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Depressão – Conceito e Causas

Conceito e Causas da Depressão Antonio Maspoli   Dados da Organização Mundial de saúde afiam que em todo o mundo, os deprimidos são milhões. As estatísticas mais recentes indicam que 5% da população sofre de depressão, com prevalência das mulheres (4,5 a 9,3%) sobre os homens (2,3 a 3,2%). De qualquer modo, é previsto que 10% das pessoas podem sofrer ao menos um episódio depressivo ao longo da vida. O início da doença pode ocorrer em qualquer idade, mas a adolescência e os primeiros anos da juventude são os períodos de maior risco, sobretudo para as mulheres. Os homens, ao contrário, correm risco de sofrer de depressão principalmente entre os 35 e os 44 anos de idade. Aproximadamente dois em cada dez casos de depressão prolongam-se no tempo, tornando-se crônicos. Nas mulheres, a freqüência da cronicidade é quatro vezes maior do que nos homens. Os períodos de prevalência da depressão são mais comuns no sexo feminino, sendo 3,2% no feminino e 1,9% no masculino. Estima-se que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres passarão por períodos depressivos em 12 meses. A depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens. Em 20% dos casos, a depressão segue um curso contínuo, especialmente quando não há tratamento adequado. Depressão (do latim depressione) é uma palavra frequentemente utilizada para descrever uma gama imensa de sentimentos negativos e sombrios. Em primeiro lugar, depressão não é um estado de tristeza profunda, nem desânimo, preguiça, estresse ou mau humor. A depressão é diferente da tristeza, pois a tristeza geralmente tem uma causa conhecida e duração determinada no tempo e no espaço. Já a depressão envolve uma gama de sentimentos difusos de longa duração no tempo e no espaço, geralmente relacionados à angustia. A depressão, enquanto evento psiquiátrico, é algo bastante diferente da tristeza. Mesmo assim, em alguns casos, podemos considerar a depressão como uma reação natural da pessoa humana em períodos de transição, especialmente em tempos de mudanças e crescimento, em épocas que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de desenvolvimento. Metaforicamente a depressão é um túnel do qual parece impossível sair; um abismo cinzento que engole a vontade de viver; o vazio, a angústia que aperta a garganta; uma solidão sem fim. Um poço sem fundo que teima em atrair o deprimido para o seu interior desconhecido. A depressão tem muitos nomes, todos terríveis. A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais plausível aponta para um desequilíbrio bioquímico nas sinapses dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Na depressão, bem como em todas as psicoses em geral, o sujeito sofre de alterações nas estruturas dos neurônios, mormente no funcionamento das sinapses. Tal afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos farmacológicos e psicológicos. A medicação apropriada restaura o equilíbrio bioquímico e a psicoterapia restaura o equilíbrio psicológico e pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica A depressão manifesta-se quando determinados sistemas de transmissão entre as células do cérebro, ou seja, os neurônios se alteram. Com efeito, para que o sistema nervoso funcione bem, é necessário que a transmissão das mensagens elétricas de um neurônio para outro ocorra por meio do ponto de contato entre uma célula e outra, que se designa por sinapse. Quando uma mensagem elétrica enviada por um neurônio chega à sinapse, provoca a liberação de determinadas substâncias químicas, os neurotransmissores, que funcionam como mensageiros, depois de passarem ao neurônio seguinte, onde provocam a saída de um novo sinal elétrico. Consequentemente, quando a atividade de alguns neurotransmissores se altera, podem ocorrer transmissões perturbadas. Especificamente, no aparecimento da depressão são dois os neurotransmissores principalmente implicados: a serotonina e a noradrenalina, que estão envolvidas em todas as funções que se apresentam alteradas durante a depressão e que provocam os sintomas característicos desta (ibidem). Parece existir correlação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo, tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Trabalhos recentes demonstram que mais do que a influência genética, o ambiente familiar durante a infância pode ser um dos fatores responsáveis pelos surtos depressivos. Os eventos estressantes oriundos do meio provavelmente disparam a depressão reativa nas pessoas predispostas, vulneráveis. Citamos, como exemplo, o assédio moral no trabalho, que tem sido um fator desencadeante da depressão. A influência genética é considerada relevante. A depressão também pode ter um componente hereditário. De fato, verificou-se que essa doença tende a se apresentar mais frequentemente no seio dos elementos de uma mesma família. Essa teoria foi confirmada por vários estudos realizados em filhos de pais que sofriam de perturbações de humor, criados por pessoas não afetadas por esses problemas; verificou-se que tais indivíduos apresentavam perturbações de humor que nunca tinham se manifestado nos pais adotivos. Pode-se afirmar que, para todos eles, descrever a sensação de inutilidade, tristeza, angústia é quase nula, porque tal vivência no interior da alma do deprimido significa que qualquer coisa se rompe subitamente e faz cair a vida em pedaços, sem deixar qualquer saída. E, ao mesmo tempo, o sofrimento é tão grande que o isola completamente do mundo exterior, a ponto de parecer que os outros não conseguem compreender o tormento interior que dilacera a sua existência. A depressão, nesses casos, produz aquele sentimento de estranhamento diante do mundo e do outro, que todo deprimido conhece muito bem. Episódios depressivos e quadros de depressão podem acontecer em todas as fases do desenvolvimento humano.

