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Adolescência no Brasil da Década de 1970

ADOLESCÊNCIA: UM RETRATO CONCEITUAL NA DÉCADA DE 1970 ANTONIO MASPOLI Podem conceituar como quiserem, para eu, a adolescência é algo como um lírio doirado, cujas pétalas, são transformadas de espinhos durante a sua investida para o sol. É um marco, em que o homem, deixa a vida “sem sentido”, e passa a sentir a vida, passa a buscar um sentido para ela. É o período, que necessita mais de compreensão que de críticas, mais de amor que de transformação, e mais de aproveitamento que de estatísticas. NTRODUÇÃO – A ADOLESCÊNCIA A adolescência, não parece ser um tema apaixonante apenas para o nosso século. Já no século II a.C. Terêncio, escreveu uma comédia em que ele procura analisar os problemas de dois adolescentes, representando os problemas da educação para a formação do jovem. Também de uma maneira indireta, e às vezes direta, filósofos como Platão, Aristóteles e Sócrates parecem ter se preocupado com a adolescência. Em nosso século, a pesquisa neste setor muito tem se desenvolvido. Após a segunda guerra, dezenas de estudiosos tem se lançado na pesquisa da idade da adolescência, e até mesmo em nossa pátria, que dormia ao sabor do empirismo científico tem despertado para esta realidade, e tem empreendido pesquisas sobre a adolescência e suas implicações sociais. Assim é que neste campo de pesquisas podemos encontrar homens da envergadura de Spranger, Mira y López e Lauro de Oliveira Lima, que muito se empenham pelos problemas e pela vida dos adolescentes, aproveitando o trabalho que já existe no setor, como as pesquisas do pioneiríssimo Rousseau. Nesta pesquisa, procuro aproveitar o que de melhor, prático e definido existe nos estudos sobre a adolescência. Assim é que reservei o primeiro capítulo para uma conceituação e definição do problema no seu âmbito global. Já no segundo e terceiros capítulos, reservei para abordar, debater e comentar os problemas de desenvolvimento social e psicológico enfrentados pelo adolescente. Tendo em vista que os problemas de Delinquência Juvenil, é algo de complexo e importante para este estudo, reservei o quarto capítulo para abordar tal problema, a luz de estatística atualizada como uma da Universidade de Harvard, que fiz uso. No penúltimo capítulo (o quinto), documentei dois sistemas de classificação do adolescente e, no sexto capítulo abordei somente o adolescente da minha terra, o Brasil, usando os parcos meios que são disponíveis neste setor tão importante e tão carente do nosso povo. Terminei feliz, por ter concluído minha tarefa, e aprendizado tanto, de tão importante assunto da vida. Peço licença aos sábios e oro ao Senhor, para que esta pesquisa possa ser usada, pelo menos por mim mesmo, para a edificação do Seu povo, para a Sua Glória. A ADOLESCÊNCIA INTRODUÇÃO Os estudos sobre a adolescência não são recentes. Já no século II a.C. Terêncio se mostrava preocupado com a adolescência ao analisar os frutos de uma boa ou má educação, analisada em sua comédia “Os Adelfos”. Mas foi com o advento da psicologia moderna, que este assunto tomou vulto, como estudo sistematizado tendo em vista as pesquisas realizadas com adolescentes normais e anormais, por iminentes psicológicos. CONCEITUAÇÃO DE ADOLESCÊNCIA Muitos são os entendidos que procuram de uma ou de outra maneira conceituar a adolescência. Não nos lançaremos à liça, e citaremos somente os conceituadores, que são realmente autorizados, pela sua participação neste estudo. Para Rousseau, pioneiríssimo no estudo da adolescência, “É efetivamente, uma espécie de nova formação do indivíduo, uma verdadeira recriação”. Já em tempos remotos, encontramos definições sobre adolescência. Para Platão, a adolescência era “uma embriaguez espiritual”, e nós podemos facilmente compreender este conceito, quando encontramos Platão seriamente comprometido com a ciência das ideias. Para Aristóteles, que já olhava de uma forma um pouco diferente de Platão, partindo de sua visão introspectiva ele conceitua a adolescência como “a idade cheia de desejos”. Buscando uma conceituação mais atual de adolescência encontramos na obra de Spranger “Psicologia de La Edad Juvenil”, a seguinte afirmação do grande estudioso: “A adolescência, não é somente a fase do desenvolvimento da vida do homem, situada entre a meninice e a maturidade, entre a típica estrutura psíquica da criança ainda não diferenciada, e a estrutura já bem diferenciada do homem e da mulher”. Partindo desta afirmação, tudo nos leva a acreditar que Spranger deu grande importância à adolescência para toda a vida do indivíduo, máxime da vida mental. Até