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A Religião Como Símbolo em Emile Durkheim e Carl Gustav Jung

A religião como linguagem simbólica em Emile Durkheim e Carl Gustav Jung Antonio Maspoli Laura Colonhezi RESUMO Este ensaio focaliza o estudo da religião como representação social seguindo a tradição de Émile Durkheim e a perspectiva jungiana de estudar o fenômeno religioso como linguagem simbólica. Estes autores contribuíram para colocar o fenômeno do campo religioso no âmbito da linguagem. PALAVRAS-CHAVE Religião – psicologia da religião – representação social – linguagem simbólica – simbolismo religioso – psicologia analítica. ABSTRACT The theory of social representation is a new look in the perception of religious phenomena. This essay consists in the introduction of this theory, applying it to comprehend the influence of social social construction of mentality according to Émile Durkheim and Carl Gustav Jung. Consequently, this research leads to application of the social representation theory in the social construction of the religion as a symbolic language. KEY WORDS Religion – psycology of religion – social representation – symbolic language – religious symbolism – analitical psycology 1. A religião como linguagem no contexto simbólico das representações sociais O primeiro a cunhar e utilizar o termo representações sociais foi Émile Durkheim, (1912) na obra Les Formes Élémentaires de la Vie Religiuse. Nesta obra Durkheim demonstra que a idéia de religião é inseparável da idéia de comunidade religiosa. As crenças propriamente religiosas são sempre comuns a uma coletividade determinada. Nesta comunidade o individuo abre mão, às vezes, da sua própria liberdade pessoal para aderir as praticas e ritos coletivos e solidários cujo objetivo final é receber em troca um determinado conhecimento do senso comum uma certa organização da realidade da vida cotidiana. Em Durkheim as representações sociais se referem a uma classe de crenças que procurava dar conta de fenômenos como a religião, os mitos, a ciência, as categorias de espaço e tempo em termos de conhecimentos inerentes à sociedade, isto é, de como a sociedade organiza a sua realidade transformando a em conhecimentos úteis para a compreensão da dinâmica da vida comunitária. Tais crenças não são somente admitidas, a título individual, por todos os membros dessa coletividade; são as coisas do grupo e dele fazem à unidade. Os indivíduos que a compõem sentem-se ligados uns aos outros pelos laços de uma crença comum. Formando uma sociedade, cujos membros são unidos porque representam da mesma maneira o mundo sagrado e as relações deste com o mundo profano e porque traduzem esta representação comum em práticas idênticas, é o que chamamos uma religião. Ora, para Durkheim não se encontra, na História, religião sem Igreja. Ora a Igreja é estreitamente nacional, ora se estende além das fronteiras; ora compreende um povo todo inteiro (Roma, Atenas, o povo hebreu), uma etnia, ora não compreende senão uma fração (as sociedades cristãs depois do advento do protestantismo); ora é dirigida por um corpo de sacerdotes, ora é mais ou menos desprovida de órgão diretor revestido de título. Por toda parte em que observamos uma vida religiosa, que tem como substrato um grupo definido. Mesmo os cultos chamados privados, como o culto doméstico ou o culto corporativo satisfazem a essa condição, porque eles são sempre celebrados por uma coletividade, a família ou a corporação. Além disso, do mesmo modo que essas religiões particulares não são, seguidamente, senão formas específicas de uma religião mais geral que abraça a totalidade da vida. Segundo Durkheim, (1912), pois, uma religião é um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas, interditas, crenças e práticas que unem, numa mesma comunidade moral, chamada Igreja, todos os que se lhes aderem. O segundo elemento que toma assim lugar em sua definição não é menos essencial que o primeiro porque a idéia de religião é inseparável da idéia de Igreja, faz-se pressentir que a religião deve ser uma coisa eminentemente coletiva. A religião seria o útero de formação das representações sociais na concepção de Durkheim. Na sociologia durkheiminiana, a sociedade é uma realidade sui generis e as representações coletivas, que a exprimem, são fatos sociais, coisas reais por elas mesmas. As representações coletivas são o produto de uma imensa cooperação que se estende não apenas no espaço, mas no tempo; para fazê-las, uma multidão de espíritos diversos associaram-se, misturaram-se e combinaram suas idéias e sentimentos transformando-os em símbolos ; longas séries de gerações acumularam aqui sua experiência e saber. Dessa gênese espetacular resultariam as características básicas das representações coletivas, em relação aos comportamentos e aos pensamentos individuais: autonomia, exterioridade e coercitividade. Dizendo de outra forma, os indivíduos que compõem a sociedade seriam portadores e usuários das representações