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Depressão na Psiquiatria

Depressão na Psiquiatria Antonio Maspoli Introdução A depressão é uma enfermidade classificada CID-10, na categoria dos transtornos do humor, e deve ser considerada uma doença cujo tempo de duração varia com a sua classificação. É uma enfermidade marcada por crises episódicas, ou seja, tende a se repetir, produzindo, por isso, frequentes recaídas e recidivas. Consiste, no século XXI, em uma das doenças mais comuns da era moderna, embora seja conhecida desde a antiguidade. A transição entre a concepção mágico-religiosa da doença para uma compreensão da enfermidade como fenômeno natural da vida foi longa. A psiquiatria, tal como a conhecemos hoje, começou com a Stultifera Nave em fins da Idade Média. O Renascimento considerava a melancolia uma espécie de loucura parcial em oposição aos transtornos gerais da inteligência, o que não implicava, forçosamente, a ocorrência da tristeza.  Esquirol distinguia no grupo de loucuras parciais ou monomanias, uma monomania propriamente dita com um elemento de tristeza. Esta era denominada lipemania. O significado do termo melancolia, na Antiguidade Clássica, difere muito do que se utilizou no campo psiquiátrico desde o século XX. Naquela época, melancolia significava o rompimento da harmonia entre os humores do organismo, tendo como predomínio a bile negra Melanio Chole. O termo histórico não se referia aos sintomas afetivos, como ocorre atualmente (BERRY, 1988). Nos textos hipocráticos, o termo melancolia designava uma doença mental e também um tipo de temperamento e estado emocional. As obras de Hipócrates, em geral, foram conhecidas no mundo ocidental pelas suas versões latinas, surgindo a tradução de premere pressionar para baixo, referindo-se à melancolia. A doença era chamada melancolia e o sintoma, depressão. Na Idade Média, a depressão foi considerada uma força mística de alguma entidade misteriosa. Somente no século XVIII, foram realizados estudos sobre o tema, por meio de pesquisas em instituições e hospitais especializados. A partir da obra de Phillipe Pinel 1745-1826, então professor da Faculdade de Medicina de Paris, a depressão passa a ser tratada como assunto médico psiquiátrico (FOUCAULT, 1964, p. 78-84). Em 1882, o psiquiatra alemão Karl Kahlbaum, usando o termo “ciclotimia”, descreveu a mania e a depressão como estágios da mesma doença (KAPLAN; SADOCK, 1986; 2010). Os médicos do século XIX deixam indícios de darem preferência ao termo depressão. No final desse mesmo século, depressão tornou-se sinônimo de melancolia: uma condição caracterizada pela diminuição do ânimo, de coragem ou iniciativa, e uma tendência a pensamentos tristes. O termo depressão referia-se a um sintoma. (BERRY, 1988). Nesse mesmo século, a melancolia era popularmente conhecida e identificada por leigos por meio do sintoma de marcas roxas que surgiam na pele como pequenos hematomas. Essa ideia era passada de geração a geração, citava-se que a avó, tios e parentes próximos apresentavam tais sintomas quando passavam por um grande desgosto, que essa doença era comum entre a família. O termo depressão gerou em todos os tempos muita polêmica, que se arrasta até a atualidade. Kaplan e Sadock (1986; 2010) descrevem três usos diferentes para o termo depressão: o uso leigo, que se refere à tristeza e ao desânimo, não estando necessariamente relacionado a uma doença; o uso psiquiátrico, referindo-se a um sintoma geralmente relacionado ao humor depressivo; e o uso para definir uma síndrome, a partir de um conjunto de sintomas. Acrescentaram que o termo depressão tem diferentes significados em vários campos científicos. Para o neurofisiologista, depressão refere-se a qualquer diminuição na atividade eletrofisiológica, por exemplo, depressão cortical. Para o farmacologista, depressão refere-se ao efeito de drogas que diminui a atividade de um órgão. O que mais nos impressiona na história dos conceitos de depressão e melancolia é que os termos foram utilizados ao longo de mais de dois mil anos, mas com sentido bastante diferente. Autores que não aceitavam a teoria humoral mantiveram o termo melancolia. Quando se fez a síntese da doença circular, os dois termos foram mantidos, embora com significados profundamente diversos daqueles que lhes foram atribuídos