messianismos Brasileiros

FONTES DOS MESSIANISMOS BRASILEIROS   Antônio Maspoli de Araújo Gomes   RESUMO A estrutura complexa do messianismo amplia o espaço caudal de fontes onde se deve buscar suas origens. No Brasil, o manancial de fontes messiânicas é igualmente imenso: o Judaísmo Antigo, no Velho Testamento; o Cristianismo Primitivo, no Novo Testamento; o Mito Indígena, na Terra Sem Males; o Catolicismo Ultramontano com as contribuições de Joaquim de Fiore e de Gonçalo Anes, O Bandarra; o Sebastianismo; o sonho escatológico do Padre Antônio Vieira; o catolicismo popular da Missão Abreviada; a obra piedosa do Padre Ibiapina; etc. A partir dessas contribuições, essa pesquisa apresenta as fontes dos messianismos e traçou a árvore genealógica literaria, mítica e religiosa dos messianismos brasileiros. O método de pesquisa utilizado partiu dos princípios gerais da a análise de temática proposta pela análise de conteúdo de acordo com o modelo teórico formulado por BARDIN (1977). Palavras-chave: Messianismo, Messias, Milerarismos, Religião, Antropoligia O milagre da corda A esperança é uma corda. Segundo tal rito, o oficiante – faquir, xamã… ou malabarista – lança uma corda, qual um laço. A corda eleva-se “no ar”, muito alto, sempre mais alto. Deveria cair. Mas o oficiante assegura que ela se fixou misteriosamente em algum lugar e, como prova, ele próprio ou seu discípulo sobe pela corda. A corda não se desprende. Sustenta-se, firme. E suporta o peso do homem que sobe. (Desroche 1985, p. 7) Estudos sobre Messianismo no Brasil O fenômeno messiânico (SILVA, 2006, p. 14-18) do campo religioso tem uma história recente na academia brasileira. Fenômenos como Canudos, Contestado, Pedra Bonita e Caldeirão foram pesquisados sob diversos aspectos: político, militar, social, econômico, etc. No entanto, esses fatos ainda não foram considerados sob a perspectiva da variável religiosa.                A questão religiosa quase sempre foi deixada de lado nas pesquisas, como algo de somenos importância, seja pela falta de espaço na academia para pesquisas dessa natureza, seja pela exigüidade de pesquisadores interessados neste tema. No prefácio, da 2ª edição, da obra de Maria Isaura Pereira de Queiroz, O Messianismo no Brasil e no Mundo, Roger Bastide aponta a necessidade de pesquisar e estudar o messianismo milenarista brasileiro, também sob a perspectiva da religião. No final desta Introdução, pode já ter o leitor uma noção da quantidade de     novidades que este livro apresenta, de sugestões, de demonstrações, de perspectivas; como renova problemas antigos – ao mesmo tempo em que sintetiza as contribuições mais sólidas dos predecessores. O único ponto talvez que comportaria ainda desenvolvimento, seria o aspecto religioso do messianismo (que a Autora não abordou, pois preferiu se colocar na perspectiva sociológica que o trabalho apresenta). (BASTIDE, 1976, p. XX) Essa pesquisa partiu da premissa que a variável econômica, embora relevante por si só, não é suficiente para explicar a complexidade desses movimentos que têm suas raízes na alma religiosa e mítica do povo português e brasileiro. A partir destas contribuições, essa pesquisa analisou as fontes da messianismo brasileiro e traçou a árvore genealógica mítico religiosa desses movimentos, mormente no nordeste do Brasil. A partir dessas contribuições, essa pesquisa apresenta as fontes dos messianismos e traçou a árvore genealógica literaria, mítica e religiosa dos messianismos brasileiros. O método de pesquisa utilizado partiu dos princípios gerais da a análise de temática proposta pela análise de conteúdo de acordo com o modelo teórico formulado por BARDIN (1977). A análise desses fenômenos, sob a perspectiva da religião, pode contribuir para compreender importantes movimentos sociais ocorridos no Brasil em meados do século XIX e na primeira metade do século XX, como, por exemplo, a relação entre o êxodo rural e o novo messianismo. Pretende-se, também, colaborar na inserção de aspectos relevantes na memória nacional. Tais aspectos estão relacionados à subcultura das classes sociais empobrecidas e excluídas da cadeia produtiva, e também das grandes vertentes do cristianismo tradicional, seja do catolicismo romano, seja do protestantismo histórico. “O imaginário religioso pregresso, sua exacerbação ou superação por uma nova revelação profética, está sempre presente, interpretando a realidade, postulando objetivos e indicando os meios pelos quais estes serão alcançados.” (NEGRÃO, 2009, p. 34). A história desses movimentos foi contada geralmente a partir da perspectiva dos vencedores, das elites