certo ponto esta importância dada por Spranger ao psiquismo na adolescência é muito válida, porque com as transformações fisiológicas que ocorrem na estrutura do adolescente não se pode negar, as implicações de caráter mental que isto acarreta. Para Garrison, a adolescência é considerada o período de vida durante o qual começa a ser alcançada a maturidade, principalmente a maturidade de procriação, isto é, a capacidade que o moço, ou a moça agora, apresentam de gerar um novo ser. É também um período marcado pelas dificuldades advindas para o indivíduo, por não poder precisar “se ainda é criança, ou se já é adulto.” Todos os estudiosos que procuram determinar a classificação, a conceituação de adolescência, geralmente demonstram uma grande preocupação em se afirmar que: Na adolescência, sempre ocorrem muitos problemas de caráter psíquico. Para o Dr. Mira y López, “A adolescência não se mede pela idade cronológica, nem pelo peso ou estatura individual, mas sim pelas modalidades de seus desejos e temores dominantes, pela constelação de incógnitas que angustiam o ser, pela norma de conduta com que pretende separar aquela e esta”. A conceituação do Dr. Mira y López é muito apreciável por não ser dogmática quanto à idade, ou mesmo o desenvolvimento fisiológico, mas deixa uma percale para cada um destes elementos influenciadores da adolescência. Dentro desta “constelação de incógnitas”, podemos facilmente encontrar um lugar, para a estrela do desenvolvimento fisiológico, psíquico, social e religioso. Etimologicamente, adolescência vem do latim ADOLESCERE que significa crescer. Assim adolescência é a fase da vida que apresenta crescimento acelerado, intenso, com modificações substanciais “nos modos de agir e de pensar”. Na verdade, adolescência é uma fase de crescimento tanto somático quanto psíquico; tanto exterior quanto

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Depressão Na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung

Depressão Na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung Antônio Máspoli de Araújo Gomes “Todo psicoterapeuta não só tem o seu método: ele próprio é esse método. ‘Ars totum requirit hominem’ diz um velho mestre. O grande fator de cura, na psicoterapia, é a personalidade do médico – esta não é dada a priori; conquista-se com muito esforço, mas não é um esquema doutrinário. As teorias são inevitáveis, mas não passam de meios auxiliares.”1 Depressão na Perspectiva de Carl Gustav Jung Para Jung a personalidade é uma dimensão psíquica do ser humano em sua totalidade. Essa totalidade envolve tanto fenômenos conscientes quanto inconscientes. Para ele, a Psicologia tem como objeto a psique. Um dos pontos fundamentais é a ideia de que o inconsciente não é um simples depositário de experiências passadas, desejos ou instintos reprimidos. Ele também é criativo, quer dizer, pode conter a base de futuras situações psíquicas e ideias novas. O inconsciente é uma parte tão vital e real da psique quanto a consciência e o Ego. Em sua profícua experiência clínica, Jung percebeu que o inconsciente se transforma e provoca mutações. Este desenvolvimento psíquico chamado de “processo de individuação” é um crescimento em direção ao “si mesmo” (self), a expressão da totalidade psíquica. Por meio de sua consciência, o homem pode participar ativamente de seu desenvolvimento. Desse modo, do confronto e do relacionamento entre consciente e inconsciente, vai surgindo uma personalidade amadurecida, fruto de uma síntese cada vez maior. O termo libido é um dos construtos teóricos basilares da teoria psicanalítica. Inicialmente concebido por Freud como uma pulsão, instinto ou energia de natureza eminentemente sexual, uma força instintiva específica, este conceito foi, posteriormente, reformulado para incluir em sua definição duas pulsões vitais: eros e tanatos. Eros seria a energia ou princípio da vida e tanatos pulsão de morte. No entanto, mesmo com esta modificação, não há dúvida entre os freudianos e neofreudinaos de que a libido é uma energia de natureza puramente sexual. Jung, contudo, rompe com a concepção pansexualista de Freud, com a publicação da obra Wandlungen und Symbole der Libido (Transformações e Símbolos da Libido2), publicada em 1911/1912. Nesta pesquisa ele expõe o curso do desenvolvimento da libido na evolução da esquizofrenia, desde a sua etiologia até a dissociação completa. Jung ampliou o conceito de libido para designar a energia psíquica, em geral presente em toda a natureza. A elasticidade deste conceito compreende não apenas a energia do psiquismo humano, inclusive aquela de natureza sexual, mas abarca também a própria energia do