Depressão e Religião
Depressão e Religião Antônio Máspoli Resumo: Esta pesquisa é uma abordagem fenomenológica, compreensiva e interdisciplinar da depressão. As pesquisas sobre depressão no contexto da religião ainda são escassas no Brasil. Através da revisão da literatura serão demonstrados alguns estudos que vem sendo realizados neste campo. A depressão é analisada na história da medicina, na moderna psiquiatria, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung etc. Finalmente busca também compreender algumas relações entre a depressão e religião. Palavras chaves: Religião e saúde, depressão, religião, abordagem fenomenológica. Abstract: This research is a and comprehensive and phenomenological and and interdisciplinary approach of the Depression. The research on depression in the context of religion are still scarce in Brazil. Through literature review will be demonstrated some studies being done in this field. Depression and analyzed the history of medicine, modern psychiatry in Analytical Psychology of Carl Gustav Jung etc.. Finally, it seeks also to understand some relationships between depression and religion. Keywords: Religion and health, depression, religion, phenomenological approach, analytical psychology of Carl Gustav Jung Resumen: Esta investigación es un enfoque fenomenológica, general Y interdisciplinario de la Depresión. La investigación sobre la depresión en el contexto de la religión son todavía escasos en Brasil. A través de revisión de la literatura se ha demostrado algunos estudios que se realizan en este campo. Depresión y analizado en la historia de la medicina, la psiquiatría moderna, en la Psicología Analítica de Carl Gustav Jung, etc. Por último, se busca también entender algunas relaciones entre la depresión y la religión . Palabras clave: La religión y la salud, la depresión, la religión, el enfoque fenomenológica, la psicología analítica de Carl Jung Gusta Introdução A relação entre doença mental e experiência religiosa foi trabalhada por Carl Gustav Jung e abriu a possibilidade de um diagnóstico diferencial entre saúde mental e vivências puramente espirituais. As vivências espirituais não podem ser confundidas com os quadros da psicopatologia. Por outro lado as afecções psicopatológicas não podem ser consideradas vivências espirituais (JUNG,1980, p. 329-358). As pesquisas sobre depressão no contexto da religião ainda são escassas no Brasil. Esta pesquisa é uma abordagem compreensiva e interdisciplinar da depressão. Através da revisão da literatura serão demonstrados alguns estudos que vem sendo realizados neste campo; A depressão e a religião é analisada na moderna psiquiatria, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, busca também, compreender algumas relações entre a depressão e religião. Assim como o homem, a doença mental é historicamente determinada e socialmente construída. A depressão é um produto histórico. Consiste no resultado de uma série de ideias agregadas através dos tempos. A relação com a depressão, nos diferentes momentos históricos, foi estabelecida a partir de diferentes fatores: a) a estrutura da sociedade; b) a etapa histórica do desenvolvimento da sociedade considerada; c) o estado de compreensão dos problemas emocionais; d) a gravidade da doença; e) a relação médico-paciente e f) fatores genéticos (predisposição hereditária). Na concepção religiosa, a doença poderia ser considerada unicamente como consequência da culpa e do pecado de nossos pais. O conceito de depressão foi construído a partir de todos esses elementos.( FOUCAULT,1964). A compreensão da doença não ocorre a partir de cortes epistemológicos, como sugere Thomas Kuhn (KUHN, 1962) para a explicação do surgimento da teoria da relatividade e dos saltos quânticos da física. O conceito de enfermidade é também um termo cultural, subjetivo. Isso quer dizer que a enfermidade depende muito mais da evolução histórica e acumulação de conhecimento e experiência dos fenômenos recorrentes do que de saltos epistemológicos.(FOUCAULT,2002). A medicina científica tem cerca de 100 anos de existência, quando se passou a considerar que o conhecimento humano circula por meio das representações sociais (BERGER & LUCKMANN,1990) e que essas não circulam de igual forma em todos os círculos sociais. (MOSCOVICI, 1978, p. 110-125). Não se pode esperar que o homem comum, do senso comum, possua e aplique a mesma compreensão da doença produzida pela classe médica e pelos círculos mais providos de conhecimento de uma determinada sociedade ou grupo social. O homem comum tem sua própria compreensão da doença e do seu tratamento. É bom lembrar que a sociedade humana sobreviveu séculos sem laboratórios e sem penicilina, sem os benzodiazepínicos e sem a fluoxetina (Prozac), sem psiquiatras e sem psicanalistas. E parece que se saiu bem sem eles. Até hoje, na Amazônia, os povos da floresta sobrevivem às custas de chás, banhos, infusões de plantas medicinais, rezas e rituais religiosos. (TAMAYO, 1988,p.22-59) escreveu uma história da enfermidade ao longo da história que será tomada como referência para uma classificação da depressão a partir das concepções primitivas da crença. Para ele existem cinco formas ditas primitivas de compreender a etiologia da enfermidade: a) conceito mágico da enfermidade; b) conceito religioso da enfermidade; c) a enfermidade como algo exógeno – introdução de um objeto no corpo; d) possessão – introdução de um espírito no corpo; e) perda da alma. Atualmente alguns pesquisadores tem se debruçado sobre as relações entre depressão e religião. Um importante e sério trabalho conduzido por Smith & McCullough (SMITH & McCULLOUGH, 2003, pp. 614-636) mostrou que a associação entre religiosidade e depressão é mais forte em estudos que envolvem pessoas que estão expostas a eventos estressantes da vida. Os estudos geralmente apontam que a religiosidade pode produzir esperança, apoio social e uma visão de mundo capaz de suportar os eventos estressores e os sofrimentos da vida. Entretanto, eles também notaram que a religiosidade extrinsecamente motivada pode estar associada a um risco maior de sintomas depressivos. Moreira-Almeida, Lotufo Neto & Koenig (LOTUFO & KOENING, 2006, pp. 1416-1446) realizaram um trabalho de revisão sobre religiosidade e saúde mental, no qual mostra que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados positivamente a indicadores de bem-estar psicológico e a menos depressão. Márcia Gonçalves (GONÇALVES et alii 2000, p. 17), no trabalho Religiosidade e Saúde, conclui que pacientes acometidos de patologias graves, como os portadores de neoplasias, poderiam se beneficiar se nos cuidados a eles houvesse parcerias com instituições religiosas para cuidados espirituais. Koenig et alii (KOENING ET alli, 1998, pp. 536-542) realizaram o único estudo prospectivo para investigar o impacto da religiosidade no curso das doenças depressivas. Os autores pesquisaram 87 pacientes adultos de terceira idade hospitalizados por doenças clínicas, e perceberam que a motivação religiosa intrínseca estava associada a remissão mais rápida da depressão, num seguimento durante 47 semanas. Pérsio Gomes de Deus,( DEUS, 2010, p. 19-58) escreveu um ensaio sobre Depressão no Contexto da Psiquiatria e da Religião onde busca relacionar o papel da fé e da religião no tratamento de 60 pacientes deprimidos. Dâmaris (MALTA, 2010, p. 95-125) no artigo Angústia, fé e sentido da vida, a partir de uma leitura fenomenológico existencial, propõe a distinção entre angústia, tristeza e depressão e qual o papel da fé no dilema humano da angústia. Gomes,(GOMES, 2010, p. 125-249), apresenta um ensaio sobre