dominantes. Tais narrativas tendem a privilegiar aspectos sociológicos importantes para a cultura dessas elites e a relegar para o segundo plano aqueles aspectos relevantes para a compreensão do fato social em sua totalidade. Essa forma de abordagem tem levado, invariavelmente, ao esquecimento e por vezes obnubila a importância desses fenômenos para a compreensão da história das minorias, ou, dizendo de outro modo, lança ao obscurantismo a história dos vencidos. Esse procedimento pode levar ao esquecimento de aspectos importantes da subcultura e dos bens simbólicos desses movimentos religiosos no caso de Canudos, a história foi contada pelos vencedores; e, na história do Caldeirão, silenciada por vencidos e vencedores. O fenômeno religioso messiânico-milenarista vem sendo pesquisado no Brasil desde meados do século XIX. Inicialmente explicado a partir de interpretações biopsicológicas e ambientalistas com Nina Rodrigues (RODRIGUES, 2006), Euclides da Cunha (CUNHA, 1966), Josué de Castro (CASTRO, 1965, s/d), dentre outros, posteriormente passou a ser interpretado a partir de variáveis sociológicas, em uma concepção do masterialismo dialético, mormente com Rui Facó (FACÓ, 1976) na obra Cangaceiros e Fanáticos e Maria Isaura Pereira de Queiroz (QUEIROZ, 1976). Maria Isaura Pereira de Queiroz elaborou uma tipologia desses movimentos. Mauricio Vinhas de Queiroz(1977) pesquisou uma das maiores revoltas camponesas da história da humanidade aconteceu numa região disputada pelos estados de Santa Catarina e Paraná no sul do Brasil. Importante também tem sido a contribuição de Renato Queiroz (QUEIROZ, 1995) para compreender o fenômeno milenarista contemporâneo, como por exemplo, o fenômeno de Catulé. Janaina  Amado, (1978) A revolta dos Mucker -conflito Social no Brasil – aborda o mais esquecido – e desconhecido – dos conflitos messiânicos brasileiros  envolvendo os Mucker,  movimento social de colonos de descendência alemã no RS, combatido e destruído pelas tropas militares do País em 1874. Diversos autores escreveram sobre os messianismos. Aqui citaremos apenas alguns. José Lins do Rego (REGO, 1939) e Rubim Santos Leão de Aquino (AQUINO, 2006, p. 18-22), dentre

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O Conceito de Libido em Carl Gustav Jung

O Conceito de Libido em Carl Gustav Jung Antonio Maspoli de Araújo Gomes O termo libido é um dos construtos teóricos basilares da teoria psicanalítica. Inicialmente concebido por Freud como uma pulsão, instinto ou energia  de natureza iminentemente sexual, uma força instintiva específica, este conceito  foi  posteriormente reformulado para incluir em sua definição   duas pulsões vitais: eros e tanatos. Eros seria a  energia ou princípio da vida  e tanatos pulsão de morte. No entanto mesmo com esta modificação não há dúvida entre os freudianos e neofreudinaos  de que a libido é uma energia de natureza puramente sexual. Jung, contudo, rompe com a concepção pansexualista de Freud, com a publicação da obra Wandlungen und Symbole der Libido ( Transformações e Símbolos da Libido), publicado em 1911/1912. Nesta pesquisa ele expõe o curso do desenvolvimento da libido na evolução da esquizofrenia, desde a sua etiologia,  até a dissociação completa. Neste texto  Jung ampliou o conceito de libido para designar a energia psíquica em geral presente em toda a natureza. A elasticidade deste conceito compreende não apenas a energia do psiquismo humano, inclusive aquela de natureza sexual, mas abarca também a própria energia do universo, a alma mundi. “Como conceito aplicado de energia logo se hipostasia nas forças( os institntos, os afetos e outros processos dinâmicos), o seu caráter concreto pode ser expresso adequadamente,a meu ver, pelo vocábulo libido’,pois concepções semelhantes se utilizaram de denominações parecidas, desde tempos remotos, tais como a vontade de Schopenhauer, a arque de Aristóteles, o eros de Platão, o amor e o ódio dos elementos  de Empédocles ou élan vital de Bérgson. (Jung, 1998, p. 28). Esta nova concepção de libido rompe com o pansexualismo freudiano e inaugura o panpsiquismo que dominará a psicologia analítica numa perspectiva pan energética. O novo conceito de libido formulado por Jung em 1912, calcado no neoplatonismo e no idealismo alemão, abrange todos os fenômenos de natureza energética existente no universo. Desta energia Jung  deriva os  conteúdos da bioenergia ou energia vital. Esta seria a base da energia psíquica que circula pelo sistema nervoso central e periférico. “O conceito de energia vital, entretanto, nada tem a ver com uma denominada força