universo, a alma mundi. Como conceito aplicado de energia logo se hipostasia nas forças (os instintos, os afetos e outros processos dinâmicos), o seu caráter concreto pode ser expresso adequadamente, a meu ver, pelo vocábulo libido, pois concepções semelhantes se utilizaram de denominações parecidas, desde tempos remotos, tais como a vontade de Schopenhauer, a arque de Aristóteles, o eros de Platão, o amor e o ódio dos elementos de Empédocles ou élan vital de Bérgson3. (JUNG, 1998, p. 28). Esta nova concepção de libido rompe com o pansexualismo freudiano e inaugura o panpsiquismo que dominará a psicologia analítica em uma perspectiva pan-energética. O novo conceito de libido formulado por Jung, em 1912, calcado no neoplatonismo e no idealismo alemão, abrange todos os fenômenos de natureza energética existente no universo. Desta energia Jung deriva os conteúdos da bioenergia ou energia vital. Esta seria a base da energia psíquica que circula pelo sistema nervoso central e periférico. O conceito de energia vital, entretanto, nada tem a ver com uma denominada força vital, pois, enquanto força, esta nada mais seria do que a forma específica de uma energia universal e, deste modo, estaria eliminada a pretensão a uma bioenergética, em oposição a uma energética física, sem se reparar no abismo, até agora então preenchido, entre o processo psíquico e o processo vital. Propus que a energia vital hipoteticamente admitida fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tencionamos fazer dela em psicologia, diferenciando-a, assim, de um conceito de energia universal, conservando-lhe, por conseqüência, o direito especial de formar seus conceitos próprios. Fazendo isso, não tenho a menor intenção de adiantar-me dos que trabalham no campo da bioenergética, mas tão somente dizer-lhes com toda a franqueza que empreguei o termo libido em vista do uso que dele faremos em nosso estudo. Para seu uso, esses estudiosos poderão propor, se o quiserem, os termos bioenergia ou energia vital4. (JUNG, 1998, p. 16). Com esta reformulação do conceito de libido, estava posto o machado à raiz da árvore pansexualista. A libido não se aplica somente aos conteúdos de natureza puramente sexual, amplia-se para incluir todos os aspectos da natureza humana: a mente, o corpo, a linguagem, a sexualidade, a alimentação, o mito, a religião, a arte, os jogos, o trabalho, o amor, o ódio, a doença (inclusive a depressão), e todas aquelas atividades humanas ligadas à cultura. O materialismo freudiano não poderia admitir esse novo postulado e o rompimento entre Freud e Jung estava consumado. Ao perceber no Id o instinto de individuação que busca a totalidade, a criatividade de Jung transbordou a moldura materialista pansexual da psicanálise. Em 1912, Jung publicou o livro Símbolos de Transformações, no qual expandiu o conceito de libido para torná-lo sinônimo de energia psíquica, expressão de todo e qualquer símbolo, e não somente da sexualidade. Significativamente, o último capítulo desse livro intitula-se O sacrifício, onde Jung demonstra que a transição de um símbolo para outro é uma vivência que inclui a perda emocional do que passou. Como grande intuitivo que era, Jung certamente previu que sua nova concepção da libido seria incompatível com a presidência da Sociedade Psicanalítica Internacional e, pior ainda, com sua filitude científica de Freud. O inevitável aconteceu. O filho cresceu mais que o pai, daí em diante caminhou sozinho para fundar sua própria psicologia analítica, centrada na realização arquetípica da personalidade5. (BYINGTON, 2005, p. 8). BIRMAN6 (2006) aponta outros aspectos responsáveis pelo rompimento entre Freud e Jung: a rivalidade científica entre os dois; a concepção junguiana sobre o delírio na esquizofrenia como transformação da libido e não somente como expressão da sexualidade proposta

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As origens arquetípicas do bode expiatório

AS ORIGENS ARQUETÍPICAS DO BODE EXPIATÓRIO Dr. Antonio Maspoli Introdução Existem conceitos e experiências humanas, arraigadas no ocidente que independem de credo, sexo, raça ou mesmo religião. A culpa é um destes fenômenos. A sociedade ocidental desde o liberalismo teológico do século XIX, especialmente sob a influência da teologia da morte de Deus vem tentando resolver o problema da culpa. A psicanálise também caminhou nesta direção. Em alguns meios psicanalíticos acreditou-se, inclusive, que a destruição pura e simples do conceito cristão de pecado seria suficiente para liberar toda a humanidade ocidental do fardo terrível da repressão e da culpa. Alguns psicanalistas, à semelhança de Wilhem