coletivas, mas estas poderiam ser legitimamente reduzidas a algo como o conjunto das representações individuais, das quais difeririam essencialmente pelo seu caráter de totalidade social. A proposição do conceito de representações coletivas buscou apoio empírico no estudo das religiões simples de povos ditos primitivos, embora, segundo Durkheim (1989), as formas elementares de representações identificadas naquelas religiões pudessem ser encontradas como substrato básico, também nas religiões mais elaboradas. O mesmo aconteceria com relação às demais formas de conhecimento social, visto derivarem todas da própria religião. Moscovici corrobora com este pensamento (1978, p. 25): Foi Durkheim o primeiro a propor a expressão’representação coletiva’. ’ Quis assim designar a especificidade do pensamento social em relação ao pensamento individual. Assim como, em seu entender, a representação individual é um fenômeno puramente psíquico, irredutível à atividade cerebral que permite também a representação coletiva não se reduz à soma das representações dos indivíduos que compõem uma sociedade. Com efeito, ela é um dos sinais do primado do social sobre o individual, da superação deste por aquele. Para Durkheim, competia à Psicologia Social estudar de que modo às representações se atraem, se excluem e se fundem umas com as outras ou se distinguem. Ela ainda não efetuou esse estudo até agora, o que é uma pena. A concepção durkheiminiana torna-se o fundamento da conceituação de Moscovici sobre representações sociais, segundo este (1978, p. 26): “Em poucas palavras, a representação social é uma modalidade de conhecimento particular que tem por função a elaboração de comportamentos

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O Símbolo Cristão Universal Numa Análise Pessoal

O Símbolo Cristão Universal Numa Análise Pessoal Antonio Maspoli Introdução O Homem apresenta grande propensão à criação de símbolos, transformando inconscientemente objetos em formas e símbolos, sendo possível verificar esta produção ou reprodução através dos fragmentos de uma análise. Para o homem primitivo, as pedras tinham o significado de morada de espíritos e/ou deuses, e eram utilizadas como marcos de objetos para veneração religiosa. Percebe-se este fato através de determinadas formações de pedras e jardins em que se denota uma alta e refinada espiritualidade. Algumas pedras cunhadas pelos povos primitivos apresentam uma leve silhueta da figura humana que representa a alma e o espírito da rocha. Pinturas rupestres e desenhos de animais são registrados desde o período primordial. Os desenhos desses animais são encontrados em cavernas e rochas de difícil acesso e distantes dos olhares comuns, e acredita-se que seriam investidos de função espirituais durante a realização de cerimônias religiosas. A tribo que planejava caçar um mamute, por exemplo, primeiro pintava o mamute nas paredes da caverna, depois investia contra ele na pintura. Depois de vencê-lo simbolicamente sentia-se fortalecida e apta para enfrentá-lo e vencer-lo em campo aberto. Algumas imagens sugerem o massacre simbólico dos animais para garantir a morte do animal verdadeiro pelos os caçadores. Este ritual ainda é praticado por algumas tribos da África atualmente (JUNG, 1988). Em algumas cavernas, verificam-se desenhos de homens e animais que aludem para os ritos de iniciação praticados com os meninos. Neste caso, os rapazes tomam posse de sua alma animal e sacrificam seu ser animal através do sacrifício, como por exemplo, a circuncisão, estabelecendo, então, relação com seu totem animal, para fazer parte do clã totêmico, tornando-se homem/ser humano (DURKNHEIM,1996). Simbolismo do sagrado nos fragmentos de uma análise: o sacrifício, a Fênix e outros animais Nas religiões e nas artes religiosas as raças e atributos de animais são associados a deuses. Nos Evangelhos tem-se a figura de São Mateus associado ao Homem, São Lucas associado ao Boi, São Marcos ao Leão; e São João à Águia (JUNG,1964, p. 230-239). Nos ritos primitivos o animal é sacrificado como parte da natureza, configurando o instinto; o homem, portanto, precisa domar seu animal interior para que não se torne perigoso e incontrolável. O sacrifício costuma se apresentar de duas formas nos rituais: como algo sagrado ou como uma forma de crime. Esse aspecto duplo do sacrifício é explicado pelo fato de que a vítima é considerada sagrada e por isso é criminoso matá-la; por outro lado, a vítima não seria sagrada se não fosse morta. René Girard (GIRARD, 1994) considera que um certo mistério envolve a questão do sacrifício. Apesar de tudo que já foi dito sobre o assunto, nunca ninguém se questionou sobre a relação entre o sacrifício e a violência. Estudos recentes mostram que os mecanismos fisiológicos (as reações corporais) que ocorrem no ato violento são praticamente os mesmos para todos os indivíduos e pouco variam de cultura para cultura. Já que a violência pode ter parte nos sacrifícios, é interessante