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O Mito de Lilith: Um Modelo do Feminino Para a Sociedade Contemporânea.

O Mito de Lilith: Um Modelo do Feminino Para a Sociedade Contemporânea. Antonio Maspoli de Araújo Gomes1 Vanessa Ponstinnicoff de Almeida2 1. Introdução A mulher do século XXI conquistou sua liberdade e sua igualdade jurídica perante a comunidade dos homens, contudo, a figura feminina continua envolta em uma bruma de mitos e de ignorância sobre seus papeis sociais. O papel que a mulher ocupa na sociedade atual demonstra claramente as conseqüências deste fato construído historicamente e que estabelece as normas que orientam sua posição no círculo social. Compreender essa dinâmica ao longo do tempo é essencial para que se identifiquem os fatores que interferem na imagem feminina e em suas possibilidades de alcance nos mais variados setores da sociedade. A mulher contemporânea é mãe, profissional, esposa e ainda deve encontrar tempo para cuidar de si. Nesse sentido, o presente estudo se propõe a compreender alguns aspectos do inconsciente e suas relações com o mito de Lilith a partir da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Pretende-se ainda demonstrar as relações possíveis entre o mito de Lilith e o lado obscuro da alma da mulher e sua integração na sociedade contemporânea. Por último esta pesquisa busca demonstrar como um mito pagão, pré-cristão, vem servindo de referência para a construção das novas imagens femininas em seus novos papeis sociais. 1 Teólogo e psicólogo jungiano. Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Pos doutor em História das Idéias pelo IEA da USP. Membro do Laboratório de Psicologia Social Estudos da Religião da USP. Professor do Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Fundador da Escola Superior de Teologia desta Universidade. 2 Psicóloga Clínica formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e aluna do curso de Especialização em Psicologia Clínica Junguiana pelo Instituto Sedes Sapientae – CRP N. 06/ 85252. 2. A Psicologia Analítica e Suas Relações Com os Mitos Pode-se afirmar que a díade masculino-feminino é universal, considerando que as questões de gênero sempre se destacaram nos mais variados estudos em toda a comunidade científica. No que diz respeito às questões psicológicas e à realidade da vida cotidiana, nota-se que grande parte dos objetos são vivenciados em pares de opostos que formam dualidades, tais como inconsciente-consciente, luz-trevas e, neste caso, masculino-feminino. A sociedade contemporânea tem buscado novos símbolos para compreender as ralações entre o homem e a mulher. Como exemplo, Withmont (2004) cita os antigos conceitos chineses de Yang e Yin, os quais incluem masculinidade e feminilidade, respectivamente, como princípios gerais ou imagens simbólicas. No entanto, o autor lembra que o uso desses símbolos não deve ser confundido com as características sexuais dos homens ou das mulheres. Ou seja, tais princípios básicos são representações puramente simbólicas das energias presentes na natureza que incluem aquilo que comumente se chama de masculinidade e feminilidade. Na filosofia chinesa, o princípio Yang é representado como elemento criador, gerador, ou ainda energia iniciadora. Simboliza a experiência da energia em seus aspectos de força, impulsividade, agressividade e rebelião. O princípio Yin, por sua vez, é representado como receptivo, dócil, retraído, frio, úmido, escuro, concreto, envolvente, continente, centrípeto, iniciador, os anseios e instintos, a escuridão e o espaço, o negativo, indiferenciado e coletivo. O autor continua, dizendo que a expressão associada ao princípio Yang é o da ordem, compreensão, iniciativa, separação e consciência, uma vez que tal princípio oferece caracterização manifesta para a orientação consciente no homem e, paradoxalmente aos traços inconscientes na mulher. Já a orientação manifesta ou consciente na mulher, seu Yin, é tido como muito mais enigmático que o princípio do Yang. Trobisch(1979) sintetizou estes princípios quando descreve uma cosmogonia indiana sobre a criação do homem e da mulher: “Conta-se, na Índia, esta lenda sobre a criação do homem e da mulher: Quando acabou de criar o homem, o Criador reparou que tinha usado todos os elementos concretos. Nada mais havia de sólido, maciço ou duro para criar a mulher. Depois de pensar muito tempo o Criador tomou a redondeza da lua, a flexibilidade da trepadeira e o farfalhar da grama, a finura