Reich, dedicaram suas vidas e trabalharam em suas pesquisas para este fim. O resultado alcançado parece estar longe de resolver o problema da culpa e da responsabilidade humana pelos seus atos, sejam eles bons ou maus. A psicanálise enfrenta uma de suas piores crises de relevância, frente aos velhos conflitos, as novas demandas e novas descobertas da neurociência no mundo contemporâneo. Hoje Reich já passou a ser um dos psicanalistas quase esquecidos. A religião e a experiencia religiosa trouxeram de volta os conceitos de pecado e culpa para assombrar o homem pós-moderno. Joseph Campbell, et all (1986) conceitua culpa como: “O sentimento que uma pessoa tem de ter errado, violado algum princípio ético, moral ou religioso. Associados de modo típico a essa consciência estão um grau muito baixo de autoestima e um sentimento de que o erro cometido deve ser expiado ou compensado. ” (CAMPBELL, p. 142). Otto Fenichel, (1981), parece concordar com esta definição, quando afirma que “Os sentimentos de culpa que acompanham a prática de uma maldade e os sentimentos de bem-estar que resultam do cumprimento de um ideal são os modelos normais seguidos pelos fenômenos patológicos da depressão e da mania ” (FENICHEL, p. 96). De modo geral a culpa nasce quando o homem age contra a sua própria consciência e desconsidera em seus atos a norma ética da busca pelo bem comum. Ou dizendo de outro modo: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.(Mateus 7:12)” As conceituações psicológicas, todavia, desconsideram em suas assertivas as afirmações bíblicas para as origens e o problema humano da culpa. A culpa tem espectros multifacetados na explicação de sua gênese. A fim de ajudar o leitor a compreender algumas questões relevantes relacionadas com o tema da culpa apresentaremos alguns fatores importantes para se compreender o problema da culpa. E discutiremos alguns caminhos teológicos e psicológicos a fim de buscar solução para este dilema humano. A culpa arquetípica ou primordial na teologia bíblica O ocidente judaico cristão vai buscar a gênese teológica da culpa no chamado pecado original, o pecado adâmico, quando Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal e desobedeceu a Deus, fato este amplamente narrado em Gênesis 2 e 3. Nesta interpretação o homem teria herdado a culpa desta transgressão e já nasce devedor perante o Criador. A culpa do primeiro homem lhe é imputada e a questão, segundo a qual o homem é pecador porque peca, após adquirir consciência, carece de relevância posto que ele já nasce pecador. Daí não importar a pergunta se o homem peca porque é pecador? Ou se o homem é pecador porque peca? Pecando ou não, segundo a tradição cristã, o homem nasce pecador diante de Deus. Na teologia bíblica surge um axioma mais consistente, à luz de Romanos 7, o homem peca porque é pecador. O pecado neste caso não se refere apenas a um ato moral consciente, mas à própria natureza humana, (ROMANOS. 7:24). Por inferência podemos afirmar o mesmo sobre a culpa. O ser humano nasce devedor, culpado diante de Deus, embora em sua primeira infância até os quatro anos de idade, o homem ainda não tenha nenhuma consciência de seus atos morais, esta inconsciência não o exime da culpa primordial, por isso, a criança, desde o ventre materno, depende da graça especial de Deus para o perdão desta culpa e para a sua salvação pessoal. No caso da criança cabe registrar que o perdão e a salvação em Cristo lhes são imputados automaticamente pelo Espírito Santo, independentemente de qualquer credo ou vivência religiosa. Em decorrência desse axioma, o homem peca, porque é pecador. A partir do momento que, em seu desenvolvimento ontogenético, a criança adquire consciência do pecado, ela passa a ser pecadora também porque peca. Neste caso, temos a culpa pela responsabilidade individual sobre uma transgressão cometida perante a lei de Deus. Como pode ser depreendido pela experiência de Caim: “E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à tua porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (GÊNESIS 4: 6-7). A experiência de Davi no Sl. 51 corrobora assim a experiência de Caim. “Eis que fui nascido em iniqüidade, E em pecado me concebeu minha mãe” (SALMOS 51:5). Este relato bíblico, arquetípico, não deixa dúvida sobre a responsabilidade humana sobre os seus desejos e suas ações. No entanto, este é apenas um lado da moeda, o fator consciente da culpa. No processo de culpabilidade existem ainda fatores inconscientes. O homem pode cauterizar a sua consciência, enganá-la, tal como afirma Isaias ”Tal homem se pascenta de cinzas; o seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio” (ISAIAS 44:20). Negar o pecado, acostumar-se a ele, cauterizar a própria consciência pode livrar o indivíduo da culpa consciente, mas não o livrará jamais da culpa inconsciente. Especialmente, porque o inconsciente é ético e responsável (Jung, 1988). O inconsciente continuará a apresentar a conta a ser paga em decorrência do pecado, perante o pecador. E esta conta torna-se cada vez mais elevada, pois pode traduzir-se em sintomas de doenças psicossomáticas, à semelhança do que ocorreu com Davi no Sl. 32. A vivência continua da