analisá-la. O desejo de violência despertado leva a certas mudanças corporais que preparam o indivíduo para a luta. Esse desejo possui uma certa duração e seus efeitos são duradouros, não desaparecendo assim que o ato violento é consumado. Outro aspecto interessante da violência é que se ela não for saciada, encontrará uma vítima alternativa que a sacie. A pessoa que despertava a fúria é substituída por outra que não tem relação alguma com a fúria despertada no violento. A etnologia confirma que o sacrifício ritual, assim como a violência, se utiliza de uma forma de substituição. Há, por exemplo, uma comunidade pastoril no alto Nilo – os Nuer – que possui uma comunidade bovina paralela à dos homens. Há diferenças hierárquicas que podem ser reconhecidas pela forma dos chifres dos animais, cor do pelo, idade, sexo e linhagem. Cada indivíduo na sociedade possui um nome que designa um animal e cuja posição social equivale à posição hierárquica do boi. Os sacrifícios feitos com os bois seriam, na verdade, dirigidos ao indivíduo correspondente. Os bois substituem os homens. A sociedade desvia a violência que seria investida contra os indivíduos para uma criatura indiferente e sacrificável. A violência só pode ser apaziguada se a ela for oferecida uma válvula de escape. Desviando-se a violência para a vítima sacrificial, ela perde de vista seu objeto inicial, preservando-o. Porém, a vítima substituta deve morrer, caso contrário não estará substituindo a vítima inicial. Também não se deve perder de vista o objeto inicial que está sendo representado pelo substituto. O sacrifício sempre foi definido como um mediador entre o indivíduo que o pratica e uma divindade. A divindade deve, pois, ser considerada um aspecto inerente ao sacrifício. Nesse aspecto, porém, o sacrifício exige certo grau de desconhecimento. Os fiéis desconhecem o papel desempenhado pela violência. Acreditam que um deus exige as vítimas, assim, o sacrifício seria uma forma de acalmar a fúria desse deus. Há então, relações conflituais mascaradas e apaziguadas pelo sacrifício e sua relação com a divindade. Alguns autores acreditam que o sacrifício corresponde a uma operação de transferência das tensões da sociedade, dos rancores e vontades recíprocas de agressão à uma vítima. Nesse caso o sacrifício teria uma função real e a substituição ocorreria no nível de toda a sociedade. A vítima não substitui um indivíduo em particular, mas sim todos os membros da sociedade e é também oferecida à toda a sociedade. O sacrifício protege toda a comunidade de sua própria violência. A vítima sacrificada concentra em si toda a desavença da sociedade, oferecendo uma saciação parcial a essa desavença. A função social do sacrifício é eliminar as desavenças e as rivalidades entre os indivíduos da sociedade e restaurar a unidade e harmonia dessa sociedade. Existe um episódio interessante envolvendo o sacrifício de um boi no sertão do Ceará na comunidade Religiosa do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, (GOMES, 2009). Padre Cícero, amigo do beato, sempre o visitava em Baixa Dantas. Um dia, padre Cícero deu-lhe de presente um touro de

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As Representações Sociais no Estudo da Religião

As Representações Sociais e o Estudo da Religião Antonio Maspoli SINOPSE: As Representações Sociais correspondem dentro da Psicologia Social a uma nova visão da psicologia. Esta pesquisa consiste numa introdução a teoria das representações sociais e sua aplicação na compreensão do fenômeno do campo religioso dentro da Psicologia Social. ABSTRACT: The theory of the Social Representation is the new look in perception of the Social Psychology. This work consists in the introduction of the social representation theory in her application order to comprehend the influence of social construction of the mentality. Consequently, this research leads to application of the social representation theory in the social construction of the religion. 1. A contribuição de Émile Durkheim no estudo das representações sociais. Dentre as ciências modernas da matriz positivista comtiana, a sociologia é de longe a que mais se tem dedicado ao estudo da religião. O estudo do fenômeno do campão religioso vem sendo sistematicamente estudado pela sociologia da religião. Sociólogos como Mauss (1903), Durkheim (1912), Bastide (1935), dentre outros renomados, deram uma importante contribuição para o estudo da religião na sociologia clássica. Esta pesquisa privilegiará o enfoque da sociologia do conhecimento, das Representações Sociais no estudo do fenômeno do campo religioso. Nos últimos trinta anos o termo representações sociais ganhou novo sentido. Hoje estes termos designam tanto um conjunto de fenômenos sociais, quanto a teoria sociológica construída para explicá-los, identificando um vasto campo de estudos sociológicos e psicossociais capazes de incluir desde os conhecimentos mobilizados pelas pessoas comuns, na comunicação informal da vida