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O método científico em Karl Popper

O MÉTODO CIENTIFICO EM KARL POPPER Antonio Maspoli Introdução Karl Popper(1975),é considerado um dos mais influentes filósofos da ciência contemporânea ,nasceu e viveu em Viena,exilando-se,após a ascensão do nazismo,na Nova Zelândia,de onde migrou para a Inglaterra. Na Inglaterra foi professor na London School of Economics da Universidade de Londres onde fundou um importante centro de investigação científica. Popper,(1978) nega seu envolvimento com o círculo de Viena que segundo Japiassu,(1990) o influenciou profundamente. Popper( 1978,op.cit) nega também que seja positivista. Tudo leva a crer que ele queria fundar uma escola própria de filosofia da ciência no entanto sua obra tornou-se conhecida como uma nova concepção do positivismo. Japiassu(1990) afirma que a principal contribuição de Popper a filosofia da ciência consiste na formulação da noção de fasificabilidade como critério fundamental para a caracterização das teorias científicas em face da críticas desfechados contra o método indutivo. Neste trabalho será trazido à baila as contribuições deste autor especialmente quanto ao do método científico e especialmente sua contribuição para a refutação e aperfeiçoamento das teorias científicas. Será abordada ainda a crítica de Popper pôr Smith,(1981) a fim de ampliar a compreensão da obra deste importante epistemólogo. As Etapas do Método Científico Em Popper Popper (1978) afirma que grande é o conhecimento adquirido pela humanidade e muito maior a sua ignorância. Do choque do conhecimento humano com a sua ignorância surgem naturalmente os problemas e estes são o ponto de partida da investigação científica. O método científico em Popper é complexo. Gewandsznajder(1989) apresenta um sistematização do pensamento poperiano sobre o método científico que transcrevemos abaixo: a)A atividade científica desenvolve-se a partir de problemas.Sabe-se hoje que a coleta de dados ou observações puras, antes usados e tidos como adequados não dão resultados produtivos, pelo fato de que nunca chegaremos ao fim nessa coleta de dados. b)Não existe esta observação pura, visto que, nesta coleta de dados deve-se escolher dados que tenham relativa coerência com o estudo em questão e isto nada mais são do que hipóteses. c)Nossa curiosidade só é aguçada quando percebemos que algo foge a regra do nosso conhecimento ou não sai como esperado.Um bom cientista tem sempre uma curiosidade em assuntos que para todos pareceria ter um fim em si mesma. d) As hipóteses científicas devem ser passíveis de teste .Para cada assunto a ser estudado existem inúmeras hipóteses.Por existirem muitas hipóteses sempre admitamos que esteja erradas.Uma hipótese dará ao cientista várias possibilidades a serem verificadas.Deve-se tomar cuidado com as hipóteses pois os fatos apesar de apoiá-las não as torna verdadeiras, porque podem surgir novos fatos contrários às hipóteses. Para Karl Popper(1978) , a melhor maneira de se confirmar uma hipótese é tentar através de experimentos, refutá-las.Hipóteses para as quais não possamos imaginar alguma experiência capaz de refutá-las não fazem parte da ciência. As hipóteses que ficam imunizadas contra a refutação sendo confirmada pôr praticamente qualquer observação ou experiência são desprovidas de interesse científico, porque nada proíbem, ou então proíbem muito pouco. e)A busca de explicações amplas e profundas para um objeto desconhecido são as teorias científicas ciência não é um conjunto de leis isoladas, mas sim uma reunião de leis, hipóteses conceitos e definições interligados e coerentes, formando teorias científicas. Vemos assim que a ciência não se contenta em formular generalizações, mas procura incorporar estas generalizações a teorias de forma que aquelas possam ser deduzidas e explicadas a partir da teoria. Assim, a ciência progride, formulando teorias cada vez mais amplas e profundas, capazes de explicar uma maior variedade de fenômenos. Entretanto, mesmo as teorias mais recentes devem ser encaradas como explicações apenas parciais,provisórias e hipotéticas da realidade. f)A objetividade da ciência .A ciência não é apenas uma forma de conhecer o mundo, mas também uma atividade que influencia, e é influenciada, pôr fatores políticos, econômicos, culturais etc., e, como qualquer outra atividade, pode ser bem ou mal utilizada.Há uma diferença