vital, pois, enquanto força, esta nada mais seria do que a forma específica de uma energia universal e, deste modo, estaria eliminada a pretensão a uma bioenergética, em oposição a uma energética física, sem se reparar no abismo, até agora então preenchido, entre o processo psíquico e o processo vital. Propus que a energia vital hipoteticamente admitida fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tencionamos fazer dela em psicologia, diferenciando-a, assim, de um conceito de energia universal conservando-lhe, por conseqüência, o direito especial de formar seus conceitos próprios. Fazendo isso, não tenho a menor intenção de adiantar-me dos que trabalham no campo da bioenergética, mas tão somente dizer-lhes com toda a franqueza que empreguei o termo libido em vista do uso que dele faremos em nosso estudo. Para seu uso, esses estudiosos poderão propor, se o quiserem, os termos bioenergia ou energia vital.”  (Jung, 1998, p. 16): Com esta reformulação do conceito de libido estava posto o machado à raiz da árvore psicanalista. A libido não se aplica somente aos conteúdos de natureza puramente sexual,  amplia-se para incluir todos os aspectos da natureza humana: a mente,  o corpo, a linguagem, a sexualidade, a alimentação,  o mito, a religião, a arte, os jogos, o trabalho, o amor, ódio, e todas aquelas atividades humanas ligadas a cultura. O materialismo freudiano não poderia admitir este novo postulado e o rompimento entre Freud e Jung estava consumado. “Ao perceber no Id o instinto de individuação que busca a totalidade, a criatividade de Jung transbordou a moldura materialista pansexual da psicanálise. Em 1912, Jung publicou o livro Símbolos de  Transformações, no qual expandiu o conceito de libido para torná-lo sinônimo de energia psíquica, expressão de todo e qualquer símbolo e não somente da sexualidade. Significativamente, o último capítulo desse livro intitula-se  o sacrifício, onde Jung demonstra que a transição de um símbolo para outro é uma vivência que inclui a perda emocional do que passou. Como grande intuitivo que era, Jung certamente previu que sua nova concepção da libido seria incompatível com a presidência da Sociedade psicanalítica Internacional e, pior ainda, com sua filitude científica de Freud. O inevitável aconteceu. O filho cresceu mais que o pai, daí em diante caminhou sozinho para fundar sua própria psicologia analítica, centrada na realização arquetípica da personalidade.” Byington(2005, p. 8): Birman,(2005) aponta outros aspectos responsáveis pelo rompimento entre Freud e Jung: a rivalidade científica entre os dois; a concepção jungiana sobre o delírio na esquizofrenia como transformação da libido e não somente como  expressão da sexualidade proposta por Freud; as críticas de Jung ao método psicanalítico da livre associação verbal, que segundo este, levaria a dissociação e não a cura e o conceito de libido. Este pesquisador, contudo, sustenta  com Byington,(2005) que afirma que no epicentro da cisão entre Freud e Jung existe uma questão epistemológica: Freud era filosoficamente materialista,portanto, ligado a tradição aristotélica  e Jung, idealista, neoplatônico. Freud construiu sua teoria sobre o pressuposto aristotélica que  prefigurava a mente humana como uma tábula rasa. Este conceito encontra-se na base da conceituação do inconsciente freudiano, que em linhas gerais não passava de uma espécie de  quarto de despejo para o repositório das repressões sexuais infantis ocorridas antes da dissolução do Complexo de Édipo. Jung, por seu turno construiu sua teoria sobre o edifício platônico e agostiniano dos arquétipos que reafirmava em nível psicológico a possibilidade do conhecimento a priori.            . Na concepção de Jung os processos psíquicos são representações da energia universal que se acham gravadas no espírito humano desde tempos imemoriais através das representações coletivas as quais ele denominou. arquétipos. Observa-se que  muito do que primitivamente designava-se por espírito, daimon, ou númen não passa de representações pré-animistas desta energia. Jung admite a existência de uma estrutura de estreita causalidade psíquica, de sorte que a energia psíquica aparece, nas suas concepções, como uma quantidade constante, suscetível, entretanto, de se  transformar e de se deslocar no tempo e no espaço, obedecendo ao princípio físico da entropia. No tempo, a libido tanto pode ter uma ação regressiva, voltada para o passado quanto teleológica, direcionada para

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Educação Protestante Presbiteriana: do pragmatismo ao calvinismo, um longo caminho.

