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Depressão Na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung

Depressão Na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung Antônio Máspoli de Araújo Gomes “Todo psicoterapeuta não só tem o seu método: ele próprio é esse método. ‘Ars totum requirit hominem’ diz um velho mestre. O grande fator de cura, na psicoterapia, é a personalidade do médico – esta não é dada a priori; conquista-se com muito esforço, mas não é um esquema doutrinário. As teorias são inevitáveis, mas não passam de meios auxiliares.”1 Depressão na Perspectiva de Carl Gustav Jung Para Jung a personalidade é uma dimensão psíquica do ser humano em sua totalidade. Essa totalidade envolve tanto fenômenos conscientes quanto inconscientes. Para ele, a Psicologia tem como objeto a psique. Um dos pontos fundamentais é a ideia de que o inconsciente não é um simples depositário de experiências passadas, desejos ou instintos reprimidos. Ele também é criativo, quer dizer, pode conter a base de futuras situações psíquicas e ideias novas. O inconsciente é uma parte tão vital e real da psique quanto a consciência e o Ego. Em sua profícua experiência clínica, Jung percebeu que o inconsciente se transforma e provoca mutações. Este desenvolvimento psíquico chamado de “processo de individuação” é um crescimento em direção ao “si mesmo” (self), a expressão da totalidade psíquica. Por meio de sua consciência, o homem pode participar ativamente de seu desenvolvimento. Desse modo, do confronto e do relacionamento entre consciente e inconsciente, vai surgindo uma personalidade amadurecida, fruto de uma síntese cada vez maior. O termo libido é um dos construtos teóricos basilares da teoria psicanalítica. Inicialmente concebido por Freud como uma pulsão, instinto ou energia de natureza eminentemente sexual, uma força instintiva específica, este conceito foi, posteriormente, reformulado para incluir em sua definição duas pulsões vitais: eros e tanatos. Eros seria a energia ou princípio da vida e tanatos pulsão de morte. No entanto, mesmo com esta modificação, não há dúvida entre os freudianos e neofreudinaos de que a libido é uma energia de natureza puramente sexual. Jung, contudo, rompe com a concepção pansexualista de Freud, com a publicação da obra Wandlungen und Symbole der Libido (Transformações e Símbolos da Libido2), publicada em 1911/1912. Nesta pesquisa ele expõe o curso do desenvolvimento da libido na evolução da esquizofrenia, desde a sua etiologia até a dissociação completa. Jung ampliou o conceito de libido para designar a energia psíquica, em geral presente em toda a natureza. A elasticidade deste conceito compreende não apenas a energia do psiquismo humano, inclusive aquela de natureza sexual, mas abarca também a própria energia do universo, a alma mundi. Como conceito aplicado de energia logo se hipostasia nas forças (os instintos, os afetos e outros processos dinâmicos), o seu caráter concreto pode ser expresso adequadamente, a meu ver, pelo vocábulo libido, pois concepções semelhantes se utilizaram de denominações parecidas, desde tempos remotos, tais como a vontade de Schopenhauer, a arque de Aristóteles, o eros de Platão, o amor e o ódio dos elementos de Empédocles ou élan vital de Bérgson3. (JUNG, 1998, p. 28). Esta nova concepção de libido rompe com o pansexualismo freudiano e inaugura o panpsiquismo que dominará a psicologia analítica em uma perspectiva pan-energética. O novo conceito de libido formulado por Jung, em 1912, calcado no neoplatonismo e no idealismo alemão, abrange todos os fenômenos de natureza energética existente no universo. Desta energia Jung deriva os conteúdos da bioenergia ou energia vital. Esta seria a base da energia psíquica que circula pelo sistema nervoso central e periférico. O conceito de energia vital, entretanto, nada tem a ver com uma denominada força vital, pois, enquanto força, esta nada mais seria do que a forma específica de uma energia universal e, deste modo, estaria eliminada a pretensão a uma bioenergética, em oposição a uma energética física, sem se reparar no abismo, até agora então preenchido, entre o processo psíquico e o processo vital. Propus que a energia vital hipoteticamente admitida fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tencionamos fazer dela em psicologia, diferenciando-a, assim, de um conceito de energia universal, conservando-lhe, por conseqüência, o direito especial de formar seus conceitos próprios. Fazendo isso, não tenho a menor intenção de adiantar-me dos que trabalham no campo da bioenergética, mas tão somente dizer-lhes com toda a franqueza que empreguei o termo libido em vista do uso que dele faremos em nosso estudo. Para seu uso, esses estudiosos poderão propor, se o quiserem, os termos bioenergia ou energia vital4. (JUNG, 1998, p. 16). Com esta reformulação do conceito de libido, estava posto o machado à raiz da árvore pansexualista. A libido não se aplica somente aos conteúdos de natureza puramente sexual, amplia-se para incluir todos os aspectos da natureza humana: a mente, o corpo, a linguagem, a sexualidade, a alimentação, o