Adolescência no Brasil da Década de 1970
ADOLESCÊNCIA: UM RETRATO CONCEITUAL NA DÉCADA DE 1970 ANTONIO MASPOLI Podem conceituar como quiserem, para eu, a adolescência é algo como um lírio doirado, cujas pétalas, são transformadas de espinhos durante a sua investida para o sol. É um marco, em que o homem, deixa a vida “sem sentido”, e passa a sentir a vida, passa a buscar um sentido para ela. É o período, que necessita mais de compreensão que de críticas, mais de amor que de transformação, e mais de aproveitamento que de estatísticas. NTRODUÇÃO – A ADOLESCÊNCIA A adolescência, não parece ser um tema apaixonante apenas para o nosso século. Já no século II a.C. Terêncio, escreveu uma comédia em que ele procura analisar os problemas de dois adolescentes, representando os problemas da educação para a formação do jovem. Também de uma maneira indireta, e às vezes direta, filósofos como Platão, Aristóteles e Sócrates parecem ter se preocupado com a adolescência. Em nosso século, a pesquisa neste setor muito tem se desenvolvido. Após a segunda guerra, dezenas de estudiosos tem se lançado na pesquisa da idade da adolescência, e até mesmo em nossa pátria, que dormia ao sabor do empirismo científico tem despertado para esta realidade, e tem empreendido pesquisas sobre a adolescência e suas implicações sociais. Assim é que neste campo de pesquisas podemos encontrar homens da envergadura de Spranger, Mira y López e Lauro de Oliveira Lima, que muito se empenham pelos problemas e pela vida dos adolescentes, aproveitando o trabalho que já existe no setor, como as pesquisas do pioneiríssimo Rousseau. Nesta pesquisa, procuro aproveitar o que de melhor, prático e definido existe nos estudos sobre a adolescência. Assim é que reservei o primeiro capítulo para uma conceituação e definição do problema no seu âmbito global. Já no segundo e terceiros capítulos, reservei para abordar, debater e comentar os problemas de desenvolvimento social e psicológico enfrentados pelo adolescente. Tendo em vista que os problemas de Delinquência Juvenil, é algo de complexo e importante para este estudo, reservei o quarto capítulo para abordar tal problema, a luz de estatística atualizada como uma da Universidade de Harvard, que fiz uso. No penúltimo capítulo (o quinto), documentei dois sistemas de classificação do adolescente e, no sexto capítulo abordei somente o adolescente da minha terra, o Brasil, usando os parcos meios que são disponíveis neste setor tão importante e tão carente do nosso povo. Terminei feliz, por ter concluído minha tarefa, e aprendizado tanto, de tão importante assunto da vida. Peço licença aos sábios e oro ao Senhor, para que esta pesquisa possa ser usada, pelo menos por mim mesmo, para a edificação do Seu povo, para a Sua Glória. A ADOLESCÊNCIA INTRODUÇÃO Os estudos sobre a adolescência não são recentes. Já no século II a.C. Terêncio se mostrava preocupado com a adolescência ao analisar os frutos de uma boa ou má educação, analisada em sua comédia “Os Adelfos”. Mas foi com o advento da psicologia moderna, que este assunto tomou vulto, como estudo sistematizado tendo em vista as pesquisas realizadas com adolescentes normais e anormais, por iminentes psicológicos. CONCEITUAÇÃO DE ADOLESCÊNCIA Muitos são os entendidos que procuram de uma ou de outra maneira conceituar a adolescência. Não nos lançaremos à liça, e citaremos somente os conceituadores, que são realmente autorizados, pela sua participação neste estudo. Para Rousseau, pioneiríssimo no estudo da adolescência, “É efetivamente, uma espécie de nova formação do indivíduo, uma verdadeira recriação”. Já em tempos remotos, encontramos definições sobre adolescência. Para Platão, a adolescência era “uma embriaguez espiritual”, e nós podemos facilmente compreender este conceito, quando encontramos Platão seriamente comprometido com a ciência das ideias. Para Aristóteles, que já olhava de uma forma um pouco diferente de Platão, partindo de sua visão introspectiva ele conceitua a adolescência como “a idade cheia de desejos”. Buscando uma conceituação mais atual de adolescência encontramos na obra de Spranger “Psicologia de La Edad Juvenil”, a seguinte afirmação do grande estudioso: “A adolescência, não é somente a fase do desenvolvimento da vida do homem, situada entre a meninice e a maturidade, entre a típica estrutura psíquica da criança ainda não diferenciada, e a estrutura já bem diferenciada do homem e da mulher”. Partindo desta afirmação, tudo nos leva a acreditar que Spranger deu grande importância à adolescência para toda a vida do indivíduo, máxime da vida mental. Até certo ponto esta importância dada por Spranger ao psiquismo na adolescência é muito válida, porque com as transformações fisiológicas que ocorrem na estrutura do adolescente não se pode negar, as implicações de caráter mental que isto acarreta. Para Garrison, a adolescência é considerada o período de vida durante o qual começa a ser alcançada a maturidade, principalmente a maturidade de procriação, isto é, a capacidade que o moço, ou a moça agora, apresentam de gerar um novo ser. É também um período marcado pelas dificuldades advindas para o indivíduo, por não poder precisar “se ainda é criança, ou se já é adulto.” Todos os estudiosos que procuram determinar a classificação, a conceituação de adolescência, geralmente demonstram uma grande preocupação em se afirmar que: Na adolescência, sempre ocorrem muitos problemas de caráter psíquico. Para o Dr. Mira y López, “A adolescência não se mede pela idade cronológica, nem pelo peso ou estatura individual, mas sim pelas modalidades de seus desejos e temores dominantes, pela constelação de incógnitas que angustiam o ser, pela norma de conduta com que pretende separar aquela e esta”. A conceituação do Dr. Mira y López é muito apreciável por não ser dogmática quanto à idade, ou mesmo o desenvolvimento fisiológico, mas deixa uma percale para cada um destes elementos influenciadores da adolescência. Dentro desta “constelação de incógnitas”, podemos facilmente encontrar um lugar, para a estrela do desenvolvimento fisiológico, psíquico, social e religioso. Etimologicamente, adolescência vem do latim ADOLESCERE que significa crescer. Assim adolescência é a fase da vida que apresenta crescimento acelerado, intenso, com modificações substanciais “nos modos de agir e de pensar”. Na verdade, adolescência é uma fase de crescimento tanto somático quanto psíquico; tanto exterior quanto