fundamental entre crença e conhecimento objetivo. Afirmar que a ciência é objetiva não significa dizer que suas teorias são verdadeiras. A objetividade da ciência não repousa na impassibilidade de cada indivíduo, mas na disposição de formular e publicar hipóteses para serem submetidas a críticas pôr parte de outros cientistas; na exigência de que a experiência seja controlada e de que outros cientistas possam repetir os testes. Pôr isso para podermos avaliar as teorias procuramos critérios não apenas experimentais mas também lógicos e metodológicos. A idéia de verdade assim como as idéias de validade e uniformidade da natureza entre outras, funcionam como normas para guiar a prática da ciência e busca de critérios metodológicos pôr parte do filósofo da ciência, mesmo que esses critérios utilizados possam ser questionados e substituídos pôr outros, e mesmo que os cientistas em sua prática sejam igualmente influenciadas pôr pressões econômicas e ideológicas para a objetividade da ciência. Em última análise esta escolha terá profundas conseqüências de ordem moral e social, uma vez que abdicar da idéia de verdade e da possibilidade de discussão crítica é, implicitamente, apoiar soluções arbitrárias, autoritárias dogmáticas e até mesmo violentas para decidir uma disputa científica. O Problema da Indução. A investigação científica tem início ao se perceber a existência de um problema e continua com as tentativas de se encontrar hipóteses par solucioná-lo. David Hume(1989) questionou o método da indução, dizendo não se poder justificá-lo racionalmente. Desde então os filósofos vêm tentando responder as críticas de Hume. Para os não-indutivistas a indução não se justifica. Não tem relação com o método científico ou o conhecimento comum os resultados do método indutivo estariam na seara das crenças,valores e ideologias. Para Popper(1975) a indução não existe.Uma das preocupações dos filósofos é levantar questionamentos, dúvidas sobre as verdades tidas como inquestionáveis. Foi o que Hume(1989) fez a dois séculos atrás, ao questionar a indução que até hoje nos parece evidente e clara. Admite-se como verdadeiro aquilo que supostamente se quis demonstrar. Além disso a indução não funciona sempre. Logicamente não justificaríamos a indução, nem com a lógica nem com a observação se justificam os fenômenos. Para Hume(1989) a idéia de necessidade causal é um

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O Transe Ericksoniano

O TRANSE ERICKSONIANO Dr. Antonio maspoli FUNDAMENTOS PSICOLÓGICOS DO TRANSE ERICKSONIANO INTRODUÇÃO Milton Hyland Erickson viveu de 1901 a 1980.  Médico, psiquiatra e psicólogo, nascido no dia 5 de dezembro, na cidade de Aurum, Nevada (EUA), até hoje é considerado uma das maiores autoridades mundiais em hipnose aplicada à Psicoterapia e à Medicina. Foi o criador da Hipnose Moderna Ética e Científica, e da Psicoterapia Breve Estratégica (MARQUES, 2018a, p. 69-71). Em 1960, Milton Erickson fundou a American Society of Clinical Hypnosis, onde ministrava cursos sobre o tema. Nessas aulas, Erickson ensinava a hipnose clássica, mas já disseminava algumas de suas ideias inovadoras. A aceitação e a identificação automática com as suas abordagens eram tantas que logo seus primeiros discípulos médicos e psicólogos o estimularam a divulgar ainda mais o seu trabalho. Com o incentivo, Erickson passou a publicar livros e artigos sobre seus próprios pensamentos a respeito da hipnoterapia. Com a ajuda de alguns discípulos, a produção, em seguida, ultrapassaria três centenas de publicações, entre 1950 e 1980. Em 1980, Milton Erickson faleceu, mas sua contribuição para área da saúde fora premiada. Os mesmos alunos que o incentivaram a publicar suas ideias fundaram, com a família, The Milton Erickson Foudantion, em Phoenix, Arizona (EUA). Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos, a qual hoje conta com mais de cento e vinte filiais ao redor do mundo, ensinando e divulgando as abordagens ericksonianas para as áreas da saúde e da educação (MARQUESb, 2018, p. 69-71). O transe ericksoninano difere do transe hipnótico clássico, posto que, para Erickson, qualquer estado singular de atenção altamente concentrada é, de fato, um transe. Ericksoni parece passar uma mensagem confusa, quando afirma que a pessoa ou está em transe ou não está. Se a pessoa está em transe, ela está disponível para sugestões hipnóticas: Milton Erickson observou que o transe hipnótico ocorria em cada um de nós, de forma espontânea, todos os dias de nossas vidas. Todas as vezes que nós estamos em um estado altamente focado de atenção, nós estamos em transe. Nesse estado, que, na verdade é um fenômeno natural podemos absorver ou receber informações extremante profundas, em muitos níveis diferentes. Nesse estado também nos tornamos capazes de acessar a riqueza das nossas informações, história, crenças e sabedoria interiores para instigar e integrar o autodesenvolvimento e mudanças duradouras. (ADLES, 2015, p. 16). Milton Erickson (1989) acreditava que todo mundo podia entrar em transe, e não sentia que os vários estágios do transe (leve, médio, profundo ou sonambulismo e pleno), como discutidos pela hipnose clássica, se aplicavam ou eram algo necessário para se fazer o trabalho hipnótico. Ou se está em transe ou não. E, mesmo assim, ele ainda falava com frequência em aprofundar o estado de transe. O que ele queria dizer? Ao aprofundar, são dadas sugestões que ajudam o cliente a focar mais e mais a atenção internamente, e prestar menos e menos atenção ao mundo externo, para facilitar que o cliente se torne mais conectado ao seu mundo e recursos interiores. Para certos tipos de transe, como a regressão de idade, ele sugeria que o cliente fosse levado não a um estado de transe mais profundo, mas a um transe mais completo. Ele não concebia que estados mais profundos fossem relevantes, todavia, que os estados de transe mais completos aumentavam, certamente, a efetividade de certos tipos de intervenções. Aprofundar, portanto, se refere a criar um transe mais completo, um estado mais focado internamente. Nenhum transe jamais é “completo”, na medida em que isso excluiria o eu observador (observing self), e o cliente perderia a habilidade de escutar e de se comunicar consigo mesmo e com outrem. Erickson sentia que cem por cento da população é capaz de entrar em transe, uma vez que todos nós temos entrado em transe sozinhos, durante anos. (A hipnose clássica proclama que apenas cerca de dez por cento da população responde ao transe). Na concepção de Erikson, transe é um estado natural da mente. Quando alguém nos dá aquele abraço, enquanto olhamos fixamente a xícara de café, em algumas manhãs, nós estamos em transe. Quando nos sentamos para trabalhar em nosso computador por poucos minutos e levantamos o olhar, uma hora mais tarde, nós estávamos em transe. Nós conduzimos os clientes ao transe, na medida em que eles já têm uma grande quantidade de prática e sabem como fazer isso. Eles já sabem como focar a atenção e, portanto, como entrar em transe. Nós apenas conduzimos e, uma vez que é o cliente quem está decidindo seguir nossa condução, toda hipnose é, de fato, auto-hipnose. “Portanto, todos os estados de transe são considerados auto-hipnóticos.” (ADLER, 2015, p. 16). Quando você usa o transe conversacional, seu cliente ou audiência são conduzidos a um transe menos completo. Todavia, quando você usa o transe formal, olhos fechados, relaxamento e uma indução tradicional, você está criando e conduzindo a pessoa ou grupo a um transe mais completo. Uma vez em transe, o aprofundar pode fazer com que o estado de transe fique ainda mais completo. Para a maior parte do trabalho a ser feito, apenas o estado de transe é necessário, de sorte que, na verdade, isso tem pouca relevância. Neste exemplo, a indução é feita de uma maneira semelhante a uma conversa informal, utilizando os conceitos acima, partindo de pressuposições (“não sei se você alguma vez foi hipnotizado antes”), o que pressupõe que o sujeito será hipnotizado, divisão (inconsciente e consciente), evocações (“você esteve em estados hipnóticos antes e não sabia”), intercalações (intercalando palavras, como “relaxamento, confortável”) permissão (com as palavras você pode, e/ou, enquanto) e emprego de palavras que se referem aos canais sensoriais visual, auditivo e somático. Se possível, sabendo-se qual o canal sensorial preferido do sujeito, pode-se iniciar por esse canal e depois passar para os outros que não são muito usados por ele. Essa simples manobra já pode provocar um estado alterado de consciência (MARQUES, 2018a, p. 69-71). PRINCÍPIOS PSICOLÓGICOS NA OBRA O HOMEM DE FEVEREIRO Milton Erickson não é considerado um grande teórico da Psicologia. Não

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Inteligência intuitiva e inteligência emocional.