anteriormente. De acordo com Kendell (KENDELL, 1993), não há, até o momento, classificação satisfatória das doenças afetivas, devido aos problemas com a depressão: variação considerável na gravidade, sintomatologia, curso e prognóstico. No entender de Henry Ey (1985), na depressão, encontram-se associados ao distúrbio de humor, a inibição e o sofrimento moral. No entanto, para Kaplan e Sadock (KAPLAN; SADOCK; GREBB, 1997; 2007) o distúrbio de humor é acompanhado de deficiências cognitivas, psicomotoras, psicofisiológicas e interpessoais. Há que se pensar na questão de que o conceito de depressão como transtorno de humor ou afeto ainda é contestado. De acordo com Sonenreich  et al (1991) e Estevão (1993), afeto não se constitui em uma função psíquica, mas em uma qualidade das vivências do ser humano. Por tal motivo, não consideram o uso de humor ou afeto como critério para definir alterações mentais, definindo depressão de outra forma: o quadro em que ocorre a lentificação dos processos psíquicos e restrição no campo vivencial. Levando em consideração o que vem nos códigos de diagnóstico em espaço relativamente curto de tempo CID – 9 a CID – 10e DSM – III a DSM – IV, não existe ainda uma unidade de pensamento entre os conceitos e a definição dos chamados transtornos de humor ou afeto, e também da depressão. No contexto da depressão, observam-se as variações: depressão unipolar ou bipolar; endógena ou reativa, psicótica ou neurótica. Buscando compreender as doenças afetivas e a depressão, presenciamos, de início, uma discussão referente à distinção entre o distúrbio bipolar, com a presença, em um único paciente, de fases de mania e depressão e distúrbios unipolares, em um mesmo doente, com a depressão ocorrendo em um quadro, sem a presença de mania ou hipomania. Até o século XIX, os conceitos de mania e depressão eram mais abrangentes que os atuais e não estava estabelecida sua correlação. O conceito de doença maníaco-depressiva ocorreu em meados do século XIX, sendo que em 1854, Falret e Barillager descreveram uma doença à qual deram o nome de “loucura circular” e, posteriormente, de “loucura de dupla forma” (FALRET, 1854). O papel de Kraepelin foi importante porque separou as doenças psicóticas e delimitou

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Angustia, Fé e Sentido da Vida

Angústia, Fé e Sentido da Vida Dâmaris Cristina de Araújo Malta   1. INTRODUÇÃO Gostaria de compartilhar com vocês a visão fenomenológica-existencial para entender a relação entre angústia, a fé e a busca de sentido para a vida. São fenômenos humanos que se interagem e que cada vez mais são discutidos, percebidos e sentidos na pós-modernidade. Segundo Mendonça (2000), o fenômeno consiste de algo. Algo que se faz presente por meio da percepção, que se deixa ser revelado e que tem relação com aquilo que se mostra e com aquele a quem se mostra, utilizando-se para isso os instrumentos epoché e “redução eidética”. O primeiro seria a “neutralização, que suspende toda posição teórica e permite perscrutar o sentido manifesto sem levar em conta qualquer critério de existência ou valor” (PIAZZA, 1976, p. 18). Por meio da epoché, coloca-se entre parênteses toda a teoria que foi adquirida até o momento e vislumbra-se o indivíduo sem qualquer juízo. A redução eidética consiste em “buscar o significado ideal e não empírico dos elementos empíricos” (MENDONÇA, 2000, p. 140). Procura encontrar a essência do fenômeno, ou seja, aquilo que identifica a coisa como tal e que se encontra perceptível a todos os seres humanos. Angústia e busca de sentido para a vida são temas existenciais e que têm sua importância no ser humano. Eles podem ser estudados separadamente, o que não será feito aqui, ambos serão interligados e estudados como interdependentes. Angústia é um sentimento individual e ao mesmo tempo, coletivo. Individual porque cada um a sente de um jeito, com uma intensidade singular e una, não sei como você a sente, mas cada um a conhece em sua individualidade. E, como disse Caetano Veloso, “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.  