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O Pensamento de João Calvino e a Ética Protestante de Max Weber, Aproximações e Contrastes

Resumo: O homem contemporâneo geralmente atribui a origem da ética protestante de Max Weber a teologia de João Calvino. Neste artigo o autor compara as principais categorias teológicas do pensamento de João Calvino com a ética protestante de Max Weber, demonstrando que o advento do capitalismo moderno é um processo posterior a Reforma Protestante do século XVI, produto talvez da cultura protestante norte-americana e explicitando as aproximações e contrastes que se verificam na obra de Calvino e Weber no campo da ética do trabalho. Palavras Chaves: teologia, sociologia da religião, ética, protestantismo.   Esboço esquemático da vida e obra João Calvino Lessa, (s.d.) traçou uma importante biografia de Calvino que passamos a considerar em nosso trabalho Além de outros autores. João Calvino nasceu em meio a uma teocracia. Nascido na cidade de Noyon, na França, aos 10 de julho de 1509, o que era então uma pequena cidade eclesial, dominada por sua catedral e seu bispo: desde o nascimento ele já teve o conhecimento e a experiência do significado de um governo de uma sociedade dominada pelo clero e exercido em nome de Deus. Além do mais seu pai, Gerard Chauvin, era secretário do bispo e ao mesmo tempo era fiscal de condado, o que lhe dava condição econômica privilegiada para os padrões da época. Calvino, comparado aos critérios contemporâneos, teria nascido na classe média, pertencia à burguesia. Calvino perdeu sua mãe ainda muito cedo e este fato marcou profundamente a sua personalidade.  Esta perda produziu um Calvino circunspecto, introvertido, fechado dentro de si mesmo, dono de uma riquíssima vida interior que mercê do Espírito Santo de Deus, produziu uma espiritualidade profunda e cautelosa. Tendo Gerard Chauvin ficado viúvo muito cedo (João Calvino era ainda muito jovem quando isto aconteceu) casou em segundas núpcias e acreditam alguns historiadores que muito da sobriedade de Calvino adviesse de uma estrita educação imposta pela sua madrasta, uma mulher refinada. Três dos seus irmãos foram consagrados por Gerard Chauvin ao sacerdócio, numa tentativa de melhorar o patrimônio da família haja vista que na idade média as riquezas pertenciam ao clero e a nobreza. Um dos irmãos de Calvino, Charles, veio a se tornar um herético e morreu recusando-se receber os sacramentos depois de haver se tornado um clérigo em Noyon.  Pouco antes de morrer foi excomungado pela Santa Sé. Somente seu irmão mais novo, Antonie, e uma de suas duas meio-irmãs, Marie, adotaram a fé Protestante de Calvino e mais tarde o seguiriam para Genebra. Calvino latinizou o nome da família Chauvin para Calvinus de onde veio mais tarde dar no francês Calvin. Irwin (1947) registra que Calvino estudou em Noyon depois, aos 14 anos de idade, foi enviado por seu pai a Paris, aonde viria estudar na Universidade de Paris. Ele se matriculou no famoso Colige de la Marche, onde ensinavam ilustres professores, como o latinista Mathurin Cordier e que viria mais tarde passar os seus últimos anos na companhia de seu ex-pupilo em Genebra. Dali ele passou para o ainda mais famoso Collége de Montaigu, aonde viria encontrar alguém que teria uma profunda influência na sua vida acadêmica que exercia uma forte influência sobre todo o corpo docente da escola, o intelectual conservador, Noel Beda. Ainda que mais tarde Calvino viesse a se afastar do conservantismo de Beda aprendeu com ele, em suas aulas de lógica, a grande arte da argumentação, que iria expressar em todo seu esplendor, na sua obra teológica. Registra-se que uma crise entre seu pai e a igreja ajudou nesta mudança que foi precipitada por uma disputa financeira entre seu pai e a catedral de Noyon, tendo o mesmo, mais tarde, sido também excomungado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Convém destacar que no mesmo ano de 1528, em que Calvino deixou a Montaigu, lá chegou àquele que viria ser seu mais austero rival, Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus e um dos maiores estimuladores da Contra Reforma. Ao mesmo tempo em que estudava Direito em Orleans, estudava grego com Melchior