mito, a religião, a arte, os jogos, o trabalho, o amor, o ódio, a doença (inclusive a depressão), e todas aquelas atividades humanas ligadas à cultura. O materialismo freudiano não poderia admitir esse novo postulado e o rompimento entre Freud e Jung estava consumado. Ao perceber no Id o instinto de individuação que busca a totalidade, a criatividade de Jung transbordou a moldura materialista pansexual da psicanálise. Em 1912, Jung publicou o livro Símbolos de Transformações, no qual expandiu o conceito de libido para torná-lo sinônimo de energia psíquica, expressão de todo e qualquer símbolo, e não somente da sexualidade. Significativamente, o último capítulo desse livro intitula-se O sacrifício, onde Jung demonstra que a transição de um símbolo para outro é uma vivência que inclui a perda emocional do que passou. Como grande intuitivo que era, Jung certamente previu que sua nova concepção da libido seria incompatível com a presidência da Sociedade Psicanalítica Internacional e, pior ainda, com sua filitude científica de Freud. O inevitável aconteceu. O filho cresceu mais que o pai, daí em diante caminhou sozinho para fundar sua própria psicologia analítica, centrada na realização arquetípica da personalidade5. (BYINGTON, 2005, p. 8). BIRMAN6 (2006) aponta outros aspectos responsáveis pelo rompimento entre Freud e Jung: a rivalidade científica entre os dois; a concepção junguiana sobre o delírio na esquizofrenia como transformação da libido e não somente como expressão da sexualidade proposta

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O messianismo milenarista e o mito do eterno retorno uma leitura a partir da psicologia da Carl Gustav Jung

O messianismo milenarista e o mito do eterno retorno uma leitura a partir da psicologia da Carl Gustav Jung Dr. Antonio Maspoli Resumo: Fenômenos messiânicos foram pesquisados sob diversos aspectos, mas a questão psicológica quase sempre foi deixada de lado. A análise destes fenômenos sob a perspectiva psicológica pode contribuir para a compreensão de importantes movimentos sociais ocorridos no Brasil em meados do século XIX e na primeira metade do século XX. Esta pesquisa busca: explicitar as diferentes abordagens do messianismo e milenarismo no Brasil e explicitar a contribuição da psicologia de Carl Gustav Jung para o estudo do mito do eterno retorno no messianismo. Palavras-chave: messianismo, psicologia histórica, messianismo judaico-cristão, messianismo no Brasil. 1. Estudos sobre o messianismo no Brasil O fenômeno messiânico (SILVA, 2006, pp. 14-18) do campo religioso tem uma história recente na academia brasileira. Fenômenos como Canudos, Contestado, Pedra Bonita e Caldeirão foram pesquisados sob diversos aspectos: político, militar, social, econômico etc. No entanto, esses fatos ainda não foram considerados sob a perspectiva da variável psicológica, que quase sempre foi deixada de lado nas pesquisas, como algo de menor importância, seja pela falta de espaço na academia para pesquisas dessa natureza, seja pela exigüidade de pesquisadores interessados nesse tema. A análise desses fenômenos sob a perspectiva psicológica pode contribuir para compreender importantes movimentos sociais ocorridos no Brasil em meados do século XIX e na primeira metade do século XX, como, por exemplo, a relação entre o êxodo rural e o advento do pentecostalismo e do neo-pentecostalismo. Pretende-se também colaborar para inserir na memória nacional aspectos relevantes relacionados à subcultura das classes sociais empobrecidas e excluídas da cadeia produtiva e também das grandes vertentes do cristianismo tradicional, seja do catolicismo romano, seja do protestantismo histórico. A história desses movimentos foi contada geralmente a partir da perspectiva dos vencedores, das elites dominantes. Tais narrativas tendem a privilegiar aspectos sociológicos importantes para a cultura destas e a relegar para segundo plano aqueles aspectos relevantes para a compreensão do fato social total. Essa forma de abordagem tem levado invariavelmente ao esquecimento e, por vezes, obnubila a importância desses fenômenos para o entendimento da história das minorias, ou, dizendo de outro modo, joga no obscurantismo a história dos vencidos. Este procedimento pode levar ao esquecimento de aspectos importantes da subcultura e dos bens simbólicos desses movimentos religiosos (no caso de Canudos, a história foi contada pelos vencedores; e, na história do Caldeirão, silenciada por vencidos e vencedores). O fenômeno religioso messiânico-milenarista vem sendo pesquisado no Brasil desde meados do século XIX. Inicialmente explicado a partir de interpretações biopsicológicas e ambientalistas com Nina Rodrigues (2006), Euclides da Cunha (1966), Josué de Castro (1965), dentre outros, posteriormente passou a ser interpretado a partir de variáveis sociológicas, numa concepção materialista dialética, mormente com Rui Facó (1976) na obra Cangaceiros e Fanáticos. Mais recentemente, Maria Isaura Pereira de Queiroz (1976) realizou uma tipologia desses movimentos. Importante também tem sido a contribuição de Renato Queiroz (1995) para se