Coletivo porque todos a sentem. O que pode diferir é a intensidade e a sensação, mas, mesmo assim, a angústia está presente em todos nós, seres humanos, racionais, emocionais, sentimentais e espirituais. A angústia pode ser compartilhada na intersubjetividade e na intimidade. O mesmo acontece com a busca do sentido da vida, sendo apresentada como individual e coletiva. Para se estudar angústia e busca de sentido da vida é necessário entender o Homem em sua totalidade, evitando a fragmentação tão difundida pelo Positivismo. Tal pensamento assinala que a alma é igualada à consciência humana, é vista como “órgão” estruturador e organizador dos processos mentais, e não como habitante do corpo e como substância assim pensavam os primeiros filósofos. Sendo, portanto, esquecida sua parte espiritual. Spinoza acreditava que a alma seria “uma parte do intelecto infinito de Deus, isto é, uma manifestação necessária da substância divina” (ABBAGIANO, 1998, p. 30). Na realidade, esse olhar mais espiritual foi negado pela ciência positivista, que a todo o momento oculta a possibilidade do conceito alma por não ser compreendido pela racionalização humana. Mesmo com o avanço da Ciência, questões sobre a alma humana não foram respondidas. Então, surge a Psicologia Humanista que deixa de transformar o homem em partes desconectadas e passa a estudá-lo e entendê-lo em todas as suas potencialidades, em sua totalidade, e se interessa por temas que estão diretamente relacionados ao ser humano total. Muitas vezes angústia é confundida com tristeza e até mesmo com depressão. Passaremos a uma breve diferenciação. Angústia é um sentimento existencial que será detalhado ao longo deste trabalho. Tristeza é entendida como um emoção ou sintoma. Na cultura ocidental é conhecida como emoção de ordem negativa, de conotação ruim, geralmente manifestada diante de situações de sofrimento. A tristeza não é reforçada na Pós-Modernidade, em que a alegria, mesmo que superficial, é supervalorizada. Também é compreendida como um dos sintomas do quadro de pacientes depressivos, de acordo com Barbosa (2006). Depressão é uma síndrome biopsicossocial, um distúrbio do humor. Atualmente é a doença que mais tem incidência nos consultórios médicos. Em termos biológicos, há uma alteração fisiológica; em termos psicossociais, a depressão pode estar relacionada a algum sofrimento individual ou coletivo. O relacionamento do ser consigo mesmo, com os outros ou com um Ser Superior influencia seu modo de atuação e percepção do mundo. A depressão pode ser um resultado da interação do homem com o mundo, que muitas vezes lhe é inóspito. Pode ser a manifestação da escolha inautêntica do Ser, segundo termos heideggerianos, ou a falta de motivação para buscar o sentido para a vida. O avanço da ciência médica e psíquica vem possibilitando o entendimento profundo, o tratamento e a cura dessa doença, segundo Barbosa (2006) e Gomes (2007). Segundo Kierkegaard (1813-1855), a angústia é o sentimento frente à possibilidade. Não há como existir e não se sentir angustiado. Sendo a existência: o modo de ser constituído pelas relações do homem consigo mesmo, com o mundo e com Deus; é analisável em um conjunto de possibilidades cujo caráter é justamente não possuir, por si mesmo, nenhuma garantia de realização (ABBAGIANO, 1998, p. 400). O Homem se vê mergulhado em angústia diante da dimensão de Ser, frente à possibilidade do Não Ser ou pelo temor ao seu Vir a Ser, por não conhecê-lo ou pela incerteza de não concretizá-lo. Sente-se incapaz de viver em liberdade de escolhas; teme escolher, principalmente optar por seu modo mais próprio de viver no mundo, de forma angustiada, mas preenchida de sentido e de incertezas. Heidegger (1889-1976), afirmou em 1927 que a angústia também é o ponto central da existência. Por meio dela reconhecemos as possibilidades e as limitações humanas, principalmente a limitação temporal, ou seja, a morte. Estando em angústia, o Homem consegue perceber que seu Ser é um ser para a morte, não há escapatória, e assim vivencia esta vida limitada de forma plena. A compreensão do morrer origina a escolha de possibilidades próprias e únicas, levando a um existir significativo a cada indivíduo. Esse processo torna-se possível devido à presença da angústia, não como algo paralisante e desencadeante de morte existencial, mas sim como experimentação do nada, daquele vazio que impulsiona para a movimentação do Ser, para a mudança nas relações e significações. A busca por

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O que é Psicologia Dinâmica?

