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FONTES DO MESSIANISMO MILENARISTA BRSILEIRO

Antônio Maspoli RESUMO A estrutura complexa do messianismo amplia o espaço caudal de fontes onde se deve buscar suas origens. No Brasil, o manancial de fontes messiânicas é igualmente imenso: o Judaísmo Antigo, no Velho Testamento; o Cristianismo Primitivo, no Novo Testamento; o Mito Indígena, na Terra Sem Males; o Catolicismo Ultramontano com as contribuições de Joaquim de Fiore e de Gonçalo Anes, O Bandarra; o Sebastianismo; o sonho escatológico do Padre Antônio Vieira; o catolicismo popular da Missão Abreviada; a obra piedosa do Padre Ibiapina; etc. A partir dessas contribuições, essa pesquisa apresenta as fontes dos messianismos e traçou a árvore genealógica literaria, mítica e religiosa dos messianismos brasileiros. O método de pesquisa utilizado partiu dos princípios gerais da a análise de temática proposta pela análise de conteúdo de acordo com o modelo teórico formulado por BARDIN (1977). Palavras-chave: Messianismo, Messias, Milerarismos, Religião, Antropoligia O milagre da corda A esperança é uma corda. Segundo tal rito, o oficiante – faquir, xamã… ou malabarista – lança uma corda, qual um laço. A corda eleva-se “no ar”, muito alto, sempre mais alto. Deveria cair. Mas o oficiante assegura que ela se fixou misteriosamente em algum lugar e, como prova, ele próprio ou seu discípulo sobe pela corda. A corda não se desprende. Sustenta-se, firme. E suporta o peso do homem que sobe. (Desroche 1985, p. 7) 1. Estudos sobre Messianismo no Brasil O fenômeno messiânico (SILVA, 2006, p. 14-18) do campo religioso tem uma história recente na academia brasileira. Fenômenos como Canudos, Contestado, Pedra Bonita e Caldeirão foram pesquisados sob diversos aspectos: político, militar, social, econômico, etc. No entanto, esses fatos ainda não foram considerados sob a perspectiva da variável religiosa.                A questão religiosa quase sempre foi deixada de lado nas pesquisas, como algo de somenos importância, seja pela falta de espaço na academia para pesquisas dessa natureza, seja pela exigüidade de pesquisadores interessados neste tema. No prefácio, da 2ª edição, da obra de Maria Isaura Pereira de Queiroz, O Messianismo no Brasil e no Mundo, Roger Bastide aponta a necessidade de pesquisar e estudar o messianismo milenarista brasileiro, também sob a perspectiva da religião. No final desta Introdução, pode já ter o leitor uma noção da quantidade de  novidades que este livro apresenta, de sugestões, de demonstrações, de perspectivas; como renova problemas antigos – ao mesmo tempo em que sintetiza as contribuições mais sólidas dos predecessores. O único ponto talvez que comportaria ainda desenvolvimento, seria o aspecto religioso do messianismo (que a Autora não abordou, pois preferiu se colocar na perspectiva sociológica que o trabalho apresenta). (BASTIDE, 1976, p. XX) Essa pesquisa partiu da premissa que a variável econômica, embora relevante por si só, não é suficiente para explicar a complexidade desses movimentos que têm suas raízes na alma religiosa e mítica do povo português e brasileiro. A partir destas contribuições, essa pesquisa analisou as fontes da messianismo brasileiro e traçou a árvore genealógica mítico religiosa desses movimentos, mormente no nordeste do Brasil. A partir dessas contribuições, essa pesquisa apresenta as fontes dos messianismos e traçou a árvore genealógica literaria, mítica e religiosa dos messianismos brasileiros. O método de pesquisa utilizado partiu dos princípios gerais da a análise de temática proposta pela análise de conteúdo de acordo com o modelo teórico formulado por BARDIN (1977). A análise desses fenômenos, sob a perspectiva da religião, pode contribuir para compreender importantes movimentos sociais ocorridos no Brasil em meados do século XIX e na primeira metade do século XX, como, por exemplo, a relação entre o êxodo rural e o novo messianismo. Pretende-se, também, colaborar na inserção de aspectos relevantes na memória nacional. Tais aspectos estão relacionados à subcultura das classes sociais empobrecidas e excluídas da cadeia produtiva, e também das grandes vertentes do cristianismo tradicional, seja do catolicismo romano, seja do protestantismo histórico. “O imaginário religioso pregresso, sua exacerbação ou superação por uma nova revelação profética, está sempre presente, interpretando a realidade, postulando objetivos e indicando os meios pelos quais estes serão alcançados.” (NEGRÃO, 2009, p. 34). A história desses movimentos foi contada geralmente a partir da perspectiva dos vencedores, das elites dominantes. Tais narrativas tendem a privilegiar aspectos sociológicos importantes para a cultura dessas elites e a relegar para o segundo plano aqueles aspectos relevantes para a compreensão do fato social em sua totalidade. Essa forma de abordagem tem levado, invariavelmente, ao esquecimento e por vezes obnubila a importância desses fenômenos para a compreensão da história das minorias, ou, dizendo de outro modo, lança ao obscurantismo a história dos vencidos. Esse procedimento pode levar ao esquecimento de aspectos importantes da subcultura e dos bens simbólicos