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Psicologia Social da Religião: História e Abordagens Teóricas

Psicologia Social da Religião: História e Abordagens Teóricas Dr. Antonio Maspoli Resumo O renascimento do fenômeno religioso a partir da segunda metade do século XX, seja como uma nova face da secularização, seja como um processo de ressacralização, ou mesmo de reencantamento do mundo, não pode passar despercebido ao psicólogo. O objetivo dessa pesquisa, portanto, é analisar o pensamento dos clássicos da Psicologia da Religião na psicologia social da religião, destacando-se: o pensamento de Sigmund Freud, a teoria de Carl Gustav Jung e as concepções de William James. Os estudos das teorias clássicas da Psicologia da Religião podem oferecer ferramentas conceituais adequadas para que os psicólogos da religião compreendam o fenômeno do campo religioso contemporâneo e suas influências no comportamento humano, com suas múltiplas faces e multifacetadas manifestações. Palavras-chaves: Psicologia, Psicologia da Religião, Religião, Teorias da Religião, História. Abstract The revival of religious phenomenon from the second half of the twentieth century, either as a new face of secularization, either as a new face of secularization, either as a resacralization process, or even re-enchantment of the world, can not go unnoticed to the psychologist. The purpose of this research, therefore, is to analyze the thought of the classics of Psychology of religion in social psychology of religion, especially: the thought of Sigmund Freud, the theory of Carl Gustav Jung and conceptions of William James. The studies of classical theories of Psychology of religion can offer appropriate conceptual tooling for psychologists of religion understand the contemporary religious field phenomenon and its influences on human behavior, with its multiple faces and multifaceted event. Keywords: Psychology, Religion Psychology, Religion, Theories of Religion, História. Introdução A religião é um fenômeno extraordinário, complexo e multifacetado que pode ser estudado por várias disciplinas: sociologia, psicologia, filosofia, antropologia, teologia, etc. Nenhuma delas, contudo, é capaz de apreender, a contento, a totalidade de tal fenômeno. A religião coloca-se como metáfora do real, numa tentativa última de compreender e explicar os mistérios da natureza e da vida, que não encontram explicações pela via científica. A religião funciona como um manto que encobre e encanta a realidade humana, à semelhança do dossel sagrado de Peter Berger (BERGER; LUCKMAN, 1973). A natureza religiosa do homem existe como fato social e psicológico total, e revela um aspecto gregário essencial da humanidade (DURKHEIM, 1989, p. 38). “Deuses são inevitáveis. Quanto mais tu foges de Deus, mais certamente cairás em suas mãos.” (JUNG, 2013, p. 148). A religião está na ordem do dia no século XXI, desde o 11 de setembro de 2001 ocupa as páginas dos principais jornais e das revistas do mundo ocidental. Contrariando os postulados de Peter Berger (1973; 1985), que prefigurava o desencantamento do mundo pelo processo de secularização, parece que ocorreu exatamente o contrário, com a vingança dos deuses, segundo Derrida (2000). Andrews Samuels (1995) propõe, inclusive, que o mundo vive um intenso processo de ressacralização, de reencantamento. O Islã, em todos os seus matizes, os fundamentalistas, cristãos ou não, e os pentecostais e neopentecostais não podem passar despercebidos dos pesquisadores da Psicologia da Religião. A perspectiva da ressacralização recupera um sentido das verdades religiosas, mas essas são desempenhadas através de um mundo em transformação menos dependente da organização religiosa. A ética da ressacralização pode ser plebéia em suas raízes, mas é sublime em suas aspirações. (SAMUELS, 1995, p. 30) A Psicologia da Religião pode ser uma importante ferramenta para se compreender o comportamento religioso. Por isso, este trabalho pretende revisitar os clássicos da Psicologia da Religião, a fim de contribuir para a releitura de referenciais teóricos relevantes e para compreender