Wolmar, um alemão de tendência luterana, e assim vislumbrou a possibilidade de se tornar um humanista. Com a morte de seu pai, porém, em 1531, após completar o seu doutorado em Direito, ele dedico-se de corpo e alma ao estudo de línguas e de literatura, tendo, como conseqüência de seus dois novos interesses, a literatura e as idéias do florescente luteranismo. Ainda não se conhece no Brasil a influência de Lutero sobre Calvino. Em 1532, Calvino publica o seu primeiro livro, um comentário à obra De Clementia de Sêneca, este livro, Calvino já procurava induzir o Rei Francisco I a exercer clemência para com os protestantes da França. Segundo um dos seus maiores estudiosos; na contemporaneidade, John T. Macneill, esse livro tinha como intenção induzir o Rei Francisco I, a exercer clemência para com os Protestantes da França. Calvino demonstrava neste seu trabalho uma óbvia simpatia para com a causa Protestante, mas a oportunidade deveria forçar um pouco as coisas de modo que, um amigo íntimo de Calvino, Nicolas Cop, foi nomeado reitor da Universidade de Paris em 1553, e o seu discurso de posse recheado de críticas aos censores da Sorbonne, com citações que começavam com Erasmo, passando pela Doutrina Luterana da Justificação pela Fé, terminava com um veemente apelo para uma maior tolerância em relação às novas idéias religiosas da reforma protestante. O resultado foi tremendo, Nicolas e todos os seus amigos tiveram que abandonar Paris, ficando o mesmo com a cabeça a prêmio. Sem dúvida, este incidente acelerou a aproximação de Calvino com o grupo Protestante. Na sua fuga para Angoulême, Calvino encontrou na rica biblioteca de Louis de Tillet, a paz e a oportunidade para escrever suas Institutas. Depois de uma certa clandestinidade, Calvino volta a Noyon, é reconhecido, preso, solto e preso novamente para ser solto pouco tempo depois. Volta a Paris onde alguns simpatizantes dos Protestantes haviam colocado alguns cartazes desafiadores em vários pontos da cidade, o que fez recair uma violenta perseguição decretada por Francisco I sobre

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O Simbolismo da Ceia do Senhor

Antonio Maspoli   Introdução A Ceia do Senhor ou Santa Ceia como tornou-se conhecido o ritual do partir o pão e tomar o vinho no protestantismo já foi estudada exaustivamente do ponto de vista teológico.  Para uma compreensão teológica da Ceia do Senhor remetemos o leitor aos abalizados autores a seguir: São Mateus (MATEUS 26:26-30); Tillich (TILLICH, 2007, p. 163); Klein (KLEIN, 2005, p. 29); Berkhof (BERKHOF, 1992, p. 226), Lutero (LUTERO, 1993, p. 227); Calvino (CALVINO, 2006, p. 141); Hodge(HODGE, 1877; 2001).  Sob a perspectiva psicológica nem tanto. Carl Gustav Jung não pesquisou a Ceia propriamente dita. Seus estudos focaram-se mais na compreensão dos fatores que levaram um ou outro teólogo em direção a esta ou aquela interpretação sobre a Ceia.  O pensamento psicológico de Jung sobre a Ceia do Senhor é embasado teologicamente. Jung apresenta inclusive um resumo histórico das quizílias teológicas que dividiram a Igreja Cristã em torno do debate sobre a Santa Ceia. O dogma da transubstanciação é um dogma tardio, que aparece sob a égide do Sacro Império Romano Germânico já no século XI da era cristã (JUNG, 1991, pp. 27-39) O autor da transubstanciação é o Abade Pascásio Radberto “com um escrito sobre a ceia cristã, onde defendia a doutrina da transubstanciação, isto é, afirmava que o vinho e a hóstia, na comunhão, se transformavam no verdadeiro sangue e verdadeira carne de Cristo” (JUNG, 1991, p.38).  Radberto foi contestado por Sscoto Erígena, filósofo e teólogo, que “era de opinião de que a ceia nada mais representava do que uma recordação da última ceia que Jesus celebrou com os discípulos, o que aliás, toda pessoa razoável vai pensar em qualquer tempo (JUNG, 1991, p. 30). Aqui Jung coloca sua posição na boca de Sscoto Erígena e generaliza. Jung protestante, também não acreditava no dogma da transubstanciação. A doutrina protestante sobre a ceia difere da doutrina católica da transubstanciação. A Reforma Religiosa do XVI século redimensionou a controvérsia sobre a Ceia do Senhor no debate travado entre Martin Lutero, João Calvino e Ulrico Zuínglio, em alemão Ulrich (ou Huldrych) Zwingli. Jung focaliza em sua pesquisa especialmente a controvérsia entre Martin Lutero e Zuínglio sobre a Santa Ceia. A doutrina da transubstanciação foi sancionada pelo Concílio de Latrão em 1215. Lutero fora criado nesta crença e tradição. Era lhe penoso romper com este dogma. A reforma protestante, contudo, exige uma nova interpretação da ceia.  