INTRODUÇÃO A Psicologia Dinâmica foi um sistema prático e pouco audacioso de Psicologia, fundada por ROBERT SESSIONS WOODWORTH. Ao contrário das outras, a Psicologia Dinâmica não está fundamentada em nenhum protesto a outro movimento, pelo contrário, aproveitou o que as outras escolas haviam elaborado e os aperfeiçoou dentro da Psicologia. A escola Dinâmica confessa que a Psicologia, apesar das evidentes e movimentadas diferenças existem em seus conceituadores, ela está orientada na mesma direção, isto é, o estudo e compreensão da mente e da alma. O pai da escola Dinâmica WOODWORTH diz que BERKELEY, HUME e outros da antiga Psicologia diferem dos estudiosos de hoje, somente pelos métodos empregados e não pela intensão. Segundo ele, seu método pretendia tirar conclusões nas experiências que a Psicologia teve oportunidade de acumular entraves das várias pesquisas, dos vários métodos, para ele WOODWORTH embora a conceituação de Psicologia sejam diferentes, o mais importante é que todos os movimentos sempre tiveram o mesmo fim comum, a tentativa, isto é os mesmos desejos de compreender “as operações da mente”. A Psicologia Dinâmica não pretende ser novidade, e nem pretende substituir nenhum movimento e, nem oferece salvação para os problemas já existentes na Psicologia, apenas procuram unir as soluções, bem como os problemas já existentes no seio da Psicologia. A Psicologia Dinâmica é conservadora no sentido literal do texto, não intentou fundar nenhuma escola, apenas tornar claro o que já existe. Tenta reunir as colaborações do passado e concluir suas pesquisas baseadas naquilo que outros já comprovaram como real. A Psicologia Dinâmica é a Psicologia da causa-efeito. DESENVOLVIMENTO O que interessa ao Psicólogo dinamicista é saber por que nós realizamos as coisas, como aprendemos e pensamos e porque agimos de uma determinada forma. A fim de compreender as atividades do ponto de vista causa-efeito é preciso obter a mais completa visão do processo a ser estudado, seguindo em tudo o percurso em que se desenvolve este processo e descobrir seus mínimos detalhes, suas principais tendências. A Psicologia Dinâmica tanto admite a introspecção como e extrospecção como método de Psicologia. Só depois de analisar um fenômeno de fora para dentro e de dentro para fora, é que o Psicólogo pode formular suas leis e conclusões sobre tais processos desencadeados. WOODWORTH admite que numa descrição completa do universo como sistema, incluindo tudo nele existente não haveria necessidade de noção de causa, mas para as ideias associadas a esta, de força e explicação. Observa, entretanto que tal descrição perfeita ainda não existe. Embora tenha se desenvolvido na Universidade de Columbia, a Psicologia Dinâmica não está ligada a Columbia, assim como o Estruturalismo está ligada a CORNELL, e a Psicanálise está ligada a Viena, porque a Psicologia Dinâmica não está associada a nenhum corpo de doutrina. O primeiro na Psicologia de Columbia foi JAMES McKEEN CATTELL, um dos primeiros discípulos de WUNDT. Fazendo preleções na Universidade de Chicago, associou-se a GALTON e assim aliou os seus conhecimentos com os conhecimentos experimentais de Leipizg. Entrou em contato direto com os conceitos galtonianos sobre as diferenças individuais, que muito interessou a Dinâmica, de modo que quando CATTELL montou o seu laboratório na Columbia, o estudo das diferenças individuais tornaram-se proeminentes e o trabalho realizado por CATTELL com calouros na Universidade da Columbia deixa bem patente este aspecto do seu trabalho. CATTELL certa vez, fez um pronunciamento a este respeito em que dizia: “não estou convencido de que a Psicologia deve limitar-se ao estudo da consciência propriamente dita e não existe conflito entre a análise introspectiva e a experiência objetiva, pelo contrário, elas devem cooperar, e realmente cooperam mutuamente”. O caminho seguido por WOODWORTH para a Psicologia Dinâmica, encontramos na fisiologia. WOODWORTH acreditava que em Psicologia existem três pontos, somente três pontos são considerados principais nas considerações em funções do tipo estímulo-resposta: O estímulo não é a causa da resposta, mas somente uma parte da causa. A estrutura do organismo, suas reservas de energias, suas atividades em andamento, seu estado geral, tudo isso contribui de forma decisiva numa determinação de resposta do organismo; Mesmo num sistema, como um revólver carregado a causa, isto é, o tiro não é determinado apenas pelo estímulo (a pólvora), mas a estrutura da arma, sua forma, deve ser levado em conta na determinação da causa final, o tiro; Nenhuma reação estímulo resposta pode ser considerada separadamente. Qualquer fator nervoso está sujeito a influenciar uma multidão de reações que o precedem e o acompanham. Nenhum estímulo age num organismo e produz causas sem que haja outra atividade neste organismo. O arco de reação não é uma atividade individual, indivisível, sua unidade interna pode ser dividida ao meio. A Psicologia Dinâmica muito influenciou a Psicologia do aprendizado, e que ela estabeleceu como sendo a reação do organismo ao meio ambiente, em profunda colaboração um com o outro. Para a Psicologia de WOODWORTH o aprendizado pode ser modificado de cinco maneiras: Por meio de exercícios; Por meio da associação de estímulos e repostas; Por meio de uma solução de continuidade de um processo estimulante; Uma única resposta de nível superior pode sujeitar ou anular um número determinado de respostas inferiores. EDWARD THORNDIKE também muito colaborou no advento da Psicologia e, particularmente da Psicologia Dinâmica. Aos vinte e quatro anos de idade ele escreveu o primeiro estudo sistemático da inteligência animal, por método de pesquisas em laboratórios, muito contribuindo para posteriores estudos no campo da aprendizagem. Considerações Finais A Psicologia Dinâmica absorta no trabalho da oficina científica é apenas uma tentativa de mostrar que um princípio unificador sempre esteve presente em todos os estudos realizados e desenvolvidos no campo da Psicologia. Não tendo caráter de contradizer qualquer outro movimento, não é a Dinâmica também, fértil em descobertas ou ramificações. A Psicologia Dinâmica, ao considerar sistemas tais como: o Behaviorismo, o Estruturalismo, o Hereditarismo, não os apoia de todo, e nem os refuta de todo, no entanto mais de que qualquer outra escola, a Psicologia Dinâmica reconstrói e preocupa-se com todos estes métodos e suas imperfeições particulares. Admite a influência da metafísica na Psicologia

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O que é Psicanálise?