Inteligência Intuitiva e Inteligência Emocional Dr. Antonio Maspoli A palavra intuição (do latim in tueri = “ver em, contemplar”) significa um conhecimento direto, imediato, do conjunto de qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e de suas relações, sem uso do raciocínio discursivo. Você sabia que 90% das nossas atitudes são tomadas no inconsciente, no lado direito do hemisfério cerebral? O inconsciente planeja de forma intuitiva e probabilística. Depois, comunica ao lado esquerdo do hemisfério cerebral, a consciência. Então, a consciência produz a ação que executa a atitude. Vamos imaginar que você está dirigindo um carro, de repente você leva uma fechada e você consegue se livrar. Como acontece algo tão preciso e tão de repente? Vejamos. Se você tiver pelo menos sete segundos para tomar as atitudes corretas, para executar as ações precisas e necessárias, você salva a sua vida e da sua família. O inconsciente, que corresponde de modo geral ao lado direito do cérebro, faz todos os cálculos que precisavam ser executados para salvar a sua vida. Em seguida, comunica ao lado esquerdo do cérebro, a sua consciência. O centro de tomada de decisão do cérebro, no eixo HPA – Hipófise, Hipotálamo e Adrenal, executa a ação. Todo esse processo intuitivo de tomada de atitude levou de 7 a 10 segundos. Nesse processo citado, se você tiver de 7 a 10 segundos para fazer o que o inconsciente determinou, você salva a sua vida. Estamos falando da inteligência intuitiva. Nesse sentido, a intuição na verdade, com a neurociência, passou ser considerada uma forma sofisticada de conhecimento. Intuição é aquele conhecimento que nasce no lado direito do hemisfério cerebral. Trata-se de um conhecimento inato, para a preservação da vida. A intuição manifesta-se quando soluciona um determinado problema, sem ter todas as cartas na mesa, sem ter todos os dados do problema na mesa. O que acontece, na intuição? Gerd Gigerenzer (2009) afirma que o inconsciente, sobre o qual nós não temos domínio, vai juntando as pistas que estão no ambiente, nas pessoas, nos relacionamentos, nos lugares, no ambiente de trabalho, na igreja, na família, a fim de equacionar o problema a ser resolvido. Às vezes, com as pequenas pistas que as pessoas deixam, o lado direito do cérebro monta a equação completa. Soluciona o problema! E comunica ao lado esquerdo, para a execução. INTELIGÊNCIA EMOCIONAL A emoção desencadeada por determinado estímulo dá origem a programas de ações diferentes, conforme o tipo de emoção, as quais provocam alterações no rosto, no corpo ou no sistema endócrino (estratégias ativas). O corar de um rosto, a tensão muscular, a aceleração do ritmo cardíaco ou o aumento da secreção de determinado hormônio são exemplos dessas alterações fisiológicas. Damásio (cf. GOLEMAN, 1995) destaca o valor adaptativo das emoções e de sua função, na interação social, e propõe uma classificação em três tipos de emoções: de fundo (emoções mais vagas, como o entusiasmo e o desencorajamento), primárias (mais pontuais, como a tristeza, o medo, a raiva ou a alegria) e sociais (resultantes de um contexto sociocultural – como a empatia, a compaixão, a vergonha ou o orgulho). As emoções básicas (alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa, repugnância) são consideradas universais, pelo reconhecimento através da expressão facial, sendo geradas por situações extremas e o seu contágio, entre os membros de um grupo social, um potencial catalisador de comportamentos coletivos, como atestam os protestos e as manifestações que sacudiram todo o Brasil, recentemente. Num de seus mais fascinantes e polêmicos livros, Damásio evoca o exemplo instigante de Espinosa, o qual, numa época de grande intolerância e obscurantismo, no século XVII, ousou defender a liberdade da mente humana, integrada aos seus contextos naturais e sociais, de forma a suplantar, numa democracia, “… o lado escuro das emoções sociais que se exprimem no tribalismo, racismo, tirania e fanatismo religioso.” (DAMASIO, 2003, p. 289). A inteligência emocional consiste em amar a pessoa certa, na intensidade necessária e no tempo apropriado. Para isso, é preciso conhecer as próprias emoções. Isto está em conexão com as emoções e sentimentos, quando estes ocorrem. Aprender a lidar com as próprias emoções e sentimentos, independentemente de serem emoções e/ou sentimentos positivos e negativos. Integrá-los na própria consciência. Motivar-se para desenvolver o autocontrole. Aprender a modular as emoções e sentimentos. Desenvolver a habilidade dos neurônios espelhos, isto é, a capacidade de reconhecer as emoções no outro: a empatia. Ler no rosto do outro o que o outro está sentindo (GOLEMAN, 1995).