Presbyterian confessional education: the long road from protestant pragmatism to the calvinism Antonio Maspoli de Araujo Gomes1 RESUMO: O sistema Mackenzie de Ensino surge em 1870, com o nascimento da Escola Americana, uma instituição paroquial, calvinista confessional. A confessionalidade, contudo, é implantada somente pela reforma dos Estatutos da Universidade, em 1999, quando o nome Universidade Mackenzie é mudado para Universidade Presbiteriana Mackenzie. A partir da análise da literatura, os objetivos deste artigo são: a) inventariar as raízes históricas da educação protestante presbiteriana; b) analisar o processo de transformação recente da educação presbiteriana, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, de educação pragmática para educação confessional. O método de pesquisa utilizado é o histórico crítico combinado com princípios da observação participante. PALAVRAS-CHAVE: Confessionalidade. Educação Presbiteriana. Sistema Mackenzie de Ensino. Calvinismo. Educação Protestante. ABSTRACT: The Mackenzie teaching system was created in 1870 with the birth of what was at the time named American School. The American School was a private, confessional Christian Calvinist institution. Its confessionalism, however, was only established at the university level in 1999 with the changes made to the general statute of the university when the name of the university was changed to Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mackenzie Presbyterian University). According to the literature review, the objectives of this article are: a) listing the the historical roots of the Protestant Presbyterian education and b) analyzing the recent transformation at Mackenzie Presbyterian University from a pragmatic education to a confessional education system. The research method used is critical historical combined with principles of participant observation. KEYWORDS: Confessionalism. Presbyterian Education. Mackenzie Education System. Calvinism. Protestant Education. Estudos sobre a educação protestante no Brasil A educacional dos protestantes presbiterianos, no Brasil, foi ventilada, de uma forma ou de outra, por todos aqueles autores que se ocuparam da história do protestantismo. Nessas obras, a educação protestante aparece mais como pano de fundo dos fatos sociais relacionados à importação da denominação presbiteriana, do que como seu objeto central de pesquisa e discussão. O estudo sobre a educação protestante iniciou-se com autores de língua inglesa. Dentre estes, destacam-se: Paul Andress (195l), An Educacional Approach to the Work of the Protestant Church in Latin America; Jerry S. Key (1965), The Rise and Development of Baptist Theological Education in Brazil, 1881 – 1963: A Historical and Interpretative Survey; Lory C. Sisk (1974), The History of Agnes Erskine College in Brazil, 1904 – 1970. No Brasil, os estudos sobre a educação protestante presbiteriana são relativamente recentes. Hélio Oscar Moraes Garcia (1968) narra o episódio de estatização do Mackenzie pelo governador Laudo Natel. Uma história oficial do Colégio Protestante, célula máter da Escola Americana e do Mackenzie College, 1952, foi contada por Benedito Novaes Garcez (1970). Jether Pereira Ramalho (1976) realizou uma pesquisa sobre as várias denominações protestantes (metodistas, presbiterianos, batistas etc.) ao sistema educacional brasileiro. Maria Lucia Barbanti (1977) avalia a influência da educação protestante na província de São Paulo. Uma tese de doutorado sobre os aspectos históricos e culturais da educação presbiteriana foi defendida por Osvaldo Henrique Hack (1985). Yone Quartin (1995) destaca, em sua pesquisa, a participação do Mackenzie na Revolução Constitucionalista de 1932. O