compreender o fenômeno milenarista contemporâneo, como, por exemplo, o fenômeno de Catulé. José Lins do Rego (1939) e Rubim Santos Leão de Aquino (2006, pp. 18-22) contaram a história de Pedra Bonita; Douglas Teixeira Monteiro (1974) e Paulo Pinheiro Machado (2006, pp. 18-22) estudaram o Contestado; Euclides da Cunha (1966) descreveu Canudos; Lopes (1991) pesquisou o Caldeirão; Monteiro (1977) estudou Juazeiro do Norte; Renato Silva Queiroz (1995) estudou o Catulé; Zicari Costa de Brito (2006) escreveu Santa Dica, a Santa Ressuscitada de Goiás; e Cláudia Mentz Martins (2006, pp. 30-34) escreveu Os Muckers, os fiéis armados de Jacobina. Mais recentemente, foi publicada a obra Os Aves de Jesus em Juazeiro do Norte, por Roberta Bivar Carneiro (CARNEIRO; MARTINS, 2006, pp. 38-42). Esses movimentos messiânico-milenaristas foram pesquisados a partir das variáveis histórico-sociais sem, contudo, considerar a importância da religião, dos símbolos, mitos e ritos, para a consecução da construção do imaginário dessas comunidades em tais eventos. Maria Isaura Pereira de Queiroz (1976) destaca-se no Brasil pelas pesquisas no campo do fenômeno messiânico. Essa autora, contudo, deixa claro na introdução da sua obra que a esfera do seu trabalho será o conflito social pela posse da terra como base para os movimentos messiânicos milenaristas. Para ela, o conflito social é entendido como o choque entre o latifúndio e as populações sem terra, marginalizadas e empobrecidas. O sagrado, apontado como condição pré-existente para a ocorrência desse fenômeno, não é considerado. O modelo destacado pela pesquisadora para a compreensão do messianismo é sociológico. A variável religiosa, especialmente aquela da tradição judaico-cristã e aquela de natureza protestante, ainda não foi pesquisada. Ainda não se tem notícias de trabalhos sobre o messianismo milenarista brasileiro a partir da perspectiva da psicologia social histórica nem de outras importantes correntes psicológicas. Os sociólogos definem a espera messiânica como a ânsia pela vinda de um enviado divino que, dotado de poderes extraordinários, restaurará a ordem entre aqueles que nele crêem. Desroche (2000, pp. 21-22) busca estabelecer as origens do termo messianismo na teologia, na história e na sociologia. a) O sentido teológico. Em sentido estrito, este termo deriva das fontes do cristianismo, da área cultural predominantemente cristã. Em sentido lato, o messianismo designa o corolário de doutrinas e crenças judaicas relativas ao Messias prometido no Antigo Testamento. Refere-se aos movimentos que prometem a vinda de um enviado de Deus, chamado para restabelecer sobre a terra a prefiguração do tempo primordial. Um reino marcado pela justiça, paz e a inocência das origens. O messianismo em sentido teológico aponta para a volta ao Paraíso perdido de John Milton. b) O sentido histórico-sociológico. O messianismo representa, neste caso, a herança mnêmica e social das doutrinas religiosas comuns do ocidente que prometem o advento do céu na terra, a felicidade perfeita. Esta utopia acontece sob a liderança de uma pessoa sobre um povo, um partido, um movimento coletivo etc. no seio dos quais as reformas – tanto eclesiásticas quanto políticas, econômicas ou sociais – são apresentadas na forma de ordens ou normas identificadas com missões, ou mesmo emissões divinas. O messianismo culmina aqui com o estabelecimento do status de cidadão deste novo reino celestial na terra para os

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Adolescência no Brasil da Década de 1970

ADOLESCÊNCIA: UM RETRATO CONCEITUAL NA DÉCADA DE 1970 ANTONIO MASPOLI Podem conceituar como quiserem, para eu, a adolescência é algo como um lírio doirado, cujas pétalas, são transformadas de espinhos durante a sua investida para o sol. É um marco, em que o homem, deixa a vida “sem sentido”, e passa a sentir a vida, passa a buscar um sentido para ela. É o período, que necessita mais de compreensão que de críticas, mais de amor que de transformação, e mais de aproveitamento que de estatísticas. INTRODUÇÃO – A ADOLESCÊNCIA A adolescência, não parece ser um tema apaixonante apenas para o nosso século. Já no século II a.C. Terêncio, escreveu uma comédia em que ele procura analisar os problemas de dois adolescentes, representando os problemas da educação para a formação do jovem. Também de uma maneira indireta, e às vezes direta, filósofos como Platão, Aristóteles e Sócrates parecem ter se preocupado com a adolescência. Em nosso século, a pesquisa neste setor muito tem se desenvolvido. Após a segunda guerra, dezenas de estudiosos tem se lançado na pesquisa da idade da adolescência, e até mesmo em nossa pátria, que dormia ao sabor do empirismo científico tem despertado para esta realidade, e tem empreendido pesquisas sobre a adolescência e suas implicações sociais. Assim é que neste campo de pesquisas podemos encontrar homens da envergadura de Spranger, Mira y López e Lauro de Oliveira Lima, que muito se empenham pelos problemas e pela vida dos adolescentes, aproveitando o trabalho que já existe no setor, como as pesquisas do pioneiríssimo Rousseau. Nesta