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Psicologia Social da Religião: História e Abordagens Teóricas

Psicologia Social da Religião: História e Abordagens Teóricas Dr. Antonio Maspoli Resumo O renascimento do fenômeno religioso a partir da segunda metade do século XX, seja como uma nova face da secularização, seja como um processo de ressacralização, ou mesmo de reencantamento do mundo, não pode passar despercebido ao psicólogo. O objetivo dessa pesquisa, portanto, é analisar o pensamento dos clássicos da Psicologia da Religião na psicologia social da religião, destacando-se: o pensamento de Sigmund Freud, a teoria de Carl Gustav Jung e as concepções de William James. Os estudos das teorias clássicas da Psicologia da Religião podem oferecer ferramentas conceituais adequadas para que os psicólogos da religião compreendam o fenômeno do campo religioso contemporâneo e suas influências no comportamento humano, com suas múltiplas faces e multifacetadas manifestações. Palavras-chaves: Psicologia, Psicologia da Religião, Religião, Teorias da Religião, História. Abstract The revival of religious phenomenon from the second half of the twentieth century, either as a new face of secularization, either as a new face of secularization, either as a resacralization process, or even re-enchantment of the world, can not go unnoticed to the psychologist. The purpose of this research, therefore, is to analyze the thought of the classics of Psychology of religion in social psychology of religion, especially: the thought of Sigmund Freud, the theory of Carl Gustav Jung and conceptions of William James. The studies of classical theories of Psychology of religion can offer appropriate conceptual tooling for psychologists of religion understand the contemporary religious field phenomenon and its influences on human behavior, with its multiple faces and multifaceted event. Keywords: Psychology, Religion Psychology, Religion, Theories of Religion, História. Introdução A religião é um fenômeno extraordinário, complexo e multifacetado que pode ser estudado por várias disciplinas: sociologia, psicologia, filosofia, antropologia, teologia, etc. Nenhuma delas, contudo, é capaz de apreender, a contento, a totalidade de tal fenômeno. A religião coloca-se como metáfora do real, numa tentativa última de compreender e explicar os mistérios da natureza e da vida, que não encontram explicações pela via científica. A religião funciona como um manto que encobre e encanta a realidade humana, à semelhança do dossel sagrado de Peter Berger (BERGER; LUCKMAN, 1973). A natureza religiosa do homem existe como fato social e psicológico total, e revela um aspecto gregário essencial da humanidade (DURKHEIM, 1989, p. 38). “Deuses são inevitáveis. Quanto mais tu foges de Deus, mais certamente cairás em suas mãos.” (JUNG, 2013, p. 148). A religião está na ordem do dia no século XXI, desde o 11 de setembro de 2001 ocupa as páginas dos principais jornais e das revistas do mundo ocidental. Contrariando os postulados de Peter Berger (1973; 1985), que prefigurava o desencantamento do mundo pelo processo de secularização, parece que ocorreu exatamente o contrário, com a vingança dos deuses, segundo Derrida (2000). Andrews Samuels (1995) propõe, inclusive, que o mundo vive um intenso processo de ressacralização, de reencantamento. O Islã, em todos os seus matizes, os fundamentalistas, cristãos ou não, e os pentecostais e neopentecostais não podem passar despercebidos dos pesquisadores da Psicologia da Religião. A perspectiva da ressacralização recupera um sentido das verdades religiosas, mas essas são desempenhadas através de um mundo em transformação menos dependente da organização religiosa. A ética da ressacralização pode ser plebéia em suas raízes, mas é sublime em suas aspirações. (SAMUELS, 1995, p. 30) A Psicologia da Religião pode ser uma importante ferramenta para se compreender o comportamento religioso. Por isso, este trabalho pretende revisitar os clássicos da Psicologia da Religião, a fim de contribuir para a releitura de referenciais teóricos relevantes e para compreender o comportamento religioso do ponto de vista psicológico. O objetivo desta pesquisa, portanto, é analisar o pensamento dos clássicos da Psicologia da Religião na psicologia social da religião, destacando-se: o pensamento de Sigmund Freud; a teoria de Carl Gustav Jung; e as concepções de William James. Geraldo José de Paiva (2009) coordenou uma pesquisa sobre a produção científica da Psicologia da Religião no Brasil no período que vai de 1956 a 2005 (este pesquisador participou da mesma). As conclusões dessa pesquisa são importantes para se compreender a Psicologia da Religião no Brasil. Tomando apenas o número de artigos científicos foram 2 publicações na década de 1950, de 16 na década de 1960, de oito na década