da cana e o desabrochar das flores, a leveza das folhas e a serenidade dos raios do sol, as lágrimas das nuvens e a instabilidade do vento, a timidez dum coelho e a vaidade dum pavão, a maciez da penugem dum pássaro e a dureza dum diamante,a doçura do mel e a crueldade dum tigre, o crepitar do fogo e o frio da neve, a tagarelice dum papagaio e o cantar dum rouxinol! A astúcia duma raposa e a fidelidade duma leoa. Misturando todos esses elementos não sólidos, o Criador fez a mulher e a deu ao homem.” (p. 5-6) Em termos de sociedade, de maneira mais ampla, nota-se que a produção social da supremacia do masculino pelo feminino é histórica e culminou com a construção de uma estrutura social patriarcal e paternalista que, indiscutivelmente, vem sofrendo profundas transformações nas últimas décadas. Por esse motivo, é fundamental que se produzam reflexões acerca do papel da mulher e da importância do princípio feminino na sociedade, a fim de se compreender as possíveis influências desse aspecto nas relações interpessoais e na sociedade atual. Antes de qualquer afirmação, é importante ressaltar que em algumas referências à Psicologia analítica no Brasil, tanto sobre a vida, quanto sobre a obra de Jung, as primeiras traduções de obras sobre psicologia da religião deste autor, podem ter distorcido a imagem deste psicólogo contribuindo para apresentá-lo como um místico. Comparada à Psicanálise Freudiana, cujos conceitos seriam estruturados em objetos comprováveis, tais como a sexualidade e as pulsões, a psicologia analítica lidaria com conceitos alicerçados na recorrência de representações culturais. Para os críticos da metapsicologia junguiana, nada garantiria que os arquétipos e o inconsciente coletivo, por exemplo, tivessem causa psicológica empiricamente demonstrável. Nessa perspectiva, apesar das contestações dirigidas à psicologia analítica, vários teóricos, junguianos e não jungianos, acreditam que o desenvolvimento da neurociência, a nova ciência da mente, como a denominou Gardner,(1996;2000) nos últimos anos, possibilitará a compreensão das bases neurológicas do funcionamento arquetípico, além da leitura da obra de Jung por outra ótica mais próxima da objetividade científica. Assim, na base da visão junguiana

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O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto.

O  Caldeirão de Santa Cruz do Deserto. Prof. Dr. Antônio Máspoli de Araújo Gomes1 O milagre da corda A esperança é uma corda. Segundo tal rito, o oficiante – faquir, xamã… ou malabarista – lança uma corda, qual um laço. A corda eleva-se “no ar”, muito alto, sempre mais alto. Deveria cair. Mas o oficiante assegura que ela se fixou misteriosamente em algum lugar e, como prova, ele próprio ou seu discípulo sobe pela corda. A corda não se desprende. Sustenta-se, firme. E suporta o peso do homem que sobe. (Desroche 1985, p. 7). 1. Estudos sobre Messianismo no Brasil O surto messiânico milenarista que eclodiu no Brasil, em meados do século XIX e primeira metade do éculo XX, têm suas origens nas pregações de Influência de Joaquim de Flora em Portugal e na Europa, obra recentemente publicada (FRANCO; MOURÃO, 2005) por José Eduardo Franco e José Augusto Mourão (professores na Universidade Nova de Lisboa) é um dos mais importantes contributivos para o estudo do pensamento teológico e político na Idade Média. De fato, Joaquim de Flora (1130/35-1202), teólogo contemplativo da Ordem de Cluny, foi um dos mais influentes espíritos do século que marcou o nascimento da figura do intelectual e das universidades. A originalidade dos seus escritos deve-se, sobretudo à preeminência que dá no livro Concórdia Nova ao Espírito Santo, relativamente ao Pai (Idade dos Anciãos) e a Jesus Cristo (Idade dos Jovens). As duas primeiras idades correspondiam aos tempos primordiais da humanidade e à era de Cristo. Este ponto de vista transgredia a concepção comumente aceita de que o Gênesis bíblico correspondia a um Paraíso terrestre em que o homem e a mulher (Adão e Eva) tinham sido perfeitos e, por isso, felizes, até a queda pecaminosa que os fizera perder a pureza que era própria da sua grande espiritualidade. 1 Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Pós-doutor em História das Idéias pelo IEA da USP. Membro do Laboratório de Psicologia Social Estudos da Religião da USP. Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. E-mail: maspoli@mackenzie.com.br Joaquim Flora influenciou o Padre Antonio Vieira, especialmente em sua defesa perante o Tribunal do Santo Oficio. Essa defesa encontra-se publicada em dois volumes pela Universidade Federal da Bahia. Vieira influenciou com seu pensamento a construção do sonho messiânico brasileiro. DESROCHE (1985 e 2000) corrobora para aproximar o messianismo milenarista da estrutura onírica. Se a esperança é um sonho em vigília como já o queriam Aristóteles ou Platão, este sonho em vigília coletivo deve ser paradoxalmente um de seus momentos de ‘plenitude’. Cabe à sociologia esclarecer este sonho ‘da mesma maneira e pelas mesmas razões que o sonho esclarece o social’. (DESROCHE, 1985. p. 22). Pode-se considerar o sonho também como alienação. Este é o principal limite imposto aos estudos realizados a partir da matriz da psicológica histórica de Jean Pierre-Vernant e Carl Gustav Jung. Este é um risco que o pesquisador terá que correr. Assim, o sonho é a fonte conhecida de representação mitológica costumeira, o qual descreve uma situação em termos de verdade e de realidade psíquica interiores. O mito, portanto, segue essa mesma lei. COOMARASWAMY (apud. WITHMONT, 1990) coloca que a narrativa mítica tem uma validade que ultrapassa o tempo e o espaço, e é verdadeira em todo momento e em todo lugar. Ademais, é exatamente por sua universalidade que ele pode ser narrado, com igual autoridade, de vários pontos de vista diferentes. DESROCHE (1985, p. 40): Os mestres da suspeita – Marx e Nietzsche particularmente – esforçaram-se para desmascarar as ciladas da alienação. Será a esperança – como a religião – a atitude do homem que ainda não se encontrou ou então já se perdeu novamente? Ou, para retomar os termos de Marx, ‘o sol ilusório que se move ao redor do homem enquanto este não se mover ao redor de si mesmo’? ‘Alma de um mundo sem alma e espírito de uma situação sem espírito?’ ‘Auréola de um vale de lágrimas?’. Finalmente, ‘ópio do povo’? Todas essas acusações se mostram contundentes ainda mais quando tomam por alvo uma ou outra das situações correspondentes precisamente às formas quer de uma esperança volatilizada quer de uma esperança vedada… Esse ponto já foi analisado e é desnecessário voltar a ele. O fenômeno messiânico (SILVA. 2006, pp. 14-18) do campo religioso tem uma história recente na academia brasileira. Fenômenos como Canudos, Contestado, Pedra Bonita e Caldeirão foram pesquisados sob diversos aspectos: político, militar, social, econômico, etc. No entanto, esses fatos ainda não foram considerados sob a perspectiva da variável religiosa. A questão religiosa quase sempre foi deixada de lado nas pesquisas, como algo de somenos importância, seja pela falta de espaço na academia para pesquisas desta natureza, seja pela exigüidade de pesquisadores interessados neste tema. A análise destes fenômenos sob a perspectiva das ciências da religião pode contribuir para compreender importantes movimentos sociais ocorridos no Brasil em meados do século XIX e na primeira metade do século XX, como, por exemplo, a relação entre o êxodo rural e o advento do pentecostalismo e do neo-pentecostalismo. Pretende-se também colaborar para inserir na memória nacional aspectos relevantes relacionados a subcultura das classes sociais empobrecidas e excluídas da cadeia produtiva e também das grandes vertentes do cristianismo tradicional, seja do catolicismo romano, seja do protestantismo histórico. A história desses movimentos foi contada geralmente a partir da perspectiva dos vencedores, das elites dominantes. Tais narrativas tendem a privilegiar aspectos sociológicos importantes para a cultura destas e a relegar para o segundo plano aqueles aspectos relevantes para a compreensão do fato social total. Essa forma de abordagem tem levado, invariavelmente, ao esquecimento e por vezes obnubila a importância desses fenômenos para a compreensão da história das minorias, ou, dizendo de outro modo, joga no obscurantismo a história dos vencidos. Este procedimento pode levar ao esquecimento de aspectos importantes da subcultura e dos bens simbólicos desses movimentos religiosos (no caso de Canudos, a história foi contada pelos vencedores; e, na história do Caldeirão, silenciada por vencidos e vencedores). O fenômeno religioso messiânico-milenarista vem sendo pesquisado no Brasil desde meados do século XIX. Inicialmente explicado a partir de interpretações biopsicológicas e ambientalistas

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A alma tem fome de que? A alma tem fome e sede!