cotidiana, até as disciplinas acadêmicas que se ocupam da política, da biologia, da medicina, da informática, da psicologia, da educação e da religi Introdução A lista do campo do conhecimento, coberto pela teoria das representações sociais, é bastante extensa e ainda certamente incompleta para incluir a diversidade de assuntos que formam a subjetividade e prendem a atenção dos sujeitos nas relações interpessoais no dia a dia, servindo como elementos basilares na construção das chamadas realidades objetivas e subjetivas que servem para construir o conhecimento da vida cotidiana nos processos de socialização primária1 e socialização secundária2. As representações sociais comumente fazem uma articulação ou combinação de diferentes questões ou objetos, segundo uma lógica própria em sua estrutura abrangente de implicações, para a qual corroboram informações e julgamentos valorativos, colhidos das mais variadas fontes e experiências dos sujeitos e dos grupos nas relações interpessoais, especialmente naquelas marcadas pela interação face to face. Um delineamento formal mais recente do conceito e da teoria das Representações Sociais surgiu com o trabalho de Serge Moscovici (1961), intitulado La psychanalyse, son image et son public, a propósito do fenômeno de socialização da psicanálise, de sua massificação e apropriação de seus conceitos principais pela população parisiense, bem como do processo de sua transformação para servir a outros usos e funções sociais diversos daqueles propostos por seus autores na periferia de Paris. Moscovici foi buscar em Émile Durkheim3, em sua obra As Formas Elementares da Vida Religiosa(1989), os fundamentos para sua construção teórica. Em Durkheim as representações sociais se referem a uma classe de crenças que procurava dar conta de fenômenos como a religião, os mitos, a ciência, as categorias de espaço e tempo em termos de conhecimentos inerentes à sociedade, isto é, de como a sociedade organiza a sua realidade em termos de conhecimento. Tais crenças não são somente admitidas, a título individual, por todos os membros dessa coletividade; são a coisa do grupo e dele fazem a unidade. Os indivíduos que a compõem sentem-se ligados uns aos outros pelos laços de uma crença comum. Formando uma sociedade, cujos membros são unidos porque representam da mesma maneira o mundo sagrado e as relações deste com o mundo profano e porque traduzem esta representação comum em práticas idênticas, é o que chamamos uma religião. Ora, nós não encontramos, na História, religião sem Igreja. Ora a Igreja é estreitamente nacional, ora se estende além das fronteiras; ora compreende um povo inteiro (Roma, Atenas, o povo hebreu), ora não compreende senão uma fração (as sociedades cristãs depois do advento do protestantismo); ora é dirigida por um corpo de sacerdotes, ora é mais ou menos desprovida de órgão diretor revestido de título. Mas por toda parte em que observemos uma vida religiosa, ela tem como substrato um grupo definido. Mesmo os cultos chamados privados, como o culto doméstico ou o culto corporativo satisfazem a essa condição, porque eles são sempre celebrados por uma coletividade, a família ou a corporação. Além disso, do mesmo modo que essas religiões particulares não são, seguidamente, senão formas específicas de uma religião mais geral que abraça a totalidade da vida. Segundo Durkheim, (1912) pois, uma religião é um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas, interditas, crenças e práticas que unem, numa mesma comunidade moral, chamada Igreja, todos os que se lhes aderem. O segundo elemento que toma assim lugar em sua definição não é menos essencial que o primeiro, porque a idéia de religião é inseparável da idéia de Igreja, faz-se pressentir que a religião deve ser uma coisa eminentemente coletiva. A religião seria o útero de formação das representações sociais na concepção de Durkheim. Na sociologia durkheimiana, a sociedade é uma realidade sui generis e as representações coletivas, que a exprimem, são fatos sociais, coisas reais por elas mesmas. As representações coletivas, são o produto de uma imensa cooperação que se estende não apenas no espaço, mas no tempo; para fazê-las, uma multidão de espíritos diversos associaram, misturaram, combinaram suas idéias e sentimentos; longas séries de gerações acumularam aqui sua experiência e saber. Dessa gênese espetacular resultariam as características básicas das representações coletivas, em relação aos comportamentos e aos pensamentos individuais: autonomia, exterioridade e coercitividade. Dizendo de outra forma, os indivíduos que compõem a sociedade seriam portadores e usuários das representações coletivas, mas estas poderiam ser legitimidade reduzidas a algo como o conjunto das representações individuais, das quais difeririam essencialmente pelo seu caráter de totalidade social. A proposição do conceito de representações coletivas buscou apoio empírico

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O que é Psicanálise?