O QUE É PSICANÁLISE ? Dr. Antonio Maspoli INTRODUÇÃO A Psicanálise interessando-se pelo comportamento normal e anormal, afastou-se dos caminhos normais percorridos pelas outras escolas. Além de ela ser uma técnica psicoterápica específica, ela buscou ser uma Psicologia geral do comportamento do homem, do seu comportamento mental. Seus métodos e até mesmo o seu nascimento em nada se assemelha com as escolas tradicionais e movimentos da Psicologia. Embora tenha sido influenciada pelos conceitos darwinianos e tenha algumas bases fisiológicas, a Psicanálise não tem suas raízes na fisiologia. Ela é atomista e não teve nenhuma relação com laboratórios ou pesquisas com animais. A Psicanálise é influenciada pelos princípios de Medicina e Psicologia Clínica. Na idade média, alguns trabalhos de monges já traziam configurações de caráter psicanalítico. Podemos citar como exemplo “Martelos para Bruxas”, escritos desta natureza encontrados na idade média. Também desta época, declarações de PHILIPPE PINEL de que as pessoas mentalmente desajustadas não eram possuídas de demônios, (conforme se imaginava na época) e em vez de tais pessoas serem perseguidas e humilhadas, estas pessoas necessitavam de cuidados e atenções da parte das pessoas mentalmente sadias. DESENVOLVIMENTO A Psicanálise nasceu realmente com SIGMUND FREUD, natural de Freiberg na Morávia. FREUD nasceu em 1856, estudou Medicina da Universidade de Viena, onde passou a maior parcela de sua vida. Foi fisiólogo e na medicina aprendeu o emprego da hipnose no tratamento de pacientes histéricos. FREUD aprendeu tal emprego da hipnose com CHARCOT. Foi nas experiências com hipnose que FREUD despertou seu interesse pelo comportamento anormal, suas causas e suas consequências. Terminando seus estudos de Medicina, FREUD montou uma clínica particular em Viena, e emprega a hipnose no tratamento de distúrbios neuróticos sendo bem sucedido. Tempos depois FREUD passa a trabalhar com BREUER, que também aplicava a hipnose em tratamentos com pessoas mentalmente anormais. Com BREUER, FREUD publica “Estudos Sobre a Histeria” obra em que eles tratam da relevância da mente. Ao separar-se de BREUER, FREUD já está com seus conceitos de Psicanálise bem desenvolvidos e ele já não utiliza o método hipnótico, passando a usar já que ele próprio havia desenvolvido a Psicanálise propriamente dita, com seu método de livre associação. A Psicanálise de FREUD é uma teoria da personalidade, é uma filosofia da natureza do homem. É uma especialização no procedimento da psicoterapia. FREUD baseou-se nas concepções da mente inconsciente ativa, de tipos sugeridos por SHAKESPEARE, GOETHE, BRENTANO e outros. FREUD teve caráter de maior participação na Psicanálise porque ele não apenas especulava, ele aplicava os seus métodos na prática. Para FREUD o que nos parece determinado e irracional como fortuito, não é, quando descobrimos suas causas e conhecemos profundamente sobre tais causas. Também segundo FREUD todo e qualquer ato, mesmo do pensamento é sempre motivado por alguma causa ou fenômeno, a força humana, a força responsável pela motivação dos atos é o “libido”. O libido é um impulso violentamente egoísta, agressivo e sexual, que constitui o “ID”. O “ID” é um componente arcaico e inconsciente do sistema de energia psíquica, que informa a estrutura da personalidade e dinamiza o comportamento humano. Segundo FREUD, todos nós possuímos uma força criadora de caráter sexual, responsável pelo prazer e auto preservação denominada “eros”, e também uma força de caráter agressivo, destruidor, que nos impulsiona para a morte, o tânatos. Ainda segundo FREUD, somos acometidos de impulsos e devemos manobra-los e segui-los de modo a satisfazer os nossos desejos sem violar as leis da sociedade. Esta busca de harmonização leva ao desenvolvimento do “ego”, o intermediário entre o princípio e o prazer, representado pelo “ID”, e o princípio da realidade que domina as nossas relações com o meio. O “superego”, que vulgarmente por consciência é o responsável pela tarefa socializante do indivíduo. Temos pois três componentes básicos do nosso sistema psíquico, que se encontram permanentemente numa internação, “numa verdadeira batalha”, de caráter constante. O “IC” em busca de sua satisfação irracional. O “ego”, a procurar um ajuste para as exigências e impulsos do “ID” ao mundo da realidade. O “superego” que teme reprimir ou aprovar o impulso que seja socialmente moral