pesquisa, procuro aproveitar o que de melhor, prático e definido existe nos estudos sobre a adolescência. Assim é que reservei o primeiro capítulo para uma conceituação e definição do problema no seu âmbito global. Já no segundo e terceiros capítulos, reservei para abordar, debater e comentar os problemas de desenvolvimento social e psicológico enfrentados pelo adolescente. Tendo em vista que os problemas de Delinquência Juvenil, é algo de complexo e importante para este estudo, reservei o quarto capítulo para abordar tal problema, a luz de estatística atualizada como uma da Universidade de Harvard, que fiz uso. No penúltimo capítulo (o quinto), documentei dois sistemas de classificação do adolescente e, no sexto capítulo abordei somente o adolescente da minha terra, o Brasil, usando os parcos meios que são disponíveis neste setor tão importante e tão carente do nosso povo. Terminei feliz, por ter concluído minha tarefa, e aprendizado tanto, de tão importante assunto da vida. Peço licença aos sábios e oro ao Senhor, para que esta pesquisa possa ser usada, pelo menos por mim mesmo, para a edificação do Seu povo, para a Sua Glória. A ADOLESCÊNCIA INTRODUÇÃO Os estudos sobre a adolescência não são recentes. Já no século II a.C. Terêncio se mostrava preocupado com a adolescência ao analisar os frutos de uma boa ou má educação, analisada em sua comédia “Os Adelfos”. Mas foi com o advento da psicologia moderna, que este assunto tomou vulto, como estudo sistematizado tendo em vista as pesquisas realizadas com adolescentes normais e anormais, por iminentes psicológicos. CONCEITUAÇÃO DE ADOLESCÊNCIA Muitos são os entendidos que procuram de uma ou de outra maneira conceituar a adolescência. Não nos lançaremos à liça, e citaremos somente os conceituadores, que são realmente autorizados, pela sua participação neste estudo. Para Rousseau, pioneiríssimo no estudo da adolescência, “É efetivamente, uma espécie de nova formação do indivíduo, uma verdadeira recriação”. Já em tempos remotos, encontramos definições sobre adolescência. Para Platão, a adolescência era “uma embriaguez espiritual”, e nós podemos facilmente compreender este conceito, quando encontramos Platão seriamente comprometido com a ciência das ideias. Para Aristóteles, que já olhava de uma forma um pouco diferente de Platão, partindo de sua visão introspectiva ele conceitua a adolescência como “a idade cheia de desejos”. Buscando uma conceituação mais atual de adolescência encontramos na obra de Spranger “Psicologia de La Edad Juvenil”, a seguinte afirmação do grande estudioso: “A adolescência, não é somente a fase do desenvolvimento da vida do homem, situada entre a meninice e a maturidade, entre a típica estrutura psíquica da criança ainda não diferenciada, e a estrutura já bem diferenciada do homem e da mulher”. Partindo desta afirmação, tudo nos leva a acreditar que Spranger deu grande importância à adolescência para toda a vida do indivíduo, máxime da vida mental. Até certo ponto esta importância dada por Spranger ao psiquismo na adolescência é muito válida, porque com as transformações fisiológicas que ocorrem na estrutura do adolescente não se pode negar, as implicações de caráter mental que isto acarreta. Para Garrison, a adolescência é considerada o período de vida durante o qual começa a ser alcançada a maturidade, principalmente a maturidade de procriação, isto é, a capacidade que o moço, ou a moça agora, apresentam de gerar um novo ser. É também um período marcado pelas dificuldades advindas para o indivíduo, por não poder precisar “se ainda é criança, ou se já é adulto.” Todos os estudiosos que procuram determinar a classificação, a conceituação de adolescência, geralmente demonstram uma grande preocupação em se afirmar que: Na adolescência, sempre ocorrem muitos problemas de caráter psíquico. Para o Dr. Mira y López, “A adolescência não se mede pela idade cronológica, nem pelo peso ou estatura individual, mas sim pelas modalidades de seus desejos e temores dominantes, pela constelação de incógnitas que angustiam o ser, pela norma de conduta com que pretende separar aquela e esta”. A conceituação do Dr. Mira y López é muito apreciável por não ser dogmática quanto à idade, ou mesmo o desenvolvimento fisiológico, mas deixa uma percale para cada um destes elementos influenciadores da adolescência. Dentro desta “constelação de incógnitas”, podemos facilmente encontrar um lugar, para a estrela do desenvolvimento fisiológico, psíquico, social e religioso. Etimologicamente, adolescência vem do latim ADOLESCERE que significa crescer. Assim adolescência é a fase da vida que apresenta crescimento acelerado, intenso, com modificações substanciais “nos modos de agir e de pensar”. Na verdade, adolescência é uma fase de crescimento tanto somático quanto psíquico; tanto exterior quanto

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Espírito protestante, educação e negócios em São Paulo do Século XIX