desses movimentos religiosos no caso de Canudos, a história foi contada pelos vencedores; e, na história do Caldeirão, silenciada por vencidos e vencedores. O fenômeno religioso messiânico-milenarista vem sendo pesquisado no Brasil desde meados do século XIX. Inicialmente explicado a partir de interpretações biopsicológicas e ambientalistas com Nina Rodrigues (RODRIGUES, 2006), Euclides da Cunha (CUNHA, 1966), Josué de Castro (CASTRO, 1965, s/d), dentre outros, posteriormente passou a ser interpretado a partir de variáveis sociológicas, em uma concepção do masterialismo dialético, mormente com Rui Facó (FACÓ, 1976) na obra Cangaceiros e Fanáticos e Maria Isaura Pereira de Queiroz (QUEIROZ, 1976). Maria Isaura Pereira de Queiroz elaborou uma tipologia desses movimentos. Mauricio Vinhas de Queiroz(1977) pesquisou uma das maiores revoltas camponesas da história da humanidade aconteceu numa região disputada pelos estados de Santa Catarina e Paraná no sul do Brasil. Importante também tem sido a contribuição de Renato Queiroz (QUEIROZ, 1995) para compreender o fenômeno milenarista contemporâneo, como por exemplo, o fenômeno de Catulé. Janaina  Amado, (1978) A revolta dos Mucker -conflito Social no Brasil – aborda o mais esquecido – e desconhecido – dos conflitos messiânicos brasileiros  envolvendo os Mucker,  movimento social de colonos de descendência alemã no RS, combatido e destruído pelas tropas militares do País em 1874. Diversos autores escreveram sobre os messianismos. Aqui citaremos apenas alguns. José Lins do Rego (REGO, 1939) e Rubim Santos Leão de Aquino (AQUINO, 2006, p. 18-22), dentre outros, contaram a história de

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Uma Tipologia Atual da Depressão

Introdução Existe depressão? Ou existem depressões? Esse texto busca responder a essa questão e apresenta uma classificação atual dos vários tipos e graus dos estados depressivos. Depressão do latim depressione é uma palavra frequentemente utilizada para descrever uma gama imensa de sentimentos negativos e sombrios. Em primeiro lugar, depressão não é um estado de tristeza profunda, nem desânimo, preguiça, estresse ou mau humor. A depressão é diferente da tristeza, pois a tristeza geralmente tem uma causa conhecida e duração determinada no tempo e no espaço. Já a depressão envolve uma gama de sentimentos difusos de longa duração no tempo e no espaço, geralmente relacionados à angustia. A depressão, enquanto evento psiquiátrico e psicológico, é algo bastante diferente da tristeza. Mesmo assim, em alguns casos, podemos considerar a depressão como uma reação natural da pessoa em períodos de transição, especialmente em tempos de mudanças e crescimento, em épocas que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de desenvolvimento. O grande problema na diferenciação da tristeza em relação à depressão consiste na prevalência da tristeza como sintoma da depressão. Metaforicamente, a depressão é um túnel do qual parece impossível sair; um abismo cinzento que engole a vontade de viver; o vazio, a angústia que aperta a garganta; uma solidão sem fim. Um poço sem fundo que teima em atrair o deprimido para o seu interior desconhecido.  A depressão tem muitos nomes, todos terríveis. Eu prefiro denominá-la eclipse da alma. Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana Na atualidade, o descobrimento de medicamentos antidepressivos colocou a quimioterapia em primeiro plano no tratamento da depressão. Outro passo significativo para o tratamento da depressão, após o aparecimento, por volta dos anos 1950, dos primeiros fármacos antidepressivos, deve-se a um Prêmio Nobel, o americano Julius Axelrod, que, em 1960, descobriu as substâncias que permitem a transmissão dos impulsos nervosos neurotransmissores. Graças a essa descoberta, deu-se um passo a frente no conhecimento da noradrenalina e da serotonina, e foram desenvolvidos outros fármacos tricíclicos e inibidores das monoaminoxidases, até se chegar aos modernos SSRIs, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, aos NSRIs, inibidores seletivos da recaptação da noradrenalina etc. A depressão é uma doença antiga: sabemos bem o que significa sofrer do mal obscuro. Muitas personagens famosas do passado, como Edgar Allan Poe, Honoré de Balzac, Johan Wolfang Von Goethe, Fjodor Dostojevskij, Liev Tolstoj, Ernest Hemingway, Michelangelo Buonarroti, Carl Gustav Jung, Friedrich Nietzsche e, mais recentemente, Marylin Monroe, Virginia Woolf, Woody Allen, Vittorio Gassman, Milv, Sandra Mondaini, Ornella Vannoni, viveram esse momento terrível. A essa lista podemos acrescentar Caim, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Elias, Paulo etc. (Gn 4; 1Rs 18, 19; Rm 7). A psiquiatria moderna compreende a depressão como sendo uma desordem do funcionamento cerebral que afeta e compromete o funcionamento normal do organismo, com reflexos ou consequências na vida pessoal em seus aspectos emocionais ou psicológicos, familiares e sociais. A doença depressiva deve, portanto, ser examinada sob o ponto de vista biológico, genético, cognitivo, social, econômico, espiritual e história pessoal. A depressão corresponde a um estado de doença no qual o cérebro e a mente têm seu funcionamento normal alterado e a personalidade do paciente sofre as consequências. Dizendo de outra forma, a depressão tem sua base biológica nas alterações bioquímicas e depende de condições psicológicas do meio ambiente para ser desencadeada. Os sintomas da depressão são muito variados. Os mais comuns são: humor deprimido; irritabilidade; ansiedade e angústia; desânimo e cansaço; apatia e desinteresse; medo e insegurança; vazio e desesperança; dificuldade em sentir prazer em atividades anteriormente prazerosas; autoestima baixa; ideias desproporcionais de culpa; alterações de sono; alterações de peso; dificuldade em concentração e atenção; esquecimentos frequentes; vontade de deixar de viver; ideias de suicídio. Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais são: pessimismo; dificuldade de tomar decisões; dificuldade para começar a fazer suas tarefas; irritabilidade ou impaciência; agitação; achar que não vale a pena viver; desejo de morrer; chorar sem motivo; boca ressecada; perda do desejo sexual. 2. Classificação da Depressão A classificação psiquiátrica é mais abrangente. Basicamente, existem as depressões monopolares este não é um termo usado oficialmente e a depressão bipolar termo oficial. O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases deprimidas com fases maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só possui uma fase, a depressiva. Aparece como uma forma depressiva da doença bipolar, anteriormente chamada de psicose-maníaco-depressiva. Os pacientes depressivos bipolares são aqueles que alternam episódios de mania ou agitação com estados de melancolia geralmente na mesma intensidade. Uma classificação mais completa é aquela oferecida por Henry Ey (1965, p. 184 – 226), em que classificou as depressões a partir do curso da melancolia aguda simples nos seguintes quadros: Depressão Melancólica Simples; Depressão Maior; Melancolia Estuporosa; Melancolia Ansiosa; Distimia; Melancolia Delirante. Tal classificação segue descrita: A) Depressão Melancólica Simples. Caracteriza-se pelo surgimento de crises de tristeza e escassez de dor moral profunda. Geralmente, as crises ocorrem em intervalos de seis a sete meses. Na Antiguidade, esse quadro era denominado de melancolia com consciência.  O buraco negro da depressão pode manifestar-se sob diversas formas, pois não existe uma depressão, mas sim depressões. Compete ao psiquiatra identificar os vários tipos e prescrever o tratamento adequado. O sujeito apresenta-se apático, neurastênico, fatigado. Apresenta ainda impotência diante da vida, improdutividade intelectual. O indivíduo sente-se enfermo e tem necessidade de conforto. B) Depressão Maior. Esta forma é caracterizada por humor deprimido, em que o indivíduo comunica por meio da fala, da mímica e do comportamento, uma vivência de dor e abatimento manifesta um aumento da irritabilidade, acessos de cólera, frustração, tristeza etc. Essa vivência é diferente da tristeza normal, a que cada um pode estar sujeito nas situações desfavoráveis da vida, tanto em intensidade e duração como pela sua natureza; além disso, contrariamente ao que sucede na tristeza normal, o indivíduo atingido por essa forma de depressão mostra-se insensível ao encorajamento, à amizade e ao amor. Outros sintomas associados a esses são: diminuição ou desaparecimento do interesse e do prazer em

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O Ser Humano e o Lazer

Dr. Pérsio de Deus O Ser Humano e o Lazer Quando nos propusemos a escrever este texto, não fazíamos idéia que lazer nos daria tanto trabalho. A dificuldade se apresentou pela relativa escassez de textos que abordassem o assunto dentro da perspectiva que nos propusemos. Existem diversos autores que abordam o tema do Lazer, desde os clássicos como Dumadezier, Keynes, Marx, Magalhães, Rolim, Robert Lee entre outros; mas nenhum deles sob a ótica cristã. Diversos autores como os de orientação socialista guiados pelo pensamento Marxista ou aqueles que não entenderam o que Max Weber escreveu em   “ A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo “ atribuem equivocadamente ao protestantismo a importância exagerada ao trabalho, na seguinte seqüencia: trabalho gerando produtos,  gerando consumo,  gerando riquezas. O acúmulo de bens materiais passa a ser sinal de bênçãos divinas; sem haver portanto lugar para o lazer. Pretendemos abordar o lazer quanto a seu sentido e importância, mormente nos dias atuais. Fazendo parte deste tema, surge com muita relevância e preocupação o “anti-lazer”: atividades apresentadas como formas de lazer mas que não preenchem os requisitos para serem consideradas formas de lazer. Colocaremos ainda a contribuição oferecida pelo cristianismo e pela reforma protestante que oferecem a opção ao ser humano de um lazer ético e saudável. Palavras chaves : Lazer, Ética, Lazer sob a ótica cristã Dr.Pérsio de Deus : médico formado pela UNIFESP com especialização em Psiquiatria . Pós Graduação em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pesquisador do CNPQ e do MackPesquisas, Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie até 2013, Medico do Serviço Médico do Mackenzie ABSTRACT When we set