A Alma Tem Fome de Que? A Alma Tem Fome e Sede! Dr. Antonio Maspoli “A gente tem sede de que? A gente tem fome de que? A gente não quer só comida, A gente quer comida, diversão e arte…” (Titãs). Existe um livro do John Hillman, no qual eu estou refletindo, ao meu modo, para fazer essa reflexão, que se chama O Código do Ser. É um livro fantástico sobre o sentido da vida, escrito por um analista junguiano e cristão. Esse é um livro realmente bom de ler, você começa a ler e não para mais. Quando ouço essa música dos Titãs penso sempre na necessidade que se tem de alimentar a alma! A alma tem fome. A alma tem fome de que? Alimentar a alma. A alma precisa de alimento, e de muito alimento. A alma carece de diferentes formas de alimentos. A alma tem fome de Deus. Ela não prescinde da comunhão com Deus: “preciosas são as horas na presença de Jesus”. Isso, realmente é verdade, a gente precisa de momentos de profunda comunhão com Deus. Cada um sabe a sua necessidade. Essa necessidade varia de pessoa para pessoa. Varia também a forma de adquirir. Essa comunhão também é variável. Alimentar a alma com o alimento da pessoa de Cristo, do pão da vida, alimentar a alma com a oração, alimentar a alma com a prática do bem, ou pelo menos com a intenção de fazer o bem. Eu sou meio místico. Se não totalmente místico. Eu sou totalmente místico mesmo, porque para eu ter comunhão com Deus, eu realmente tenho que ter um tempo para ficar a sós com Deus, e falar com Deus. Eu não consigo isso de outra forma, então é necessário ter comunhão com Deus, é necessário ter uma vida de meditação. Essa também é uma experiência diferente para cada um. Existem pessoas para quem a oração é só aquela coisa formal. Hoje eu já ampliei muito esse conceito. Depois daqueles sete anos que eu acordei às quatro horas da manhã para orar e ler a Bíblia, muita coisa mudou na minha cabeça. Eu hoje acho que se você quer fazer o bem, isso por si só, é uma oração poderosa. Não precisa nem dizer “eu quero fazer o bem> Deus me ajuda!” Se você quer fazer o bem esta orando e alcançando a ajuda de Deus. Outros têm aquela necessidade de meditar mesmo, de contemplação, de buscar a Deus, de derramar o coração diante de Deus, e não tem como viver numa comunidade sem isso. Não se tem porque comunidade é uma coisa dinâmica, poderosa e tensa, muitas vezes. A comunidade é um organismo vivo. Ela passa por várias situações de conflitos, de tensões, e é preciso alimentar a alma. Alimentar a alma com o alimento da pessoa de Cristo, do pão da vida, alimentar a alma com a oração, alimentar a alma com a prática do bem, ou pelo menos com a intenção de fazer o bem. Aí eu colocaria uma coisa fundamental para desintoxicar a alma: o perdão. O perdão tem um poder de libertação, de cura, imenso. Primeira paciente que Freud atendeu – vocês podem procurar na internet “O Caso Ana O”, porque assim foi classificado por ele, que é o caso clássico, hoje, no mundo inteiro. Também, se quiserem, podem adquirir o vídeo, eu prefiro o vídeo Freud além da alma, que foi o filme escrito por Jean Paul Sartre – um negócio fantástico de ver, muito bem feito, porque foi Sartre quem fez sobre a vida, a pesquisa e a obra de Freud. Então, é uma síntese do pensamento do “bom velhinho” lá. O Caso Ana O, era uma paraplégica, e a única coisa que Freud fez foi ouvi-la e, literalmente, aceita-la. E a seu modo, perdoá-la. E ela andou. Ainda bem que ele não resolveu fundar uma Igreja pentecostal (rsrsrsr). E a única coisa que Freud fez foi ouvir compreender e perdoar. Quem perdoa, perdoa primeiro a si mesmo, perdoa primeiro a si próprio. Quem abençoa, abençoa a si mesmo em primeiro lugar! A alma humana tem muita fome, “ela não só quer comida, diversão e arte”. Ela quer tudo. Então precisa alimentar a alma também com atividades lúdicas. Alimentar a alma com música, alimentar a alma com a arte. Saciar alma com cinema. Alguns têm fome de ler – eu sou desses aí. Eu tenho fome de ler… Eu tenho que amanhecer o dia lendo bons livros. Sou viciado em ler, desde menino, então, sinto um vazio, uma coisa horrível, se eu não ler. Eu tenho que ler para alimentar a minha alma. Uma das compulsões que eu tenho é ler. Hilman afirma sobre a fome da alma e como alimentá-la. Essas pessoas têm que ouvir música, eu tenho uma parafernália eletrônica para ouvir boa música. Eu sou filho de músico também. Eu já fui gerado no meio da música, então é fome da alma mesmo por música. A alma tem fome. Fome de música, fome de arte, fome de cinema, fome de teatro, fome de diversão, fome de alegrai, fome de prazer. Tem mesmo! O quê que a gente observa na clínica? A pessoa chega lá com uma compulsão dessas bem loucas. Então ela começa a colocar isso para fora, a entender o que está acontecendo, a perceber que tem outras coisas que ele precisa “comer”, antropologicamente. Então ele começa a comer do corpo de Cristo, a beber do sangue de Cristo, a comer da carne da vida, a beber da água da música, a saciar a sede da arte, a sentir o gosto do lazer, o sabor do prazer… Então a compulsão começa a ceder. Naturalmente. Naturalmente, por quê? Porque a alma está se alimentando de outras coisas. A alma está se nutrindo de outras coisas. Se ela começa a ficar faminta de um lado, ela começa a comer demais de outro, a se empanturrar de toxinas. Quando a alma esta alimentada ela fica saciada de oxitocina, a substancia do amor

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Amar a si mesmo, um sentimento a ser aprendido!