Temeroso de romper com a Igreja ele propõe uma fórmula conciliatória. Não conseguia se libertar dos aspectos sensoriais da Ceia. “Defendia portanto, a presença real de Cristo na ceia. Para Lutero o cristão recebia “no e sob o pão e o vinho, o corpo e o sangue de Cristo” (JUNG, 1991, p. 74). Esta doutrina luterana sobre a ceia do senhor recebeu o nome de consubstanciação. “Segundo a chamada doutrina da consubstanciação, está realmente presente, além da substancia do pão e do vinho, também a substância do corpo sagrado” (JUNG, 1991, p. 74). reagiram Calvino e Zuínglio. Lutero procurou refutar os argumentos contrários a sua doutrina com a doutrina da onipresença ou volipresença de Deus. Doutrina esta que afirma que Deus está presente em toda parte, logo esta presente também no pão e no vinho da ceia do Senhor. Essa afirmativa de Lutero “queria conservar a realidade da impressão sensória e de seu específico valor sentimental”no ritual da ceia (JUNG, 1991, p. 75). A posição de Lutero suscita debate e oposição. A igreja que emerge da reforma se pretende e se afirma evangélica. A centralidade de o culto protestante estar na Palavra de Deus. Da forma como Lutero colocou a questão da ceia dava a entender que o centro do eixo litúrgico deixava de ser a Palavra. A ceia poderia ocupar o lugar central da celebração protestante. Zuínglio reage. “Em oposição ao ponto de vista de LUTERO, defendia ZUÍNGLIO uma concepção puramente simbólica. Segundo ele, tratava de uma recepção ‘espiritual’ do corpo e sangue de Cristo. Este ponto de vista se caracteriza pela razão e por uma concepção ideal da cerimônia.” (JUNG, 1991, p. 75). O princípio evangélico preservado por Zuínglio em sua concepção da ceia do senhor, para Jung era a Palavra de Deus (JUNG, 1991, p. 75).  Jung não escreveu nenhuma leitura psicológica da Ceia do Senhor, escreveu sobre a Missa. O simbolismo da Santa Missa (JUNG, 1988, 205-216). A obra retrata o mistério da missa de um ponto de vista puramente fenomenológico.  Não aborda, portanto, aspectos teológicos, uma vez que as realidades da fé ultrapassam o domínio da Psicologia. A psicologia não pode asseverar juízo de valor sobre os elementos espirituais físicos da Ceia. O seu campo de atuação é limitado. Foca-se nas conseqüências da Ceia sobre aqueles que dela participam. O rito da missa é, em cada uma de suas partes, um símbolo. Símbolo, neste caso não se refere meramente a um sinal arbitrário e intencional de um fato conhecido e compreensível, mas sim a uma expressão de caráter antropomórfico e por isso mesmo vivo, válido apenas em certas condições. O símbolo é na verdade a melhor expressão possível de um mistério, mas está muito abaixo do nível do mistério que significa. A missa, portanto, é um símbolo antropomórfico, de algo sobrenatural, e que ultrapassa a capacidade de compreensão do homem, o seu simbolismo também pode ser objeto de investigação da Psicologia. “Enquanto o símbolo for vivo, é a melhor expressão de alguma coisa. E só é vivo enquanto cheio de significado. Mas, uma vez brotado dele, isto é, encontrada aquela expressão que formula melhor a coisa procurada, esperada ou pressentida do que o símbolo até então empregado, o símbolo esta morto, isto é, só terá ainda significado histórico. “(JUNG, 1991, p. 444). Tomando como modelo a interpretação psicológica realizada por Carl Gustav Jung (JUNG, 1988) sobre o sacrifico da missa esta pesquisa fará uma interpretação psicológica do ritual da Santa Ceia na tradição protestante calvinista. Não se pretende interpretar a Santa Ceia, nem em termos exegéticos e, nem em sentido teológico. A Ceia será considerada somente quanto aos seus conteúdos puramente psicológicos os quais podem ou não ser evocados

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Você se acha complexado? Todos nós somos complexados!