out to write this text, we had no idea that leisure would give us much trouble. The difficulty presented by the relative scarcity of texts that addressed the issue from the perspective that we set. There are several authors who address the theme of leisure, from classics like Dumadezier Keynes, Marx, Magellan, Rolim, Robert Lee and others, but none of them in the Christian perspective. Several authors, like those with a socialist or Marxist thought led by those who did not understand what Max Weber wrote in “The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism” mistakenly attribute the exaggerated importance of Protestantism to work in the following sequence: generating work products, generating consumption, creating wealth. The accumulation of material goods becomes a sign of divine blessings, so there is no place for leisure. We intend to address the leisure and the meaning and importance, especially nowadays. As part of this theme, comes with a lot of relevance and concern about the “anti-leisure” activities presented as forms of recreation that do not meet the requirements to be considered forms of recreation. Also place the contribution made by Christianity and the Protestant Reformation that offer the option to humans of a leisure ethic and healthy. Key Words : Leisure, Ethics, Leisure upon Christian perspective INDICE         1. Definição de lazer       ………………………………………………. 4         2. A importância do lazer  ……………………………………………..6         3. O Cristianismo , a Reforma Protestante e o Lazer …….11         4. O Lazer após a revolução industrial …………………………17         5. O Sentido do Lazer ………………………………………………….22         5.a O Anti-Lazer ………………………………………………………….23         5.b Modalidades de Lazer ……………………………………………24         6. Considerações finais ………………………………………………35         7. Bibliografia  ……………………………………………………………37 1. Definição de Lazer Todos temos uma idéia ou conceito de lazer circunscrita pela cultura, tempo histórico, origem étnica e religiosa; mas há a necessidade da aproximação de uma definição ou conceito sobre lazer. Esta não é uma tarefa tão fácil, pois depende do instrumento ou ponto de vista de cada área do conhecimento humano que se toma como referência  como a filosofia,história, sociologia, religião. Etimologicamente a palavra lazer vem do verbo latino libere que quer dizer lícito, legítimo, correto. Também desse verbo latino vem os vocábulos correspondentes me francês loisir  e em inglês leisure. Nos dicionários a legitimidade ou licitude do lazer está implícita em suas definições : folga, descanso, vagar, passatempo, diversão, recreação , tempo disponível ( AURÉLIO, 2004). Magalhães atribui a Cícero a seguinte frase : “Laser com dignidade, no sentido de que todo o homem depois de uma vida de duro de trabalho tem direito a um honrado repouso , ou ao que depois viria a se chamar aposentadoria . (MAGALHÃES, 1959 .) Um aspecto muito interessante é a consideração do termo lazer dentro de um contexto de tempo ligado ao trabalho, ou seja, lazer pode ser definido como o tempo disponível antes ou depois do trabalho , isto compreendido o período não ocupado no cumprimento das obrigações ou deveres habituais. Este período não ocupado compreende o sono e qualquer outra atividade livre. Uma das maiores autoridades no assunto é o sociólogo francês JOFFRE DUMADEZIER, que adota como instrumento a sociologia e indica quatro aspectos relacionados ao lazer : econômico, sociológico, psicológico e psicossociológico.    É dele a seguinte definição ( DUMADEZIER J ,1974 )                                              “Lazer é um conjunto de ocupações as quais o                                           Indivíduo pode entregar-se de livre vontade,                                           Seja para repousar, seja para divertir-se,                                           Recrear-se, entreter-se, ou ainda para desenvolver                                           Sua formação ou informação desinteressada, sua                                           Participação social voluntária ou sua livre capacidade                                           Criadora, após libertar-se ou desembaraçar-se das                                           Obrigações profissionais, familiares e sociais” Dumadezier  ( apud ROLIM,1989 ) refere que se considerado sob a ótica econômica, o lazer se coloca em oposição ao trabalho, pois enquanto este é útil, produz ganho e renda e principalmente lucro; o lazer por ser um tempo de “ não trabalho “ é vazio. Pensadores como Keynes e Marx aderem a esta posição. Sociologicamente, o autor considera que o tempo livre do lazer pode ser ocupado com atividades sociopolíticas ou religiosas, que apesar de serem propostas ou mesmo impostas pelas organizações sociais, podem ser aceitas de bom grado e vividas com prazer. Como exemplo a participação de um culto religioso no qual o fiel ao participar pode se sentir feliz, em paz, alegre e mais aliviado. Enquanto consideração psicológica , o autor considera lazer como ‘ um estilo de comportamento”  – um

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O Paciente Terminal: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio Assistido, Distanásia