Amar a si mesmo, um sentimento a ser aprendido! “Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim!” Dr. Antonio Maspoli Amar a si mesmo é um sentimento a ser aprendido. Nosso complexo cultural alimenta a baixa autoestima, nutre o desprezo por si mesmo, combate com todas as forças possíveis e impossíveis o amor próprio. Aquele que se ama, aquele que ama se a si mesmo, é visto com desconfiança. Quem já se viu uma coisa dessas? Alguém amar a si mesmo? Como é isso possível? O amor próprio, em alguns círculos, é um inimigo a ser combatido. O amor próprio é um dos pilares do bem estar e da saúde física, mental e espiritual. O respeito por si mesmo decorre do amor próprio. A autoestima depende do amor próprio. O cuidado de si mesmo é o resultado do amor próprio. Daí a pergunta: porque a sociedade tem tanto medo do amor a si mesmo? Para que a sociedade impõe a rejeição a si mesmo? A resposta é simples. Aquele que ama a si mesmo é livre. Livre para ser, é livre para decidir, é livre para existir. Aquele que se rejeita aquele que se odeia, e aquele que não se ama, empobrece a sua própria alma, esvazia a sua existência, fragiliza a sua essência. Torna-se um nada. Transmuta-se num ninguém. Transforma-se numa vítima fácil de manipulação, repressão e dominação! Amor próprio não se confunde com egoísmo. O egoísta não ama a ninguém. Nem a si mesmo e nem ao outro. O egoísta trata-se como um objeto, sente-se um objeto. Ele é um objeto de valor. Não uma pessoa de valor. Por isso o egoísta ver o outro como uma coisa a ser usada e descartada! O egoísta vive no isolamento e na prisão do ego. Uma pessoa só existe no contexto de relações humanas. Uma pessoa só existe para outra pessoa. O egoísta não existe nem para si mesmo e nem para o outro. Ele não existe para ninguém. Não é nada. O egoísta é apenas um objeto de adoração pessoal. Nem ele considera-se uma pessoa digna de ser amada. Não sabe o que é isso. Desconhece o amor. Desconhece o outro e a si mesmo. Seu ego foi coisificado, petrificado. Uma pessoa egoísta é incapaz de dar e de receber amor de outra pessoa humana. Amor próprio, portanto, não é egoísmo. O amor a si mesmo nasce do self e não do ego! Amor próprio não se confunde com narcisismo. O narcisista se alimenta da ilusão infantil de que o mundo gira ao redor dele mesmo. O narcisismo é uma patologia do amor. O narcisista imagina que é o centro do universo. Enquanto o egoísta está em dúvida se é Deus, o narcisista tem certeza. Um narcisista basta se a si mesmo, não precisa de mais ninguém. Sua frase predileta é “Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim “(Evandro e Patrícia Travassos, Ultraje a Rigor!). “ Diz o mito grego que Narciso era uma criança tão linda e admirada que sua mãe, Liríope, preocupada com esse excesso, levou-o até o sábio Tirésias. Ele lhe disse que o menino só teria uma vida longa se jamais visse a própria imagem. Por muito tempo essas palavras pareceram destituídas de sentido, mas os acontecimentos que se desenrolaram mostraram seu acerto. Na adolescência, Narciso era um jovem belíssimo, mas muito soberbo. Ao passear certo dia pelo campo, a jovem Eco o viu e se apaixonou por ele, mas o rapaz a repeliu. Um dia, cansado, Narciso dirigiu-se a uma fonte de águas límpidas. Eis então que a profecia se realiza: ao ver-se refletido no espelho das águas, enlouqueceu de amor pelo próprio reflexo. Embevecido, não tinha olhos nem ouvidos para mais nada: não comia ou dormia. Narciso só olhava para si. Apaixonado pela própria imagem, ensimesmado, busca para aplacar sua dor um outro que, sendo ele mesmo, não lhe responde. Realizasse, então, seu destino: mergulha no espelho e desaparece no encontro impossível. ” Sem a possibilidade de ver si a si mesmo, sem condições de ver o outro distinto da sua santa imagem, o narcisista mergulha nos devaneios e perde-se nas fantasias. Sem a possibilidade de reconhecimento do que é a própria imagem e do que é o outro, Narciso tornou-se pura visagem, e desfez-se nas miragens das fantasias… Condena-se a solidão absoluta. E petrifica-se nessa solidão. Narciso não cria laços; não partilha seu encanto. Não ama. Não se permite amar. Ninguém jamais o amará mais do ele mesmo. Perde-se na imagem de si. Também se perde e, no desencontro, entrega-se à repetição compulsiva, sem poder se separar da miragem idealizada.  