historiador M. Albino (1996) inventaria a educação protestante no  Colégio Internacional, um colégio confederado, para a educação em Campinas e região. Antonio Maspoli de Araujo Gomes (2000) analisa a cooperação  do espírito protestante presbiteriano para a constituição do Mackenzie College e a formação da mentalidade empresarial de São Paulo. Marcel Mendes (1999) apresenta a história do Mackenzie College, especialmente da Escola de Engenharia. Roque Theophilo Júnior (2002) retrata os principais documentos históricos do Mackenzie. Osvaldo Henrique Hack (2003) examina as raízes históricas da confessionalidade do Mackenzie. Marcel Mendes (2005) avalia também aspectos recentes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, até 1973, em suas relações com a política e a sociedade brasileira. Marcel Mendes et al. (2013) narram a história do Mackenzie desde as suas origens até a atualidade. Bendito Aguiar Neto e Reynaldo Cavalheiro Marcondes (2014) estudam a Universidade Presbiteriana Mackenzie, no contexto dos desafios enfrentados pela universidade contemporânea. Os autores que pesquisaram a educação presbiteriana, no Brasil, relacionam em suas teses as escolas protestantes ao projeto missionário presbiteriano de evangelização das massas. Este pesquisador, todavia, considera que a educação presbiteriana foi condicionada também por outros fatores, tais como: a) O projeto educacional missionário, presbiteriano, norte-americano, em São Paulo, não pode ser dissociado do próprio projeto norte-americano de expansão: o destino manifesto de meados do século XIX (GOMES, 2000). b) O Colégio Protestante fundado na cidade São Paulo nasce inicialmente vinculado à igreja e ao idealismo missionário-presbiteriano de evangelização do Brasil; e, posteriormente, após a sua vinculação ao complexo denominado Universidade do Estado de Nova York, sob a direção do comerciante, médico e educador Horace Lane, assumiu uma postura pragmática, própria da sociedade norte-americana, tendo-se voltado para a formação da mentalidade empresarial de São Paulo (GOMES, 2000).  c) Nos primórdios, o  relativo sucesso das escolas presbiterianas em São Paulo deveu-se mais ao pragmatismo de alguns educadores presbiterianos do que ao impulso evangelístico dessas escolas; tal pragmatismo atraiu republicanos, imigrantes judeus, ingleses, italianos e norte-americanos e negociantes da sociedade paulista, especialmente por meio da Escola Normal, Escola de Comércio e Escola de Engenharia. Das mais de sessenta escolas presbiterianas fundadas na segunda metade do século XIX, por missionários norte-americanos, no Sudeste, apenas o Mackenzie sobreviveu (CORREA, 1980). d) A confessionalidade calvinista presbiteriana, a cosmovisão educacional presbiteriana nasce junto com o Colégio Protestante, atual Colégio Mackenzie, mas a confessionalidade na Universidade Presbiteriana permaneceu inconsciente e implícita até meados do século XX, portanto a confessionalidade  explicita da Universidade  é de constituição recente, datando de 1999 (HACK, 2003). A partir da análise da literatura, os objetivos desta pesquisa são: a) inventariar as raízes histórico-teológicas da educação protestante presbiteriana; b) analisar o processo de transformação recente da educação presbiteriana, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, de educação pragmática para educação confessional.      A pesquisa utilizou-se do método misto: método histórico e o método da observação participante. O método histórico, também chamado de método crítico ou crítica histórica, compreende duas operações a saber: análise e síntese. A análise compreende, por sua vez,

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Coaching, afinal do que estamos falando?