Espírito protestante, educação e negócios em São Paulo do Século XIX Dr. Antonio Maspoli SINOPSE Este trabalho consiste na aplicação da teoria das representações sociais a fim de compreender a influência das crenças na educação em São Paulo em meados do século XIX e relacionar a contribuição das Escolas Presbiterianas fundadas neste período com a formação da mentalidade empresarial de São Paulo O autor buscar demonstrar que o Mackenzie College contribuiu de forma significativa para a formação do empresariado em São Paulo entre 1870 a 1914. Palavras Chaves: Protestantismo, Ética Protestante; Educação; São Paulo; Max Weber; Mackenzie College; Mentalidade Empresarial ABSTRAST This work consists in the application of the social representation theory in order to comprehend the influence of belief in the education in São Paulo in the middle of the XIX Century and also to relate the contribution of the Presbyterian Schools, founded in this same period, with the social construction of the entrepreneurial mentality of São Paulo. Demonstrate that the Mackenzie College contributed significantly to the formation of entrepreneurial in São Paulo between 1870 and 1914. Keys: Protestantism; Protestant Ethics; Education; Saint Paul; Max Weber; Mackenzie College; Formation of Industrial Entrepreneurs. Introdução Após a exaustiva leitura não foi difícil traçar os objetivos que nortearam esta pesquisa, dificílimo foi percorrer os caminhos necessários para atingi-los. Isto porque a educação brasileira até o século XIX ainda carece de uma historiografia mais consistente que ofereça ao pesquisador os elementos necessários a reconstrução dos fatos históricos em sua totalidade para possibilitar a sua compreensão de forma mais congruente. * Antônio Maspoli de Araújo Gomes –Teólogo e Psicólogo. Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Tem Pós Doutorado pelo IEA da USP. Professor Titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pesquisador Convidado do Laboratório de Psicologia Estudos da Religião do Instituto de Psicologia da USP. O cenário que foi sendo desvelado ao longo deste trabalho demonstrou que o sistema econômico que imperava na colônia do Brasil prescindia da educação para o seu funcionamento e desenvolvimento porque dependia mais do trabalho braçal que da genialidade dos seus atores. A sustentação deste sistema econômico repousava numa sólida aliança entre os latifundiários e a coroa portuguesa e entre esta e a Igreja Católica Apostólica Romana. A aliança entre a coroa portuguesa e os latifundiários garantia a monocultura de exportação, primeiro do açucar e posteriormente do café. Já a aliança entre a coroa portuguesa e a igreja através do padroado, instrumento este que foi confirmado por D. Pedro I e por D. Pedro II e que vigorou até a proclamação da república em 1889, oferecia a legitimação que aquele sistema de exploração carecia. O padroado garantia dentre outras coisas a hegemonia da Igreja Católica na educação brasileira. Privilégio este que se manteve através dos tempos até a criação das escolas missionárias protestantes presbiteriana em meados do século XIX quando esta hegemonia foi quebrada pela ousadia dos missionários presbiterianos que pretendiam fundar nos trópicos o sistema educacional da igreja reformada segundo o qual ao lado de cada igreja deve haver uma escola. A educação ministrada pelas ordens católicas que tomaram o lugar dos jesuítas após a reforma pombalina em 1759 continuou garantindo a formação de súditos cordatos e conformados a ordem estabelecida. Os esforços da Coroa para ilustrar o Brasil a partir da chegada da família real portuguesa em 1808, foram localizados na Bahia, no Rio de Janeiro em São Paulo e Pernambuco, no entanto tais esforços eram voltados para as próprias necessidades da Coroa, isto é, a formação mão de obra especializada destinada ao funcionalismo público que atendessem as necessidades do Estado Português. Médicos, advogados e engenheiros militares estavam na base do funcionalismo público de então e, por isso mesmo, este modelo educacional não incluía um projeto para a massa da população que continuou analfabeta e como bem demonstram o censo de 1872 quando aponta para altos índices de analfabetismo na cidade de São Paulo. Nesta cidade o analfabetismo beirava os 90 % apenas entre os homens livres, excluindo-se deste número os escravo que não eram poucos. Analfabetos e excluídos não eram apenas os escravos negros. Havia brancos escravos, embora quase nenhum historiador faça menção eles. A gama de analfabetos compreendia aquela maioria absoluta da população empobrecida que dava sustentação ao modelo econômico baseado no extrativismo e numa agricultura voltada para a monocultura de exportação de produtos primários , como bem demonstrou Prado Júnior (1972) e Freire, (1993), inclusive em São Paulo como comprova o trabalho de Antônio Cândido, Os Parceiros de Rio Bonito, estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. Em face deste estado de coisas novos atores entram em cena para mudar este quadro. A bem da verdade havia no Brasil uma elite intelectual insatisfeita com o cenário econômico, político e educacional. Em São Paulo, já no primeiro quartel do Século XIX a Câmara da Província acolhera projeto de José Bonifácio de Andrada Silva e propunha a