O QUE É PSICANÁLISE ? Dr. Antonio Maspoli INTRODUÇÃO A Psicanálise interessando-se pelo comportamento normal e anormal, afastou-se dos caminhos normais percorridos pelas outras escolas. Além de ela ser uma técnica psicoterápica específica, ela buscou ser uma Psicologia geral do comportamento do homem, do seu comportamento mental. Seus métodos e até mesmo o seu nascimento em nada se assemelha com as escolas tradicionais e movimentos da Psicologia. Embora tenha sido influenciada pelos conceitos darwinianos e tenha algumas bases fisiológicas, a Psicanálise não tem suas raízes na fisiologia. Ela é atomista e não teve nenhuma relação com laboratórios ou pesquisas com animais. A Psicanálise é influenciada pelos princípios de Medicina e Psicologia Clínica. Na idade média, alguns trabalhos de monges já traziam configurações de caráter psicanalítico. Podemos citar como exemplo “Martelos para Bruxas”, escritos desta natureza encontrados na idade média. Também desta época, declarações de PHILIPPE PINEL de que as pessoas mentalmente desajustadas não eram possuídas de demônios, (conforme se imaginava na época) e em vez de tais pessoas serem perseguidas e humilhadas, estas pessoas necessitavam de cuidados e atenções da parte das pessoas mentalmente sadias. DESENVOLVIMENTO A Psicanálise nasceu realmente com SIGMUND FREUD, natural de Freiberg na Morávia. FREUD nasceu em 1856, estudou Medicina da Universidade de Viena, onde passou a maior parcela de sua vida. Foi fisiólogo e na medicina aprendeu o emprego da hipnose no tratamento de pacientes histéricos. FREUD aprendeu tal emprego da hipnose com CHARCOT. Foi nas experiências com hipnose que FREUD despertou seu interesse pelo comportamento anormal, suas causas e suas consequências. Terminando seus estudos de Medicina, FREUD montou uma clínica particular em Viena, e emprega a hipnose no tratamento de distúrbios neuróticos sendo bem sucedido. Tempos depois FREUD passa a trabalhar com BREUER, que também aplicava a hipnose em tratamentos com pessoas mentalmente anormais. Com BREUER, FREUD publica “Estudos Sobre a Histeria” obra em que eles tratam da relevância da mente. Ao separar-se de BREUER, FREUD já está com seus conceitos de Psicanálise bem desenvolvidos e ele já não utiliza o método hipnótico, passando a usar já que ele próprio havia desenvolvido a Psicanálise propriamente dita, com seu método de livre associação. A Psicanálise de FREUD é uma teoria da personalidade, é uma filosofia da natureza do homem. É uma especialização no procedimento da psicoterapia. FREUD baseou-se nas concepções da mente inconsciente ativa, de tipos sugeridos por SHAKESPEARE, GOETHE, BRENTANO e outros. FREUD teve caráter de maior participação na Psicanálise porque ele não apenas especulava, ele aplicava os seus métodos na prática. Para FREUD o que nos parece determinado e irracional como fortuito, não é, quando descobrimos suas causas e conhecemos profundamente sobre tais causas. Também segundo FREUD todo e qualquer ato, mesmo do pensamento é sempre motivado por alguma causa ou fenômeno, a força humana, a força responsável pela motivação dos atos é o “libido”. O libido é um impulso violentamente egoísta, agressivo e sexual, que constitui o “ID”. O “ID” é um componente arcaico e inconsciente do sistema de energia psíquica, que informa a estrutura da personalidade e dinamiza o comportamento humano. Segundo FREUD, todos nós possuímos uma força criadora de caráter sexual, responsável pelo prazer e auto preservação denominada “eros”, e também uma força de caráter agressivo, destruidor, que nos impulsiona para a morte, o tânatos. Ainda segundo FREUD, somos acometidos de impulsos e devemos manobra-los e segui-los de modo a satisfazer os nossos desejos sem violar as leis da sociedade. Esta busca de harmonização leva ao desenvolvimento do “ego”, o intermediário entre o princípio e o prazer, representado pelo “ID”, e o princípio da realidade que domina as nossas relações com o meio. O “superego”, que vulgarmente por consciência é o responsável pela tarefa socializante do indivíduo. Temos pois três componentes básicos do nosso sistema psíquico, que se encontram permanentemente numa internação, “numa verdadeira batalha”, de caráter constante. O “IC” em busca de sua satisfação irracional. O “ego”, a procurar um ajuste para as exigências e impulsos do “ID” ao mundo da realidade. O “superego” que teme reprimir ou aprovar o impulso que seja socialmente moral e socialmente louvável, ou que seja socialmente reprimível. Cabe a difícil tarefa de medianeiro entre o “IC” que diz “eu quero” e o “superego” que diz “não posso” ou “não devo”, sem contar o implacável e realista que cerca e reina entre ambos. O processo da Psicanálise ou tentativa de determinar ou desvendar os determinantes inconscientes irracionais, que usualmente se encontram e vagueiam nas experiências infantis, envolve primordialmente a livre associação e interpretação de ideias e dos sonhos do paciente. Na livre associação o paciente relata tudo o que lhe acuda ao espírito, tentando suplantar a censura do “ego”. Trata-se de uma comunicação e um diálogo, isto é, de caráter verbal. De ordem simbólica e que o analista terá que interpretar, no confronto com a própria linguagem usada pelo paciente. Para a Psicanálise a vida é um conflito. O indivíduo é cercado pelo seu semelhante e este tem seus próprios intentos pessoais, e o indivíduo é cercado também por forças com leis mais ou menos imutáveis. Realidade é o termo usado pela Psicanálise para definir todas estas forças e situações gerais que o indivíduo tem que enfrentar para sobreviver. Desde a sua vida intrauterina que o indivíduo enfrenta problemas para a sua sobrevivência que o induz a um comportamento mórbido. Para a Psicanálise, a compreensão das causas que levaram a tal morbidez, a compreensão do aparelho mental, é de grande relevo no diagnóstico do que se pode chamar componente psicológico de tais processos mórbidos. Depois de FREUD outros continuaram na Psicanálise, tendo alguns até desenvolvido métodos significativos baseados nos princípios de FREUD: CARL GUSTAV JUNG, que através de desenvolvimentos da Psicanálise fundou a Psicologia Analítica que dá ênfase a introversão e extroversão a determinadas funções mentais do sentir, perceber, intuir que JUNG classificou por disposições da consciência. ALFRED ADLER, que criou conceitos psicanalíticos mais simples que FREUD e JUNG. CONCLUSÃO FREUD derrubou a linha de demarcação entre a ciência natural e a ciência

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O que é Psicologia Dinâmica?