Coaching, afinal do que estamos falando?  Dr. Antonio Maspoli INTRODUÇÃO Coaching está na ordem do dia das pessoas e das empresas. A palavra coaching é derivada do inglês coach, o qual tem suas origens ligadas à cidade de Kocs, situada no condado de Komárom-Esztergom, na Hungria. Foi utilizada pela primeira vez para designar carruagens  de quatro rodas, os  coches, os quais começaram a ser produzidos no século XVI e se tornaram as mais cobiçadas carruagens da época, por seu conforto – elas foram as primeiras a ser produzidas com suspensão feitas de molas de aço. Assim, os coches de Kocs eram chamados de kocsiszeker. Os nativos dessa cidade também são chamados de kocsi. E é desse vocábulo que proveio a palavra coach (MARQUES, 2017). Posteriormente, o nome do coach foi dado ao condutor da carruagem, o cocheiro. Com o passar do tempo, a palavra coach foi usada como uma metáfora. Do mesmo modo que a carruagem leva as pessoas aos diversos campos geográficos, o coach era a forma como se chamava o tutor que conduzia outras pessoas pelos diversos campos do conhecimento. Conta-se também que as famílias muito ricas, quando em longas viagens pela Europa, levavam servos no interior da carruagem, os quais liam em voz alta para as crianças o que elas tinham de aprender. Esse servo passou igualmente a ser chamado de coach. No século XVIII, os nobres universitários da Inglaterra iam para suas aulas, em suas carruagens, conduzidos por cocheiros – coachs. Por volta de 1830, o termo coach passa a ser empregado na Universidade de Oxford como sinônimo de tutor particular, aquele que carrega, conduz e prepara os estudantes para seus exames. Dessa forma, o termo coaching refere-se ao processo em si: o coach é aquele que conduz, enquanto o coachee, à pessoa conduzida na direção do objetivo que deseja alcançar. Como metáfora, o coach é aquele especialista que mobiliza todos os recursos, experiências, conhecimentos e habilidades do sujeito para levá-lo do ponto A, seu estado atual, ao ponto B, seu estado desejado. Ao processo que possibita essa conquista chama-se coaching. Não tem tradução na língua portuguesa. Pode-se afirmar que a história do coaching, no Brasil, é relativamente recente, porém, extremamente promissora. Se, na década de 1990 e no começo dos anos 2000, a metodologia só era aplicada em empresas estrangeiras e multinacionais, hoje o método já é uma realidade presente e acessível às pessoas, dentro e fora das organizações. Tudo isso se deu, em grande parte, pelo nascimento de empresas nacionais, focadas na formação de coaches profissionais. Nesse sentido, é possível perceber que a história do coaching, no Brasil, se confunde com a história do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), da Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e da FEBRACIS – Federação Brasileira de Coaching Sistêmico, dentre outras (MARQUES, 2017a).i E a mais recente dessas sociedades é a Sociedade Brasileira de Psicologia e Coaching. CONCEITUAÇÕES ESSENCIAIS: MENTORIA, ACONSELHAMENTO, PSICOTERAPIA, CONSULTORIA E COACHING          Com o avanço do conhecimento na sociedade da informação, houve uma superespecialização e, consequentemente, a fragmentação na abordagem da pessoa humana. Desde o surgimento da psicoterapia, no final do século XIX, até hoje, novas especialidades apareceram, daí a necessidade de aprender a distinguir as diversas formas de abordagem e mesmo compreender o papel, os limites de atuação e as possiblidades de cada uma. Dentre as principais abordagens destacamos: a mentoria, o aconselhamento, a psicoterapia, a consultoria, a análise e o coaching. 2.1 MENTORIA Considero a mentoria, na verdade, o caminho do mestre, o caminho do aprendiz, o caminho do aprendizado. Na verdade, a palavra mentoria é um nome novo, para uma prática milenar. Quando olhamos para a história e examinamos as grandes tradições religiosas do mundo, como o Budismo, o Judaísmo, o Cristianismo e mesmo o Islamismo, nós já encontramos a figura do mentor, do mestre. Mentor é aquele que anda no caminho primeiro e convida, ou aceita o seu discípulo ou os seus discípulos, para caminhar com ele no caminho caminhado. Por isso, eu concebo a mentoria como o caminho do discipulado. Mentoring é uma espécie de tutoria onde um profissional mais velho e mais experiente orienta e compartilha com profissionais mais jovens, que estão iniciando no mercado de trabalho ou numa empresa, experiências e conhecimentos no sentido de dar-lhes orientações e conselhos para o desenvolvimento de suas carreiras. Embora também possam ter um viés mais pessoal, esses ensinamentos vão ser focados na vida profissional do mentorado, ajudando-o com as principais dificuldades e barreiras que possam estar atrapalhando o seu sucesso. Isso faz com que essa metodologia seja aplicada principalmente em casos mais específicos, diferenciando-se do Coaching que tem uma abordagem mais ampla e abrangente.ii Até hoje, forma-se por meio da mentoria o xamã, o feiticeiro, o médico.  