criação de uma Universidade que atendesse as necessidades de modernização e industrialização do pais, projeto este que só veio se concretizar na criação da Academia de Direito do pátio do colégio no Largo de São Francisco, na cidade de São Paulo em 1828, mesmo assim esta Academia, orgulho dos paulistas, nasce umbilicalmente ligada a Igreja Católica quer pela sua biblioteca que fora doada por um bispo falecido, quer pelo seu corpo de professores, em sua maioria ligados ao clero católico de São Paulo. A Faculdade de ciências Jurídicas e Sociais do Largo de São Francisco formará grande juristas para todos os estados brasileiros. Este se transformam em grande tribunos e políticos nas Câmaras e Assembléias Provinciais ou na Federal. São os bacharéis dos quais falou Gilberto Freire em sua obra Casa grande e Senzala, (1977) responsável pelo avanço do nosso sistema jurídico mas responsáveis de igual modo pela nossa cultura bacharelesca sem nenhum sentido pragmático em sua aplicação. Enquanto isto a Europa Protestante e os Estados Unidos praticamente já haviam erradicado o analfabetismo posto que precisavam ensinar a ler e a escrever aos

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Psicologia Comunitária numa abordagem conceitual

Psicologia Comunitária numa abordagem conceitual Community Psychology: a conceptual approach Antonio Maspoli de Araujo Gomes Universidade Presbiteriana Mackenzie Universidade Metodista de São Paulo Resumo: Este artigo apresenta as principais tentativas de conceituação das correntes teóricas sobre a psicologia comunitária, ligadas a psicologia social. A partir da análise dos dados obtidos podemos afirmar que a Psicologia Comunitária é um saber em construção, pragmático, derivado da Psicologia Social. Concluímos também que muitas das teorias referenciadas e das técnicas citadas pelos psicólogos que trabalham em Psicologia Comunitária são derivadas dos referenciais teóricos da Psicologia Comunitária. Palavras-chave: Psicologia Comunitária, Psicologia Social, Comunidade, Teorias Psicológicas, Técnicas Psicológicas. Abstract: This research presents the routes treaded by Community Psychology, from its beginning to present date. Through the analysis of the data we can state that Community Psychology is a pragmatic knowledge being structured, with its origins in Social Psychology. We also conclude that many of the reference theories and techniques mentioned by the subjects derive from existing Community Psychology theories references. Key words: Community Techniques, Social Psychology, Community, theories Psycoligicals Theories references, Psycologficals Techniques. 1. Introdução O termo Psicologia Comunitária ainda é bastante novo e amplo, sendo, por isso mesmo, de difícil conceituação. O termo em si é ambíguo e varia de acordo com o referencial teórico considerado e/ou a práxis do psicólogo que o define. São comuns os termos “Psicologia na Comunidade” (Bender, 1978); “Psicologia do Desenvolvimento Comunitário” (Escovar, 1979); “Saúde Mental Comunitária” (Berenger, 1982); “Psicologia “Comunitária/na Comunidade” (Bonfim, 1992); etc. Esta ambigüidade de termos para definir uma das ramificações da Psicologia Social, não se constitui, por si só, num indício de fragilidade. “Esta indefinição não decorre de insuficiência, mas é própria da constituição desse saber”. (Nascimento, 1990).D’Amorim (1980, p.104) chama a atenção para algumas vantagens dessa indefinição, diz ela: “Esta dificuldade de identificação está na base de duas implicações para o treinamento do psicólogo comunitário: a fragmentação do conceito de psicologia comunitária valoriza a criatividade e a flexibilidade no treinamento dos psicólogos e o respeito pelas diversas concepções neste domínio embora um esforço deve ser feito para valorizar os elementos comuns e manter os canais de comunicação”. Os psicólogos sociais vem realizando um esforço para definir a Psicologia Comunitária e superar a ambigüidade apontada acima, e convém considerá-lo. Bender (1978, p. 18): “Eu a definiria como uma tentativa para tornar mais efetivos os campos da Psicologia Aplicada no fornecimento de seus serviços e mais receptivos às necessidades e carências das comunidades por eles servidas”. Escovar (1979, p. 2): “A Psicologia Comunitária, ou psicologia do desenvolvimento, é uma espécie de jardim com caminhos que se bifurcam e de onde grupos de psicólogos tomam distintos rumos na base de decisões axiológicas ou políticas”. Montero (1980, p.3), influenciado por Escovar (1979), propõe a seguinte definição: “uma psicologia para o desenvolvimento, entendido este como o processo mediante o qual o homem adquire maior controle sobre seu meio ambiente”. Marin (1980, p. 71): “Em um sentido, a Psicologia Social Comunitária desenvolvida na América Latina é uma aproximação multidisciplinar para a solução de problemas sociais”. Brea (1985, p. 169): “A ausência de um marco teórico articulado nos leva a definir a psicologia comunitária como a aplicação de conhecimentos da psicologia em um determinado contexto geográfico social; este modelo serve de correção para os diferentes modelos teóricos