Estratégias para o tratamento da depressão
Dr. Antonio Maspoli SOLOMON (2002) lista inúmeras formas de tratamentos. O século XX, marcado pelo cientificismo, foi palco do antagonismo entre a fé e a razão, a religião e a ciência. A psiquiatria (e mesmo a psicologia) considerava a intervenção religiosa sobre a depressão com certa desconfiança. Esse quadro está em rápida mudança. O tratamento da depressão atualmente recomenda a utilização de algumas estratégias conjugadas: (a) tratamento psicofarmacológico; (b) tratamento espiritual; (c) tratamento psicoterápico ou psicológico; (d) qualidade de vida; e (e) acolhimento do grupo familiar e da comunidade. Estratégia psiquiátrica: os antidepressivos O primeiro passo no tratamento é consultar o médico, que irá estabelecer as causas bioquímicas. Ele precisa reconhecer os sintomas e saber por quanto tempo o paciente tem se sentido deprimido. A visita pode incluir exame físico e testes laboratoriais. Descartados problemas físicos, o médico pode então elaborar um plano de tratamento, incluindo consultas periódicas, medicação antidepressiva, psicoterapia, apoio familiar e de amigos − meios reconhecidamente eficazes no tratamento. Orientação, entendimento e cuidado nas dosagens das medicações são providências fundamentais. O médico e/ou psicólogo poderá fazer algumas perguntas, como: Alguém em na família sofre de depressão? O paciente está tomando algum medicamento? Sofreu alguma alteração ou perda importante na vida? Tem tido alterações no sono ou no apetite? Tem pensado em morte ou em suicídio? Tem dificuldade de se concentrar no trabalho? Tem sentido mudanças no desejo sexual? (FIERZ, 1997, p. 370-371). A depressão é uma doença a não se subestimar e que se pode tratar com ótimos resultados, uma vez que se recorra a meios seguros e eficazes. O diagnóstico de depressão é, de fato, um primeiro passo, seguido da identificação exata do tipo de depressão e da reconstrução da história do paciente, a fim de que o problema seja devidamente categorizado. Somente de posse desses dados é que o médico pode prescrever o tratamento. Para estabelecer com a máxima precisão o tipo e o grau de depressão, os especialistas dispõem de diversas escalas elaboradas a partir de questionários a que o paciente responde. Com base na pontuação e na interpretação das respostas pelo psicólogo, é possível obter indicações sobre a gravidade da doença e selecionar o tipo de terapêutica a ser empregada. Atualmente, a solução ideal prevê a associação da psicoterapia aos psicofármacos, qualidade de vida e orientação espiritual. Seja qual for o caso, é necessário iniciar o tratamento de imediato, ou seja, aos primeiros sinais da doença, possibilitando resposta eficaz do paciente. “Nenhum psiquiatra negará que a farmacoterapia moderna tornou o tratamento da depressão consideravelmente mais fácil e mais rápido. Entretanto, ela não tornou a psicoterapia supérflua. Se a depressão for tratada simplesmente com drogas, o paciente amiúde se sente uma pessoa desprezível. Ele sofre como pessoa, de modo que quando o tratamento consiste simplesmente em comprimidos e injeções, ele fica com a impressão de que não está sendo tratado por médicos, e sim por veterinários − frase usada por Manfred Bleuler em um simpósio que ocorreu no hospital psiquiátrico da Universidade de Zurique.” (FIERZ, 1997, p. 374). Os fármacos antidepressivos atuam sobre os sistemas do cérebro que regulam a transmissão nervosa e, concretamente, sobre os neurotransmissores serotonina e noradrenalina, diretamente envolvidos na origem da depressão. O princípio que está na base do seu funcionamento é o de aumentar o nível desses mediadores químicos, potencializando seus efeitos em nível cerebral, e reequilibrando, no tempo, os mecanismos neuronais alterados pela doença. Na prática, os fármacos impedem que a serotonina e/ou as noradrenalinas sejam absorvidas pelos neurônios que as produzem, de modo a poderem chegar ao destino. Isso faz com que os neurotransmissores consigam desempenhar corretamente a sua função, que consiste em transportar mensagens eletroquímicas entre os neurônios. Via de regra os fármacos são eficazes em cerca de 80% dos casos de depressão, independentemente da causa que se encontra na sua origem. A ação dos fármacos começa a ter os seus primeiros resultados após um período entre duas e três semanas de administração diária, podendo ser necessário uma administração mais prolongada para se obter o máximo de eficácia. Os principais medicamentos utilizados no tratamento da depressão são: “Quatro classes de antidepressivos estão disponíveis atualmente. A mais popular são os ISRSs, que acarretam níveis mais altos de serotonina no cérebro. Prozac, Luvox, Paxil, Zoloft e Celexa são todos ISRSs. Os tricíclicos, assim denominados por sua estrutura química, afetam a serotonina e a dopamina. Elavil, Anafranil, Norpramin, Tofranil e Pamelor são todos tricíclicos. Os inibidores da monoamioxidase (IMAOs) inibem o colapso da serotonina, dopamina e norepinefrina. Nardil e Parnate são ambos IMAOs. Outra categoria de drogas que operam em sistemas neurotransmissores múltiplos é chamada de Antidepressivos Atípicos.” (SOLOMON, 2002, p. 108). Portanto, há hoje no mercado uma gama de medicamentos que abrange com eficácia basicamente todos os tipos de depressão: (a) para a depressão devido a alterações predominantes da serotonina, há os ISRSs, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina; (b) para a depressão devido a alterações predominantes em serotonina e noradrenalina, há os IRSNs, os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina; (c) para depressões devido a alterações predominantes em noradrenalina e dopamina, há a bupropiona, inibidor da recaptação de noradrenalina e dopamina; e (d) para depressões com alteração de vários mediadores químicos combinados, há os tricíclicos. Na categoria dos antidepressivos atípicos estão o Asendin, o Wellbutrin, o Serzone e o Efexor, considerados inibidores da recaptação de noradrenalina e dopamina. O mais utilizado deles é a bupropiona, com o nome no mercado de Wellbutrin e/ou Zetron. Tal medicação é controlada, produz riscos de dependência química e somente deve ser utilizada mediante prescrição e acompanhamento médico. Hoje a maioria dos antidepressivos já não são mais classificados como tarja preta. Estratégia psicológica: a psicoterapia A depressão produz alterações neurológicas, bioquímicas e psicológicas. Na crise de depressão, o paciente deve ser encaminhado para a psiquiatria (KAPLAN; SADOCK; GREBB, 2007, p. 320-324). Após a necessária e devida medicação, deve ser conduzido também a tratamento psicológico, recomendado especialmente quando o remédio começa a produzir efeito e o paciente começa a melhorar. “Ademais, o problema