É através da mentoria que se forma o psicólogo, o analista etc.  Por intermédio da mentoria, na Idade Média, formavam-se os grandes profissionais, nas corporações de oficio. A formação se dava sob a figura do mestre e do aprendiz. O mestre e o aprendiz tornaram figuras simbólicas da arte de transmitir e receber conhecimento, ciência e sabedoria. Nesse processo, o mestre transfere para o seu discípulo, ou seus discípulos, toda a sua experiência, todo o seu saber, todo o seu conhecimento (WUNDERLICH; SITA,  2013). A mentoria, portanto, é apropriada para a formação profissional especializada. Convenhamos: como formar um analista sem um mentor? Como formar um cirurgião plástico sem um mentor? Como formar um CEO, para dirigir uma grande corporação, sem um mentor? Como formar um sacerdote, um pastor, um rabino, sem um mentor?iii  A mentoria pressupõe que existe um caminho, pressupõe que o mestre já trilhou aquele caminho e pressupõe que ele vai facilitar o outro a caminhar naquele caminho. O mestre é aquele que ensina o discípulo a caminhar com os seus próprios pés. Numa mentoria bem realizada, o discípulo vai aprender a fazer, mas vai fazer do seu jeito e, depois, pode até cantar “My Way” de Frank Sinatra: “To think I did all that, And may I say, not in a shy way, Oh no, oh no, not me, I did it my way”. (De pensar que eu fiz tudo, E talvez eu diga, não de uma maneira tímida, Oh não, não eu,  Eu fiz do meu jeito!”iv No processo de mentoria, o objetivo é transmitir conhecimento, transmitir experiência, sabedoria, know how, tecnologia.  Todavia, o mestre espera que o discípulo avance, transforme, crie, inove, e faça e aconteça melhor. Um

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Hipnose Sem Mistérios

Hipnose Sem Mistérios Dr. Antonio Maspoli   INTRODUÇÃO    O xamanismo é a mais antiga prática espiritual, médica e terapêutica da humanidade. Consiste em um conjunto de crenças ancestrais e se fundamenta em um processo de introspecções de profundo significado, no contato com realidades do inconsciente coletivo, gravadas no inconsciente pessoal, e com o mundo espiritual (ELIADE, 2002, p. 15-40). Esse contato leva à obtenção de autoconhecimento, à busca do poder pessoal, contribuindo para a cura de problemas espirituais e psicológicos, entre os povos primitivos. Sua prática estabelece contato com outros espectros da consciência, a fim de obter o transe que leva ao conhecimento, poder, equilíbrio, saúde. O transe propicia tranquilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem-estar físico, psicológico e espiritual (KAKAR, 1993, p. 139-143). Esse tipo de transe persiste na cultura indígena do Amazonas. O Pajé dessa região, como no resto do Brasil, é fruto do sincretismo religioso, do cruzamento do catolicismo popular com a religião indígena e com os cultos afro-brasileiros. Os quilombolas chamam essa prática religiosa de religião de pena e maracá, cuja prática tem como centro a invocação dos encantados, os quais são os espíritos dos ancestrais, da natureza e dos antepassados que vivem no fundo dos igarapés e podem ser invocados e recebidos pelo fenômeno da possessão. A função dos encantados é proteger, curar e orientar a vida dos vivos (TAUSSIG, 1993; FIGUEIREDO, 2009). O Pajé é dotado de poderes mágicos, capaz de realizar e quebrar magias, feitiçarias e encantamentos. O Pajé tem o poder de invocar e incorporar os encantados. O Pajé conhece os segredos da natureza, da floresta, dos tempos e do coração do homem. No Amazonas, o Pajé é o médico e o guia espiritual de índios e quilombolas, podendo ser enquadrado na definição de Mircea Eliade (2002): “Desde o início do século, os etnólogos se habituaram a utilizar como sinônimos do termo xamã, medicine man, feiticeiro e mago para designar certos indivíduos dotados de prestigio