Dr. Pérsio de Deus O Paciente Terminal: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio Assistido, Distanásia Resumo O Tema, Paciente Terminal: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio assistido e Distanásia é uma assunto desafiador por ser muito discutido e até controverso em Bioética. Faz-se uma revisão breve dos conceitos de bioética. Posteriormente, para se ter uma noção longitudinal to assunto, introduzem-se alguns dados antropológicos e históricos; e diversos conceitos sobre a morte são abordados. Seguindo-se , aborda-se a morte dentro do contexto das religiões. De posse destas informações, são relatados aspectos gerais da eutanásia, ortotanásia, suicídio assistido e distanásia; com uma tentativa de isenção em relação aos temas; justamente pela discussão e controvérsia que geram em diversas áreas do saber. Estas divergências existem no campo teológico, na área da medicina, e inclusive na bioética. Posteriormente são abordados individualmente os temas: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio assistido e Distanásia. Finalizando a presente comunicação, são relatadas diversas experiências do conhecimento geral referentes a estas condutas . Abstract The Theme, Terminal Patient: Euthanasia, Orthotanasia, Assisted Suicide and Distaniasia is a challenging subject because it is much discussed and even controversial in Bioethics. A brief review of the concepts of bioethics is given. Subsequently, to get a longitudinal notion to subject, some anthropological and historical data are introduced and several concepts about death are addressed. Next, death is approached within the context of religions. With this information, general aspects of euthanasia, orthothanasia, assisted suicide and dysthanasia are reported; with an attempt to exempt the subjects, precisely because of the discussion and controversy they generate in various areas of knowledge. These divergences exist in the theological field, in the area of ​​medicine, and even in bioethics. Subsequently, the following themes are addressed individually: Euthanasia, Orthopathy, Assisted Suicide and Distaniasia. At the end of this communication, several experiences of general knowledge regarding these conducts are reported. Dr Persio Ribeiro Gomes de Deus: possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP.  Especialista em Psiquiatria pela APM. Mestrado em ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.Professor do Mackenzie até 2013. Medico do Serviço Médico do Mackenzie. Pesquisador do CNPQ na área de Religiosidade e Saúde. Atende em seu consultório particular em São Paulo. Indice 1. A bioética – algumas considerações de ordem geral 2. Dados antropológicos e históricos 3. A Morte no centexto da experiência religiosa 4. Eutanásia, ortotanásia, suicídio assistido, distanásia 5. Eutanásia 6. Ortotanásia 7. Suicídio assistido 8. Distanásia 9. Fatos relevantes para o tema 10. Bibliografia  1 . A bioética – algumas considerações de ordem geral A Ética é um ramo da Filosofia, configurando ciência por apresentar método e objetos próprios: a ética dedica-se à reflexão da Moral, portanto dos costumes, tradições, comportamentos circunscritos ao tempo, cultura e local determinados. A Ética tem como objetivo reflexionar sobre a conduta e o comportamento, objetivando a promoção da vida humana através da busca de um equilíbrio entre as diversas dimensões humanas ( instintos, afetos, emoções, razão) de forma a libertar o homem de opressões e tradições culturais infundadas e de buscar a dignidade da vida. O objeto da ética é a moral, mas seu objetivo é a felicidade humana, não dentro de uma visão utópica, individualista; mas uma felicidade dentro de um contexto da coletividade. ( Deus, P 2010 ) Abioética é o ramo da ética que aborda diversas questões, aspectos relativos à vida e à morte. Entre estas questões encontra-se : eutanáisa, ortotanásia, suicídio assistido e distanásia O termo bioética foi abordado pela primeira vez pelo oncologista Potter (1971), na sua obra Bioethics – Bridge to the Future e neste estudo propôs três princípios que norteariam as experiências em biomedicina , pois estava preocupado com as experiências realizadas em seres humanos. Os primeiros princípios da ética foram: Autonomia Beneficência Justiça O princípio da autonomia fazia a colocação de que o ser humano tem total e completa liberdade – autonomia – para decidir quanto a procedimentos ou ações que se referirem à sua individualidade. O princípio da beneficência colocava que procedimentos, experiências ou ações voltadas ao ser humano deveriam buscar o bem deste ser humano O princípio da justiça colocava que deveria haver igualdade e nenhuma ação poderia ser tomada beneficiando uns em detrimento ou prejudicando outros. Em 1971 na Universidade de Georgetown em Washington é criado o Instituto de Reprodução Humana e Bioética, e seu primeiro diretor foi o teólogo e Reverendo Leo Walters. A sociedade americana continuava preocupada com as experiências em seres humanos, principalmente envolvendo presidiários e pacientes terminais, e cria então a National Commission for the Protection of Human Subjects of Biomedical and Behavioral Research. Destes