Um narcisista é uma visagem… Amar a si mesmo é contemplar-se como uma totalidade. É ver-se como parte do universo. É olhar-se no espelho da vida como filho de Deus. É reencontrar-se no contexto de relação humanas possíveis. É redescobrir-se como parte do coração de Deus. É amar a si mesmo e aceitar as próprias fragilidades humanas, e reconhecer as próprias virtudes, sem exageros. Esse é o caminho para aceitar as fraquezas alheias. Amar a si mesmo é avaliar-se numa justa medida. Essa é a balança para se avaliar o próximo. Amar a si mesmo é a escola do amor ao próximo. Ninguém jamais amará o outro sem esse amor a si mesmo. Por isso Jesus determinou: “Amarás só teu próximo como a ti mesmo!”(Lucas 10:27).

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Emoções e sentimentos da depressão

Emoções e sentimentos da depressão   Os limites entre depressão e tristeza ainda não são muito claros. A tristeza é uma reação natural e saudável do cérebro em situações de estresse: perda de um ente querido, perda do emprego, perda do amor, doença, frustração etc. A tristeza geralmente tem uma causa determinada. O sujeito sabe por que se encontra triste, sabe exatamente qual é a causa da sua dor. Removendo-se a causa, a tristeza vai embora. A depressão também gera tristeza. A tristeza do deprimido, por outro lado, manifesta-se difusa. Não tem uma causa certa. É de longa duração, geralmente passa dos seis meses e as crises evoluem as vezes por anos, sem tratamento por vezes dura muito tempo (BOWLBY, 1985). A tristeza caracteriza-se como um dos principais sintomas da depressão, mas tristeza não é depressão. Quando alguém passa por uma situação de perda é natural que se sinta triste, chore ou se lamente. Às vezes, a pessoa mergulha numa tristeza profunda por alguma dor, perda ou luto. Esse comportamento é uma reação natural do organismo. Atualmente, entretanto, quando alguém procura um médico e queixa-se de tristeza é imediatamente medicado. A tristeza é tratada, indiscriminadamente, com o uso dos benzodiazepínicos. Tais fármacos foram descobertos em 1954 e desenvolvidos em larga escala a partir da descoberta do Clordiazepóxido, pelo químico Leo Henryk Sternback, polonês de origem judaica, nascido na Croácia. Desde então, se criou uma família de benzodiazepínicos. Tristeza é uma situação de estresse. A tristeza é um estresse intenso e profundo. A tristeza pode acontecer por uma perda, por uma dor, por um trauma, por uma doença. Às vezes, pelo envelhecimento, pelas circunstâncias da vida. A tristeza é uma dor e tem uma causa determinada. A pessoa sabe exatamente quando, como e porque ficou triste, como por exemplo, na tristeza do luto. O problema é que se a tristeza não se reverte num período de seis meses a um ano, num um período natural de luto, pode se transformar numa depressão. Depressão não é angustia. A angústia, todavia, pode ser um sintoma clássico da depressão. Não existem definições precisas da angustia. A angustia é a dor de estar vivo. Quando você percebe que está vivo, e percebe todas as implicações de existir, de ser, quando percebe a dor de estar no mundo como uma pessoa, às vezes, essa consciência dói muito. Dâmaris Cristina de Araujo Malta (2014) escreveu um texto profundo sobre Angústia, fé e sentido da vida. Para entender melhor o fenômeno da angústia, Kierkegaard divide-o didaticamente em: Angústia Objetiva e Angústia Subjetiva. A primeira se refere ao estado em que o Primeiro Homem se encontrava antes da queda, em estado ignorante ou inocente, no qual Adão desejava por algo que lhe faltava e que não será repetido por nenhum ser humano, pois este já nasceria sentindo a possibilidade do pecado e a presença da angústia, apesar de na maioria das vezes passar a vida inteira sem os compreender, não conseguindo entender o sentimento de falta. Para o autor, “a angústia tal como era em Adão jamais reaparecerá, porque Adão introduziu a pecabilidade no mundo” (KIERKEGAARD, 18–, p. 92) e cada pessoa experimenta a angústia de forma única e irrepetível (MALTA, 2014, p. 165). A angústia pode ser criativa. A angústia, quando não paralisa e encontra sentido, pode se transmutar num motor para a realização do ser e de projetos pessoais, os mais diversos. A angústia pode gerar arte, música, literatura, espiritualidade, produção