de 1970, de 23 na década de 1980, de 37 na década de 1990 e de 39 no primeiro lustro dos anos 2000, totalizando 125 artigos. (PAIVA et al. 2009, p. 442) Os temas abordados nesses artigos são diversos e cobrem uma gama de fenômenos psicológicos: Os temas abordados nos artigos publicados têm mantido rica diversidade, embora alguns deles se destaquem pela frequência. Saúde, experiência religiosa, vocação religiosa/sacerdotal, identidade religiosa e relações entre psicologia e religião têm sido os temas mais frequentes. Vêm a seguir, com menor frequência, agressividade, arquétipos, atitudes, comunicação, corpo, culpa, escrúpulo, personalidade, representação social, sexualidade e simbolismo. (PAIVA, et al. 2009, p. 442) A publicação brasileira da Psicologia da Religião em forma de livro é relativamente recente. Paiva (2009) destaca a obra do jesuíta, Leonel Franca, Psicologia da Fé e o Problema de Deus, da década de 1930 (FRANCA, 1933), como o marco inicial da Psicologia da Religião na publicação de livros no Brasil. Na década de 1970, temos a publicação do livro Psicologia da Religião, de Merval Rosa (1971) e de Temas da Psicologia da Religião, de Antonius Benkö, da década de 1980 (BENKÖ, 1981). Na década de 1990: Edênio Valle, com Psicologia e experiência religiosa: estudos introdutórios (1998); M. Massimi e M. Mahfoud, Diante do mistério: Psicologia e senso religioso (1999). Na primeira década do século XXI: Geraldo José de Paiva, com A religião dos cientistas: uma leitura psicológica (2000) e Entre necessidade e desejo: diálogos da Psicologia com a Religião (2001); de V. A. Angerami-Camon, Vanguarda em psicoterapia existencial (2004a) e Espiritualidade e prática clínica (2004b); de A. F. Holanda, Psicologia, religiosidade e fenomenologia (2004); de G. J. de Paiva e W. Zangari, A representação na religião: perspectivas psicológicas (2004); e de M. M. Amatuzzi, Psicologia e espiritualidade (2005), (PAIVA, 2009, p. 442-443). Da lavra do pesquisador Geraldo José de Paiva, podemos destacar: Psicologias da Religião na Europa (1990); Algumas relações entre psicologia e religião (1990); Itinerários religiosos de acadêmicos: um enfoque psicológico (1993); A religião dos cientistas: uma leitura psicológica (2000); Entre necessidade e desejo. Diálogos da Psicologia com a Religião (2001); Perder e Recuperar a Alma: Tendências Recentes na Psicologia Social da Religião Norte-Americana e Européia (2002); Identidade e pluralismo: identidade religiosa em adeptos

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O Corpo Como Sombra No Protestantismo Brasileiro

O Corpo Como Sombra No Protestantismo Brasileiro Antonio Maspoli de Araujo Gomes Historicamente ligado a Santo Agostinho, Martin Lutero era um agostiniano, (1968)1 o protestantismo adotou em relação ao corpo o postulado da Patrística de que o cerne e a origem do mal é a carne. Carne aqui identificada com o corpo humano. A carne no protestantismo é identificada naturalmente com o corpo humano. O corpo naturalmente inferior ao espírito, deve ser subordinado ao espírito. E para isso deve ser reprimido. No protestantismo a repressão do corpo ocorre naturalmente por meio da identificação do corpo com o Templo do Espírito Santo. A repressão ocorre também por meio do controle e da regulação do corpo. O resultado dessa repressão do corpo é a ascese e a racionalidade, o espirito protestante weberiano ( 2004 )2. Este artigo pretende relacionar as imagens do corpo protestante com o corpo da patrística. Compreender o corpo como sombra no protestantismo. E demonstrar que, se pela via positiva, a ascese produz a ética protestante do trabalho; pela via negativa, o resultado da repressão do corpo pode gerar distorções éticas e psicológicas: a depressão, a perversão, a compulsão e até distúrbios psicossomáticos. O cristianismo nasce de um corpo paradoxal para o entendimento humano. O corpo morto do Cristo na cruz e o corpo ressuscitado de Jesus. O primeiro é um corpo inerte, sem vida, sem valor humano. O segundo, um corpo em transformação, glorificado que depende fundamentalmente da fé cristão para ser apreendido. Esse paradoxo do corpo nas origens da fé cristã haverá de marcar toda a compreensão posterior do corpo humano no cristianismo e o lugar sombrio que esse corpo ocupa nos últimos dois mil anos. A fim de ser transformado o corpo deve ser subjugado e reprimido em nome de causas e objetivos espirituais superiores que devem ser alcançados ainda nesta vida para se garantir as bem aventuranças. “O corpo humano vive a dois mil anos a sombra da cultura ocidental. Seus impulsos animais, suas paixões sexuais e sua natureza perecível foram banidos para a escuridão e transformados em tabu por um clero que só dava valor aos domínios mais elevados do espírito e da mente e ao pensamento racional”( ZWEIG e ABRAMS, 2014, p. 105. )3 O conceito chave, oriundo da psicologia junguiana,utilizado para desenvolvermos deste trabalho numa abordagem do corpo como sombra no protestantismo é a sombra. (GAMBINI. 