o comportamento religioso do ponto de vista psicológico. O objetivo desta pesquisa, portanto, é analisar o pensamento dos clássicos da Psicologia da Religião na psicologia social da religião, destacando-se: o pensamento de Sigmund Freud; a teoria de Carl Gustav Jung; e as concepções de William James. Geraldo José de Paiva (2009) coordenou uma pesquisa sobre a produção científica da Psicologia da Religião no Brasil no período que vai de 1956 a 2005 (este pesquisador participou da mesma). As conclusões dessa pesquisa são importantes para se compreender a Psicologia da Religião no Brasil. Tomando apenas o número de artigos científicos foram 2 publicações na década de 1950, de 16 na década de 1960, de oito na década de 1970, de 23 na década de 1980, de 37 na década de 1990 e de 39 no primeiro lustro dos anos 2000, totalizando 125 artigos. (PAIVA et al. 2009, p. 442) Os temas abordados nesses artigos são diversos e cobrem uma gama de fenômenos psicológicos: Os temas abordados nos artigos publicados têm mantido rica diversidade, embora alguns deles se destaquem pela frequência. Saúde, experiência religiosa, vocação religiosa/sacerdotal, identidade religiosa e relações entre psicologia e religião têm sido os temas mais frequentes. Vêm a seguir, com menor frequência, agressividade, arquétipos, atitudes, comunicação, corpo, culpa, escrúpulo, personalidade, representação social, sexualidade e simbolismo. (PAIVA, et al. 2009, p. 442) A publicação brasileira da Psicologia da Religião em forma de livro é relativamente recente. Paiva (2009) destaca a obra do jesuíta, Leonel Franca, Psicologia da Fé e o Problema de Deus, da década de 1930 (FRANCA, 1933), como o marco inicial da Psicologia da Religião na publicação de livros no Brasil. Na década de 1970, temos a publicação do livro Psicologia da Religião, de Merval Rosa (1971) e de Temas da Psicologia da Religião, de Antonius Benkö, da década de 1980 (BENKÖ, 1981). Na década de 1990: Edênio Valle, com Psicologia e experiência religiosa: estudos introdutórios (1998); M. Massimi e M. Mahfoud, Diante do mistério: Psicologia e senso religioso (1999). Na primeira década do século XXI: Geraldo José de Paiva, com A religião dos cientistas: uma leitura psicológica (2000) e Entre necessidade e desejo: diálogos da Psicologia com a Religião (2001); de V. A. Angerami-Camon, Vanguarda em psicoterapia existencial (2004a) e Espiritualidade e prática clínica (2004b); de A. F. Holanda, Psicologia, religiosidade e fenomenologia (2004); de G. J. de Paiva e W. Zangari, A representação na religião: perspectivas psicológicas (2004); e de M. M. Amatuzzi, Psicologia e espiritualidade (2005), (PAIVA, 2009, p. 442-443). Da lavra do pesquisador Geraldo José de Paiva, podemos destacar: Psicologias da Religião na Europa (1990); Algumas relações entre psicologia e religião (1990); Itinerários religiosos de acadêmicos: um enfoque psicológico (1993); A religião dos cientistas: uma leitura psicológica (2000); Entre necessidade e desejo. Diálogos da Psicologia com a Religião (2001); Perder e Recuperar a Alma: Tendências Recentes na Psicologia Social da Religião Norte-Americana e Européia (2002); Identidade e pluralismo: identidade religiosa em adeptos

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O Corpo Como Sombra No Protestantismo Brasileiro

O Corpo Como Sombra No Protestantismo Brasileiro Antonio Maspoli de Araujo Gomes Historicamente ligado a Santo Agostinho, Martin Lutero era um agostiniano, (1968)1 o protestantismo adotou em relação ao corpo o postulado da Patrística de que o cerne e a origem do mal é a carne. Carne aqui identificada com o corpo humano. A carne no protestantismo é identificada naturalmente com o corpo humano. O corpo naturalmente inferior ao espírito, deve ser subordinado ao espírito. E para isso deve ser reprimido. No protestantismo a repressão do corpo ocorre naturalmente por meio da identificação do corpo com o Templo do Espírito Santo. A repressão ocorre também por meio do controle e da regulação do corpo. O resultado dessa repressão do corpo é a ascese e a racionalidade, o espirito protestante weberiano ( 2004 )2. Este artigo pretende relacionar as imagens do corpo protestante com o corpo da patrística. Compreender o corpo como sombra no protestantismo. E demonstrar que, se pela via positiva, a ascese produz a ética protestante do trabalho; pela via negativa, o resultado da repressão do corpo pode gerar distorções éticas e psicológicas: a depressão, a perversão, a compulsão e até distúrbios psicossomáticos. O cristianismo nasce de um corpo paradoxal para o entendimento humano. O corpo morto do Cristo na cruz e o corpo