movimentos surgiu o relatório Belmont publicado em 1978 que confirmava os três princípios propostos em 1970 por Potter e acrescenta um quarto princípio, o da Não Maleficência. Há portanto quatro princípios passaram a nortear a  bioética ( Deus,P 2010 ) : Autonomia Beneficência Justiça Não Maleficência. Caso houvesse choque entre os princípios, prevaleceria o princípio da autonomia  De acordo com a opinião da renomada pesquisadora, Dra Maria Julia Kovács publicada no artigo “ Bioética nas questões da vida e da morte” (  Kovács, 2003 )  aponta que nas fases iniciais desta área de conhecimento havia preocupação com valores humanos; e a teologia norteou as linhas mestras. Num segundo momento, a filosofia mostrou uma vertente de secularização. Posteriormente a  bioética foi adquirindo um caráter multidisciplinar, envolvendo ciências sociais, direito, antropologia e psicologia e teologia. Nas ciências da saúde, surge a preocupação com as condutas médicas, que culminou, em 1962, no que se chamou de Comitê de Deus, ou seja, a escolha de pacientes que serão submetidos a determinados tratamentos em detrimento de outros (Pessini & Barchifontaine, 1994). Posteriormente, passaram a ter grande importância a relação médico/paciente, os aspectos relativos à auto-determinação, a autonomia e os direitos humanos. Na terceira fase das discussões da bioética começam a ter lugar as discussões envolvendo a macropolítica da saúde, a economia e a questão dos excluídos (Anjos, 2002). As atrocidades cometidas pelo nazismo, na Segunda Grande Guerra, enfatizaram a  discussão de pesquisas envolvendo seres humanos, as intenções e o sofrimento

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Uma Tipologia Atual da Depressão

UMA TIPOLOGIA ATUAL DA DEPRESSÃO Introdução Existe depressão? Ou existem depressões? Esse texto busca responder a essa questão e apresenta uma classificação atual dos vários tipos e graus dos estados depressivos. Depressão do latim depressione é uma palavra frequentemente utilizada para descrever uma gama imensa de sentimentos negativos e sombrios. Em primeiro lugar, depressão não é um estado de tristeza profunda, nem desânimo, preguiça, estresse ou mau humor. A depressão é diferente da tristeza, pois a tristeza geralmente tem uma causa conhecida e duração determinada no tempo e no espaço. Já a depressão envolve uma gama de sentimentos difusos de longa duração no tempo e no espaço, geralmente relacionados à angustia. A depressão, enquanto evento psiquiátrico e psicológico, é algo bastante diferente da tristeza. Mesmo assim, em alguns casos, podemos considerar a depressão como uma reação natural da pessoa em períodos de transição, especialmente em tempos de mudanças e crescimento, em épocas que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de desenvolvimento. O grande problema na diferenciação da tristeza em relação à depressão consiste na prevalência da tristeza como sintoma da depressão. Metaforicamente, a depressão é um túnel do qual parece impossível sair; um abismo cinzento que engole a vontade de viver; o vazio, a angústia que aperta a garganta; uma solidão sem fim. Um poço sem fundo que teima em atrair o deprimido para o seu interior desconhecido.  A depressão tem muitos nomes, todos terríveis. Eu prefiro denominá-la eclipse da alma. Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor humana Na atualidade, o descobrimento de medicamentos antidepressivos colocou a quimioterapia em primeiro plano no tratamento da depressão. Outro passo significativo para o tratamento da depressão, após o aparecimento, por volta dos anos 1950, dos primeiros fármacos antidepressivos, deve-se a um Prêmio Nobel, o americano Julius Axelrod, que, em 1960, descobriu as substâncias que permitem a transmissão dos impulsos nervosos neurotransmissores. Graças a essa descoberta, deu-se um passo a frente no conhecimento da noradrenalina e da serotonina, e foram desenvolvidos outros fármacos tricíclicos e inibidores das monoaminoxidases, até se chegar aos modernos SSRIs, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, aos NSRIs, inibidores seletivos da recaptação da noradrenalina etc. A depressão é uma doença antiga: sabemos bem o que significa sofrer do mal obscuro. Muitas personagens famosas do passado, como Edgar Allan Poe, Honoré de Balzac, Johan Wolfang Von Goethe, Fjodor Dostojevskij, Liev Tolstoj, Ernest Hemingway, Michelangelo Buonarroti, Carl Gustav Jung, Friedrich Nietzsche e, mais recentemente, Marylin Monroe, Virginia Woolf, Woody Allen, Vittorio Gassman, Milv, Sandra Mondaini, Ornella Vannoni, viveram esse momento terrível. A essa lista podemos acrescentar Caim, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Elias, Paulo etc. (Gn 4; 1Rs 18, 19; Rm 7). A psiquiatria moderna compreende a depressão como sendo uma desordem do funcionamento cerebral que afeta e compromete o funcionamento normal do organismo, com reflexos ou consequências na vida pessoal em seus aspectos emocionais ou psicológicos, familiares e sociais. A doença depressiva deve, portanto, ser examinada sob o ponto de vista biológico, genético, cognitivo, social, econômico, espiritual e história pessoal. A depressão corresponde a um estado de doença no qual o cérebro e a mente têm seu funcionamento normal alterado e a personalidade do paciente sofre as consequências. Dizendo de outra forma, a depressão tem sua base biológica nas alterações bioquímicas e depende de condições psicológicas do meio ambiente para ser desencadeada. Os sintomas da depressão são muito variados. Os mais comuns são: humor deprimido; irritabilidade; ansiedade e angústia; desânimo e cansaço; apatia e desinteresse; medo e insegurança; vazio e desesperança; dificuldade em sentir prazer em atividades anteriormente prazerosas; autoestima baixa; ideias desproporcionais de culpa; alterações de sono; alterações de peso; dificuldade em concentração e atenção; esquecimentos frequentes; vontade de deixar de viver; ideias de suicídio. Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais são: pessimismo; dificuldade de tomar decisões; dificuldade para começar a fazer suas tarefas; irritabilidade ou impaciência; agitação; achar que não vale a pena viver; desejo de morrer; chorar sem motivo; boca ressecada; perda do desejo sexual. 2. Classificação da Depressão A classificação psiquiátrica é mais abrangente. Basicamente, existem as depressões monopolares este não é um termo usado oficialmente e a depressão bipolar termo oficial. O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases deprimidas com fases maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só possui uma fase, a depressiva. Aparece como uma forma depressiva da doença bipolar, anteriormente chamada de psicose-maníaco-depressiva. Os pacientes depressivos bipolares são aqueles que alternam episódios de mania ou agitação com estados de melancolia geralmente na mesma intensidade. Uma classificação mais completa é aquela oferecida por Henry Ey (1965, p. 184 – 226), em que classificou as depressões a partir do curso da melancolia aguda simples nos seguintes quadros: Depressão Melancólica Simples; Depressão Maior; Melancolia Estuporosa; Melancolia Ansiosa; Distimia; Melancolia Delirante. Tal classificação segue descrita: A) Depressão Melancólica Simples. Caracteriza-se pelo surgimento de crises de tristeza e escassez de dor moral profunda. Geralmente, as crises ocorrem em intervalos de seis a sete meses. Na Antiguidade, esse quadro era denominado de melancolia com consciência.  O buraco negro da depressão pode manifestar-se sob diversas formas, pois não existe uma depressão, mas sim depressões. Compete ao psiquiatra identificar os vários tipos e prescrever o tratamento adequado. O sujeito apresenta-se apático, neurastênico, fatigado. Apresenta ainda impotência diante da vida, improdutividade intelectual. O indivíduo sente-se enfermo e tem necessidade de conforto. B) Depressão Maior. Esta forma é caracterizada por humor deprimido, em que o indivíduo comunica por meio da fala, da mímica e do comportamento, uma vivência de dor e abatimento manifesta um aumento da irritabilidade, acessos de cólera, frustração, tristeza etc. Essa vivência é diferente da tristeza normal, a que cada um pode estar sujeito nas situações desfavoráveis da vida, tanto em intensidade e duração como pela sua natureza; além disso, contrariamente ao que sucede na tristeza normal, o indivíduo atingido por essa forma de depressão mostra-se insensível ao encorajamento, à amizade e ao amor. Outros sintomas associados a esses são: diminuição ou desaparecimento do

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O Paciente Terminal: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio Assistido, Distanásia

Dr. Pérsio de Deus O Paciente Terminal: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio Assistido, Distanásia Resumo O Tema, Paciente Terminal: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio assistido e Distanásia é uma assunto desafiador por ser muito discutido e até controverso em Bioética. Faz-se uma revisão breve dos conceitos de bioética. Posteriormente, para se ter uma noção longitudinal to assunto, introduzem-se alguns dados antropológicos e históricos; e diversos conceitos sobre a morte são abordados. Seguindo-se , aborda-se a morte dentro do contexto das religiões. De posse destas informações, são relatados aspectos gerais da eutanásia, ortotanásia, suicídio assistido e distanásia; com uma tentativa de isenção em relação aos temas; justamente pela discussão e controvérsia que geram em diversas áreas do saber. Estas divergências existem no campo teológico, na área da medicina, e inclusive na bioética. Posteriormente são abordados individualmente os temas: Eutanásia, Ortotanásia, Suicídio assistido e Distanásia. Finalizando a presente comunicação, são relatadas diversas experiências do conhecimento geral referentes a estas condutas . Abstract The Theme, Terminal Patient: Euthanasia, Orthotanasia, Assisted Suicide and Distaniasia is a challenging subject because it is much discussed and even controversial in Bioethics. A brief review of the concepts of bioethics is given. Subsequently, to get a longitudinal notion to subject, some anthropological and historical data are introduced and several concepts about death are addressed. Next, death is approached within the context of religions. With this information, general aspects of euthanasia, orthothanasia, assisted suicide and dysthanasia are reported; with an attempt to exempt the subjects, precisely because of the discussion and controversy they generate in various areas of knowledge. These divergences exist in the theological field, in the area of ​​medicine, and even in bioethics. Subsequently, the following themes are addressed individually: Euthanasia, Orthopathy, Assisted Suicide and Distaniasia. At the end of this communication, several experiences of general knowledge regarding these conducts are reported. Dr Persio Ribeiro Gomes de Deus: possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP.  