Dr. Antonio Maspoli A sabedoria popular incorporou a linguagem da psicologia de forma muito interessante. Geralmente quando alguém esta num ponto fora da curva, em termos emocionais, as pessoas dizem daquele sujeito: ele é complexado. Existem pessoas complexadas? O que é um complexo? Todos têm complexos? Todos são complexados? Em que sentido um complexo afeta a nossa vida? Complexo tem solução? Um complexo é um conjunto de ideias e imagens de conteúdo afetivo, que se dissociou da consciência por um trauma psicológico e, ou um conflito moral. Um complexo é autônomo e inconsciente em termos psicológicos, o que significa dizer que ele age independente da vontade do sujeito. O complexo possui o individuo e não o contrário.  Daí facilmente confundir-se um complexo com uma possessão. Em certo sentido todos somos complexados, pois todos nós possuímos complexos. Nem todos os complexos são negativos, maus, ou causam transtornos ao sujeito e aos seus relacionamentos. Existe complexo de amor, de sentimentos positivos e afetos bons. No mais das vezes, os complexos são de natureza inconsciente, encontram-se no inconsciente pessoal, confundem-se com a sombra, o lado sombrio da natureza humana. Às vezes o complexo é carregado de afeto negativo: raiva, inveja, ciúmes, ódio, medo, repulsa, compulsão etc. Nesse caso,  quando o complexo emerge na consciência humana,  faz o sujeito transbordar daquele sentimento e emoção correspondente ao complexo. Lembra-se daquela vez em que algo aconteceu, e você sentiu uma raiva desproporcional ao acontecido, e reagiu de modo intenso e desproporcional, e ficou cego de raiva, completamente tomado por sentimentos e emoções incontroláveis? Naquele  momento você foi dominado por um complexo. Ou lembra-se quando sentiu um desejo mais forte do que você? E esse desejo o dominou e você fez coisas,  que já jurou por diversas vezes,  que jamais faria?  Nesses momentos você foi dominado por um complexo. Os complexos por serem autônomos e inconscientes não estão sujeitos à vontade do sujeito. Daí a força que carregam. E quanto mais você luta contra um complexo, tanto mais ele se fortalece, como quando ocorre com uma paixão e ou um desejo muito forte. Por isso os complexos encontram-se atrás das grandes compulsões. Os complexos são os geradores, impulsionadores e mantenedores das grandes compulsões humanas. A compulsão sexual, a compulsão para comprar, a compulsão para comer, a compulsão para mentir, e mesmo a compulsão para falar, todas essas compulsões quase sempre escondem e representam um complexo. A compulsão representa o complexo em sua força e totalidade. A compulsão ocupa o lugar do complexo na consciência do sujeito. Quando um complexo é muito forte ele pode agir  sobre a personalidade do sujeito do mesmo modo de uma possessão, como ocorreu como a Sybil, aquela moça do livro e do cinema, um caso verdadeiro. Sybil apresentava dezessete personalidades diferentes, sem que uma personalidade soubesse da existência da outra, ou mesmo tivesse conhecimento da outra personalidade. Através de uma análise bem sucedida todas essas personalidades ou complexos foram integradas a sua consciência. O que fazer então?  Como lidar com um complexo? Somente por meio da análise é que um complexo pode ser integrado à consciência. Quando o complexo é integrado à consciência, a energia que ele carrega, oriunda e condensada pelo trauma que o gerou, é dissolvida e o complexo perde a sua força. Nesse caso não só o  complexo perde a sua força como o trauma e a compulsão correspondente desaparece!  A energia que antes era consumida pelo trauma e pelo complexo, agora é integrada a consciência e canalizadas para gerar saúde, criatividade, equilibro, energia, saúde e até espiritualidade. Não seja um complexado!