ressuscitado de Jesus. O primeiro é um corpo inerte, sem vida, sem valor humano. O segundo, um corpo em transformação, glorificado que depende fundamentalmente da fé cristão para ser apreendido. Esse paradoxo do corpo nas origens da fé cristã haverá de marcar toda a compreensão posterior do corpo humano no cristianismo e o lugar sombrio que esse corpo ocupa nos últimos dois mil anos. A fim de ser transformado o corpo deve ser subjugado e reprimido em nome de causas e objetivos espirituais superiores que devem ser alcançados ainda nesta vida para se garantir as bem aventuranças. “O corpo humano vive a dois mil anos a sombra da cultura ocidental. Seus impulsos animais, suas paixões sexuais e sua natureza perecível foram banidos para a escuridão e transformados em tabu por um clero que só dava valor aos domínios mais elevados do espírito e da mente e ao pensamento racional”( ZWEIG e ABRAMS, 2014, p. 105. )3 O conceito chave, oriundo da psicologia junguiana,utilizado para desenvolvermos deste trabalho numa abordagem do corpo como sombra no protestantismo é a sombra. (GAMBINI. 2000. P. 27). No Sermão da Montanha, em Mateus 7;1-54 Jesus Cristo diz: “Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, sereis medidos. Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu? Como poderás dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. Roberto Gambini (2000)5 reconhece neste texto as origens embrionárias da projeção. “Jung afirma que ‘a projeção é um dos fenômenos psíquicos mais comuns. (…) Tudo o que é inconsciente em nós mesmos descobrimos no vizinho’. Na verdade, a projeção é um fato que ocorre de modo involuntário, sem nenhuma interferência da mente consciente: um conteúdo inconsciente pertencente a um sujeito (indivíduo ou grupo) aparece como se pertencesse a um objeto (outro indivíduo ou grupo ou o que quer que seja, desde seres vivos até sistemas de ideias, a natureza ou a matéria inorgânica) ”(GAMBINI, 2000, P. 28)6. Imaginemos um campo de luz, relativamente recente, e um campo sombrio, muito anterior ao primeiro. O dinamismo da relação peculiar entre esses dois campos é dado pelo fato de que o campo sombrio quer ser reconhecido e o faz pela via indireta da projeção. Ocorre que a intensidade de uma projeção é inversamente proporcional à abertura da atitude consciente. Se a consciência combater obstinadamente a emergência de um conteúdo inconsciente, este poderá recorrer a medidas drásticas para ser reconhecido. A projeção é inconsciente e involuntária, independe da vontade do sujeito. Sempre que o homem se depara com os conteúdos inconscientes e perturbadores da sua psique ele se utiliza do mecanismo da projeção para diminuir seu sofrimento e a sua ansiedade. Segundo Jung, tudo o que é obscuro – e precisamente por ser obscuro – é um espelho: ‘Tudo o que é desconhecido e vazio está cheio de projeções psicológicas; é como se o próprio pano de fundo do investigador se espelhasse na escuridão. O que ele vê no escuro, ou acredita poder ver, é principalmente um dado de seu próprio inconsciente que ali se projeta. Em outras palavras, certas qualidades e significados potenciais de cuja natureza psíquica ele é totalmente inconsciente9GAMBINI, 2000, p. 28)7. O que devemos ter em mente é que as projeções ocorrem involuntariamente. No linguajar comum, diz-se que alguém está projetando, como se isso implicasse uma ação consciente. Não é o ego que projeta; é o inconsciente que se projeta. Esse fato natural se dá porque tudo o que é desconhecido no plano exterior constitui uma espécie de eco do desconhecido interior. Quanto aos fatores que desencadeiam a projeção podemos apontar especialmente os complexos (isto é, conteúdos psíquicos autônomos). Os complexos são uma experiência vivida por todos nós e seu efeito desintegrados sobre a consciência manifesta-se quando os mesmos se tornam um sistema psíquico separado, autônomo em relação a consciência do sujeito e fragmentário. Um complexo é um conjunto de ideias e imagens de conteúdo afetivo, que se dissociou da consciência por um trauma psicológico e/ou por um conflito moral. Um complexo é autônomo e inconsciente, em termos psicológicos, o que significa dizer que age independentemente da vontade do sujeito. O complexo possui o indivíduo e não o contrário. Daí facilmente confunde-se um complexo com uma possessão. Os complexos, por serem autônomos e inconscientes, não estão sujeitos à vontade do sujeito. Daí a força que carregam. E quanto mais o sujeito luta contra um complexo, tanto mais esse se fortalece, como quando ocorre

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Inteligência intuitiva e inteligência emocional.