2000. P. 27). No Sermão da Montanha, em Mateus 7;1-54 Jesus Cristo diz: “Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, sereis medidos. Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu? Como poderás dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. Roberto Gambini (2000)5 reconhece neste texto as origens embrionárias da projeção. “Jung afirma que ‘a projeção é um dos fenômenos psíquicos mais comuns. (…) Tudo o que é inconsciente em nós mesmos descobrimos no vizinho’. Na verdade, a projeção é um fato que ocorre de modo involuntário, sem nenhuma interferência da mente consciente: um conteúdo inconsciente pertencente a um sujeito (indivíduo ou grupo) aparece como se pertencesse a um objeto (outro indivíduo ou grupo ou o que quer que seja, desde seres vivos até sistemas de ideias, a natureza ou a matéria inorgânica) ”(GAMBINI, 2000, P. 28)6. Imaginemos um campo de luz, relativamente recente, e um campo sombrio, muito anterior ao primeiro. O dinamismo da relação peculiar entre esses dois campos é dado pelo fato de que o campo sombrio quer ser reconhecido e o faz pela via indireta da projeção. Ocorre que a intensidade de uma projeção é inversamente proporcional à abertura da atitude consciente. Se a consciência combater obstinadamente a emergência de um conteúdo inconsciente, este poderá recorrer a medidas drásticas para ser reconhecido. A projeção é inconsciente e involuntária, independe da vontade do sujeito. Sempre que o homem se depara com os conteúdos inconscientes e perturbadores da sua psique ele se utiliza do mecanismo da projeção para diminuir seu sofrimento e a sua ansiedade. Segundo Jung, tudo o que é obscuro – e precisamente por ser obscuro – é um espelho: ‘Tudo o que é desconhecido e vazio está cheio de projeções psicológicas; é como se o próprio pano de fundo do investigador se espelhasse na escuridão. O que ele vê no escuro, ou acredita poder ver, é principalmente um dado de seu próprio inconsciente que ali se projeta. Em outras palavras, certas qualidades e significados potenciais de cuja natureza psíquica ele é totalmente inconsciente9GAMBINI, 2000, p. 28)7. O que devemos ter em mente é que as projeções ocorrem involuntariamente. No linguajar comum, diz-se que alguém está projetando, como se isso implicasse uma ação consciente. Não é o ego que projeta; é o inconsciente que se projeta. Esse fato natural se dá porque tudo o que é desconhecido no plano exterior constitui uma espécie de eco do desconhecido interior. Quanto aos fatores que desencadeiam a projeção podemos apontar especialmente os complexos (isto é, conteúdos psíquicos autônomos). Os complexos são uma experiência vivida por todos nós e seu efeito desintegrados sobre a consciência manifesta-se quando os mesmos se tornam um sistema psíquico separado, autônomo em relação a consciência do sujeito e fragmentário. Um complexo é um conjunto de ideias e imagens de conteúdo afetivo, que se dissociou da consciência por um trauma psicológico e/ou por um conflito moral. Um complexo é autônomo e inconsciente, em termos psicológicos, o que significa dizer que age independentemente da vontade do sujeito. O complexo possui o indivíduo e não o contrário. Daí facilmente confunde-se um complexo com uma possessão. Os complexos, por serem autônomos e inconscientes, não estão sujeitos à vontade do sujeito. Daí a força que carregam. E quanto mais o sujeito luta contra um complexo, tanto mais esse se fortalece, como quando ocorre

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As origens arquetípicas do bode expiatório

AS ORIGENS ARQUETÍPICAS DO BODE EXPIATÓRIO Dr. Antonio Maspoli Introdução Existem conceitos e experiências humanas, arraigadas no ocidente que independem de credo, sexo, raça ou mesmo religião. A culpa é um destes fenômenos. A sociedade ocidental desde o liberalismo teológico do século XIX, especialmente sob a influência da teologia da morte de Deus vem tentando resolver o problema da culpa. A psicanálise também caminhou nesta direção. Em alguns meios psicanalíticos acreditou-se, inclusive, que a destruição pura e simples do conceito cristão de pecado seria suficiente para liberar toda a humanidade ocidental do fardo terrível da repressão e da culpa. Alguns psicanalistas, à semelhança de Wilhem Reich, dedicaram suas vidas e trabalharam em suas pesquisas para este fim. O resultado alcançado parece estar longe de resolver o problema da culpa e da responsabilidade humana pelos seus atos, sejam eles bons ou maus. A psicanálise enfrenta uma de suas piores crises de relevância, frente aos velhos conflitos, as novas demandas e novas descobertas da neurociência no mundo contemporâneo. Hoje Reich