e socialmente louvável, ou que seja socialmente reprimível. Cabe a difícil tarefa de medianeiro entre o “IC” que diz “eu quero” e o “superego” que diz “não posso” ou “não devo”, sem contar o implacável e realista que cerca e reina entre ambos. O processo da Psicanálise ou tentativa de determinar ou desvendar os determinantes inconscientes irracionais, que usualmente se encontram e vagueiam nas experiências infantis, envolve primordialmente a livre associação e interpretação de ideias e dos sonhos do paciente. Na livre associação o paciente relata tudo o que lhe acuda ao espírito, tentando suplantar a censura do “ego”. Trata-se de uma comunicação e um diálogo, isto é, de caráter verbal. De ordem simbólica e que o analista terá que interpretar, no confronto com a própria linguagem usada pelo paciente. Para a Psicanálise a vida é um conflito. O indivíduo é cercado pelo seu semelhante e este tem seus próprios intentos pessoais, e o indivíduo é cercado também por forças com leis mais ou menos imutáveis. Realidade é o termo usado pela Psicanálise para definir todas estas forças e situações gerais que o indivíduo tem que enfrentar para sobreviver. Desde a sua vida intrauterina que o indivíduo enfrenta problemas para a sua sobrevivência que o induz a um comportamento mórbido. Para a Psicanálise, a compreensão das causas que levaram a tal morbidez, a compreensão do aparelho mental, é de grande relevo no diagnóstico do que se pode chamar componente psicológico de tais processos mórbidos. Depois de FREUD outros continuaram na Psicanálise, tendo alguns até desenvolvido métodos significativos baseados nos princípios de FREUD: CARL GUSTAV JUNG, que através de desenvolvimentos da Psicanálise fundou a Psicologia Analítica que dá ênfase a introversão e extroversão a determinadas funções mentais do sentir, perceber, intuir que JUNG classificou por disposições da consciência. ALFRED ADLER, que criou conceitos psicanalíticos mais simples que FREUD e JUNG. CONCLUSÃO FREUD derrubou a linha de demarcação entre a ciência natural e a ciência

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As Representações Sociais no Estudo da Religião

As Representações Sociais e o Estudo da Religião Antonio Maspoli SINOPSE: As Representações Sociais correspondem dentro da Psicologia Social a uma nova visão da psicologia. Esta pesquisa consiste numa introdução a teoria das representações sociais e sua aplicação na compreensão do fenômeno do campo religioso dentro da Psicologia Social. ABSTRACT: The theory of the Social Representation is the new look in perception of the Social Psychology. This work consists in the introduction of the social representation theory in her application order to comprehend the influence of social construction of the mentality. Consequently, this research leads to application of the social representation theory in the social construction of the religion. 1. A contribuição de Émile Durkheim no estudo das representações sociais. Dentre as ciências modernas da matriz positivista comtiana, a sociologia é de longe a que mais se tem dedicado ao estudo da religião. O estudo do fenômeno do campão religioso vem sendo sistematicamente estudado pela sociologia da religião. Sociólogos como Mauss (1903), Durkheim (1912), Bastide (1935), dentre outros renomados, deram uma importante contribuição para o estudo da religião na sociologia clássica. Esta pesquisa privilegiará o enfoque da sociologia do conhecimento, das Representações Sociais no estudo do fenômeno do campo religioso. Nos últimos trinta anos o termo representações sociais ganhou novo sentido. Hoje estes termos designam tanto um conjunto de fenômenos sociais, quanto a teoria sociológica construída para explicá-los, identificando um vasto campo de estudos sociológicos e psicossociais capazes de incluir desde os conhecimentos mobilizados pelas pessoas comuns, na comunicação informal da vida cotidiana, até as disciplinas acadêmicas que se ocupam da política, da biologia, da medicina, da informática, da psicologia, da educação e da religi Introdução A lista do campo do conhecimento, coberto pela teoria das representações sociais, é bastante extensa e ainda certamente incompleta para incluir a diversidade de assuntos que formam a subjetividade e prendem a atenção dos sujeitos nas relações interpessoais no dia a dia, servindo como elementos basilares na construção das chamadas realidades objetivas e subjetivas que servem