etc. “A angústia possibilita a movimentação do Ser em busca de um sentido, não estamos nos referindo à angústia paralisante presente em muitos quadros clínicos de depressão, e sim à angústia provocativa, a que incomoda o Ser. A que faz o ser se dirigir ao seu modo mais autêntico de existir. A sensação de vazio impulsiona a procura por significações. Para despertar essa peregrinação é necessária a angústia, mas para senti-la não é necessário se enveredar pelos caminhos de busca de sentido. ” (MALTA, 2014, p. 179). O deprimido sofre pela ausência de amor. Ele não se sente amado e não ama. Não ama a Deus, não ama a si mesmo e, na maioria das vezes, sente medo e ansiedade diante do amor demonstrado pelo outro. O deprimido também não consegue amar o próximo. Vive aprisionado aos próprios medos, angústias, ansiedades, desilusões e decepções reais ou imaginárias. “A depressão é a imperfeição do amor. Para podermos amar, temos que ser criaturas capazes de se desesperar ante as perdas, e a depressão é a manifestação desse desespero” (SOLOMON, 2002, p. 15). Quando estão bem, alguns indivíduos deprimidos amam a si mesmos, alguns amam o próximo, alguns amam o trabalho e alguns amam a Deus. E qualquer um desses sentimentos pode fornecer o sentido vital de propósito, que é o oposto da depressão. O amor nos abandona de tempos em tempos e nós abandonamos o amor. Na depressão, a falta de significado de cada empreendimento e de cada emoção, a falta de significado da própria vida torna-se evidente. O único sentimento que resta nesse estado despido de amor é a insignificância. A ausência de amor parece estar na base do sentimento de insignificância do deprimido (RANGÉ, 2001, 145-150). Depressão é solidão, vazio existencial. Não aquela solidão natural a todo ser humano. É uma solidão maior. Trata-se daquela solidão diante do outro, o próprio Inferno de Dante. “É a solidão dentro de nós que se torna manifesta, e destrói não apenas a conexão com os outros, mas também a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo” (SOLOMON, 2002, p. 15). A depressão destrói a paz, o amor próprio e a segurança pessoal. Abala a fé e a esperança no futuro. É a mais segura das prisões humanas. O deprimido desacredita no amor, na fé e na esperança e mergulha no mais silencioso e terrível dos desesperos humanos: o desespero acompanhado, aquele que não acredita, não suporta e nem aceita a ajuda de outrem (FÉDIDA, 2002, p. 177). Mestre Aurélio (1965) conceitua solidão como “o estado do que se

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Timidez, um jeito de ser!

TIMIDEZ, UM JEITO DE SER! Dr. Antonio Maspoli Timidez é algo que afeta a todos, em algum momento. Quem nunca sentiu medo de falar em público? Quem nunca ficou ansioso diante de um encontro? Quem nunca tremeu diante da possibilidade de ser descoberto como pessoa? Quem nunca suou frio antes de se dirigir a pessoa amada? Quem nunca mudou de calçada só para não ser notado? Muitos se sentem ansiosos antes de encontrar um grupo de pessoas novas ou ir a um novo encontro, mas muitas vezes diante da situação temida, esses sentimentos desaparecem. Quando esses sentimentos continuam a afetar suas relações interpessoais com outras pessoas, impedindo-o de realizar atividades do dia-a-dia, pode haver uma chance de que você esteja sofrendo de uma forma mais intensa de timidez tambem conhecida como transtorno de ansiedade social às vezes chamado de “fobia social”. Timidez não é doença. Pode ser até um traço de personalidade, que alguns enxergam até como algo charmoso… O problema é quando a timidez evolui para um nível de ansiedade tal que causa incapacitação e paralisação. Nesse caso estamos diante de um transtorno de ansiedade cujo nome tecnico é Fobia Social. O tímido teme o lado mais obscuro de sua alma, a sua sombra. Só que não percebe que é desse lado obscuro de si mesmo que pode vir àqueles aspectos mais precisoso da sua personalidade como, a espiritualidade, a sensualidade e a criatividade. Quando o sujeito reprime o lado mais sombrio de si mesmo, e não o integra num todo harmômico, ele se fragiliza, ele se desumaniza e passa muitas vezes a ser dominado pelas trevas de si mesmo. Das trevas, contudo, Deus pode resplandescer a luz tão desejada. “ Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. ” (II