que integram esta disciplina”. Gallindo (1981, p.13): “A Psicologia Comunitária é um movimento dentro de um campo maior de psicologia aplicada e que se caracteriza como uma nova abordagem para se lidar com os problemas de comportamento humano. Ela enfatiza mais o ambiente social do que fatores intrapsíquicos como determinantes da saúde mental”. Andery (1986, p. 203): “A palavra psicologia na comunidade vem sendo usada para designar a instrumentalização de conhecimentos e de técnicas psicológicas que possam contribuir para uma melhora na qualidade de vida das pessoas e grupos distribuídos nas inúmeras aglomerações humanas que compõem a grande cidade” Franco (1988, p. 70): “A Psicologia Comunitária se caracteriza por trabalhar com sujeitos sociais em condições ambientais específicas, atento às suas respectivas psiques. Seus objetivos se referem a melhoria das relações entre os sujeitos e entre estes e a natureza. Nesta perspectiva está todo o esforço para a mobilização das comunidades na busca de melhores condições de vida”. Uma análise dessas diversas definições demonstra alguns aspectos comuns a Psicologia Comunitária, embora a mesma seja o estuário de diferentes correntes psicológicas. Uma visão pragmática da psicologia, isto é, uma preocupação com a aplicação prática dos achados da psicologia a situações sociais concretas, e pouco interesse com questões de natureza teórica e científica. Uma ênfase psicológica voltada para a melhoria da qualidade de vida das comunidades como objeto do saber psicológico. O primado das questões interpessoais, a comunidade, em lugar da preocupação tradicional da psicologia, o indivíduo e as questões intrapsíquicas. O termo Psicologia Comunitária, portanto, inclui os estudos que se vêm realizando na Psicologia Social Aplicada às Comunidades, o Movimento de Saúde Mental Comunitário, a Psicologia do Desenvolvimento Comunitário e o Movimento de Ação Comunitária na América Latina, e outros fazeres de psicologia relacionados a comunidade. Este termo pode ser compreendido como uma visão pragmática da psicologia, que busca o desenvolvimento e a aplicação de técnicas psicológicas que sejam relevantes para a melhoria da qualidade de vida da comunidade. 2. Conceituação de Comunidade Outro conceito importante e necessário à compreensão da Psicologia Comunitária é o conceito de comunidade, seu objeto material e campo de atuação. O termo Comunidade, utilizado hoje em dia na Psicologia Social, é bastante elástico e capaz de incluir em seu escopo desde um pequeno grupo social, um bairro, uma vila, uma escola, um hospital, um sindicato, uma associação de moradores, uma organização não – governamental, até abarcar os indivíduos que interagem numa cidade inteira. E as definições de comunidade tem sido cada vez mais abrangentes pois se destinam a cobrir toda esta gama de habitats sociais. Schilling (1974), na obra “História das Idéias Sociais, indivíduo, comunidade e sociedade”, afirma que: “Comunidade designa qualquer corpo social mais ou menos importantes (matrimônio, família, parentesco,

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A Psicologia da Conversão e Adesão no Protestantismo

A Psicologia da Conversão e Adesão no Protestantismo Brasileiro  Antonio Maspoli Motivation for conversion and adherence to Brazilian Protestantism Resumo: O Brasil vive um dinamismo sem precedentes no campo religioso. De acordo com o IBGE, censo nacional de 2000 e 2010, o crescimento das igrejas evangélicas e também o número de pessoas que não têm qualquer pertença religiosa são expressivos. Tradicionalmente, o protestantismo reforçou o seu pxcrescimento através do processo de conversão. Este é um fenômeno comum no Brasil contemporâneo..A partir da análise da literatura revista e do depoimento de 100(cem) sujeitos os objetivos atingidos por esta pesquisa foram a) analisar se a experiência de conversão ainda é válida como modo de entrada no protestantismo; b) quais as motivações para o comportamento de conversão e adesão ao protestantismo. Palavras-chave: Psicologia da Religião, Conversão Religiosa, Motivação, Protestantismo, Adesão Religiosa. Abstract: Brazil is experiencing an unprecedented dynamism in the religious field. According to the IBGE, the national census of 2000 and 2010, the growth of evangelical churches and the number of people who have no religious affiliation are significant. Traditionally, Protestantism has increased its growth through the conversion process. A review of the literature reveals a lack of studies on the subject. This is a common phenomenon in contemporary Brazil.From the journal literature review and the testimony of one hundred (100) individuals the goals achieved by this research were a) examine whether the conversion experience is still valid as input mode in Protestantism; b) what are the motivations for conversion behavior and adherence to Protestantism. Key-words: Psychology of Religion, Conversion, Motivation, Protestantism, Religious Accession. Introdução O tema da conversão vem despertando o interesse de pesquisadores no Brasil. Entretanto, as pesquisas sobre a conversão e adesão, no