para construir o conhecimento da vida cotidiana nos processos de socialização primária1 e socialização secundária2. As representações sociais comumente fazem uma articulação ou combinação de diferentes questões ou objetos, segundo uma lógica própria em sua estrutura abrangente de implicações, para a qual corroboram informações e julgamentos valorativos, colhidos das mais variadas fontes e experiências dos sujeitos e dos grupos nas relações interpessoais, especialmente naquelas marcadas pela interação face to face. Um delineamento formal mais recente do conceito e da teoria das Representações Sociais surgiu com o trabalho de Serge Moscovici (1961), intitulado La psychanalyse, son image et son public, a propósito do fenômeno de socialização da psicanálise, de sua massificação e apropriação de seus conceitos principais pela população parisiense, bem como do processo de sua transformação para servir a outros usos e funções sociais diversos daqueles propostos por seus autores na periferia de Paris. Moscovici foi buscar em Émile Durkheim3, em sua obra As Formas Elementares da Vida Religiosa(1989), os fundamentos para sua construção teórica. Em Durkheim as representações sociais se referem a uma classe de crenças que procurava dar conta de fenômenos como a religião, os mitos, a ciência, as categorias de espaço e tempo em termos de conhecimentos inerentes à sociedade, isto é, de como a sociedade organiza a sua realidade em termos de conhecimento. Tais crenças não são somente admitidas, a título individual, por todos os membros dessa coletividade; são a coisa do grupo e dele fazem a unidade. Os indivíduos que a compõem sentem-se ligados uns aos outros pelos laços de uma crença comum. Formando uma sociedade, cujos membros são unidos porque representam da mesma maneira o mundo sagrado e as relações deste com o mundo profano e porque traduzem esta representação comum em práticas idênticas, é o que chamamos uma religião. Ora, nós não encontramos, na História, religião sem Igreja. Ora a Igreja é estreitamente nacional, ora se estende além das fronteiras; ora compreende um povo inteiro (Roma, Atenas, o povo hebreu), ora não compreende senão uma fração (as sociedades cristãs depois do advento do protestantismo); ora é dirigida por um corpo de sacerdotes, ora é mais ou menos desprovida de órgão diretor revestido de título. Mas por toda parte em que observemos uma vida religiosa, ela tem como substrato um grupo definido. Mesmo os cultos chamados privados, como o culto doméstico ou o culto corporativo satisfazem a essa condição, porque eles são sempre celebrados por uma coletividade, a família ou a corporação. Além disso, do mesmo modo que essas religiões particulares não são, seguidamente, senão formas específicas de uma religião mais geral que abraça a totalidade da vida. Segundo Durkheim, (1912) pois, uma religião é um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas, interditas, crenças e práticas que unem, numa mesma comunidade moral, chamada Igreja, todos os que se lhes aderem. O segundo elemento que toma assim lugar em sua definição não é menos essencial que o primeiro, porque a idéia de religião é inseparável da idéia de Igreja, faz-se pressentir que a religião deve ser uma coisa eminentemente coletiva. A religião seria o útero de formação das representações sociais na concepção de Durkheim. Na sociologia durkheimiana, a sociedade é uma realidade sui generis e as representações coletivas, que a exprimem, são fatos sociais, coisas reais por elas mesmas. As representações coletivas, são o produto de uma imensa cooperação que se estende não apenas no espaço, mas no tempo; para fazê-las, uma multidão de espíritos diversos associaram, misturaram, combinaram suas idéias e sentimentos; longas séries de gerações acumularam aqui sua experiência e saber. Dessa gênese espetacular resultariam as características básicas das representações coletivas, em relação aos comportamentos e aos pensamentos individuais: autonomia, exterioridade e coercitividade. Dizendo de outra forma, os indivíduos que compõem a sociedade seriam portadores e usuários das representações coletivas, mas estas poderiam ser legitimidade reduzidas a algo como o conjunto das representações individuais, das quais difeririam essencialmente pelo seu caráter de totalidade social. A proposição do conceito de representações coletivas buscou apoio empírico

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