Coríntios 4:4¨) O tímido pensa muito antes de tomar uma decisão. Teme se expor. Teme perder o afeto das pessoas que vivem em derredor. Teme ser rejeitado. Teme ser excluído. Teme… teme…teme…Quase sempre o tímido mergulha num mundo de fantasias de rejeição e autor rejeição. Ele sempre transfere todas as suas possibilidads de acontecer e causar para a próxima vez. Haverá uma proxima vez? Ou só haverá timidez? O tímido super valoriza o outro. O julgamento do outro norteia sua vida. A opinião do outro é sempre mais importante que seus juízos e valores. O outro esta no centro do universo, e o tímido escondido dentro de si mesmo.A timidez é uma das formas mais cruéis de repressão e prisão. A timidez passou a ter tratada mais recentemente como um transtorno de ansiedade. É a ansiedade social. Essa ansiedade é uma forma extrema de timidez. Geralmente esse comportamento leva o sujeito para um mundo obscuro de sentimentos de autoconsciência negativa, inferioridade e temor do julgamento dos outros em situações sociais. Mundialmente é a terceira forma mais comum de distúrbio psicológico, depois da depressão e do alcoolismo. Existem dois tipos principais de ansiedade social: fobia social específica, quando alguém sente medo social e sente-se incapaz de se misturar com as outras pessoas e conviver normalmente na maioria das situações; e existe outra fobia social peculiar quando em uma situação particular, o sujeito sente medo de falar em público ou comer na frente de outras pessoas. Esse sentimento faz com a ansiedade chegue ao seu ponto máximo paralisando a pessoa. Ela começa então a suar frio, a tremer, a sufocar… Nesse momento se sente sob um severo julgamento público e imagina que todas as coisas podem dar errado. Geralmente o tímido é tomado por sentimentos de estranhamento diante do outro e pode se sentir como se todo mundo estivesse olhando para ele somente para julga-lo e condená-lo e jamais para ama-lo, e aceita-lo. Esse sentimento pode ser extremamente incapacitante, gerando condutas de evitação. A pessoa passa então a evitar todas as situações que podem fazê-lo sentir-se ansioso. A consequencia é o fechar-se num mundo de solidão e fantasias de rejeição. Isso pode gerar sérias dificuldades em formar novos relacionamentos e manter aqueles que já existem. O tratamento da fobia social é geralmente muito bem sucedido. Ansiedade social afeta as pessoas de maneiras diferentes, mas existem alguns sinais e sintomas que podem ajudar a identificar o problema. Os sinais físicos: sudorese, palpitações (sensação de batimento cardíaco aumentado ou irregular), boca seca, rubor e tremor são sintomas comuns de ansiedade. Você também pode achar que é difícil respirar. Pode sentir ainda que tudo o que sente pode transformar em um ataque de pânico. Às vezes, o medo dos sintomas em si pode causar um ciclo vicioso. Para piorar a situação o tímido imagina que tudo aquilo que sente é também percebido pelas pessoas que estão em seu entorno. Sinais psicológicos: Alguém com uma fobia social pode ser excessivamente analítico sobre um evento social normal. O tímido pode ser extremamente severo consigo mesmo. No caso de alguns cristãos com esse disturbio, eles costumam desenvolver um tribunal interior muito cruel onde se auto julgam e se auto condenam com muita severidade e crueldade. Depois o individuo pode se fixar num futuro negativo onde tudo pode dar errado, ou permanece ruminando sobre uma situação que já passou. Outro comportameto caracetristico da timidez é aquele de colocar na cabeça que fez tudo errado, e ainda preocupar-se demasiadamente sobre o que os outros pénsam respeito de si mesmo. Muitas pessoas com fobia social estão cientes do problema, e encontram maneiras de contornar essa situação. Quano isso não acontece o sujeito pode inclusive evitar situações sociais lançando mão do uso de drogas e álcool. O álcool é mais provável de ser utilizado por homens para ajudá-los a relaxar de modo que possam funcionar normalmente numa situação social estressante, e para aliviar os sintomas da ansiedade. Hoje o alcool tem sido usado igualmente pelas mulheres, especialmente pelas mais jovens. Se o álcool é regularmente utilizado para escamotear problemas de ansiedade , ele pode se tornar um grande problema de

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