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As Representações Sociais do Corpo e da Sexualidade no Protestantismo Brasileiro

Antônio Maspoli de Araújo Gomes 1 maspoli@mackenzie.com.br “Pra entender a asserção de Rabi Shimon, devemos observar sua ênfase: ’não encontrei nada melhor para o (corpo do) homem do que o silêncio’; para assuntos relativos ao corpo, para temas físicos, quanto menos conversa, melhor”. (BUNIN, 1998, pp. 62) Resumo: esta pesquisa busca explicitar as representações sociais sobre o corpo e a sexualidade veiculadas no protestantismo, através da literatura publicada sobre este tema para o consumo dos membros de Igrejas. Inicialmente foram traçados dois objetivos para este trabalho: a) Explicitar as representações sobre o corpo e a sexualidade na patrística bem como no protestantismo de Martinho Lutero e João Calvino. PALAVRAS-CHAVE: Protestantismo, corpo, sexualidade. ABSTRACT: This research intended to clarify the social features on the body and sexuality linked to Protestantism, as viewed in the literature already published on this matter, for the use of church members. Primarily, two goals were established for this academic research. Firstly, it intends to demonstrate the features on the body and sexuality according to the patristic thought as well as in the Protestantism, represented by Luther and Calvin’s thought. Key Words: Protestantism, Body, Sexuality. Introdução O corpo humano é construído socialmente e historicamente determinado: Tem uma história e conta uma história. A história do corpo confunde-se com a história da filogênese humana, isto é; com a história do desenvolvimento da espécie. E reflete, de certo modo, a história social da humanidade. Neste sentido, repercute, também sobre o corpo, as contribuições das representações sociais construídas a partir das crenças e idéias religiosas. Esta assertiva é absolutamente válida quanto às representações do corpo no cristianismo as quais foram edificadas a partir da teologia cristã. Já, a história contada pelo corpo, na ontogênese, no desenvolvimento do indivíduo, reproduz de certo modo, a história da filogênese e incorpora o repertório de representações coletivas oriundas de uma determinada cultura num determinado intervalo de tempo, isto é; o corpo é histórico. Ele carrega consigo, na história do corpo individual, de um determinado indivíduo, a história do corpo da humanidade, do corpo da espécie. Esta afirmação torna-se válida também quanto à sexualidade humana. O homem exerce a sexualidade num espaço de tempo determinado atravessado pela economia, a política, teologia e, em certo sentido, pela religião. Estes fatores combinados determinam suas crenças sobre o corpo humano e sua práxis sexual. O tema do corpo no cristianismo protestante tem despertado pouco interesse dos pesquisadores no Brasil. Aqueles que pesquisam este assunto ainda são, em sua maioria, ligados às denominações protestantes, e por esta razão, dedicam seus estudos mais aos verbetes da enciclopédia teológica do que propriamente a formulação de uma teologia do corpo. Uma teologia do corpo parece não encontrar lugar nesta enciclopédia. E a tentativa de inserir o corpo nas pesquisas teológicas ocorre pela via da teologia adjetivada, da teologia pastoral. No protestantismo brasileiro, a teologia prática reflete a práxis do pastor e vincula-se a tradição denominacional e ao discurso oficial de uma determinada confissão protestante.  Isto, certamente, contribui para desestimular os estudos e pesquisas sobre o corpo e a sexualidade. Estas considerações trazem algumas questões à baila para reflexão: Quais as origens cristãs das representações do corpo e da sexualidade na Igreja Primitiva? De que forma o corpo e a sexualidade foram representados pelos pais da Igreja? Que lugar ocupa o corpo e a sexualidade na produção editorial veiculada na comunidade evangélica brasileira? Que relação existe entre as representações sobre o corpo e a sexualidade no protestantismo brasileiro com aquelas da teologia clássica do protestantismo? De que forma estas representações podem incluir as representações oriundas da cultura brasileira? Quais as implicações das representações sobre e o corpo e a sexualidade sobre a consciência individual? Quais as implicações das representações sobre e o corpo e a sexualidade sobre a saúde mental? O termo representações sociais, neste trabalho, será utilizado na mesma acepção dada por DURKHIEM (1989), MOCOVICI (1978) JODELET(1984), e BERGER (1985), isto é, aquelas representações coletivas geradas pelas crenças de um determinado grupo, no contexto de uma cultura, e que servem para organizar o conhecimento do senso comum responsável pela dinâmica da vida cotidiana. Tais representações podem ser geradas pelas crenças religiosas, pelas crenças científicas, através da mídia, por meio da empresa, por intermédio da  família e até nas relações face to face. Nesta pesquisa traba0lharemos com aquelas representações veiculadas nos livros sobre o corpo e a sexualidade que circulam no protestantismo brasileiro. Destacamos, neste trabalho, as contribuições para o estudo do corpo e da sexualidade, numa perspectiva protestante, dos pesquisadores LOTUFO JÚNIOR(1985), Corpo e dimensão espiritual; VELASQUES FILHO( 1985) Sobre comportamento protestante; MARASCHIN(1985) Fragmentos, harmonias e dissonâncias do corpo; ROSA(1985), Religião e sexualidade e; mais recentemente, o trabalho de CAVALCANTI ( 1992)  Libertação e Sexualidade. Inicialmente, foram traçados dois objetivos para este trabalho: a) Explicitar as representações sobre o corpo e a sexualidade na patrística bem como no protestantismo de Martinho Lutero e João Calvino e; b) Demonstrar como as representações do corpo e da sexualidade têm sido representadas na produção editorial e acadêmica sobre este tema no protestantismo brasileiro, especialmente na Pedagogia Sexual do Protestantismo. O Corpo nas Representações dos Pais da Igreja do I ao IV Século VERNANT ( 2002) apresenta o corpo do cidadão grego como legítimo representante do ideal da virtude que traduzia, na beleza das formas perfeitas, o sentimento produzido pela alhetéia, a verdade revelada pela natureza. O corpo grego era considerado o principal instrumento de construção e defesa da polis e por esta razão, deveria ser modelado pela prática dos esportes e pela arte da guerra. Este corpo, todavia, era considerado neutro em relação à sexualidade posto que o homem grego não conhecia o conceito de pecado sexual tal como formulado pela teologia cristã. Com algumas modificações, as representações sobre o corpo na sociedade grega foram incorporadas pelo Império Romano. A conversão do corpo helênico, moldado nos padrões de beleza grego romano, no corpo judaico cristão, obedeceu a um longo processo de transformação que durou mais de quatro séculos, do século I ao IV século d.C. O historiador BROWN,( 1990) realizou um mapeamento desta transformação utilizando como pedra de toque

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Um olhar sobre depressão e religião numa perspectiva compreensiva

Antonio Maspoli de Araujo Gomes* Resumo Esta pesquisa é uma abordagem compreensiva e interdisciplinar da depressão. As pes­quisas sobre depressão no contexto da religião ainda são escassas no Brasil. Através da revisão da literatura serão demonstrados alguns estudos que vêm sendo realizados neste campo. Busca esclarecer também algumas relações entre a depressão e as crenças religiosas. A depressão é analisada na moderna psiquiatria, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Este trabalho busca também compreender algumas relações entre depressão e religião. Palavras-chave: depressão; abordagem fenomenológica; religião e depressão; psicologia analítica de Carl Gustav Jung; psicoterapia. A glance at depression and religion in a comprehensive perspective Abstract This research is a comprehensive and interdisciplinary approach of the Depression. The research on depression in the context of religion are still scarce in Brazil. Through literature review this paper will demonstrate some studies which have been developed in this field. The relationship between depression and religion is examined in modern psychiatry, in analytical psychology of Carl Gustav Jung etc. This paper also seeks to understand some relationships between depression and religion. Keywords: depression; religion e depression; comprehensive approach; analytical psychology of Carl Gustav Jung; psychotherapy. E-mail: maspolipeixe@yahoo.com.br . Consideraciones sobre depresión y religión desde una pers­pectiva comprensiva Resumen Las investigaciones acerca de la depresión en el contexto de la religión aún son muy incomunes en Brazil. El presente trabajo intenta traer uma contribución hacia aclarar unos estudios que vienen siendo realizados en este campo. Además, busca compreen­der la posible relación entre la depresión y las creencias religiosas. És decir, considerar aspectos de la religión para el entendimiento de la depresión. Así que, las relaciones entre la depresión y la religión es analizada en la moderna psiquiatría, como también en la Psicología Analítica de Carl Gustav Jung, etc. Plantea además, entender algunas relaciones entre depresión y religión. Palabras clave: la depresión; el enfoque fenomenológica; la religión y la depresión; la psicología Analítica de Carl Gustav Jung; psicoterapia. Introdução A depressão está na ordem do dia. Dados divulgados pela Organiza­ção Mundial da Saúde (OMS) (2009) e publicados pelo Jornal o Estado de São Paulo (DEPRESSÃO. 