Especialista em Psiquiatria pela APM. Mestrado em ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.Professor do Mackenzie até 2013. Medico do Serviço Médico do Mackenzie. Pesquisador do CNPQ na área de Religiosidade e Saúde. Atende em seu consultório particular em São Paulo. Indice 1. A bioética – algumas considerações de ordem geral 2. Dados antropológicos e históricos 3. A Morte no centexto da experiência religiosa 4. Eutanásia, ortotanásia, suicídio assistido, distanásia 5. Eutanásia 6. Ortotanásia 7. Suicídio assistido 8. Distanásia 9. Fatos relevantes para o tema 10. Bibliografia  1 . A bioética – algumas considerações de ordem geral A Ética é um ramo da Filosofia, configurando ciência por apresentar método e objetos próprios: a ética dedica-se à reflexão da Moral, portanto dos costumes, tradições, comportamentos circunscritos ao tempo, cultura e local determinados. A Ética tem como objetivo reflexionar sobre a conduta e o comportamento, objetivando a promoção da vida humana através da busca de um equilíbrio entre as diversas dimensões humanas ( instintos, afetos, emoções, razão) de forma a libertar o homem de opressões e tradições culturais infundadas e de buscar a dignidade da vida. O objeto da ética é a moral, mas seu objetivo é a felicidade humana, não dentro de uma visão utópica, individualista; mas uma felicidade dentro de um contexto da coletividade. ( Deus, P 2010 ) Abioética é o ramo da ética que aborda diversas questões, aspectos relativos à vida e à morte. Entre estas questões encontra-se : eutanáisa, ortotanásia, suicídio assistido e distanásia O termo bioética foi abordado pela primeira vez pelo oncologista Potter (1971), na sua obra Bioethics – Bridge to the Future e neste estudo propôs três princípios que norteariam as experiências em biomedicina , pois estava preocupado com as experiências realizadas em seres humanos. Os primeiros princípios da ética foram: Autonomia Beneficência Justiça O princípio da autonomia fazia a colocação de que o ser humano tem total e completa liberdade – autonomia – para decidir quanto a procedimentos ou ações que se referirem à sua individualidade. O princípio da beneficência colocava que procedimentos, experiências ou ações voltadas ao ser humano deveriam buscar o bem deste ser humano O princípio da justiça colocava que deveria haver igualdade e nenhuma ação poderia ser tomada beneficiando uns em detrimento ou prejudicando outros. Em 1971 na Universidade de Georgetown em Washington é criado o Instituto de Reprodução Humana e Bioética, e seu primeiro diretor foi o teólogo e Reverendo Leo Walters. A sociedade americana continuava preocupada com as experiências em seres humanos, principalmente envolvendo presidiários e pacientes terminais, e cria então a National Commission for the Protection of Human Subjects of Biomedical and Behavioral Research. Destes movimentos surgiu o relatório Belmont publicado em 1978 que confirmava os três princípios propostos em 1970 por Potter e acrescenta um quarto princípio, o da Não Maleficência. Há portanto quatro princípios passaram a nortear a  bioética ( Deus,P 2010 ) : Autonomia Beneficência Justiça Não Maleficência. Caso houvesse choque entre os princípios, prevaleceria o princípio da autonomia  De acordo com a opinião da renomada pesquisadora, Dra Maria Julia Kovács publicada no artigo “ Bioética nas questões da vida e da morte” (  Kovács, 2003 )  aponta que nas fases iniciais desta área de conhecimento havia preocupação com valores humanos; e a teologia norteou as linhas mestras. Num segundo momento, a filosofia mostrou uma vertente de secularização. Posteriormente a  bioética foi adquirindo um caráter multidisciplinar, envolvendo ciências sociais, direito, antropologia e psicologia e teologia. Nas ciências da saúde, surge a preocupação com as condutas médicas, que culminou, em 1962, no que se chamou de Comitê de Deus, ou seja, a escolha de pacientes que serão submetidos a determinados tratamentos em detrimento de outros (Pessini & Barchifontaine, 1994). Posteriormente, passaram a ter grande importância a relação médico/paciente, os aspectos relativos à auto-determinação, a autonomia e os direitos humanos. Na terceira fase das discussões da bioética começam a ter lugar as discussões envolvendo a macropolítica da saúde, a economia e a questão dos excluídos (Anjos, 2002). As atrocidades cometidas pelo nazismo, na Segunda Grande Guerra, enfatizaram a  discussão de pesquisas envolvendo seres humanos, as intenções e o sofrimento

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