INTRODUÇÃO A Psicologia Dinâmica foi um sistema prático e pouco audacioso de Psicologia, fundada por ROBERT SESSIONS WOODWORTH. Ao contrário das outras, a Psicologia Dinâmica não está fundamentada em nenhum protesto a outro movimento, pelo contrário, aproveitou o que as outras escolas haviam elaborado e os aperfeiçoou dentro da Psicologia. A escola Dinâmica confessa que a Psicologia, apesar das evidentes e movimentadas diferenças existem em seus conceituadores, ela está orientada na mesma direção, isto é, o estudo e compreensão da mente e da alma. O pai da escola Dinâmica WOODWORTH diz que BERKELEY, HUME e outros da antiga Psicologia diferem dos estudiosos de hoje, somente pelos métodos empregados e não pela intensão. Segundo ele, seu método pretendia tirar conclusões nas experiências que a Psicologia teve oportunidade de acumular entraves das várias pesquisas, dos vários métodos, para ele WOODWORTH embora a conceituação de Psicologia sejam diferentes, o mais importante é que todos os movimentos sempre tiveram o mesmo fim comum, a tentativa, isto é os mesmos desejos de compreender “as operações da mente”. A Psicologia Dinâmica não pretende ser novidade, e nem pretende substituir nenhum movimento e, nem oferece salvação para os problemas já existentes na Psicologia, apenas procuram unir as soluções, bem como os problemas já existentes no seio da Psicologia. A Psicologia Dinâmica é conservadora no sentido literal do texto, não intentou fundar nenhuma escola, apenas tornar claro o que já existe. Tenta reunir as colaborações do passado e concluir suas pesquisas baseadas naquilo que outros já comprovaram como real. A Psicologia Dinâmica é a Psicologia da causa-efeito. DESENVOLVIMENTO O que interessa ao Psicólogo dinamicista é saber por que nós realizamos as coisas, como aprendemos e pensamos e porque agimos de uma determinada forma. A fim de compreender as atividades do ponto de vista causa-efeito é preciso obter a mais completa visão do processo a ser estudado, seguindo em tudo o percurso em que se desenvolve este processo e descobrir seus mínimos detalhes, suas principais tendências. A Psicologia Dinâmica tanto admite a introspecção como e extrospecção como método de Psicologia. Só depois de analisar um fenômeno de fora para dentro e de dentro para fora, é que o Psicólogo pode formular suas leis e conclusões sobre tais processos desencadeados. WOODWORTH admite que numa descrição completa do universo como sistema, incluindo tudo nele existente não haveria necessidade de noção de causa, mas para as ideias associadas a esta, de força e explicação. Observa, entretanto que tal descrição perfeita ainda não existe. Embora tenha se desenvolvido na Universidade de Columbia, a Psicologia Dinâmica não está ligada a Columbia, assim como o Estruturalismo está ligada a CORNELL, e a Psicanálise está ligada a Viena, porque a Psicologia Dinâmica não está associada a nenhum corpo de doutrina. O primeiro na Psicologia de Columbia foi JAMES McKEEN CATTELL, um dos primeiros discípulos de WUNDT. Fazendo preleções na Universidade de Chicago, associou-se a GALTON e assim aliou os seus conhecimentos com os conhecimentos experimentais de Leipizg. Entrou em contato direto com os conceitos galtonianos sobre as diferenças individuais, que muito interessou a Dinâmica, de modo que quando CATTELL montou o seu laboratório na Columbia, o estudo das diferenças individuais tornaram-se proeminentes e o trabalho realizado por CATTELL com calouros na Universidade da Columbia deixa bem patente este aspecto do seu trabalho. CATTELL certa vez, fez um pronunciamento a este respeito em que dizia: “não estou convencido de que a Psicologia deve limitar-se ao estudo da consciência propriamente dita e não existe conflito entre a análise introspectiva e a experiência objetiva, pelo contrário, elas devem cooperar, e realmente cooperam mutuamente”. O caminho seguido por WOODWORTH para a Psicologia Dinâmica, encontramos na fisiologia. WOODWORTH acreditava que em Psicologia existem três pontos, somente três pontos são considerados principais nas considerações em funções do tipo estímulo-resposta: O estímulo não é a causa da resposta, mas somente uma parte da causa. A estrutura do organismo, suas reservas de energias, suas atividades em andamento, seu estado geral, tudo isso contribui de forma decisiva numa determinação de resposta do organismo; Mesmo num