Protestantismo brasileiro, são escassas. O renascimento do tema está ligado à efervescência religiosa e espiritual que marcou a segunda metade do século XX e o inicio do século XXI, criando a necessidade de reflexão sobre a conversão e o espaço próprio para as pesquisas, nesse campo, em ciências humanas e sociais. A conversão trata–se de um fenômeno bastante comum e intenso no Brasil contemporâneo, como bem demonstrou o censo religioso de 2000 e 2010. A conversão precede o aparecimento de todas as grandes tradições religiosas, especialmente as monoteístas, e fornece um dos modos de expressão do encontro entre o homem e a divindade, seja na experiência individual, seja na étnica ou na coletiva (Mossiere, 2007, pp. 2-3). A revisão da literatura sobre conversão no protestantismo brasileiro encontrou dificuldades quanto a escassez de pesquisas sobre o tema. Por outro lado, textos sobre conversão em pesquisas de língua inglesa são abundantes. Destacamos alguns: A. Buckser and S. D. Glazier – The Anthropology of Religious Conversion ( 2005); Coraline Buxant e and Vassilis Saroglou and Jaque Scheuer – Contemporary conversions: compensatory needs or self-growth motives(2009); D. Gordon – La Conversion religieuse(1974) ; Stephen Happel and James Walter- Conversion and discipleship: a christian foudation for ethics doctrine(1986); R. W Hefner – Historical and Anthropological Perspectives on a Great Transformation.Samuel Southrad and H. Newton Malony – Handbook of Religious Conversion( 1992). No Brasil registra-se as contribuições de Edênio Valle(2013:2002) ) e Geraldo José de Paiva (2013) no campo da psicologia social da conversão religiosa; e a pesquisa coordenada por Antonio Maspoli de Araújo Gomes: A Psicologia Social a Conversão Religiosa(2013).Outra pesquisa importante é a realizada por Rafael Shoji, Uma perspectiva analítica para os convertidos ao Budismo japonês no Brasil (Vale, 2002, p. 6). A partir da análise da literatura revista e do depoimento de 100(cem) sujeitos os objetivos atingidos por esta pesquisa foram a) avaliar se a experiência de conversão ainda é válida como modo de entrada no protestantismo; b) analisar quais as motivações para o comportamento de conversão e adesão ao protestantismo. A análise dos resultados foi realizada de acordo com o modelo teórico formulado por BARDIN (1977), aplicado por GOMES (1995) em sua pesquisa sobre a práxis do psicólogo na comunidade. Os dados da entrevista foram submetidos à análise de face dos conteúdos. Esta pesquisa seguiu as recomendações de PAIVA (2008). As respostas foram analisadas considerando-se as próprias crenças protestantes sobre o Protestantismo. Conversão na psicologia social da religião O campo de interesse da Psicologia Social da Religião situa-se no espaço destinado aos fenômenos que acontecem no campo da consciência e do inconsciente do sujeito. No evento da conversão, o que interessa à Psicologia Social da Religião são os acontecimentos que se reportam às cognições, sensações, emoções relativas aos grupos de referência, e as mudanças decorrentes desses fenômenos no comportamento do sujeito. Assim os primeiros psicólogos (James, 1902; 1890) estudaram o fenômeno da conversão, procurando demonstrar as diversas forças psicológicas que nele operam. Desde os primórdios da psicologia, portanto, a conversão é considerada como um processo natural e um comportamento humano tão sujeito às leis ordinárias da psicologia como qualquer outro. Embora a conversão geralmente ocorra no campo das religiões, pode acontecer em outros espaços alheios às religiões, como a ideologia e a política, sendo, portanto, um comportamento que, no mais das vezes, não carece de eventos sobrenaturais e transcendentes para ocorrer. Nos primórdios da psicologia Willian James (James, 1995) estudou o fenômeno da conversão, utilizando o método indutivo e procuraram compreender as diversas forças psicológicas que operam na conversão. A conversão para James foi considerada como um processo natural e tão sujeito às leis ordinárias da psicologia como qualquer outro. Outro aspecto que convém considerar do ponto de vista puramente psicológico, como apontou William James (James, 1995), refere-se ao fato de que a conversão é um comportamento humano que ocorre no campo das religiões e que, por outro lado, pode acontecer em espaços humanos estanhos às religiões, sendo, portanto, um comportamento que, no mais das vezes, não carece de eventos sobrenaturais e transcendentes para ocorrer. James combina nesta obra a fenomenologia e o pragmatismo. A fenomenologia, definida como a ciência da experiência da consciência, ou seja, o exame do processo dialético de constituição da consciência desde seu nível mais básico, o sensível, até as formas mais elaboradas da consciência de si que levariam finalmente à apreensão do absoluto. Isto é, o conhecimento como uma volta às coisas mesmas, aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como seu objeto intencional. James deixa de lado a religião institucional para dedicar-se à compreensão da experiência religiosa individual.

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