já passou a ser um dos psicanalistas quase esquecidos. A religião e a experiencia religiosa trouxeram de volta os conceitos de pecado e culpa para assombrar o homem pós-moderno. Joseph Campbell, et all (1986) conceitua culpa como: “O sentimento que uma pessoa tem de ter errado, violado algum princípio ético, moral ou religioso. Associados de modo típico a essa consciência estão um grau muito baixo de autoestima e um sentimento de que o erro cometido deve ser expiado ou compensado. ” (CAMPBELL, p. 142). Otto Fenichel, (1981), parece concordar com esta definição, quando afirma que “Os sentimentos de culpa que acompanham a prática de uma maldade e os sentimentos de bem-estar que resultam do cumprimento de um ideal são os modelos normais seguidos pelos fenômenos patológicos da depressão e da mania ” (FENICHEL, p. 96). De modo geral a culpa nasce quando o homem age contra a sua própria consciência e desconsidera em seus atos a norma ética da busca pelo bem comum. Ou dizendo de outro modo: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.(Mateus 7:12)” As conceituações psicológicas, todavia, desconsideram em suas assertivas as afirmações bíblicas para as origens e o problema humano da culpa. A culpa tem espectros multifacetados na explicação de sua gênese. A fim de ajudar o leitor a compreender algumas questões relevantes relacionadas com o tema da culpa apresentaremos alguns fatores importantes para se compreender o problema da culpa. E discutiremos alguns caminhos teológicos e psicológicos a fim de buscar solução para este dilema humano. A culpa arquetípica ou primordial na teologia bíblica O ocidente judaico cristão vai buscar a gênese teológica da culpa no chamado pecado original, o pecado adâmico, quando Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal e desobedeceu a Deus, fato este amplamente narrado em Gênesis 2 e 3. Nesta interpretação o homem teria herdado a culpa desta transgressão e já nasce devedor perante o Criador. A culpa do primeiro homem lhe é imputada e a questão, segundo a qual o homem é pecador porque peca, após adquirir consciência, carece de relevância posto que ele já nasce pecador. Daí não importar a pergunta se o homem peca porque é pecador? Ou se o homem é pecador porque peca? Pecando ou não, segundo a tradição cristã, o homem nasce pecador diante de Deus. Na teologia bíblica surge um axioma mais consistente, à luz de Romanos 7, o homem peca porque é pecador. O pecado neste caso não se refere apenas a um ato moral consciente, mas à própria natureza humana, (ROMANOS. 7:24). Por inferência podemos afirmar o mesmo sobre a culpa. O ser humano nasce devedor, culpado diante de Deus, embora em sua primeira infância até os quatro anos de idade, o homem ainda não tenha nenhuma consciência de seus atos morais, esta inconsciência não o exime da culpa primordial, por isso, a criança, desde o ventre materno, depende da graça especial de Deus para o perdão desta culpa e para a sua salvação pessoal. No caso da criança cabe registrar que o perdão e a salvação em Cristo lhes são imputados automaticamente pelo Espírito Santo, independentemente de qualquer credo ou vivência religiosa. Em decorrência desse axioma, o homem peca, porque é pecador. A partir do momento que, em seu desenvolvimento ontogenético, a criança adquire consciência do pecado, ela passa a ser pecadora também porque peca. Neste caso, temos a culpa pela responsabilidade individual sobre uma transgressão cometida perante a lei de Deus. Como pode ser depreendido pela experiência de Caim: “E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à tua porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (GÊNESIS 4: 6-7). A experiência de Davi no Sl. 51 corrobora assim a experiência de Caim. “Eis que fui nascido em iniqüidade, E em pecado me concebeu minha mãe” (SALMOS 51:5). Este relato bíblico, arquetípico, não deixa dúvida sobre a responsabilidade humana sobre os seus desejos e suas ações. No entanto, este é apenas um lado da moeda, o fator consciente da culpa. No processo de culpabilidade existem ainda fatores inconscientes. O homem pode cauterizar a sua consciência, enganá-la, tal como afirma Isaias ”Tal homem se pascenta de cinzas; o seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio” (ISAIAS 44:20). Negar o pecado, acostumar-se a ele, cauterizar a própria consciência pode livrar o indivíduo da culpa consciente, mas não o livrará jamais da culpa inconsciente. Especialmente, porque o inconsciente é ético e responsável (Jung, 1988). O inconsciente continuará a apresentar a conta a ser paga em decorrência do pecado, perante o pecador. E esta conta torna-se cada vez mais elevada, pois pode traduzir-se em sintomas de doenças psicossomáticas, à semelhança do que ocorreu com Davi no Sl. 32. A vivência continua da

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