sistema, como um revólver carregado a causa, isto é, o tiro não é determinado apenas pelo estímulo (a pólvora), mas a estrutura da arma, sua forma, deve ser levado em conta na determinação da causa final, o tiro; Nenhuma reação estímulo resposta pode ser considerada separadamente. Qualquer fator nervoso está sujeito a influenciar uma multidão de reações que o precedem e o acompanham. Nenhum estímulo age num organismo e produz causas sem que haja outra atividade neste organismo. O arco de reação não é uma atividade individual, indivisível, sua unidade interna pode ser dividida ao meio. A Psicologia Dinâmica muito influenciou a Psicologia do aprendizado, e que ela estabeleceu como sendo a reação do organismo ao meio ambiente, em profunda colaboração um com o outro. Para a Psicologia de WOODWORTH o aprendizado pode ser modificado de cinco maneiras: Por meio de exercícios; Por meio da associação de estímulos e repostas; Por meio de uma solução de continuidade de um processo estimulante; Uma única resposta de nível superior pode sujeitar ou anular um número determinado de respostas inferiores. EDWARD THORNDIKE também muito colaborou no advento da Psicologia e, particularmente da Psicologia Dinâmica. Aos vinte e quatro anos de idade ele escreveu o primeiro estudo sistemático da inteligência animal, por método de pesquisas em laboratórios, muito contribuindo para posteriores estudos no campo da aprendizagem. Considerações Finais A Psicologia Dinâmica absorta no trabalho da oficina científica é apenas uma tentativa de mostrar que um princípio unificador sempre esteve presente em todos os estudos realizados e desenvolvidos no campo da Psicologia. Não tendo caráter de contradizer qualquer outro movimento, não é a Dinâmica também, fértil em descobertas ou ramificações. A Psicologia Dinâmica, ao considerar sistemas tais como: o Behaviorismo, o Estruturalismo, o Hereditarismo, não os apoia de todo, e nem os refuta de todo, no entanto mais de que qualquer outra escola, a Psicologia Dinâmica reconstrói e preocupa-se com todos estes métodos e suas imperfeições particulares. Admite a influência da metafísica na Psicologia

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Depressão na Psiquiatria

Depressão na Psiquiatria Antonio Maspoli Introdução A depressão é uma enfermidade classificada CID-10, na categoria dos transtornos do humor, e deve ser considerada uma doença cujo tempo de duração varia com a sua classificação. É uma enfermidade marcada por crises episódicas, ou seja, tende a se repetir, produzindo, por isso, frequentes recaídas e recidivas. Consiste, no século XXI, em uma das doenças mais comuns da era moderna, embora seja conhecida desde a antiguidade. A transição entre a concepção mágico-religiosa da doença para uma compreensão da enfermidade como fenômeno natural da vida foi longa. A psiquiatria, tal como a conhecemos hoje, começou com a Stultifera Nave em fins da Idade Média. O Renascimento considerava a melancolia uma espécie de loucura parcial em oposição aos transtornos gerais da inteligência, o que não implicava, forçosamente, a ocorrência da tristeza.  Esquirol distinguia no grupo de loucuras parciais ou monomanias, uma monomania propriamente dita com um elemento de tristeza. Esta era denominada lipemania. O significado do termo melancolia, na Antiguidade Clássica, difere muito do que se utilizou no campo psiquiátrico desde o século XX. Naquela época, melancolia significava o rompimento da harmonia entre os humores do organismo, tendo como predomínio a bile negra Melanio Chole. O termo histórico não se referia aos sintomas afetivos, como ocorre atualmente (BERRY, 1988). Nos textos hipocráticos, o termo melancolia designava uma doença mental e também um tipo de temperamento e estado emocional. As obras de Hipócrates, em geral, foram conhecidas no mundo ocidental pelas suas versões latinas, surgindo a tradução de premere pressionar para baixo, referindo-se à melancolia. A doença era chamada melancolia e o sintoma, depressão. Na Idade Média, a depressão foi considerada uma força mística de alguma entidade misteriosa. Somente no século XVIII, foram realizados estudos sobre o tema, por meio de pesquisas em instituições e hospitais especializados. A partir da obra de Phillipe Pinel 1745-1826, então professor da Faculdade de Medicina de Paris, a depressão passa a ser tratada como assunto médico psiquiátrico (FOUCAULT, 1964, p. 78-84). Em 1882, o psiquiatra alemão Karl Kahlbaum, usando o termo “ciclotimia”, descreveu a mania e a depressão como estágios da mesma doença (KAPLAN; SADOCK, 1986; 2010). Os médicos do século XIX deixam indícios de darem preferência ao termo depressão. No final desse mesmo século, depressão tornou-se sinônimo de melancolia: uma condição caracterizada pela diminuição do ânimo, de coragem ou iniciativa, e uma tendência a pensamentos tristes. O termo depressão referia-se a um sintoma. (BERRY, 1988). Nesse mesmo século, a melancolia era popularmente conhecida e identificada por leigos por meio do sintoma de marcas roxas que surgiam na pele como pequenos hematomas. Essa ideia era passada de geração a geração, citava-se que a avó, tios e parentes próximos apresentavam tais sintomas quando passavam por um grande desgosto, que essa doença era comum entre a família. O termo depressão gerou em todos os tempos muita polêmica, que se arrasta até a atualidade. Kaplan e Sadock (1986; 2010) descrevem três usos diferentes para o termo depressão: o uso leigo, que se refere à tristeza e ao desânimo, não estando necessariamente relacionado a uma doença; o uso psiquiátrico, referindo-se a um sintoma geralmente relacionado ao humor depressivo; e o uso para definir uma síndrome, a partir de um conjunto de sintomas. Acrescentaram que o termo depressão tem diferentes significados em vários campos científicos. Para o neurofisiologista, depressão refere-se a qualquer diminuição na atividade eletrofisiológica, por exemplo, depressão cortical. Para o farmacologista, depressão refere-se ao efeito de drogas que diminui a atividade de um órgão. O que mais nos impressiona na história dos conceitos de depressão e melancolia é que os termos foram utilizados ao longo de mais de dois mil anos, mas com sentido bastante diferente. Autores que não aceitavam a teoria humoral mantiveram o termo melancolia. Quando se fez a síntese da doença circular, os dois termos foram mantidos, embora com significados profundamente diversos daqueles que lhes foram atribuídos anteriormente. De acordo com Kendell (KENDELL, 1993), não há, até o momento, classificação satisfatória das doenças afetivas, devido aos problemas com a depressão: variação considerável na gravidade, sintomatologia, curso e prognóstico. No entender de Henry Ey (1985), na depressão, encontram-se associados ao distúrbio de humor, a inibição e o sofrimento moral. No entanto, para Kaplan e Sadock (KAPLAN; SADOCK; GREBB, 1997; 2007) o distúrbio de humor é acompanhado de deficiências cognitivas, psicomotoras, psicofisiológicas e interpessoais. Há que se pensar na questão de que o conceito de depressão como transtorno de humor ou afeto ainda é contestado. De acordo com Sonenreich  et al (1991) e Estevão (1993), afeto não se constitui em uma função psíquica, mas em uma qualidade das vivências do ser humano. Por tal motivo, não consideram o uso de humor ou afeto como critério para definir alterações mentais, definindo depressão de outra forma: o quadro em que ocorre a lentificação dos processos psíquicos e restrição no campo vivencial. Levando em consideração o que vem nos códigos de diagnóstico em espaço relativamente curto de tempo CID – 9 a CID – 10e DSM – III a DSM – IV, não existe ainda uma unidade de pensamento entre os conceitos e a definição dos chamados transtornos de humor ou afeto, e também da depressão. No contexto da depressão, observam-se as variações: depressão unipolar ou bipolar; endógena ou reativa, psicótica ou neurótica. Buscando compreender as doenças afetivas e a depressão, presenciamos, de início, uma discussão referente à distinção entre o distúrbio bipolar, com a presença, em um único paciente, de fases de mania e depressão e distúrbios unipolares, em um mesmo doente, com a depressão ocorrendo em um quadro, sem a presença de mania ou hipomania. Até o século XIX, os conceitos de mania e depressão eram mais abrangentes que os atuais e não estava estabelecida sua correlação. O conceito de doença maníaco-depressiva ocorreu em meados do século XIX, sendo que em 1854, Falret e Barillager descreveram uma doença à qual deram o nome de “loucura circular” e, posteriormente, de “loucura de dupla forma” (FALRET, 1854). O papel de Kraepelin foi importante porque separou as doenças psicóticas e delimitou

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