mágico-religioso encontrados em todas as sociedades primitivas.” (ELIADE, 2002, p. 15). Além da arte de curar, o Pajé é um profundo conhecedor dos efeitos benéficos e maléficos das ervas. O Pajé é dotado da técnica do êxtase. O êxtase lhe permite subir aos céus e/ou descer ao inferno da alma humana, além de possibilitar certa atividade profética de previsão dos tempos futuros, para o grupo e até para o sujeito. O Pajé é o especialista na análise dos fenômenos naturais, como preditores do futuro. Ele é capaz de prever, por exemplo, se no próximo ano haverá chuva abundante ou seca calcinante. O Pajé domina a interpretação dos sonhos (ELIADE, 2002, p. 17). Na literatura mundial, o pajé é mais conhecido como xamã. Seu status de especialista no mundo onírico não decorre somente de um conhecimento intelectual ou didático do assunto, mas, sobretudo, de uma vivência visceral no mundo dos sonhos, e é a partir deste conhecimento empírico que o pajé sustenta suas práticas de cura. (OLIVEIRA, 2014, p. 271). O sonho do Pajé serve a um propósito de compensação e de cura da alma. Ele pode sonhar, em transe, dormindo ou mesmo acordado. Do ponto de vista psicológico, o sonho do Pajé é um fenômeno psíquico normal, o qual transmite à consciência reações inconscientes ou impulsos espontâneos. A maioria dos sonhos pode ser interpretada por associação, mas, em certos sonhos proféticos e premonitórios, podem aparecer elementos que não são individuais ou formas mentais cuja presença não encontra explicação na vida do indivíduo. Tais sonhos mais parecem formas primitivas da cultura e podem representar uma herança do espírito humano, originária daquele lugar onde se situam os arquétipos, o inconsciente coletivo. O TRANSE HIPNÓTICO NA MEDICINA DO MUNDO ANTIGO Os primeiros médicos babilônicos foram sacerdotes que tratavam das doenças espirituais e, especialmente, das doenças mentais, as quais eram atribuídas à possessão demoníaca. Nesse processo, o transe, a hipnose e o encantamento ocupavam lugar de destaque, no processo de cura. Já no Egito, a medicina psiquiátrica evoluiu de maneira notável. Os egípcios não só realizavam importantes cirurgias cerebrais, como também são considerados os pais da arte-terapia e da terapia ocupacional: “Por exemplo, os pacientes eram encorajados a ocuparem-se em suas horas de folga com atividades recreativas como excursões sobre o Nilo, concertos, danças, pintura, desenho, e outras ocupações construtivas.” (GOMES, 2010). Os gregos peregrinavam até o templo de Esculápio, deus da Medicina, em Epidaurus, e ali eram submetidos a hipnose. Dentre os notáveis que se dedicaram à prática da hipnose, na história da humanidade, destacam-se Avicenas, no século X; Paracelso, no século XVI. No Oriente, a hipnose é uma prática natural incorporada ao Yoga (ALEXANDER; SELESNICK,1968, p. 46). O TRANSE HIPNÓTICO NO MUNDO MODERNO E CONTEMPORÂNEO No mundo moderno, o transe ganha destaque e relevância com o trabalho do médico austríaco Franz Anton Mesmer (1734 -1815), o qual aplica a hipnose e a imposição das mãos no tratamento de pacientes neuróticos. Mesmer, além de empregar a técnica da hipnose, também se utilizava de ímãs, pois acreditava que uma força oculta, uma energia de origem animal, o élan vital, fluía do hipnotizador para o paciente. Assim, no mundo moderno, o responsável pelo aparecimento e a difusão da hipnose foi Franz Anton Mesmer, cuja doutrina se resume na afirmação de que a doença resulta da frequência irregular dos fluidos astrais e a cura depende da regulagem desses fluidos. Aqueles que tinham pleno domínio dos seus fluidos podiam comunicá-los a outras pessoas, por intermédio do toque (WEISMANN, 1958, p. 15). Jean-Martin Charcot foi um médico psiquiatra e neurologista francês, que viveu entre 1825 e 1893, e, apesar de ter realizado grandes pesquisas e ser considerado o fundador da moderna neurologia, geralmente é mais associado pelas pessoas, de uma forma geral, aos temas da hipnose ou algo relacionado ao “tratamento dos loucos”. Mais conhecido como Charcot (ou Dr. Charcot), esse médico fez diversas investigações sobre a histeria e sobre o tratamento dos sintomas por meio do método hipnótico e, sem abordar outras de suas contribuições, na sequência, procuramos discorrer sobre esses dois principais pontos, que são de fundamental importância histórica e técnica para a

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