2010) apontam que, nos próximos vinte anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doen­ças cardíacas. Segundo a OMS, a depressão será também a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção. Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas diretamente por transtornos mentais, a maioria delas nos países em desenvolvimento, segundo a OMS. As informações foram divulgadas durante a primeira Cúpula Global de Saúde Mental, realizada em Atenas, na Grécia. Os números da OMS mostram claramente que o peso da depressão (em termos de perdas para as pessoas afetadas) vai provavelmente aumentar, de modo que, em 2030, ela será sozinha a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde, afirmou à BBC o médico Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS. Ainda segundo Saxena, a depressão é mais comum do que outras doenças que são mais temidas pela população, como a Aids ou o câncer. Em todo o mundo, os deprimidos são milhões. As estatísticas mais recentes da OMS indicam que 5% da população sofrem de depressão, com prevalência das mulheres (4,5 a 9,3%) sobre os homens (2,3 a 3,2%). De qualquer modo, é previsto que 10% das pessoas podem sofrer ao menos um episódio depressivo ao longo da vida. O início da doença pode ocorrer em qualquer idade, mas a adolescência e os primeiros anos da juventude são os períodos de maior risco, sobretudo para as mulheres. Os homens, ao contrário, correm risco de sofrer de depressão prin­cipalmente entre os 35 e os 44 anos de idade. Aproximadamente, dois em cada dez casos de depressão prolongam-se no tempo, tornando-se crônicos. Nas mulheres, a frequência da cronicidade é quatro vezes maior do que nos homens. Os períodos de prevalência da depressão são mais comuns no sexo feminino, sendo 3,2% no feminino e 1,9% no masculino. Estima-se que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres passarão por períodos depressivos em 12 meses. A depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens. Em 20% dos casos, a depressão segue um curso contínuo, especialmente quando não há tratamento adequado. Embora a depressão possa se manifestar em qualquer momento, a in­cidência mais alta é nas idades médias; mas há um crescimento reconhecido durante a adolescência e o início da vida adulta. Portanto, manifesta-se com maior frequência entre os vinte e cinquenta anos. Aproximadamente dois terços das pessoas com depressão não fazem tratamento. Entre os pacientes que procuram o clínico geral, apenas 50% são diagnosticados corretamente. A maioria dos pacientes não tratados tentará suicídio pelo menos uma vez na vida. Destes, registra-se que 17% conseguem se matar. (Pfizer, 2008). Este dado tem chamado a atenção da comunidade cientifica internacional e a depressão tem sido estudada e pesquisada visando melhor compreender suas causas, seus sintomas, formas de tratamento, relação com a cultura e com a religião. Visando contribuir com estes estudos sobre o esclarecimen­to das relações da depressão com a religião no Brasil, esta pesquisa é uma abordagem compreensiva e interdisciplinar da depressão. As pesquisas sobre depressão no contexto da religião ainda são escassas no Brasil. Através da revisão da literatura, serão demonstrados alguns estudos que vêm sendo realizados neste campo; busca esclarecer também algumas relações entre a depressão e as crenças religiosas. A depressão é analisada na moderna psi­quiatria, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Este trabalho busca também compreender algumas relações entre depressão e religião. A evolução histórica do conceito de depressão A depressão é uma enfermidade classificada pelo CID-10 (CID-10, 1993) na categoria dos transtornos do humor e deve ser considerada uma doença. O tempo de duração do surto, sua intensidade e persistência variam de acordo com o tipo de depressão classificada. É

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