Inteligência Intuitiva e Inteligência Emocional Dr. Antonio Maspoli A palavra intuição (do latim in tueri = “ver em, contemplar”) significa um conhecimento direto, imediato, do conjunto de qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e de suas relações, sem uso do raciocínio discursivo. Você sabia que 90% das nossas atitudes são tomadas no inconsciente, no lado direito do hemisfério cerebral? O inconsciente planeja de forma intuitiva e probabilística. Depois, comunica ao lado esquerdo do hemisfério cerebral, a consciência. Então, a consciência produz a ação que executa a atitude. Vamos imaginar que você está dirigindo um carro, de repente você leva uma fechada e você consegue se livrar. Como acontece algo tão preciso e tão de repente? Vejamos. Se você tiver pelo menos sete segundos para tomar as atitudes corretas, para executar as ações precisas e necessárias, você salva a sua vida e da sua família. O inconsciente, que corresponde de modo geral ao lado direito do cérebro, faz todos os cálculos que precisavam ser executados para salvar a sua vida. Em seguida, comunica ao lado esquerdo do cérebro, a sua consciência. O centro de tomada de decisão do cérebro, no eixo HPA – Hipófise, Hipotálamo e Adrenal, executa a ação. Todo esse processo intuitivo de tomada de atitude levou de 7 a 10 segundos. Nesse processo citado, se você tiver de 7 a 10 segundos para fazer o que o inconsciente determinou, você salva a sua vida. Estamos falando da inteligência intuitiva. Nesse sentido, a intuição na verdade, com a neurociência, passou ser considerada uma forma sofisticada de conhecimento. Intuição é aquele conhecimento que nasce no lado direito do hemisfério cerebral. Trata-se de um conhecimento inato, para a preservação da vida. A intuição manifesta-se quando soluciona um determinado problema, sem ter todas as cartas na mesa, sem ter todos os dados do problema na mesa. O que acontece, na intuição? Gerd Gigerenzer (2009) afirma que o inconsciente, sobre o qual nós não temos domínio, vai juntando as pistas que estão no ambiente, nas pessoas, nos relacionamentos, nos lugares, no ambiente de trabalho, na igreja, na família, a fim de equacionar o problema a ser resolvido. Às vezes, com as pequenas pistas que as pessoas deixam, o lado direito do cérebro monta a equação completa. Soluciona o problema! E comunica ao lado esquerdo, para a execução. INTELIGÊNCIA EMOCIONAL A emoção desencadeada por determinado estímulo dá origem a programas de ações diferentes, conforme o tipo de emoção, as quais provocam alterações no rosto, no corpo ou no sistema endócrino (estratégias ativas). O corar de um rosto, a tensão muscular, a aceleração do ritmo cardíaco ou o aumento da secreção de determinado hormônio são exemplos dessas alterações fisiológicas. Damásio (cf. GOLEMAN, 1995) destaca o valor adaptativo das emoções e de sua função, na interação social, e propõe uma classificação em três tipos de emoções: de fundo (emoções mais vagas, como o entusiasmo e o desencorajamento), primárias (mais pontuais, como a tristeza, o medo, a raiva ou a alegria) e sociais (resultantes de um contexto sociocultural – como a empatia, a compaixão, a vergonha ou o orgulho). As emoções básicas (alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa, repugnância) são consideradas universais, pelo reconhecimento através da expressão facial, sendo geradas por situações extremas e o seu contágio, entre os membros de um grupo social, um potencial catalisador de comportamentos coletivos, como atestam os protestos e as manifestações que sacudiram todo o Brasil, recentemente. Num de seus mais fascinantes e polêmicos livros, Damásio evoca o exemplo instigante de Espinosa, o qual, numa época de grande intolerância e obscurantismo, no século XVII, ousou defender a liberdade da mente humana, integrada aos seus contextos naturais e sociais, de forma a suplantar, numa democracia, “… o lado escuro das emoções sociais que se exprimem no tribalismo, racismo, tirania e fanatismo religioso.” (DAMASIO, 2003, p. 289). A inteligência emocional consiste em amar a pessoa certa, na intensidade necessária e no tempo apropriado. Para isso, é preciso conhecer as próprias emoções. Isto está em conexão com as emoções e sentimentos, quando estes ocorrem. Aprender a lidar com as próprias emoções e sentimentos, independentemente de serem emoções e/ou sentimentos positivos e negativos. Integrá-los na própria consciência. Motivar-se para desenvolver o autocontrole. Aprender a modular as emoções e sentimentos. Desenvolver a habilidade dos neurônios espelhos, isto é, a capacidade de reconhecer as emoções no outro: a empatia. Ler no rosto do outro o que o outro está sentindo (GOLEMAN, 1995).

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